Kami no Sensou

5 Capítulo 4 - Eu sou o Avatar de...


Um mundo sem nenhum sinal de vida, com exceção de um jovem garoto andando sem rumo com os olhos sem brilho olhando para o nada, pode-se dizer que mesmo o jovem garoto não estava “vivo”.

O jovem garoto – Kuroshi Kouji – apenas andava e ignorava todas as centenas de corpos espalhados pelo cenário.

“Mãe...Pai...”

Kuroshi chamou por seus amados pais em um tom de voz quase inaudível.

Andando por algum tempo, Kuroshi subitamente parou e olhou para baixo.

O que ele viu não era algo novo, muito pelo contrário, era algo que ele já havia visto milhares de vezes na infância.

O rosto dos seus pais—

“Kuro...” “Kuro...shi...”

Apenas chamarem pelo seu filho tomou toda a energia dos dois, que já estavam à mercê da morte.

Naquele momento, o brilho nos olhos de Kuroshi voltou e logo sua expressão sórdida se tornou uma expressão apavorada, provavelmente a expressão que qualquer um faria ao ver seus pais a beira da morte.

“Mãe...Pai...!!”

Lágrimas surgiram no canto dos olhos de Kuroshi.

Porém—

Ao contrário do que sua expressão dizia, seu corpo empunhava uma espada. Segurando a espada com as duas mãos e apontando a ponta da lâmina para seus pais, Kuroshi levantou seus braços acima da sua cabeça, fazendo uma posição de quem estava pronto para encravar a lâmina de cor púrpura nos corpos a sua frente.

“Não...Pare...PAREEEEEEEEEEE!!!!!!”

E seu corpo que até aquele ponto estava se movendo sozinho, usou a espada que emanava a morte para ceifar o resto da vida que restava para seus pais.

–--

Kuroshi abriu os olhos o máximo que pode, com uma expressão extremamente abismada, suor podia ser visto em sua cama e seu corpo.

Por alguns segundos Kuroshi esqueceu até mesmo de respirar, e então ele se levantou levemente e olhou para o relógio ao lado da sua cama.

No relógio era possível ver que ainda eram 3:02 da madrugada, após confirmar as horas, Kuroshi colocou a mão na cabeça que até então estava abaixada.

“…Droga.”

Kuroshi então se levantou e tomou um banho depois de escovar os dentes, logo mais ele se arrumou com seu uniforme colegial, pegou sua pasta e olhou novamente para o relógio.

Eram 3:36.

Ryoka combinou de se encontrarem às 4 horas, mesmo o dormitório e o ponto de encontro serem no mesmo local, ainda levaria aproximadamente 20 minutos para chegar lá a pé.

“Aaah...Essa escola é realmente muito grande...”

Após murmurar para si mesmo, Kuroshi suspirou e saiu do seu quarto.

A propósito, todos os quartos do dormitório são divididos, o quarto de Kuroshi não era exceção. Kuroshi já estava ciente de que possuía um colega de quarto, porém essa pessoa não havia aparecido nesta noite.

Talvez essa pessoa prefira dormir em casa, ou talvez tenha tido alguma urgência e não pode voltar ao dormitório, em todo caso, Kuroshi não estava preocupado com seu colega de quarto, então ele não deu importância a isso e nem procurou saber quem era essa pessoa.

Kuroshi chegou ao ponto de encontro um pouco mais cedo do que o marcado, ainda eram 3:50, por Ryoka passar a aparência de alguém muito responsável, ele acreditava que ela já estaria lá quando ele chegasse.

Mas não foi bem assim que as coisas aconteceram.

Ao chegar lá e procurar com os olhos, um pequeno parque podia ser visto, havia gramado em todos os cantos em volta do parque, no centro do parque o chão era de concreto, havia 4 bancos de madeira colocados estrategicamente em posições diagonais, basicamente era como se cada banco estivesse em cada ponta de um “X”, no meio havia uma grande estrutura circular de pedra, dentro do círculo dessa estrutura tinha outro círculo menor, porém um pouco mais alto, e dentro desse círculo menor tinha outro círculo ainda menor e mais alto, quase exatamente igual a um chafariz, porém no lugar da água, haviam várias flores de várias cores.

Apesar dessa estrutura no meio do parque ser chamativa, outra coisa chamou mais atenção de Kuroshi.

O que podia ser visto em um dos bancos era uma peculiar garota de cabelos azuis, da direção que Kuroshi veio ela estava de costas para ele, mas era simplesmente impossível não reconhecer alguém assim.

Kuroshi se aproximou e a cumprimentou com um “Yo” e então Seira respondeu com um “Bom dia” sem olhar para ele.

“Já está aqui a muito tempo?”

Após se sentar ao lado de Seira, Kuroshi perguntou.

“Eu cheguei poucos minutos antes de você.”

“Entendo. Eu ainda não consigo acreditar em quão grande é esse lugar, só para vir aqui já foram quase 20 minutos.”

Kuroshi estava apenas jogando conversa fora até Ryoka chegar, mas a resposta que ele recebeu foi bem inesperada.

“Isso não deveria ser um problema para gente como nós.”

“Eh? Como assim?”

“Ryoka esqueceu de comentar ontem, mas...Nós, [Avatares de Deuses], temos outros privilégios além do que a Ryoka lhe disse ontem.”

“Hmm, e o que mais nós temos a mais?”

“Nossa força, velocidade e estamina são bem maiores do que o comum, se você viesse correndo a toda velocidade até aqui, provavelmente chegaria em menos de 2 minutos e sequer se sentiria cansado.”

“Sério?!”

Isso sim era algo que Kuroshi não esperava ouvir.

“...Mmm, o que é essa barulheira a essa hora da madrugada...?”

Quebrando totalmente o clima da conversa anterior, Ryoka chegou ao local bocejando e coçando seu olho, parecia até que ela havia acabado de acordar.

“EH?!” “R-R-Ryoka?!”

O motivo dessa reação dos dois é bem simples, Ryoka realmente acabou de acordar, ela ainda estava vestindo seu pijama amarelo com várias esferas laranja e alguns botões da parte superior do pijama estavam desabotoados, revelando uma parte do seu busto.

“Vamos começar logo com isso...Ainda pretendo voltar a dormir antes da aula.”

“Você vai explicar as coisas NESSE estado?!”

Seira estava com uma expressão perplexa, aparentemente Ryoka possui algum tipo de habilidade especial para revelar esses outros lados de Seira.

“...Mmm, não ligue para detalhes tão pequenos, Sei-chan. Não é, Kuro-kun?”

“Sim, eu não me importo, pode continuar.”

Seira lançou um olhar ameaçador para Kuroshi, este por sua vez virou seu rosto para direção oposta ao olhar de Seira.

Ao perceber que era irrelevante tentar argumentar, Seira fechou os olhos e deixou para lá.

“Muito bem, vamos continuar então. Por onde eu começo...”

Ryoka se sentou entre Seira e Kuroshi, colocou o dedo no bochecha e começou a pensar.

“Que tal começar me falando sobre o passado? Quem é o atual [Deus dos Deuses]?”

“Hmm, ótima pergunta, Kuro-kun. Bem, o atual [Deus dos Deuses] é Zeus.”

“Eeeh...Então ele recuperou seu posto original, huh.”

Kuroshi respondeu e esperou Ryoka continuar, porém quem falou a seguir não foi Ryoka, e sim Seira.

“Errado. Zeus nunca saiu do posto de [Deus dos Deuses].”

“O que?! Zeus nunca perdeu uma [Guerra Divina]? Como isso é possível? Aliás, como vocês sabem disso?”

Perplexo com a resposta de Seira, Kuroshi perguntou o óbvio, dessa vez foi Ryoka quem respondeu.

“Isso é simples, Kuro-kun.”

Após responder Kuroshi, Ryoka se levantou e estendeu sua mão para frente, fechou os olhos e após alguns instantes—

Todo o espaço ao redor dos 3 se deformou e foi alterado, não é como se o local estivesse diferente, todas as coisas ao redor deles ainda estavam lá, o que mudou foi...

“Isso é....!”

Surpreso, Kuroshi se levantou rapidamente e olhou ao seu redor, era como se a cor de todas as coisas (Com exceção dos três) tivesse se invertido.

“...[Dimensão Reversa]!”

Foi o máximo que Kuroshi conseguiu falar.

Com cores estranhas em todo canto, nos gramados, nas arvores, no concreto, na madeira, até mesmo no céu e na terra, essa era a [Dimensão Reversa], tudo que nasce nesse local desaparece junto dele.

Ryoka se aproximou de Kuroshi e novamente estendeu sua mão em direção a ele, sua mão parou a um pouco menos de 2 metros de distância do rosto de Kuroshi.

E então—

O espaço se distorceu em frente a Kuroshi e várias palavras começaram a surgir uma em baixo da outra, ao lado das palavras existiam números, uma grande lista de letras e números estava na frente de Kuroshi agora.

Porém, Kuroshi apenas encarou a lista com um olhar de grande surpresa, isso porque as “palavras” que estavam na lista na verdade eram nomes, e todos os nomes eram o mesmo, o nome – Zeus – podia ser lido em todo canto. Os números provavelmente representam o ano em que a [Guerra Divina] acabou, resultando na vitória de Zeus.

Toda essa lista não é nada mais nada menos que a representação da suprema existência do líder de todos os deuses, Zeus o [Deus dos Deuses].

“...Isso é um tanto desanimador.”

“De fato é, mas pense por outro lado Kuro-kun...Em cada geração uma pessoa diferente se torna o [Avatar de Zeus], o que significa que mesmo que as chances sejam poucas, o [Avatar de Zeus] atual pode não ser tão invencível como essa lista faz parecer.”

Ryoka gentilmente consolou Kuroshi, apesar de tudo, é um fato que Zeus venceu todas as [Guerras Divinas] até então, tudo leva a crer que não será diferente dessa vez também.

Kuroshi então deu um fraco sorriso em direção a Ryoka, mas logo depois ele fez uma expressão de curiosidade quando algo veio a sua mente.

“...Mas espere, se há tantos deuses e já aconteceram tantas guerras, então já morreram muitas pessoas, certo? Não já deveriam estar suspeitando disso?”

“Isso seria verdade, mas não é bem assim que funciona.”

“O que quer dizer?”

Curioso com esse fato, Kuroshi urgiu Ryoka a continuar a explicação.

“É simples, quando nós [Avatares de Deuses] morremos, não perdemos nossa vida, eu ainda não presenciei a morte de um [Avatar de Deus] de perto, mas...Aparentemente nós perdemos a fração da alma divina que possuímos, assim como nosso [Reisei] e todas as nossas memórias relacionadas a [Guerra Divina] e aos [Avatares de Deus] e voltamos a ser apenas pessoas comuns. Parece que esse é o meio que Zeus achou para não tirar a vida de pessoas inocentes com seu próprio jogo, em outras palavras, apenas o Deus dentro de você morreria.”

“Hmm... Isso seria o melhor jeito de evitar tragédias e evitar que antigos envolvidos possam ser alvos novamente.”

Ryoka acenou com a cabeça para o comentário de Kuroshi e então continuou.

“Então, Kuro-kun, acredito que a maioria da parte teórica já foi passada a você, agora precisamos ir para próxima etapa.”

“Próxima etapa?”

Se perguntando o que Ryoka queria dizer com isso, Kuroshi observou Ryoka se aproximar de Seira e cochichar algo em seu ouvido, Seira então acenou com a cabeça e olhou para Kuroshi com um olhar sério.

“Sim. Preciso te mostrar como funciona as batalhas entre [Avatares de Deuses] em tempo real, para isso...”

“E-Ei... Você não está pensando em...”

Antes que Kuroshi pudesse terminar, Seira entrou na frente de Ryoka e começou a caminhar em direção a Kuroshi com uma expressão séria.

“Você sabe como usar seus poderes, certo?”

Seira parou de andar a menos de 5 metros de distância de Kuroshi e perguntou.

“S-Sim, mas...Lutar assim do nada, pode ser perigoso...”

“Não se preocupe, pegarei leve.”

A situação foi tão repentina que Kuroshi não teve tempo para se incomodar com o comentário sarcástico de Seira.

“Muito bem, já que estamos entre amigos, vamos nos apresentar mais uma vez, Kuro-kun.”

“Eh?”

Ao comentário de Ryoka, Kuroshi olhou para ela esperando ela continuar.

“Eu sou Ryoka Illsbert, [Avatar de Atena], é um prazer.”

“!!”

Kuroshi ficou perplexo com essa revelação, mas não há tempo pra isso. Após Ryoka terminar de se apresentar, Seira moveu seu braço para o lado (Em uma posição diagonal) e uma energia dourada começou a surgir no espaço ao redor da mão dela, logo essa energia começou a tomar forma e se tornou um tridente dourado, com quase 2 metros de altura.

Seira começou a girar o tridente habilidosamente e entrou em posição de combate.

“Eu sou Seira Mitsui, [Avatar de Poseidon]!”

Não havia mais caminho de volta para Kuroshi que percebendo isso, endureceu sua decisão e sorriu com os olhos fechados.

Energia púrpura começou a se formar a partir do nada e rapidamente tomou a forma de uma arma—

O que foi criado foi uma espada com uma lâmina de cristal púrpuro que lembrava ametista, a empunhadura era negra como carvão e com várias linhas prateadas em volta de toda a empunhadura.

Entre a lâmina e a empunhadura, havia um pequeno par de asas prateadas que completavam a aparência da espada que emitia uma sensação maléfica ao seu redor.

“Nesse caso... Eu, Kuroshi Kouji, [Avatar de Hades], irei aceitar o desafio!!”