Karakuri Burst
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Notas iniciais
LEN POV’S ON
Flashback On
Estávamos no lugar de sempre, escondidos de tudo e de todos.
‘’Era o que eu pensava.’’
Nós sempre nos encontrávamos, todo dia, sempre que dava, sempre que podíamos escapar um pouco dos nossos mundos e entrar em uma outra realidade.
‘’A nossa realidade.’’
Já tinha me decidido, era ela quem eu amava.
‘’Que ainda amo.’’
Hoje era o grande dia, iria me declarar, contar tudo o que sinto, claro que estava nervoso, mas eu não podia falhar. Peguei meu giz de cera vermelho e terminei de pintar o coração que fiz na escola. Escrevi tudo com os piores erros de ortografia e caligrafia que existem, mas aos meus olhos estava lindo, sorri satisfeito, sabia que ela iria gostar, coloquei um casaco, estava anoitecendo e eu estava começando a sentir frio, pus um casaco azul, que seria ótimo para esconder o coração em seus bolsos, embaixo estava com uma camiseta branca e uma bermuda marrom, saí do quarto de fininho, quando vi que não tinha ninguém em casa, sai correndo pela sala, afinal, ninguém podia saber onde estava indo.
No caminho observei os últimos raios de sol, o céu, antes laranja, estava numa mistura de laranja e cinza, depois de pular umas cercas cheguei num terreno baldio, e então era só empurrar uma tábua mal presa na cerca e enfim cheguei ao lugar.
Era um campo enorme, com vários arbustos e árvores, no meio havia uma macieira enorme, esse era o local de encontro.
–Laranjinha? –Perguntei, sabia que ela não gostava, mas não podia resistir.
–Já disse pra não me chamar assim.- Disse ela fungando. Ela estava chorando?
–Desculpe, não queria te magoar. – Sou um idiota.
–Tudo bem, não é por sua culpa que estava chorando. – Pelo menos...
–O que houve? Você se machucou?
Olhei no fundo de seus olhos azuis turquesas como os meus, as pessoas diziam que eram iguais, mas sempre achei os dela mais bonitos, mas agora estavam marejados, e isso me dava uma aflição...
–É que eu queria muito ver você, saí correndo de casa e tropecei, e acabei ralando o joelho.- Disse ela enquanto limpava uma lágrima que escorria timidamente.
Tão fofa, tudo isso só pra me ver, talvez eu esteja me achando muito, mas... e se não?
–Está doendo muito? – Não esperei resposta. – Podemos voltar pra nossas casas e.. NÃO , eu te levo em casa e.... – Fui cortado.
–LEN! Pare com isso! Eu quero ficar com você! – Disse, voltando a chorar.
É, definitivamente eu sou um idiota.
–Tudo bem- disse coçando a cabeça – Deixa eu ver como está a situação.
Ela levantou um pouco seu vestido, o que me deixou corado, mas só até altura dos joelhos. Estava apenas arranhado e pouco ralado, mas estava vermelho. Olhei pra ela, que mantinha uma cara de preocupação e medo, sorri por dentro, ela era uma florzinha, tão delicada...
–Meu Deus!- disse fingido ter preocupação- E-Eu... Eu não sei se vai ter jeito.- olhei pra ela, que estava apavorada, encarei seus olhos de puro temor – Vamos ter que amputar.
Por um momento vi ela morrer de medo, depois sua face se transformou em muita raiva, arregalei os olhos, estava ferrado, não escaparia dessa. Dei uns 3 passos pra trás, ela se levantou caminhou até mim. Cerrando os punhos, fechei os olhos a espera de um tapa que estranhamente não veio, abri um dos olhos bem devagar e logo abri o outro me deparando com ela segurando a risada, e depois soltando-a.
– Você tinha que ver a sua cara! Seu bobão, não me assuste assim de novo! – E voltou a rir
Ri também, e ri muito, acho que gargalhei na verdade, me joguei naquela grama verdinha, junto a ela.
–Ei, vamos brincar de alguma coisa? Que tal esconde-esconde?- Sugeriu
–Esconde-esconde não tem graça, eu sempre te acho- Falei bem confiante, afinal era verdade, não sabia se ela que era ruim mesmo ou se eu tinha algum talento, o que seria ótimo porque sempre sonhei em ser da policia de Tokyo e esse talento iria me ajudar.
–Claro que não, lembra quando eu... – Cortei-a.
–Te achei.
– E aquela vez que...
–Te achei.
–E quando...
– Te achei.
–Ah! Isso não tem graça!
–Não importa o quanto se esconda bem, eu sempre vou te achar.- Sorri, não tinha como ela me contradizer.
–Ah é? Então me pega seu lerdinho!
‘’Perseguir, perseguindo – Venha me pegar’’
Então ficamos perseguindo um ao outro até o folego acabar. Sentamos ao pé da macieira e ficamos observando as estrelas. Nem notei que já havia escurecido, mas sabia que estava anoitecendo, é verdade o que dizem: quando está se divertindo, o tempo passa mais rápido.
–Elas são lindas não são?- Ela perguntou docemente.
Fiquei hipnotizado em seus olhos, acho que nunca fiquei assim, o mundo ficou mais devagar e se minha boca estivesse aberta com certeza estaria babando.
–Não mais do que você – Respondi e logo depois ambos coramos.
Ela não disse mais nada depois disso, então fitei meus pés, como posso ser tão idiota? Ela deve ter ficado assustada, suspirei, sou mesmo um retardado. Não devo fazer nada direito.
Os pensamentos se espantaram ao ouvir os gritos dela. Levantei meu rosto rapidamente a sua procura, ela devia estar ao meu lado, não estava.
Estava escuro e havia duas pessoas vestidas de preto a arrastando pelos braços, enquanto ela gritava, fiquei paralisado com isso, até que percebi o quão inútil estava sendo e deixando ela ser simplesmente ser levada com a imagem de que eu não tentei salva-la. Corri feito um louco em sua direção, uma das pessoas que a arrastavam era um homem, a outra não identifiquei, pulei e me agarrei na perna do homem fazendo com que ele caísse, o mesmo soltou uns palavrões, por conta da escuridão não enxerguei seu rosto, mas pude ver que se tratava de um adolescente, talvez uns 8 anos mais velho que eu. Fiquei um tempo o analisando antes de dar um chute em um lugar frágil, digamos assim.
Vi que ela conseguiu se soltar da pessoa que a puxava, e vi que se tratava de uma menina, adolescente também. O que diabos dois adolescentes queriam com ela!?
Estávamos correndo um ao encontro do outro quando o adolescente que eu chutei a agarrou pelos cabelos fazendo a soltar um grito estridente, corri até eles e mordi a mão do adolescente, mordi tão forte que senti o gosto do sangue na minha boca, cuspi de imediato, mas no fundo deu certo, ele soltou ela que caiu em cima de mim.
Olhei ao redor, nós havíamos nos movimentado muito desde a macieira até onde estávamos, tão longe que havia uma estrada a poucos metros, onde se encontrava um carro preto que continha um símbolo que não me lembro. Estava ainda no chão quando o adolescente puxou uma katana da sua cintura, arregalei os olhos, o que quer que estivesse acontecendo ali era algo bem sério, Num movimento rápido ele passou a katana em meu rosto a ponto que achei que iria morrer, senti a ardência no meu rosto todo, mas principalmente em uma linha diagonal da minha bochecha ao meu olho esquerdo, que eu não conseguia abrir mais. tudo doía muito, sentia o sangue escorrer, então me joguei ao chão, ficaria ali pra sempre se não escutasse gritos vindos da parte dela também, me levantei um pouco, mas com com um chute nas costas fui ao chão de novo, estava sem forças, apenas levantei o olhar, estava sendo um fracote, se meu pai estivesse aqui teria vergonha de mim.
Mas o que eu vi foi uma imagem que nunca vai sair da minha cabeça, e até hoje me assombra. O corte da katana não havia pegado somente a mim, mas a ela também, o mesmo ferimento, o mesmo tamanho, a mesma dor.
Da minha boca não saia um único som, minha expressão já dava conta do recado. PURO TERROR.
Ela se debatia e gritava desesperadamente enquanto a puxavam sem dó nem piedade. A última frase que a escutei dizer foi:
–LEN! Não importa o quanto me escondam bem, você sempre me encontrará ,não é!?
–SEMPRE! – a jogaram no carro – Afinal, eu sempre te acho.....- Minha voz diminuiu até se tornar um sussurro, lágrimas tomavam conta do meu rosto enquanto estava largado naquela grama. No meu bolso e no meu peito haviam 2 corações amassados e rasgados por conta do destino.
Levaram ela.
Minha melhor amiga.
Minha outra metade.
Meu amor verdadeiro
Meu primeiro e único amor.
Minha Rin.
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