Karakuri Burst
10 Deixaram marcas na minha vida que eu não posso mudar
Notas iniciais

LEN POV'S ON
Flashback on
–Menina? Você usa rabo de cavalo! Quer umas presilhas pra terminar o look?
–Claro! Só você mesmo pra andar por ai com presilhas! E ai? Tem xuquinha também? E batom? Gloss com certeza tem, porque isso ai na sua boca manteiga de cacau não é!
–PAREM OS DOIS! VOCÊS ESTÃO NA DETENÇÃO DO REFORMATÓRIO DE KYOTO, TEM IDÉIA DE COMO ISSO É GRAVE? — Aquela voz irritante me dava nos nervos. Só não perdia pra menina aqui do meu lado.
–NÓS VIMOS VOCÊS LUTAREM! E SAIBAM QUE ISSO NÃO TERÁ CONSEQUÊNCIAS, TERÁ USOS!
Usos? Isso não faz sentido. Nos batemos por no máximo 3 minutos até que os guardas nos separam e nos largaram nessa sala.
–VOCÊS SERÃO ENCAMINHADOS AO NOSSO CAMPO DE TREINAMENTO EM TOKYO.
Como? Vou ir pra Tokyo? Eu nunca saí de Kyoto e agora eu vou pra Tokyo? Fala sério, o pior é que vou deixar Ryūto para trás.
–Haha, valeu a proposta Al, mas eu não quero sair daqui, já criei o meu império, tenho meus servos e... — olhou pra mim com desdém — e meus inimgos.
–Oliver, meu nome é Big Al, e não me chame assim sem eu te dar a devida intimidade.
A voz que vinha da maldita caixa tinha nome: Big Al.
–E se eu recusar? — Perguntei em desafio.
–Não tem como recusar loiro dois. Loiro um, não me importo com as suas fantasias de imperador. Vimos as técnicas de luta dos dois e vocês podem ter futuro.
–Loiro dois?!
–Loiro um?!- Oliver fez uma cara infantil — E eu não quero viajar até Tokyo com essa bicha!
–Olivia, QUER CALAR A BOCA?!
–Repete se você é homem o bastante!
–OLIVIA, QUER CALA A BOCA?!
Então senti um choque bem forte percorrer por todo o meu corpo. Nossos pulsos e tornozelos estavam presos na cadeira em que estávamos, mas nada nos impedia de falar.
–Essa cadeiras são eletrizadas, posso mudar a voltagem e com um simples apertar de botão eletrocuto os dois. Vocês não tem escolha e tem o direito de permanecerem calados. Serão uma dupla caso queiram ou não, e nos próximos 96 meses vão precisar confiar um no outro.
Olhamos um para o outro numa mistura de desespero e ódio. Ele começou a mexer os dedos de um em um.
–O que está fazendo Oliver? – Big Al perguntou
–As contas...
–São oito anos, idiota!
–O QUE?! OITO ANOS COM ESSE TRAVECO?
– AH... OLIVIA TA DE TPM! NOSSA QUE INFERNO, ESPERA AI QUE VOU COMPRAR ESMALTE E REVISTA DE FOFOCA PRA TE ACALMAR. – Disse logo após de revirar os olhos.
Outro choque, mais forte dessa vez.
–Parem! É uma ordem! OS DOIS CALADOS! VÃO PARTIR DENTRO DE UMA HORA! SAIRAM APENAS PARA TERMINAR DE FAZER OS TRABALHOS MANUAIS!
A luz que quase cegava se apagou e senti meus pulsos e tornozelos serem libertados. Uma porta que era trancada com a mesma tecnologia de banco começou a ser aberta, e eu escutava uns clics metálicos a cada tranca que era destrancada. Quando a luz voltou pela entrada da porta apareceram dois guardas para nos escoltarem até o pátio A, onde nos obrigavam a encher bolas de basquete e de futebol de uma marca estrangeira. Procurei o esverdeado rapidamente antes de me entregarem uma bomba de ar. O achei perto das bolas de futebol, ele estava embaixo daquele sol escaldante e tinha aparência cansada.
–E ai Ryūto? Qual seu recorde de encher essas porcarias?
–Umas 196....- Me olhou nos olhos, coisa que foi necessário olhar bem para cima, já que sou mais alto – Tem idéia do que você fez? Bateu no Oliver! Eu sabia que tinha que ter te explicado que não se mete com ele!
–Eu não tenho medo da Olivia. E agora nem tem como evita-la, já que vou ficar com ela pelos próximos 8 anos.
–Como assim? E o nosso plano?
–Sinto muito cara, mas daqui alguns minutos vou ser transferido para Tokyo e ficar por lá com a Olivia por 96 meses.
–Que pena, você é um cara maneiro. Vou sentir sua falta...
–Que papo mais boiola! – Falei brincando
–Sai fora! – Comentou rindo.
Enchi umas 12 bolas de basquete e 5 de futebol, já que fiquei aproveitando meus últimos minutos de conversa com Ryūto. Um sujeito com uma cicatriz que se estendia por toda testa, usava uma calça surrada e uma jaqueta preta com um broche dizendo: ‘’ Oficial Big Al ‘’ apareceu, e me levou até as portas que davam para o interior do reformatório. Chegando nelas me virei discretamente e sussurrei um adeus para Ryūto. Andei até um elevador e fomos até o andar -3. Quando a porta do elevador se abriu percebi que estávamos em uma garagem no subsolo, lá tinha uma vã toda preta, abri a porta dela e por todo o compartimento traseiro só havia 2 lugares, um deles já ocupado por um loiro tentando destruir o banco. Com muita raiva e receio sentei ao seu lado sem olhar em seu rosto para eu não ter ânsia durante esse ‘’maravilhoso passeio’’.
Big Al, deslizou e bateu com força a porta da vã e deu dois socos na mesma, o que serviu de aviso para o motorista arrancar com o automóvel com toda a velocidade.
–Eu quero que saiba que eu te odeio.
–Que novidade... – Pensei melhor – Para que esta me falando isso?
–Vou ficar 8 anos com você, então vou ficar 8 anos fazendo teatro diante dos nossos superiores. Eu já ouvi boatos daquele lugar e não vai ser fácil viver, essa nova rotina você não esta acostumado, ‘’princesa’’ então quando meu comportamento mudar, não pense que EU mudei.
–Que lindo Olivia, mas eu não me importo com as coisas que você faz ou fala, você não tem importância nenhuma pra mim. Se você vai fazer teatrinho não interessa, porque você pra mim é um nada, e sempre vai ser.
Então ficamos em silencio durante 2 horas até que a vã freiou. Espiamos pela janela e vimos uma construção enorme, gigantesca. Com muros muito grandes cercados por arame farpado e torres de vigilância a cada 7 metros de muro. O portão preto se abriu lentamente e a vã entrou bem devagar, depois de entrar totalmente um grande estrondo se formou atrás do veiculo, mostrando que o portão havia fechado.
Descemos a vã e uma grande porta de metal se abriu, mostrando um homem mal encardo de cabelos vermelhos.
–Sigam. Me. – A voz dele era bem grossa e assustadora, pior do que a do Leon.
Fomos andando pelo longo corredor com diversas portas com o mesmo estilo da que entramos, só que menor. Em cima de cada uma tinha uma placa indicando o que tinha dentro. Havia portas na esquerda e na direita, algumas portas tinham placas de Ciências, Matemática, Química, Estratégia, Geografia, Armamento... No fim do corredor tinha mais três portas grandes, com enormes espaços entre elas.
Paramos na 12ª porta do lado direito, e na placa estava escrito ‘’barbearia’’. Só eu fui empurrado para dentro, e quando fui olhar para trás Oliver estava com um sorriso diabólico. Logo depois a porta se fechou com força.
Me sentei em uma cadeira de couro e já espera pelo que ia vir, iam cortar meu cabelo. Eu gostava dele assim, preso. Me diferenciava das outras pessoas. A pessoa pegou a tesoura e fechei os olhos esperando sentir minhas mechas caírem sobre meus ombros. Então escutei o barulho da tesoura cortando e quando abri os olhos vi que meu elástico foi cortado. E meu cabelo caia pelo meu rosto. A pessoa guardou a tesoura no lugar.
–Pode se retirar.
–Mas... você não vai cortar meu cabelo? – Não que eu esteja reclamando!
–Não, aqui não interessa se o cabelo vai atrapalhar a mira, aqui você é treinado para conseguir acertar o alvo até de olhos fechados.
A pessoa abriu a porta e eu saí. Oliver me olhou de cima a baixo e torceu o nariz. O avermelhado que nos conduzia se pronunciou:
–Assim vocês parecem até gêmeos.
Não falamos nada em resposta e dessa vez entramos em uma porta do lado esquerdo. A placa dizia: ‘’vestimentas’’ . Nos entregaram um uniforme cinza camuflado e entrei no provador. Logo após fomos levados até uma das portas que haviam no final do corredor. Essa porta era o campo de treinamento, que era simplesmente enorme. Fui levado para ala de combate e esperei numa fileira de meninos que estavam em pé, chamaram meu nome e me mostraram diversas armas, tanto de fogo, tanto brancas. Passei os olhos por tudo aquilo sem interesse nenhum, até que uma lamina refletiu em meus olhos e caminhei até ela. Era uma katana, e ela estava praticamente chamando por mim. A peguei sem hesitar e o técnico que analisava cada movimento meu abriu um sorriso, ignorei isso e voltei a admirar a katana, quando ouvi passos rápidos se aproximarem de mim. Me virei rapidamente e o cara estava com uma outra katana prestes a me atingir. Dei uma cambalhota para o lado e passei de raspão.
Aquele cara era maluco ou que? Eu não tinha experiência nenhuma e ele estava vindo para mim sem demostrar pena. Então tive que me defender e atacar, atacar e defender. Não esperava ganhar, mas consegui. Todos que estavam surpresos e eu estava entre eles. Um alarme tocou acordando todos da realidade. Encontrei com Oliver novamente naquele corredor, só que agora estava lotado de meninos de todas as idades, fomos até a segunda porta do final do corredor onde era o treinamento aquático. Aprendemos a como sair de emboscadas em baixo d’água, o resto do dia passou assim, aprendemos, treinamos, exercitamos. Somente as 22 horas fomos aos dormitórios. Dividi o quarto com o Oliver, mas isso era esperado. As 5:30 da manhã estávamos em pé dentro d’ água, para testar nossa resistência. OU MINHA PACIENCIA!
Os dias foram passando tudo do mesmo jeito. Todos os dias, sete dias por semana, só haviam alteração em algumas aulas. Quando duelava a katana estava reservada para mim. Na verdade, cada um tinha sua própria arma.
As coisas continuaram assim por mais dois anos, brigas entre mim e Oliver, aulas chatas, treino e exercício. Era o melhor em todas as matérias e isso só piorava a minha relação com o mundo. Quando completou quatro anos, tudo mudou. Agora eu dependia de Oliver e Oliver dependia de mim, os exercícios, treinos, provas, trabalhos, testes... tudo. Tudo era dupla. Então comecei a desenvolver amizade com ele.
Passaram-se mais três anos e só faltava um ano para irmos embora daquele lugar. Oliver era meu melhor amigo e eu tinha minha total confiança a ele, confiaria minha vida a ele. Descobrimos que tinham 5 profissões que seriamos designados de acordo com nosso desempenho no ano final. Agente tático, Elite da marinha, Caças da aeronáutica , Militar especial, Policial extremo.
Não podíamos escolher. Lá não havia liberdade ou opção.
Enfim, faltava 3 dias para completar 8 anos vivendo naquele lugar. Os dias passaram rápido e completou 8 anos. Mal podia acreditar que entrei com 8 anos aqui, e passei mais 8 anos nesse lugar. Eu e Oliver fomos levados até uma sala bem grande onde tinham 5 pilares com caps diferentes. O avermelhado do primeiro dia estava lá.
–Kagamine Len, seu desempenho notável em todos esses 8 anos mostrou que você é capaz de receber a profissão mais difícil que temos a oferecer nessa instalação.
Não sorri, fomos ensinados a não demonstrar emoções aos nossos superiores.
–Se dirija ao pilar 3.
Subi as escadinhas que tinham até o terceiro pilar que tinha um cap preto com uma listra branca. O peguei e o coloquei na cabeça.
–Você agora é um agente tático da equipe Karakuri e trabalhara aqui em Tokyo, enfrentara situações de risco e tem o trabalho de proteger a população dos piores elementos que temos por aí.
Ele me entregou um novo uniforme, uma blusa social branca e uma gravata vermelha, botas pretas e pesadas, calça vermelha, sobretudo preto e um cinto com a minha katana.
Estava satisfeito, mas não deixei transparecer. Voltei ao meu lugar.
– Oliver, seu desempenho nas matérias foi penoso, mas você tem uma excelente resistência, e os treinamentos na água foram incríveis. Se dirija ao pilar 1.
Oliver pegou um cap branco com a borda toda preta com uma listra amarela.
–Você agora faz parte da elite da marinha, fazendo parte equipe Umi. Você trabalhara em alto mar e em guerras ao redor do mundo, ajudando a socorrer e proteger os civis do local.
Oliver voltou sem expressão também.
Saímos da instalação pelos mesmos grandes portões pretos, já vestindo nossos novos uniformes e o Oliver estava meio assustador.
–Eu não acredito. – Disse olhando para seus pés – Você conseguiu o que eu queria. De. Novo. Tudo o que você quer, você tem não é?! É ridículo.
–Você é maluco cara?
Ele sorriu de um jeito maligno e me olhou.
–Sou.
Eu tinha a minha katana, Oliver a sua arma de fogo. E ele atirou. Tudo ficou preto e senti minhas forças correndo para fora do meu corpo. Caí e vi a poça de sangue se formar a minha volta.
///////////
Acordei já na grande Tokyo, em um hospital. Estava com o peito todo enfaixado e os médicos disse que tive muita sorte, e que por milímetros eu estaria morto.
Oliver me traiu, esse maldito desgraçado!
Desde então nunca mais o vi, e espero nunca mais ver.
Flashback off
PRESENTE
Que droga porque estou me lembrando dessas coisas? Já passou um ano desde esse ‘’acidente’’.
Nossa, estou todo esparramado na cama, enquanto espero a Rin terminar de tomar banho, como ela demora! Será mesmo que ela ficou com ciúme de mim?
Vou lá ver o que esta acontecendo, ela esta demorando muito mesmo! Quando eu abri a porta.... BAM!
A Rin caiu em cima de mim só de toalha.
Fale com o autor