Karakuri Burst

78 Filha da Miriam, Filho da Annelise.


Notas iniciais
Gente, os homi tá tipo bomba e as mina bumbum granada VAI TACA TACA TACA TACA TACA CALMA LÁ ALTO LÁ O Q SER ISSO SUITI POSTANDO NO DIA DOS NAMORADOS? (っ˘з(˘⌣˘ ) ♡ *Toca hino da nação brasileira* É HEXAAAAAAAAAA SENHOR JESUS PAI AMADO ALÁ BUDA TODOS OS ORIXÁS E O CARALHO A 4 Você aí! Você mesmo que não tem namoradinha/o, a Tia Suite, pensando em você, vai te ocupar com este BÉLISSIMO CAPÍTULO DE 7K E MEIO De nada tá ♥ Eu estou o dia inteiro escrevendo Inteiro. Eu achava que desde o dia que postei o capítulo passado, eu teria mais tempo pra escrever, e que esse capítulo sairia mais cedo. MAS, PURO ENGANO Aconteceram muitas coisas. Um amigo da minha família morreu ( Era adolescente, manja ) de overdose. Meu avô caiu da escada e quebrou a mão. Ficou internado por umas duas semanas. Era como se a vida tivesse parado, cara. Fiquei doente na época dos meus testes ( Cinco provas por dia, em dois dias ). Meu óculos quebrou. Tive que estudar pra prova do curso depois de tudo. MEU FUCKING NOTEBOOK CHEGOOOOOOOOOOOOU Meu bebê, meu filho, eu que pari esse notebook da Dell, saiu da minha vcsabe msm u-u ♥♥♥ Okay, não. E também, apesar dos pesares, ainda tinha um problema. Eu constantemente sofro de um negócio que eu vou chamar de ''Crise de Responsabilidade''. É o tempo todo, TODO mesmo XD Eu não achava certo eu escrever. Me sentia horrível. Meu cérebro me martelava ''Você tem suas obrigações. O tempo que você está escrevendo já poderia ter feito isso e isso. Isso é mais importante que escrever. É mais importante que assistir Tv. É mais importante que ler. '' E no fim, eu não faço nada do que eu gosto. Mesmo que fizesse, não iria conseguir aproveitar, porque ainda ficaria me lembrando que estou fazendo coisas ''''''''Inúteis''''''' pro resto do mundo, e importantes só pra mim. Daí me vejo infeliz. Cansada. Nunca livre pra fazer o que quer. Sempre com prazo. EU SEI QUE VOCÊS SOFREM ISSO TAMBÉM E É UMA MERDA Anyway. Hoje eu faço dois anos de casamento com a minha marida, Allen, e ela me deu uma fanfic TAUM AMORZINHO de presente.~♥ VÃO VER, TIA SUITE TÁ PEDINDO ♥ Link: https://fanfiction.com.br/historia/696043/Menina_das_flores/ ♥♥♥♥♥♥~ ESCUTEM AQUI PASSAROLHOS~♥♥♥♥♥♥♥ Esse capítulo é, de longe, o mais importante de todos. Porque é nele, que eu finalmente CONTO TUDO. ABSOLUTAMENTE TUDO. NO MORE PONTAS FREE. O GRANDE MISTÉRIO E isso me deixa um poucoMUITOABSURDAMENTE emotiva Primeiro, porque é a realização de algo que planejo há mais de dois anos. Segundo, bem, nenhuma fanfic é infinita, e vocês já devem ter noção disso, maaaaaas Ainda falta um pouco, mas logo estaremos dando ''tchau, tchau'' pra Tia Suite. NÃO QUERO FALAR SOBRE ISSO SÉRIO, VCS NÃO TEM NOÇÃO DO QUANTO ISSO ME DEIXA DEPRIMIDA Eu acho que quando Karakuri, eu vou chorar um pouquinhoMUITOBASTANTE, olhar pro meu computador e pensar ''O que que eu faço da minha vida agora?'' APENAS Essa imagem parece que deu um trabalhão, mas não deu não. O PROBLEMA FOI CAÇAR ESSA IMAGEM NOS CANTOS DO INFERNO DE RE-BIRTHED E a do Lenzin ali eu tirei de outro canto obscuro Itálico e aspas = Fragmentos do passado, lembranças Eu fiz esse capítulo escutando as músicas de Shigatsu wa kimi no uso, e eu acho que elas dão aquela emoçãozinha pro capítulo~♥ Então, se possível, escutem elas enquanto leiam: https://www.youtube.com/watch?v=i79M4nKW1Ms AH, POVO DAS FANFICS Eu já comento. Calma aí. Parece que um gambá morreu no meu quarto. E na verdade o gambá sou eu. Sou Sweet, o Gambá que digita. Vou arrumar meu ninho, caçar alimento, me banhar e brigar com guaxinins, e já venho comentar/responder~♥ HAVE FUN, AND ENJOOOOOY ♥

RIN POV’S ON

Meu braço continuava no ar, segurando o revólver com uma força que nem sabia que tinha. Eu ainda apertava as pontas dos meus dedos em cada canto da arma, com medo de fazer merda sem ao menos perceber. A boca do revólver apontava para o lado contrário de meus olhos, me fazendo acreditar que iria acertar um bom pedaço de parede do que qualquer coisa.

Na primeira chance que tive, olhei pra ele. Olhei seus ombros desalinhados. O direito mais alto. O esquerdo caído. Eles subiam e desciam numa respiração normal que eu sabia que não era normal. Me lembrei do seu braço, do estilete, do chão, do corte e da minha mão. Me lembrei de como eu olhava pra trás com uma arma apontada pra frente.

Dei um passo pra trás, batendo minhas costas nas dele. Passei a olhar para onde o revólver apontava, voltando a mirar na Hatsune. Me virei para ele novamente, deitando minha cabeça no topo do seu ombro direito, esperando que ele falasse comigo, mesmo sabendo que isso não iria acontecer. Minhas costas nas dele, e suas costas nas minhas não me proporcionavam o melhor contato visual, mas eu não precisava de muito esforço para perceber que ele não estava bem.

Meus olhos então desviaram para o mesmo lugar que ele olhava. Eu me senti mal. Aquele homem me trazia memórias que se transbordavam em minha cabeça. Que bagunçavam minha saúde mental, que já não era a das melhores. Que me deixavam confusa, mas que me davam a vaga noção de quem ele era, ou pelo menos, a quem eu lembrava que era, ou parecia ser.

Me afastei de Len quando não aguentei mais fingir que estava bem. Cobri os olhos com a mesma mão que segurava uma arma carregada. Não conseguia mais mexer a outra. Pensava na merda que ele fez, toda vez que me atrevia a dar um passo ou me deixava encostar em algo. Porra. Apertei meus lábios com força, franzindo minhas sobrancelhas, não querendo ficar triste. Não queria admitir pra mim mesma que aquilo estava acontecendo. Não queria admitir que agora eu me afetava. Tudo o que eu achava que conseguia sentir era raiva. Muita raiva. Mas era mentira. Não era só isso. Tinha a culpa. A desistência. A tristeza. E mesmo acordada de algo que pareceu um pesadelo, eu ainda não consigo entender todas as coisas que deveria. E mesmo se eu conseguisse, tudo estaria acabado.

Mas as consequências do que eu fiz iriam durar pra sempre.

—Rin.

Ele chamou pelo meu nome.

Afastei a arma do meu rosto, olhando pra ele. O peguei com os olhos em mim, me observando em silêncio, enquanto fazia aquilo que ele sempre fazia. Me perguntava sem som um simples ‘’O que foi?’’ que eu sabia que ele já tinha uma vaga ideia do que era. Ele sempre tinha. Mesmo em meio a uma expressão séria que geralmente denunciava seu mau humor, ainda reconhecia seu jeito. Len não estava completamente virado pra trás, tanto que evitava se aproximar ainda mais. Percebi que ele tinha escolhido tratar as coisas com frieza. Pelo menos por hora.

Balancei a cabeça de um lado a outro.

‘’Nada’’.

—Quantos,— Leon andava sem pressa, pisando duro no chão de maneira proposital. — Quantos anos se passaram mesmo? Dez, doze?

Len arqueou as sobrancelhas, achando engraçado. E então, sorriu.

—Onze.

Respirei com dificuldade, sentindo meus lábios tremerem. Corri meus olhos pela sala, me assustando com as poças de sangue que eu mesma havia criado. Olhei para Gumi, deitada no colo do Piko, que a apertava contra seu corpo, parecendo a proteger. De mim. Eu não sabia dizer se ele tinha estancado o sangue ou não. Se tinha tirado a bala ou não. Se ela estava viva. Ou não. Suas mãos sujas apertavam a mancha escura na roupa dela.

Desviei meus olhos disso. Não queria mais olhar aquilo. Sem verdadeiramente escolher, comecei a seguir os fios cor de rosa caídos pelo chão. O cabelo de Luka se espalhava pelo piso, só parando quando se chegava nela. Ela me encarava em silêncio. Séria. Cobrindo sua bochecha com um pouco de sua mão e seus dedos. O vão entre a luva que usava e seu casaco acabava por me mostrar a pele manchada pelo sangue que escorreu para dentro de suas roupas.

Meiko olhava para longe, de maneira que não olhava para nada. Seus joelhos a apoiavam e não deixavam seu peso cair sobre Kaito. Deitava a cabeça em seu peito, quase escondida pelo tecido da roupa dele. Não era afeto. Não era um abraço. Ela não correspondia. Ela não iria o perdoar. E eu conseguia ver isso. Ele apoiava seu queixo no topo da cabeça dela, a apertando contra si como Piko fazia com Gumi. Um de seus braços a segurava pela cintura, enquanto o outro tinha a mão massacrada pela Sakine. Ela apertava os dedos dele, tentando, e não conseguindo, controlar a raiva. Eles conversavam, ou melhor, sussurravam entre si, com várias pausas, coisas que eu não entendia muito bem. Coisas que não achava que eram da minha conta.

Ele olhou pra mim, com o nariz um pouco torto e com sangue seco escorrido, resultado do segundo soco que Meiko deu nele. Os lábios também estavam machucados, com cortes em seus cantos. Eu não sentia a mesma raiva que Len sentia, mas não era capaz de dizer que estava tudo bem. Ele direcionou os olhos a Len e Leon, quase me dando um recado indireto. Eu não podia esquecer que Kaito sabe, e sempre soube, muito mais do que eu, sobre minha própria vida.

Voltei minha atenção a eles. Embora eu me sentisse como a ‘’sobra’’ da conversa entre pai e filho, não me via no direito de abandonar Len. Mesmo que se fosse pra ficar em silêncio, eu ficaria ali, do lado dele.

—Essa merda durou tempo demais. – Leon colocou as mãos nos bolsos do pesado casaco que

usava. Cigarros e um isqueiro prateado foram tirados de lá.

A fumaça empurrou meus fios de cabelo.

—Não.— Seus ombros subiam e desciam mais rápido. Sabia que Len não estava bem. Era a raiva, era o corte? Eu não sabia o que fazer. Eu não podia fazer nada. – Mas não me interessa. Nunca interessou.

—Onze anos atrás, você escolheu fugir. – Ele tirou o cigarro da boca. – Você fodeu a própria vida sozinho. Eu esperava que você já tivesse se matado.

Mordi a boca, mas nada disse. Observei calada enquanto Len ria.

—Escolhi não ter que olhar mais pro homem que me obrigaram a chamar de ‘’pai’’ a minha vida inteira. Se um dia eu já me importei, hoje eu não me importo mais. Que se foda o que espera, ou esperou de mim. Nada do que eu fiz ou pudesse fazer foi o bastante pra você. Só pra mim. E sobreviver foi o bastante pra mim. Mas não pra você. – Ele sorria, mesmo não estando feliz. Ria sem achar graça. E eu, me preocupava cada vez mais. Não só com ele, mas comigo. Com todos. Continuava parada, sem ajudar. Não querendo me intrometer. Mas eu sabia que não era aquilo o que eu devia fazer. – Se acha que ainda me importo com você ou qualquer merda que queira dizer Leon, está atrasado há uns quinze anos.

Por um único momento, tudo ficou quieto. Meu silêncio me acolhia, da mesma forma que me deixava com um ar de indiferença que eu não tinha. Durante todos os segundos daquele minuto, eu os observei se encararem sem pronunciar uma palavra sequer. A voz de Len denunciava sua raiva. As atitudes de Leon seu desprezo. Mas eu sabia que nenhum dos dois iria deixar isso claro para o outro.

A fumaça preencheu o ar mais uma vez.

Então seus olhos pararam nos meus.

—Diga a ele.— Leon falava comigo. E como uma criança, eu não tive reação. Não esperava isso. Não queria que ele falasse comigo. Mas eu não tinha muita opção. – Diga a ele pra me ouvir. Porque eu sei que é isso o que você quer.

E num instante, eu fiquei paralisada.

Até Len cobrir minha visão.

Novamente, tudo o que eu podia ver eram suas costas. Ombros tortos. Subindo e descendo. Lembranças de uma briga. Estilete. Mão. Tudo mais uma vez. Tentei me impor, mas sabia que não conseguiria. Sabia que Len não iria deixar. Não deixou. Estava tomando a frente de tudo outra vez. Como sempre fazia. Como sempre fez. E isso não era o que eu queria, mas sim o que eu causava.

Ás vezes eu esquecia que carregava uma arma nas mãos.

—Essa merda é entre eu e você. – Vi Len tentar me esconder em suas costas. Atrás de si. Em sua sombra, se pudesse. E eu não fiz nada pra impedir. – Ela não tem nada a ver com isso.

Foi a vez de Leon sorrir sem humor.

—Você acha mesmo que eu não sei quem é ela? – Embora ambos soubéssemos que aquilo era uma pergunta retórica, não deixava de pensar que ele queria uma resposta. Observei Len colocar um dos braços pra trás, segurando um dos meus pulsos com força. Quis chamar seu nome, mas sabia que, no momento, aquilo não era o melhor, nem o mais inteligente. – Isso tudo tem a ver comigo. Com você. E com ela. — O cigarro voltou aos lábios. – Você acha que sabe de alguma coisa. – Ele olhou para Len, e logo depois, com um mínimo esforço, olhou pra mim e pra minha cara assustada. Fato que fez Len me cobrir ainda mais. – Mas você não sabe de porra nenhuma.

Abri a boca pra falar alguma coisa, mas Len foi mais rápido que eu.

—Isso nunca foi um problema.

Foi sim.

Pare de mentir.

—Diga a ele. — Repetia, falando alto, se certificando que eu iria escutar. Dessa vez eu tinha certeza. Aquilo era pra mim. – Diga a ele pra me ouvir. Diga a ele que quer ouvir.

Meu pulso foi apertado com mais força.

Eu não me incomodava.

Só queria que ele ficasse bem.

—Ela não tem nada a ver com isso. – Fechei os olhos, escutando o ‘’Cala a boca’’ indireto de Len. Conforme o tempo passava, me cansava de ficar em silêncio. Tinha noção que isso era o máximo que podia fazer. Mas não me contentaria tão cedo.

—Len.

Chamei.

—Não.

Respondeu.

—Len. — Insisti. — Por favor.

—Não.

—Eu me lembro. – Mordi os lábios, fechando os olhos com mais força. – Eu me lembro o quanto odiava o seu pai.

—Odeio.

Notei a correção.

—Eu sei. – Suspiro. – Eu estou vendo. Mas também sei que só queremos coisas opostas.

—Eu conheço o meu pai muito melhor do que você, Kagamine.

—Eu conheço a Miku muito melhor do que você, Len. – Me aproximei dele, me encaixando na curva de seu pescoço e sussurrando em seu ouvido. – Eu posso não saber de muitas coisas como você, mas tem uma que eu tenho certeza. Ela nunca fez nada sem um motivo. – Eu me lembrava do dia em que concordei em ajuda-la. Depois de Primeiro. Depois dos disparos. Depois de Lily. – E se ele está aqui,

—É porque tem um motivo.

Escutei sua respiração pesar.

Quis o abraçar, mas não conseguia mais. Não com meu pulso preso e uma mão quebrada.

Ele tinha entendido.

Completamente contra sua vontade.

Mas tinha.

—Filha da Miriam.— Ele apontou o cigarro em minha direção. – Manipuladora.— Me encarou por pouco tempo. – Filho da Annelise. – A ponta do cigarro apontava para Len. Meu pulso foi apertado mais uma vez. – Falso.

Fiquei quieta.

Fiquei com meus pensamentos.

Manipuladora.

Miriam.

‘’Dessa vez, eu queria lutar.

—Não. Agora, não, Miriam.

Lentamente, eu me virei para ela, erguendo minha cabeça para enfrenta-la. Eu sabia que as consequências dos meus atos seriam...

Seriam o que a maldade dela definir.

Me olhando de cima a baixo, ela deu aquilo que podemos chamar de ‘sorriso de canto’.

—Pra você, pirralha, é ‘mãe’. ’Mamãe’.

— .... Não.

Arqueando as sobrancelhas, como se não levasse minha resposta a sério, ela repetiu.

—Não?

—Não.

—Então eu vou precisar ensinar mais uma vez como é que se deve tratar a mamãe. – Um sorriso maldoso, um que não era bonito de se ver, se alastrou pelo seu rosto. – Qual é a sua mão de desenhar?’’

Mãe.

Leon estava errado. Eu não era manipuladora.

A última coisa que eu quero ser é igual a minha mãe.

—Você não conhece a Miriam.— Piso forte no chão, saindo de trás de Len. Sinto o aperto do meu pulso se afrouxar, mas Len não me solta. Não queria que ele soltasse. — Muito menos a mim.

Ele arqueia as sobrancelhas, achando engraçado.

Exatamente como Len fez minutos atrás.

A fumaça é assoprada em meu rosto.

—Sua mãe nunca falou a verdade sobre o seu pai.

Pai.

Meu pai.

Eu me lembro.

‘’Não me atrevi a espiar o outro lado do corredor.

Eu odiava o quarto do papai.

Eu odiava o papai.

Por que a escola comemorava dia dos pais?

Eu não gostava.

Nunca precisei do pai.

Ele não precisava de ‘dia’.

Todos idiotas.’’

—Ele morreu. – Respiro fundo. – Afogado.

Leon riu. Risada curta.

Mas era a primeira vez que continha algum humor.

—Foi isso que ela disse a você? – Ele olhou para os restos de cigarro em sua mão, e os jogou no piso. – Meu irmão não morreu afogado. – E então, esmagou as últimas brasas com a sola de seu sapato. – Fui eu que matei.

‘’–Como seu pai deixa a sua mãe te bater?

Haha, Pai.

Como se meu pai pudesse impedir alguma coisa.

Como se ele estivesse vivo.

—Mamãe disse que meu pai morreu. Mas ela disse que ele está num lugar onde não há túmulos, flores ou lápides.

Se tinha uma coisa que eu gostaria de perguntar para o meu seria essa.

‘Como é a sensação da água entrar pela sua boca, descer pela sua garganta, inchar seus órgãos e te matar afogado?’

Afogado.

Sem túmulos, flores ou lápides.

Ela não entra em detalhes, e eu não quero saber. ‘’

Meu cérebro começou a formar algumas frases.

Mas elas paravam no meio.

E eu não consigo dizer nada.

Nada.

—O seu o quê? – Len pergunta.

Eu sei que ele escutou o mesmo que eu.

Eu sei que ele entendeu.

Eu sei que ele não quer entender.

Eu sei que eu não tenho coragem de perguntar.

—Eu te conheço muito bem, Rin. – Leon destrói meus primeiros argumentos. – Principalmente a Miriam. – Ele põe as mãos nos bolsos, a procura de mais cigarros. – Que tipo horrendo de tio eu seria se não conhecesse a minha própria sobrinha?

Ouço a voz de Len.

—Mentira.

—Coincidências não existem. — Ele afirma, sem o menor resquício de dúvida. — Me diga quantos Kagamine já encontrou por aí além dessa garota.

Me esqueço da dor. Junto com o bom senso. Eu ignoro a situação. E por fim, forço meu cérebro a me deixar falar.

—Você matou meu pai?

Foi nessa pergunta que não era mais pergunta que eu quis confirmar. Era uma afirmação. Uma certeza.

Você matou meu pai.

Len me puxa pelos pulsos, me assustando.

—Não acredite no que ele te diz. – Ele olha fundo nos meus olhos, acabando por me preocupar. — Ele sempre foi assim. Faz o que precisar fazer pra derrubar as pessoas. Não deixe ele te afetar.

Sem dúvidas, ele sabia muito mais sobre seu pai do que eu. Mas eu era uma mentirosa melhor do que ele. E um mentiroso reconhece o outro.

E Leon não estava mentindo.

—Len... – Respiro fundo mais uma vez. – É verdade.

Seus lábios tocam minha testa.

Então ele me sussurra.

—Não é.

Levo alguns segundos antes de responder.

—É sim.

Len abre a boca para me dizer alguma coisa, mas não diz. Apenas me abraça com mais força.

—Não me culpe, Rin. – Leon nos interrompe. – Afinal, só estava fazendo o que sua mãe me pediu.

Balancei a cabeça, não querendo acreditar.

—Por quê?

—Porque a Miriam tinha raiva e inveja da irmã. – Deu uma pausa. Parecia que achava aquilo tudo engraçado. — Annelise. – Completou. – É por isso que ela odiava tanto o seu sobrinho, Len. Nunca o considerou da família. Não por ele ser ele, mas ser filho de quem é.

Fiquei em silêncio.

Pensando.

Leon e meu pai são irmãos.

Annelise e minha mãe são irmãs.

Len e eu somos primos.

Primos.

‘‘-Eu vou dizer só mais uma vez, Kagamine Rin. Eu não quero você andando com aquele garoto. E se você pensar em mentir pra mim, e continuar a andar, conversar, ou conviver com ele, saiba que vai ter que esconder muito bem. Porque se eu descobrir que você esteja fazendo merda, garota. Você não tem ideia do que eu vou fazer com você e com seu ‘amiguinho.’

Len era diferente do que tudo e todos pensavam.

Talvez eu não o conhecesse como queria, e talvez, do seu ponto de vista, eu sequer o conhecesse.

Mas era tanta... Maldade o que faziam com ele.

E eu só queria saber por quê.

—Mãe. – Com uma voz tímida, a chamei. — Por quê?

—‘Por quê?’ O quê, Rin?

—Porque está me proibindo? E porque eu não posso andar com ele? Ontem! Ontem, mãe! Ontem, eu fiquei, o dia todo, com ele. E você não reclamou! Pelo contrário, você ficou feliz. Então, qual é o problema?

—Você é burra, criança. Não espero que entenda. Preciso fazer com que você diferencie o certo do errado. Você só precisa saber que aquela criança é errada. Aquele garoto é errado. Não é para você falar ou brincar com o filho daquela mulher.

Toda vez que ele me chamava de burra, um ódio se aflorava internamente. Eu sabia. Todos sabiam. Todos tinham que saber.

Eu não sou burra.

E ele? Ele não é errado.

—Errado? – Se as palavras tivessem gosto, essa seria uma das mais amargas a passar pela minha boca. — Por quê?

—Isso lá te interessa? Deixe de ser essa intrometida irritante que você é, Rin.

E, como um fragmento de protesto, eu não pensava no que falava, apenas dizia.

—Mas,

—Cala a boca. ­- Ela me censurava. — Eu não quero ouvir mais absolutamente nada sobre esse assunto ou esse garoto. Estamos entendidas?’’

E da confusão, comecei a sentir raiva.

Ainda não entendia os motivos ou razões dos atos de Miriam e Leon.

Mas eu sentia raiva. Muita raiva.

—Isso não faz sentido. – Eu não conseguia não me preocupar, ou deixar pra lá. Len já não estava bem. E eu sabia que isso só o deixaria pior. – Eu matei a minha mãe. Essa mulher deveria me amar.

Não.

Fazia sim.

—Você não matou a sua mãe. – Leon fez o favor de dizer o que eu estava pensando.

Eu sabia.

Eu sempre soube.

‘’Mesmo nessa fina garoa, fina, porém incômoda, a mamãe podia estar aqui fora. Mas ainda não entendia por que. Não era hora, não era dia, não era certo ela estar aqui.

Depois pensei em mim.

Pensei em como estava, com quem estava.

Len.

Simplesmente aquele garoto que todos evitam, por aquele motivo.

Não, não. Aquilo não fazia sentido. Ele não tinha cara de assassino. Não que eu seja a pessoa mais qualificada em assassinos, mas ele não parecia mau.

Então porque a resposta foi afirmativa?

‘ -Você não é o garoto que todos falam? – Estreitei os olhos, procurando o olhar melhor. Ele me encarou com uma indiferença... Estranha. – Aquele garoto que...

—Matou a própria mãe? É, sou eu.’

Isso era o mais estranho.

De todas as coisas que Len era ou podia ser, assassino não estava na lista.

Ele era bom!

Droga.’’

Len não apertou meu pulso.

Pelo contrário. O soltou.

E isso, mesmo não parecendo, me apavorou.

—Foi uma gravidez de risco.

Leon o encarou por alguns segundos antes de responder.

—Não, não foi.

O tom de voz de Len aumentava.

—Minha mãe precisou escolher entre eu e ela.

E por um segundo, os dois ficaram sérios, esperando a resposta de Leon.

­—Nunca precisou.

‘’–Certo... – Respondi. Suspirei fundo, tomando fôlego para fazer aquela pergunta. Usaria inocência falsa agora. – Mas, Len,porqueas pessoas dizem que você matou sua mãe? – Não achando convincente o suficiente, eu completo. — Ah, esse povo é muito mentiroso.

— Não. – Ele responde, quebrando minhas poucas esperanças de ouvir um ‘’sim’’. – Nem tanto. É verdade. Só que ninguém,ninguém, sequer me perguntou alguma vez a verdade. Eu não tenho ideia de como tudo e todos da nossa vizinhança sabem disso, e não entendo porque já esse julgamento frio á mim. Eutenhoenão tenhoculpa.

Ter e não ter culpa.

Impossível.

Ou se tem, ou não se tem.

—Como você...

—A verdade é que a gravidez da minha mãe era de risco. Quando eu fui nascer, seu corpo não aguentou. Casos onde somente o bebê sobrevive.

Se não fosse por você sua mãe estaria viva.

Se não fosse por sua mãe, você não estaria vivo.

Eu não tinha direito algum de dizer que entendia Len.

O máximo que podia dizer era,

—Eu não sabia...

—Claro que não. Ninguém sabe. É incrível como as pessoas são nojentas. Ao menos sabem da verdade e criam suas histórias, estão sempre mais preocupadas com a vida dos outros do que com as próprias. Eunãomatei Annelise, foi minha mãedeusua vida por mim.

Enfim eu havia descoberto o ‘por que’ que tanto me incomodava.

Mas, no momento, eu me perguntava se realmente o queria ter descoberto. Aquilo era tão injusto. As pessoas não passavam de porcas mentirosas, afinal. Não queria me imaginar no lugar dele, nem por poucos segundos.

Eu ganhei um ‘porque’ que talvez não fosse descobrir tão cedo.

’Porque as pessoas eram tão más?’

—Surpresa? – Ele pergunta.

Percebi que dessa vez, nem eu mesma tinha poder sobre o que fazia ou deixava de fazer. Meus braços se ergueram, e contornaram Len sem mais nem menos.

O abracei com força, imaginando que Len era o urso de pelúcia amarelo que mamãe jamais poderia ensacar e jogar fora.

E quando ele percebe o que eu faço, já é tarde demais.

‘Surpreso?’

—Me solta. – Ele pede, colocando o queixo no topo da minha cabeça. Seus braços permaneciam colados em seu corpo. Eu jamais esperava qualquer tipo de retribuição, então não me incomodei. Apenas focava em abraçar aquele idiota. – Não vai soltar? – Balancei minha cabeça de um lado para o outro, sentindo o calor do seu corpo. – Eu não preciso da sua pena.

Não, não.

Não era pena.

Nunca seria.

—Não é pena. – Confesso, em meio a sussurros na esperança que ele não ouvisse. – É carinho.’'

—Você me fez acreditar que eu matei a minha própria mãe. – Len não falava. Ele gritava. – Fez a porra da minha infância ser um inferno por causa disso. Me fez carregar a culpa por quase dezenove anos. – Ele respirou fundo. Mordeu os lábios. Formou um punho. Eu não poderia nem sonhar em encostar nele agora. – O que foi que você fez com a minha mãe, Leon?

—Eu atirei nela. – Deu de ombros. Eu vi. Ele não se arrependia. – Algumas horas depois que você nasceu.

—Por quê?

Ele ainda sentia raiva dela. Mesmo depois de todo esse tempo. Leon ainda sentia raiva dela.

Incrível.

—Porque a Annelise era uma vagabunda que me traía com o pai da garota ao seu lado.

Mordi a boca.

Eu entendia, na mesma proporção que não entendia.

—Eu me casei com a Annelise poucos meses depois que Tonio casou com a Miriam. Annelise e Miriam sempre tiveram problemas uma com a outra. Mas isso era culpa dos pais delas. Ou seja, seus avós. Miriam era a irmã mais velha, por isso pensava que tudo tinha que ser dela. Annelise se contentava com o que era dela, mas nunca aguentou a irmã. A Miriam só tinha capacidade de amar uma única pessoa. O seu pai. E ele, com o tempo, aprendeu a amar essa mulher. Eles compraram uma casa juntos. E os seus avós decidiram que as duas eram obrigadas a morarem juntas. Ou deserdariam a Annelise. É por isso que vocês eram vizinhos. É por isso que vocês moravam um na frente do outro. Mas a Miriam nunca engoliu essa história. Odiava o fato que Annelise a copiava em tudo. Elas já tinham que carregar o Kagamine pro resto da vida. Não precisava de mais. – Observava a sua raiva crescer á medida que ele contava a nossa história. — Foi aí que a Annelise engravidou. Len. Miriam não suportou a idéia que a irmã teria um filho primeiro. Afinal, ela era a primeira filha. No final da gravidez da Annelise, Miriam conseguiu engravidar. Rin. Mas tinha um problema. O único homem que ela amou, agora amava a irmã dela. Enquanto a vadia da Annelise estava grávida, esperando um filho que era meu, ela estava me traindo com o meu irmão, o marido da irmã dela.

‘’ Depois disso, eu fechei as cortinas, pois mamãe estava me chamando.

Pode ser que meu rosto ainda esteja ardendo pelo tapa que ela me deu,

Mas tudo bem.

Eu amo a mamãe, e isso que importa.

Vou te dar um final feliz que papai nunca conseguiu te dar.

Prometo. De igual pra igual.’’

—Não fui eu que descobri. Quem viu e ouviu foi a Miriam. E o ódio que ela já sentia por Annelise cresceu até ela não aguentar mais. Cresceu ao ponto de matar. E eu senti uma raiva descomunal daquela mulher. Raiva e nojo. E ainda tinha o meu irmão. O merdinha que eu confiei a minha vida inteira. Miriam não amava mais ele. Mas se ela não podia ficar com ele, ninguém iria ficar. Ela o mataria se pudesse. Mas não podia. Não com uma filha dentro dela. Por isso ela passou a vida fingindo que estava tudo bem. Ela fez o que tinha que fazer. Eu fiz o que tinha de fazer. Por isso enquanto sorríamos para os dois filhas da puta, destruímos suas vidas aos poucos. Não dava pra perdoar. Nenhum dos dois. Foi por isso que Miriam pediu pra que matasse Tonio. Porque ela não podia. ‘’Afogado’’ foi a melhor coisa que pode inventar. ‘’Lugar onde não há túmulos, flores ou lápides’’ é o jeito dela dizer que carbonizou o marido e na primeira oportunidade enterrou no quintal de casa. Agora só sobrava a Annelise. Mas para o meu azar, você – Ele olhava para Len. – nasceu no mesmo dia que ela morreu. Foram dois tiros. Todos na cabeça dela. E foi aí que eu cometi o maior erro da minha vida. Não consegui. Não consegui te matar. Não consegui matar meu filho. Se livrar do corpo da Annelise era o mais difícil. Todos gostavam mais dela do que de Miriam. Ela não podia simplesmente desaparecer do dia pra noite. Foi por isso que inventei que você a matou. Era mais fácil. Mais rápido. Ninguém iria questionar um pai sozinho. Viúvo. Miriam pensou em abortar. Ela tinha o dinheiro. Tinha os contatos. Mas eu não deixei. – E então, ele olhou pra mim. – Você só está viva por minha causa.

‘’ — Às vezes ela fala que eu a façoinfeliz. Mas depois ela beija minha bochecha e pede desculpa.

—O que mais ela te faz?

Talvez seja pelo fato de ninguém nunca havia me feito essa pergunta que isso tenha me pegado desprevenida.

O que mais ela me faz?

Muitas coisas.

Várias coisas.

Todas encobertas por um baixo ‘Shhh’ e um ‘Eu te amo’ fraco.

E agora, nesse ponto, o que eu tinha direito de contar sem me passar por uma cúmplice barata que só aceitava as coisas que me aconteciam?

Nada.

Quase nada.’’

—Nunca que ela iria cuidar de vocês dois. Nunca que Miriam ia fazer a cabeça de dois pirralhos a acreditarem que eram irmãos, quando na verdade era primos. Ela sempre odiou a Annelise. Nunca aceitaria um filho dela. Nunca acreditaria que era da família. Mas a Rin era diferente. A Rin era o troféu da Miriam. A única prova que Annelise não ganhou. Que ela era a melhor. Annelise poderia amar Tonio o quanto quisesse, mas quem tinha uma filha dele era ela. Por isso nada poderia acontecer a Rin. Estrelinha. Tinha que estar impecável. O bebê mais bonito que poderia se ver. A semelhança entre vocês dois sempre perturbou aquela mulher. Se pudesse, arrancaria fora a genética de Len. A amizade de vocês dois era como o fim do mundo pra ela. Inaceitável. Porque ela via Annelise em Len, e Tonio na Rin. Não podia acontecer.

‘’ Nós éramos amigos.

E eu não pretendia abandonar ele.

Por isso, eu o olhei uma última vez, antes de encher meus pulmões de are gritar pela mamãe.

—Mãe!

Len imediatamente ergueu a cabeça para encarar quem era a pessoa por quem eu chamava de mãe. O pegando desprevenido, eu saí de baixo da proteção que aquele guarda-chuva era pra nós. Eu corri pela chuva, sentindo meus passos deslizarem pelo asfalto molhado embaixo dos meus pés.

Mamãe, que até então falava ao seu BlackBerry, baixou lentamente o celular. Não levou nem cinco segundos para que ela associasse o que estava acontecendo. Seu olhar autoritário se revezou entre eu e Len por pelo menos dez vezes antes de abrir a boca para falar qualquer coisa.

—O que você estava fazendo?

Espio Len pelo canto do olho, enquanto ele retribui o olhar com o mínimo de discrição, sem entender absolutamente nada. Dessa vez, ele me confundia. Ele nunca foi interessado na vida de ninguém, e agora, parecia que ele havia se fincado naquele ponto da calçada. Observava nossa conversa em silêncio, como se estivesse analisando o comportamento de mãe e filha.

Mãe...

...E filha.

Entendo.

—Ah, eu não te apresentei, mamãe. – Olho para ele mais uma vez. – Aquele é o...

—Quem... – E se, por um momento, eu achei a mamãe boa ontem. Esse seria o meu doce engano. — Te deu autorização pra andar comessegaroto?

Parecia negação.

Aquilo que ela estava prestes a fazer, era negar a si mesma o que estava acontecendo.

—Você estáproibidade andar por aí com ele.

E então, foi naquele momento que eu aceitei, para mim mesma, que eu realmente não tinha nenhum controle vocal.

­-Mãe!

E de novo eu vi. Mamãe estava sorrindo. Minimamente, e de jeito frio, mas estava. A que ponto aquele, até então, voz reconfortante e sorriso bonito poderiam ir até se quebrarem com a raiva da mamãe?

—Eu não estou te pedindo, eu estou te mandando. Isso é uma ordem.

Então eu admiti. Pra mim e pra ele.

—Mas mãe! Ele é meu amigo!

Um barulho, no outro lado da rua, me chamou a atenção. Por alguns segundos, eu deixei de prestar atenção na mamãe para prestar em Len.

Eu tive pouco tempo para associar o que estava acontecendo.

Vi o guarda-chuva ser solto por Len, e atingir o chão. O vento o carregou por alguns metros, antes de realmente colidir com o solo, mas nesse tempo, o estranho já estava vindo em minha direção.

Por quê?

Porque, pela primeira vez, ele se importou.

E, mesmo não sabendo que tipo de pessoa era a minha mãe, mesmo assim, ele teve coragem.

Até porque, ele foi a primeira pessoa a tentar me defender quando mamãe me batesse.

E por fim, eu só senti.

Foi como um estalo alto, para o resto do mundo se calar.

—Você não vai desrespeitar a sua mãe.’’

‘’ -Mamãe?

—Diga, querida.

E, a partir daí, eu senti as chamas tocarem a minha palma.

‘Ele balançou o guarda-chuva azulado algumas vezes. Olhou de um lado a outro, arqueando a sobrancelha para mim, como se fosse idiota.

—Vem logo pra cá.

Eu estava errada.

Ele não era ruim.

O garoto estranho era bom’’

—Ele é bom.

—Oh, Rin. – Ela riu. – Isso é uma mentira encantadora.’’

‘’—Hm.

—E é por isso que eu não devia estar aqui. – Olhei para os lados, sentindo o frio na barriga me assombrar mais uma vez. – Pelo menosaqui¸não.

—Por quê?

—Porque é arriscado. Mamãe pode chegar aqui a qualquer instante. – Antes, até afirmaria que não, porém, ontem ela estava em casa. E eu não sabia o porquê. – Não que eu não goste do Parque, é que...

—Entendi.Você é uma menina boa demais.’’

‘’— Rin.

Meio emburrada, e de braços cruzados, eu me viro para ele.

—Quê?

Porquesua mãe fez aquilo?

Claro. Eu não esperava que conseguisse responder todas as perguntas que a mente dele projetava. Não imaginava que minhas respostas e explicações iriam corresponder todas as suas expectativas.

Mas mesmo assim, tentei.

—Mas eu já te di...

E me cortando, por ouvir uma resposta que não queria, refez a pergunta.

—Não. Ela te bateu. Mas por quê? Isso não é normal.

Eu ponderei se deveria contar toda a verdade ou não.

Eu não deveria esconder as coisas dele.

Mas tinha coisas que era melhor esconder.

—Ela ficou com raiva de mim. Mamãeaindaestá brava comigo, mesmo eu não entendendo muito bem o porquê. – Com isso, me levantei do balanço, tomando cuidado para não tropeçar na terra. Dou a volta no brinquedo, parando ao lado de Len. – Mas o que eu sei é que minha mãe é uma mentirosa. Acho que todos são mentirosos, na verdade. Qual é o problema?! Eu não entendo porque mamãe disse aquelas coisas! Eu não sou burra! Não sou.

Ri de mim mesma nos pensamentos.

Então eu era explosiva assim?

Mas se todos dissessem que Len era uma pessoa ruim, todos são mentirosos.

Se a mamãe diz que ele é errado, ela é mentirosa.

E eu? Bem, eu não entendia qual era o problema de andar com Len.

E, aparentemente sem entender nada, ele me encara.

—Quê?

—Eu não sou burra. – Repito, a cada vez com mais vigor. – Ela disse que eu não entendo, porque eu sou uma criança burra. –E pouco a pouco, as memórias afundam a minha mente. – Que iria gritar comigo até eu aprender.

Timidamente, eu observo Len, a procura de alguma reação.

A única coisa que ele faz é arquear as sobrancelhas, como se aquilo houvesse despertado a atenção dele.

—Aprender? O quê exatamente?

—Diferenciar o certo do errado. – E como um último tiro das coisas que mamãe julgava ‘’verdades’’ eu resolvi, a partir de então, falar o que realmente era verdade. – Você éerrado, Len.

Dessa vez, ele tentou esconder o espanto.

Pena que ele não sabia fingir para mim.

—O quê? Por quê?

—Eu não sei. Ela simplesmente disse. – Admito, um pouco constrangida por ser a minha mãe falando aquelas coisas. –Mas... A mamãe é burra. – E então, desde pequena, me relembrava tudo que ela dizia e disse para mim. — Às vezes ela fala que eu a façoinfeliz. Mas depois ela beija minha bochecha e pede desculpa.

—O que mais ela te faz?

Talvez seja pelo fato de ninguém nunca havia me feito essa pergunta que isso tenha me pegado desprevenida.

O que mais ela me faz?

Muitas coisas.

Várias coisas.

Todas encobertas por um baixo ‘Shhh’ e um ‘Eu te amo’ fraco.

E agora, nesse ponto, o que eu tinha direito de contar sem me passar por uma cúmplice barata que só aceitava as coisas que me aconteciam?

Nada.

Quase nada.

—Sabe, quando ela fala no celular ela fica mais feliz. Isso é... Bom, porque eu só quero ver minha mãe... Feliz.

—Rin...

Quando ele me chamava daquele jeito... Com aquele teor de pena, quase dava nojo do meu próprio nome.’’

—Eu nunca gostei de você, Len. E eu sei que você sabe disso. Eu tentei te afastar. Mas foi você que insistiu nessa menina.

Eu me lembrava.

No festival.

Ele tinha me contado.

‘’—Len? – Escuto do andar de baixo. – Pode vir aqui, por favor?

Faço uma careta.

‘Por favor?’

Desde quando meu pai pede ‘por favor?’

—Estou indo. – Respondo.

Saio do meu quarto e trato de voltar a minha habitual cara séria. Não vou por nenhum tipo de expectativa nesta conversa com Leon. Sério, que merda ele quer? Ele mal fala com o ‘indesejado’ como ele próprio diz.

Desço as escadas e olho pra ele.

Na minha perspectiva, ele está de costas para mim, observando a janela que temos na parte frontal da casa. Me aproximo com cautela.

—Tenho algo a te dizer. – Voz monótona, embargada de seriedade, como sempre. – Está vendo a casa a nossa frente?

Olho pela janela. Uma casa azul de dois andares, feita no mesmo estilo que a nossa. Um mesmo padrão.

—Sim. – Respondo.

—Eu não quero você lá. – Conclui.

Curto e grosso. Habitual.

Ele saiu de perto de mim e foi para qualquer lugar, não importa.

Debrucei no parapeito da janela, e comecei a observar a rua que separava as casas, até meu olhar se fixar na janela do andar de baixo.

Me acomodei melhor, estreitei os olhos.

A pessoa na janela frontal da casa em frente a minha, fez o mesmo ato que eu.

A gorda e redonda é minha vizinha então?

Como os vidros estavam levemente embaçados por conta da condensação, ela escreveu algo na janela.

‘Idiota. ’

E fez uma careta pra mim, mostrando a língua.

Sorri, escrevendo o mesmo que ela.

‘Idiota.’’

—Não era o bastante. Miriam queria que Len sumisse. Morresse. Tanto faz. Eu só me livraria de mais problema. Com o tempo, Rin esqueceria. Ele era a última lembrança de Annelise. Ele precisava desaparecer. Vocês achavam que tinham um lugar secreto. Que ninguém sabia. Mas eu e Miriam conhecíamos aquele lugar há um bom tempo. Esse tempo todo, não teve nada do que fizessem que não sabíamos. Sempre fui um homem de contatos. Minha união com Miriam fazia com que o ‘’impossível’’ fosse possível. Ela queria um pai pra Rin. Ela iria fazer a Rin acreditar que eu era o pai dela. Não o Tonio. Miriam tinha tudo o que queria. Isso não seria difícil. Depois que conseguisse o que mais desejava, o sumiço do filho da Annelise, eu, ela e a filha dela desapareceríamos dali.

‘’ -Mãe?

—Eu fiquei preocupada, Rin. – Mamãe continuava a cortar sobre a bancada. Inclinei um pouco a cabeça e vi que era a ‘faca grandona’. Toda vez que a faca batia na tábua de cortar, fazia um barulhinho. Pléc. – Quando alguém te chamar, certifique-se de responder. Ainda mais quando esse alguém for sua mãe. – Pléc. – Quero conversar com você.

Pléc. Pléc. Pléc.

Tomei um pequeno susto quando percebi minha falta de atenção. Talvez a mamãe vá brigar comigo.

Talvez vá me elogiar.

Não.

Haha, mamãe não cultiva o hábito de me elogiar.

Então ela vai brigar comigo.

O que eu fiz de errado?

—Você gosta desta casa? – Ela apontou pra cima com a faca grandona. Em segredo eu posso chama-la de ’Pléc’. Okay. Ela usou a pléc para apontar para a casa.

Eu gosto dessa casa?

Meu quarto é feio e eu não tenho companhia. Quando chove, eu não posso assistir desenho.

—Gosto! – Eu sorri. Mas parei. Meus sorrisos são feios. Alguns dentinhos haviam caído. Num primeiro momento eu fiquei medo, mas a professora disse que dentinhos de leite iriam cair algum dia. Mas mamãe não gostou. Disse que era um sorriso incompleto. Incompleto nunca é, nem será, suficiente. –.... Desculpe.

—Pare de gritar. – Elevou a voz. – Talvez nós iremos nos mudar.

—Talvez? — Mamãe me olhou feio. Ela odiava repetir as coisas. Ela também insistia que eu nunca ouvia o que ela dizia, por isso, odiava repetir as coisas. Eu também não deveria apontar o óbvio. Mamãe disse que era enjoativo. – Por quê?

Os pléc, pléc, que a mamãe fazia pararam.

—Simplesmente, — Ela jogou a faca na pia. Fez um barulho feio. Ela ergueu a tábua de corte e despejou o que ela cortava num pote de vidro. Legumes. – não se meta.’’

‘’-Porque essa cara de preocupada, Rin? Esse rostinho pode se encher de rugas quando faz essa cara feia. Fico tão feliz de ver você saindo para brincar lá fora, ao invés de ficar enfurnada naquele quarto. Agora, se apresse, sim? A mamãe quer ajuda da garotinha mais bonitinha desse mundo para fazer o jantar.

Olho com cuidado para a mamãe. Ela tinha um sorriso bonito e uma voz aconchegante. Suas bochechas ficavam gordas e rosadas quando ela ria.

Isso não era normal.

Mas era divertido.

—Eu?

­­­Por reflexo, quando ela estendeu a mão em minha direção, eu fechei os olhos.

Depois, me senti boba.

Quando senti seus dedos apertarem minhas bochechas, foi o segundo susto da noite. Abri meus olhos com cautela, como se a qualquer segundo eu os forçasse a se fechar de novo. Mamãe tinha seus dedos mornos contra minhas bochechas geladas, as apertando com delicadeza e com ar brincalhão. Talvez eu fosse fria como porcelana, e talvez eu realmente pudesse quebrar.

Acho que era assim que a mamãe me via.

Papai também.

—Claro que sim. De quem mais eu estaria falando? Deixe de ser boba, garotinha. Somos uma dupla! — Seus risos poderiam preencher toda a casa, enquanto meu silêncio tomava o menor espaço possível. – Somos parceiras até no crime! ‘’

—Eu tinha um velho amigo. Aquele tipo de pessoa que você deve morrer amigo. Ninguém lembra o nome dele, porque ele gostava de se chamar de Primeiro. Ele era egocêntrico. Curioso. Estranho. Tinha noção que isso ele iria querer. Uma criança.

E minhas memórias, que eram memórias de Len, voltaram mais uma vez.

‘’ Virei de costas e andei até a porta de casa, que estava destrancada, novamente. Tudo bem, agora não importava mais. Fechei a porta e andei até a cozinha, procurando algo para comer.

Após a refeição, subi as escadas indo em direção ao meu quarto. No corredor do segundo andar, o telefone começou a tocar. Andei até a pequena mesinha onde ele ficava, colocando minha mão no gancho. O telefone parou de tocar então.

No escritório, eu conseguia escutar meu pai conversando, ele havia atendido a chamada.

Optei por deixar o telefone no gancho e ir para o meu quarto.

Abri a porta, quase jogando meus sapatos pela janela quando os arremessei em qualquer canto.

Longe dela eu consigo pensar. Deitei na minha cama, afundando minha cabeça no travesseiro e nos pensamentos. Há algo sem nexo em tudo isso. Certamente, nessa história toda, faltam informações coerentes, ou, apenas, informações.

Isso tudo está me confundindo, mas não tirando o sono.’’

‘’ –Sabe, quando ela fala no celular ela fica mais feliz. Isso é... Bom, porque eu só quero ver minha mãe... Feliz.’’

—Não havia suspeitas. Pela fama de Len, ninguém gostava dele. Mas isso não poderia acontecer na luz do dia. Em um lugar qualquer. Teria de ser em um lugar afastado. Um terreno que, supostamente, só vocês dois conheciam. Mas a semelhança de vocês foi, e sempre será, a ruína de Miriam. Eles não levaram Len. Eles levaram a Rin. Levaram a criança errada.

‘’De repente, comecei a entender o que haviam tirado de mim.

E eu chorei.

Não pela dor, não pelo medo.

Pelo o que arrancaram de mim.

Pelo o que eu perdi.

‘-Prazer... Prazer em conhecê-la... Meu nome é Miku. Hatsune Miku. ’

E a culpa era dela.

‘-Quer saber meu nome, pirralha? Meu nome é Kaito. Shion Kaito. ’

E a culpa era dele.

’-Porque é o que eles querem. Porque é você quem eles querem.’

E a culpa era deles.

Abaixei minha cabeça e mordi meus lábios tremidos.

Não.

Não estava tudo bem.

—O que vocês fizeram...?

Seus pés se bateram próximos a mim.

—Rin. Cala a...

—Não! – Gritei. – Cala a boca você! Olha o que você fez! Olha o que ela fez! O que vocês fizeram?! Porque fizeram isso comigo, com Len, e com...

Mamãe.

—Me leva pra casa! – Eu não pedia, eu mandava. Antes eu queria sobreviver, agora eu só queria gritar. – Me leva! Agora!’’

‘’-Eu poderia ter pedido pra qualquer puta fazer isso, mas eu pedi pra você. – O pai de Miku pisoteou a mão esquerda da filha como se estivesse pisoteando um inseto. – Você quer mesmo terminar igual a vadia da sua mãe, não quer? – Riu sem encontrar a graça. – Qual o erro dela?

Senti Kaito apertar mais ainda o meu braço quando o assunto voltou a ser eu.

—Eu... – A voz de Miku saiu fraquinha, quase inaudível. – Não sei.

Então ele repetiu mais alto e com menos paciência.

—Qual o erro dela?

—Eu não sei.

—Não sabe? – A voz se fez como sarcástica. – Então repete alto, sem essa voz de vadia. Fale alto como mulher de verdade. Qual o erro dela?

Pude ver Miku espernear no chão.

—Eu não sei!

Sussurrando um ’ótimo’, coberto pelo o que eu imaginei ser um sorriso maldoso, ele tirou o pé que massacrava a mão de Miku. Ele a deixou no chão, e com passos cada vez mais distantes, como se tivesse nojo de continuar ali, parou de falar depois de duas últimas frases.

—Qual o erro dela? Simples.

Vocês pegaram a criança errada.’’

‘’-Eu sei. – Ele repetiu o que ela havia dito. – Agora, eu sei. – Ambos me encaravam. Inconscientemente coloquei um dos meus braços a minha frente. Eu mesma me colocava em defesa sem ao menos perceber. – ‘’Uma criança. Sempre isolada. Loira. Olhos azuis. ’’ – Ele repetia a Miku com voz robotizada. – Tivemos de escolher. Precisávamos de uma, não duas.

—Rin. – Miku me chamou. – Como era mesmo o nome do seu...

—Len. – Kaito respondia Miku olhando para mim, me trazendo um ódio muito mais do que momentâneo.

—Len. – Ela repetiu olhando para o chão. – Len.

—Não. – Mordi meus lábios. – Não, não, não, não, não. – Bati minhas mãos em minhas pernas. – O que vocês vão fazer com ele?

Kaito mordeu os lábios quase como eu, só que tínhamos fins e interesses bem diferentes.’’

—E sinceramente, essa merda já durou tempo demais. Eu tenho até certo nojo de vocês. Mas não posso culpa-los. – Leon bufa, pondo a mão em seus bolsos. Só que desta vez, tirando uma arma, uma Colt, dali. Nessa hora eu me lembrei do meu revólver. Levantei o meu braço o mais rápido que podia. Mas ele parecia me ignorar. Ignorar um revólver em sua direção. Para mirar em Len. – Você é a última memória de Annelise,

E já está mais do que na hora de eu esquecer essa puta.

Notas finais
dois corno hahaha haha ha ai, ai PRONTO, TA AÍ E não me venha com ''EU SABIA DE TUDO'' porque é MEN-TI-RA E a mãe da Rin não gosta de mentiras Que podem ter se tocado de uma coisinha ou outra, podem. Que tinham notado umas dicas aqui e ali, até que sim. Mas saber dessa puta história, a história por trás de cada coisa, de cada consequência, ISSO VOCÊS NÃO SABIAM Ninguém sabia, além de mim mesma, Lukinho the cat e xesus. Só esse trio maravilha mesmo. NÃO, LEN NÃO MATOU A MAMÃE NÃO, O PAPAI DA RIN NÃO MORREU AFOGADO NÃO, O LEON NÃO É O PAI DA RIN, COMO ALGUNS PENSAVAM 'U' INCEST É WINCEST 'Cause if you love, LET ME GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO ( Isso é um meme, procurem ) To morta. Se eu rolar na areia eu viro bife a milanesa ♥ sim, apenas aceite Quero agradecer por continuarem procurando minha fanfic mesmo depois de tanto tempo sem atualizar. É de coração, galerinha. Quinta, 105 visualizações. Eu fiquei realmente feliz. Amo todos vocês, vocês que comentam, vocês que me visitam, vocês que me acompanham Pronto, amanhã na escola pode falar que no dia dos namorados alguém disse que te ama jbsjgaskjdkjsdgk ♥♥♥♥ AGORA SEGURA NA MINHA MÃO AGUENTA MINHAS CRISE E NÃO DESISTE DE MIM, OBG ♥ Vejo vocês nos reviews! ♥