Karakuri Burst
82 135 Minutos.
Notas iniciais

LEN POV’S ON
Quinze.
Quinze minutos atrasados.
A essa altura, eu já não me incomodava mais.
Os lençóis da cama dela estavam no chão, amarrotados como roupa suja. O soro pingava no piso, e a agulha balançava de um lado a outro. O ar gelado, do ar-condicionado atrás de mim, batia nas minhas costas, antes de chegar nela. Eu forçava meus pontos a cada vez que a trazia pra perto, mas não deixava de fazê-lo da mesma forma. Seus dedos desciam pelas minhas costas de forma tão lenta, que pareciam prestes a parar. Sentia minha respiração ceder nos curtos instantes em que a agarrava e a trazia de volta, vez após vez.
A cama era individual. Ela cairia a qualquer segundo. Mas não se importava com isso. Deitava no meu ombro, e escondia a cabeça na curva do meu pescoço. Meus dedos passeavam em seu cabelo, enquanto sua respiração quente e agitada se acomodava na minha pele. As camisolas do hospital não eram suficientes para cobrir alguém do frio, então ela se agarrava na minha camisa, como se fosse um cobertor.
Aquilo também não era bom o bastante. Não fazia um trabalho melhor do que os lençóis no chão. Era fina. Era fraca. Tinha manchas de sangue que não haviam secado. Precisei a tirar de mim assim que atravessamos a ala de emergência. Não fazia mais sua função como camisa, mas sim como resto de algo. Eu não a tinha no meu corpo desde então, e me deixava sentir o frio daquele quarto, e o calor daquela respiração, por conta própria, na minha pele.
O ‘’cobertor’’ dela escorregava pelos seus ombros, e ela miseravelmente o resgatava a cada deslize. Tinha uma de suas mãos no colo, grossamente enfaixada, também coberta de bandagens, para que ela não se mexesse. O substituto de um gesso, ou algo do tipo, que imobilizasse a hiperatividade que existia dentro dela. Trabalhávamos com essa medida temporária, até que tivéssemos tempo para cuidar disso.
A outra mão, quando não se via encarregada de buscar a camisa, voltava para as minhas costas de tempos em tempos. Era o que a fazia não cair. Seus dedos desciam por mim quando ela escorregava. Eu sabia então que era hora de a pegar mais uma vez. Forçava os pontos que tinha ganhado mais cedo, enquanto as pessoas tentavam estancar o sangue que escorria do meu braço, e fechar o corte que o estilete tinha deixado.
Não conseguiria dormir. Eu era inútil ali. Eu só poderia esperar. Sentado na ponta da cama, desde que nos colocaram nesse quarto. Olhando para o relógio sem ter certeza do que fazer. Já ela tentou esconder o rosto no travesseiro. Ficar onde deveria ficar. Estar onde ela deveria estar. Mas isso não durou mais que uns poucos minutos. Ela arrancou o soro do braço antes mesmo que eu pudesse dizer alguma coisa. Chutou os lençóis da cama até que todos caíssem no chão.
Correu até mim sem esperar que eu fosse capaz de pegá-la.
Eu a segurei nos meus braços, assistindo ela se esconder no meu pescoço. Ergui suas pernas até que ela conseguisse se sentar, ou pelo menos, tentasse. Suas mãos arriscaram fazer o contorno das minhas costas, mas ela não conseguia. Não tinha força pra isso. Havia desistido de tentar quando a mão enfaixada já não seguisse mais o que ela mandasse. Então se apoiava em apenas uma mão e na expectativa de que fosse a pegar toda vez que fosse cair. Ela chorava quieta, esperando que eu não fosse perceber. Mas nem todo o silêncio que aquele quarto poderia guardar era suficiente para fazer com que eu não notasse.
Foram-se duas horas.
Duas horas e quinze minutos, na verdade.
Nós corremos até o carro. A carreguei por aí quando ela se cansou na metade do caminho. Minhas mãos juntas as dela. O céu clareava sobre as janelas, à medida que os quilômetros aumentavam. Não sei por quanto tempo aguentei dirigir com ambas as mãos. Só me dei conta do que aconteceu quando me apoiei no vidro e manchei a porta inteira. O sangue não era suficiente para escorrer pelo carro, mas sim pra carimbar meu braço em tudo que tocasse.
Ela me olhou preocupada. Até aquele momento, cobria seus olhos com as mãos. Mas o barulho do baque entre eu e a porta trouxe sua atenção até mim. Olhei-a rápido e sorri, fingindo estar bem e achar engraçado. Tínhamos conversas silenciosas, mas dessa vez não passava de uma frase. Aquela encenação barata jamais a compraria, eu sabia disso. E ela também. Mas o que nós tínhamos a resolver era mais importante do que eu.
Simplesmente, porque se tratava dela.
Eu não aguentaria muito mais tempo nesse carro. Não tinha parado de sangrar. Nem por um segundo. Eu poderia ignorar a dor, mas não podia ignorar aquilo. Sabia que precisava chegar rápido. Forçava o volante com meus dedos enquanto não conseguia desencostar do acelerador. Não podia deixar as pessoas entrarem no meu caminho. Não de novo.
Suas mãos me puxavam pelo estacionamento. Uma na minha cintura, e a outra no meu braço. Ele passava por trás de sua cabeça, contornando seu pescoço. Embora tentasse, ela não era forte o bastante para me carregar até as portas do hospital. Não importava quanto esforço fizesse, eu tinha quebrado a mão dela. Eu era mais alto, mais pesado, e principalmente, mais forte. E depois de perder a quantidade de sangue que havia perdido, mal me mantinha de pé. Quando arranquei o estilete de mim, eu entendi a intensidade da merda que tinha acontecido. Apesar de quase não enxergar o caminho até a emergência, ela tentava me puxar sem bater nas traseiras dos carros estacionados, ou tropeçar nas pedras soltas pelo chão.
Aquilo era inútil. Ela precisava disso mais do que eu.
Tirei sua mão da minha cintura. A abracei por trás e a apertei em meus braços enquanto ainda tinha força. Encostei minha testa em seu ombro, sentindo meu cabelo escorregar por sua clavícula. Seus passos diminuíam à medida que eu a segurava. Meu braço ainda tombava por cima de um de seus ombros, enquanto o outro a agarrava pela frente, a prendendo no lugar. Sentia sua respiração ficar mais devagar. Ela juntou nossas mãos e apertou contra si.
‘’Se você não consegue chegar até lá sozinho, eu vou conseguir por nós dois.’’
Quis dizer algo. Mas quando me vi, já estava sendo puxado mais uma vez. Queria falar para não tentar. Que não poderia acontecer. Eu só não era um ‘’peso morto’’, porque ainda respirava. E que o problema dela era mais importante que o meu. Ela precisava disso mais do que eu. Ela precisava de mais ajuda do que eu. E ela precisava parar. Levantei minha cabeça de seu ombro, e respirei fundo. A segurei mais uma vez, esperando que suas pernas parassem de se mexer.
Mas isso não aconteceu.
‘’Pare de bancar o forte, menino estranho. Eu consigo cuidar de nós dois também.’’
Ela me derrubou numa maca na ala de emergência. Logo em seguida, caiu no chão do hospital, do meu lado. Desde que havíamos cruzado as portas, os residentes vinham ao nosso encontro em questão de segundos. Mas eu não me importava. Estava mais preocupado com o que aconteceria com ela. Me seguraram no lugar quando tentei a buscar. As pessoas a levantaram, e a levavam para longe. Tinham muitas vozes me dizendo o que fazer. Quando tocaram em meus braços para me manter parado, se assustaram. Me desvencilhei dos enfermeiros enquanto olhavam o sangue em suas mãos. Tentei descer da maca e ir atrás dela, mas eu não conseguia. Não sozinho. Me diziam para parar. Me faziam parar. Tirar a camisa e receber os primeiros-socorros. Eu não era incapacitado, mas também não tinha muita escolha.
As pessoas perguntavam meu nome, minha idade, meu tipo sanguíneo.
E eu não conseguia responder.
Meus olhos não eram capazes de se manterem abertos. As coisas desfocavam. E eu não achava nitidez, por mais que tentasse. A claridade do hospital assassinava a íris que sempre mantive na escuridão. Era como se sentir cego. Mas eu não podia a perder de vista. No pouco tempo em que pude me concentrar, eu a achei naquele corredor cheio de borrões. Andava devagar demais para a pressa que as pessoas tinham. As bocas se mexiam, mas a dela não. Ela olhava para trás, confusa, me encarando de volta.
‘’Qual sua relação com a garota que te trouxe aqui?’’
A agulha entrava e saía do meu braço.
‘’Namorados. Eles são namorados.’’
Não desviei meus olhos até que ela virasse o corredor, junto das pessoas que a carregavam. Quis me inclinar para vê-la até o final, mas a minha visão não deixava. Todo o foco que pensei que tinha achado, simplesmente se perdeu quando ela sumiu. Era como um déficit de atenção. Encostei minha cabeça na parede, desistindo. Lentamente me virei para a direção oposta a que ela foi. Sabia que não conseguiria nada assim.
A loira de cabelos ondulados estava vestida em um uniforme descartável azul escuro, segurando uma bolsa de B negativo em mãos. SeeU chamava pelo meu nome sem parar, sem ter uma única resposta. Ela dizia aos seus colegas de trabalho que sabia quem nós éramos. Que não era a nossa primeira vez ali. Que tínhamos ficha naquele hospital. Que tinha noção do nosso ‘’parentesco’’. Namorados, como havia dito. Tinham tufos de algodão espalhados pelo chão e poças de soro fisiológico misturado com meu sangue escorrendo pelo piso. O lençol de papel que cobria a maca estava encharcado, e começando a se despedaçar.
Quis fechar meus olhos e esquecer onde estava. Apesar de ser o responsável por ter trazido nós dois até aqui, simplesmente não suportava esse lugar. Minha preocupação me fazia pensar que seria melhor ignorar o que aconteceu, e focar no que aconteceria. Meus desgostos não eram importantes de verdade. Espirravam soro e antisséptico pelo meu braço, arrastando bolos de algodão para tentar esterilizar a área, enquanto SeeU ajeitava a bolsa de sangue no suporte.
Merda.
O que eu estava fazendo?
Brigavam comigo. Dedos eram estalados na minha frente. As vozes se aumentavam. Perguntas. Sermões. Diziam que o que quer que fosse que tinha entrado, não deveria ter saído da maneira que saiu. Que o corte era fundo. E eu tinha aumentado. Por que puxou? Por que arrancou?
‘’Por que fez isso?’’
Falavam de hemorragia. De sangrar até morrer. E de ter sorte. Sorte de não ter rompido nenhum vaso essencial. Sorte de ter aguentado. Sorte de ela ter me trazido. Que cara de sorte. Não. Não, na verdade, não. Que pessoa imprudente. Não devia ter feito o que fez. Poderia estar morto agora. Desmaiar e simplesmente não acordar. Arrancar corta. Tanto dentro, como fora. Onde você estava com a cabeça?
É. Eu queria saber isso também.
Já fazia muito tempo desde que deixei de ser uma criança.
Já fazia muito tempo que não precisava mais de sermões.
E de ninguém dizendo o que devo fazer.
Ou porque eu fiz.
Então, o que eu estava fazendo?
Parado, escutando. Mudo, sem responder. Inútil, sem agir. Isso não era importante. Eles não eram importantes. Porque arranquei não era importante, e muito menos a sorte que tinha. Não era para isso que tinha vindo até aqui. Não era por mim. Não mesmo. E eu iria resolver isso agora. Puxei o pulso de SeeU, assustando aqueles que estavam a sua volta. Os mandei calarem a boca, quando na verdade quis os mandar pro inferno. A paciência que eu já não tinha, havia acabado.
Não tinha ideia do quanto tempo durou. Nem há quanto tempo estava aqui. Mas sabia que esse tempo não era o suficiente para já estar ‘’bem’’. Eu já não tinha um motivo para continuar aturando ninguém. O último ponto estava feito. As circunstâncias de merda que eu me via, que eu nos via, terminaram por piorar o que já era ruim. O cateter preso no meu pulso não fazia o sangue descer mais rápido. Nem fazia a dor passar. Mas não bancaria o papel de doente, quando quem precisava de ajuda, não era eu.
Radiografia, ela disse.
Não soltei o pulso de SeeU . Não até que conseguisse o que queria. Eu poderia agradecer, mas não o fiz. Não tinha tempo para isso. Simplesmente saí puxando o suporte da transfusão pelo corredor. Uma das minhas mãos segurava o corpo do apoio, enquanto a outra se arrastava pelas paredes brancas, manchando cada pedaço do caminho em que passava. Eu apertava meus olhos, me forçando a enxergar alguma coisa, qualquer coisa, que me levasse até onde eu deveria estar.
Me perguntava se aquilo tinha sido inteligente. Ter deixado tudo para trás. Eu não sabia. Talvez não fosse a escolha mais inteligente, mas era a melhor. Pra mim, pra ela, pra nós dois. Imaginava que se não fosse noite, se eu ainda conseguiria ter nos trazido até aqui. Se ainda teria enxergado a estrada. A claridade havia encontrado meu olho esquerdo, e desde então eu não via nada da mesma forma que via antes. Não até que me acostumasse com isso. Os meus olhos não trabalhavam mais em conjunto. Por anos havia sido desse jeito, e os forçar a agir como iguais, definitivamente não era a escolha mais inteligente.
Mas teria que lidar com isso. A ideia foi minha, afinal.
Meus passos ainda eram lentos. Por isso havia sido tão fácil para SeeU me alcançar. Ainda não conseguia andar como uma pessoal normal faria, nem era rápido como costumava ser, mas isso não era suficiente para me parar. Sequer sabia onde a sala de radiografia era. E mesmo que soubesse, não a enxergaria. Não desse jeito.
A loira nada disse. Não havia absolutamente nada que ela pudesse dizer que me faria voltar. Ela tocou no meu ombro, e me chamou com suas mãos, carregando minha camisa em uma delas. SeeU jamais ficaria confortável comigo por perto. E ela tinha razão. Nunca tinha tratado essa mulher direito. Sinceramente, essa não era a hora para ser simpático. E provavelmente não existiria uma hora pra isso. O que importava agora, é que aquela enfermeira era a única a colaborar, e a única que conhecia minha namorada, antes mesmo de eu a chamar assim.
‘’Está tudo bem, Len. É só uma mão quebrada.’’
Eu sabia que não poderia entrar. Que deveria me contentar a olhar pelo vidro da porta. E então, esperar. Mas eu também sabia que não conseguiria fazer isso. Sabia que iria abrir aquela porta com tanta força que bateria na parede. Sabia que iria assustar a equipe médica mais uma vez. Sabia que não conseguiria evitar. E quando me vi dentro da sala, olhando para ela sentada no escuro, eu sabia que tinha que a ajudar antes que fosse tarde demais.
Era ela. Dentre tudo, era ela o mais importante.
‘’Não. É muito pior que isso.’’
Uma hora.
Até aquela reunião acabar, uma hora.
Eles diziam exatamente o que já sabia que iriam dizer. O diretor do hospital repetia a mesma coisa a cada dez minutos. Eu segurava a mão dela por baixo da mesa, enquanto as pessoas tentavam me explicar o que eu já sabia. Ela não dizia nada, mas as vezes que apertava minha mão já bastavam. Eu olhava para ela, mas seus olhos estavam nas radiografias nos painéis da sala. Assim como o neurocirurgião e o cirurgião-geral, sua atenção não desviava daquelas imagens.
O Diretor dizia que o hospital jamais havia realizado um procedimento como esse. E isso significava que ele não sabia se isso daria certo. Ninguém sabia se isso daria certo. Diziam que tirar aquilo dela vinha com riscos. Que iriam restar sequelas. Que a chance de sucesso era baixa. E que deixar aquele ‘’corpo estranho’’ nela iria afetar as atividades cerebrais dentro de três meses, no máximo. O que era considerado ‘’sorte’’ de não ter acontecido até então, visto os anos que aquilo esteve dentro dela.
Diziam que o tempo dela não era longo.
Perguntaram se isso era realmente o que queríamos.
‘’Tire.’’
E aquela foi a única que vez Rin disse algo.
Nunca na minha vida eu achei que faria o que estava fazendo.
Mas era isso.
Eu estava assinando um documento de responsabilidade civil.
‘’Enfatizando sempre que a obrigação assumida pelo médico é de meio e não de resultado, devendo sempre ser averiguado se o profissional agiu com zelo à saúde do paciente e se utilizou de todo conhecimento e recurso disponível, olvidando esforços sempre no sentido de curá-lo.’’
Eu estava assinando um documento dizendo que ela provavelmente iria morrer.
E que eu estava ciente disso.
‘’A responsabilidade civil dos médicos é subjetiva, somente decorrente de culpa provada, não cabendo a presunção de culpa contra estes profissionais. Desta forma, não restando provada a imperícia, ou a imprudência, ou a negligência, fica afastada a culpa do profissional da medicina.’’
E que eu era o responsável por isso, caso acontecesse.
Seria minha culpa.
Essa era a razão dela usar aquela camisola hospitalar, ao invés das roupas que usava quando chegou aqui, como eu. Era a razão de ela chegar no quarto, e se esconder nos travesseiros. Era a razão por trás de chutar os lençóis e arrancar o soro. Era a razão de ela correr até mim, mesmo que não tivesse a certeza de que eu fosse a pegar. Era por essa razão, que ela chorava no meu colo, agarrada numa camisa que achava que não veria mais uma vez.
Por duas horas, nos mandaram esperar.
Porque em duas horas, seria a cirurgia de Rin.
Mas agora, nós estávamos atrasados.
Quinze.
Quinze minutos atrasados.
—Len. – Todo o silêncio que aquele quarto guardou, havia acabado. E eu agradecia por isso. – Acha que estamos adiando o inevitável?
Esse tom de voz.
—Não. – Parei de passar a mão em seu cabelo por um segundo. –Estamos te salvando. Eu e você.
Ela voltou a encostar a testa no meu ombro.
—Você sabe que não é verdade. Eles não acreditam nisso. – Se referia as pessoas com quem havíamos falado mais cedo. – Eu não sei se, — Recomeçou a escorregar por mim. – Se vou conseguir ficar.
A agarrei com mais força do que deveria.
Sabia muito bem o que esse ‘’ficar’’ significava nessa situação.
—Eu te faço ficar. Não só hoje, como amanhã. Durante todo o tempo que precisar.
Ela me encarou.
Aquilo não era igual às outras vezes.
—E se eu voltar diferente?
Naquele momento, tive certeza que ela falava das sequelas.
—Eu vou te amar da mesma forma. – Respirei fundo. — E você sabe que é verdade.
A porta do quarto abriu aos ruídos. De forma lenta, o brilho do corredor invadiu o lugar. SeeU não queria atrapalhar. Mas aparentemente, ela não tinha escolha. A enfermeira então, simplesmente apontou para trás.
-Preciso que vocês se despeçam.
Não tínhamos capacidade de dar uma resposta decente. Pelo menos, não agora. Ela acatou o silêncio mútuo entre nós como um ‘’sim’’ e levantou dois dedos.
Dois minutos.
Segurei Rin pelos ombros.
—Eu não aguento tudo isso sozinho. Eu não sei o que dizer quando você me faz de inimigo. Não mais. Mas também não sei o que dizer quando você me olha dessa forma. Talvez eu vá me acabar aqui, na sua frente. Eu desisto de ‘’tentar bancar o forte’’ o tempo todo. Eu tenho que parar, antes que eu me arrependa. Antes que os dois acabem perdendo tudo. Eu faço o que for preciso para isso der certo. Então eu vou te fazer ficar. E vou te amar de qualquer forma.
Ela não disse nada.
Apenas se inclinou para frente, e me beijou.
—Por favor. – Sorriu, mesmo que seus olhos me contassem que iria chorar. — Me espere.
Fale com o autor