Kalahari
10 Capítulo 9
Notas iniciais
Kalahari
Capitulo 9
Entrei em uma barraca de lona bem firmada com troncos de apoio nas laterais e a um canto, no chão, havia um saco de estopa com alguns cobertores e algo que identifiquei como a um pequeno travesseiro. Tudo iluminado pela luz de uma lamparina que tinha a uma chama tremula e disforme, mas, que me serviu na procura de coisas nojentas e rastejantes. Fiquei fuçando por todo o canto da barraca e, somente após revirar tudo, me dei por satisfeita ao constatar que o lugar fora limpo meticulosamente por Edward.
Muito cansada sentei no saco de dormir que seria a minha cama e tirei as botas de couro ficando com uma nas mãos e passei os dedos pelo contorno, eram as botas de mamãe.
Como a minha vida podia ter mudado tanto?! Olhei com desalento ao meu redor, eu estava no máximo de conforto que um quase estranho poderia me proporcionar dentro daquela barraca e não tinha a menor idéia de como seria a minha vida dali por diante. Para quem passou por tantas experiências traumatizantes de quase morte, eu deveria agradecer pelo destino ser tão misericordioso comigo. Mas, o fato era que eu não tinha a muitas escolhas e, deveria me conformar por ser cativa do indomado Cullen. A este pensamento, algo se agitou na minha barriga e, eu tinha certeza de que não era a comida de Moabe.
Aquele homem mexia comigo de um jeito que estava me deixando muito preocupada. Eu não sabia o que fazer, se o matava ou o beijava.
—Ai, que ainda fico louca de pedra por conta dele!
Levantei do chão e estiquei meus braços sentindo estalos em cada músculo dolorido. De repente aquele saco de dormir me pareceu muito atraente, então, tirei o colete de couro que me obrigaram a usar e senti os bicos dos meus seios doloridos. Com cuidado eu os massageei para depois me livrar da blusa de sarja e ficar somente com a parte de cima da combinação. Caminhei até a lamparina e a ergui para poder olhar com mais cuidado para o meu corpo, eu vi a marca do colete na pele do meu colo, era uma linha que se estendia até o meu umbigo. Com a ponta do dedo eu segui aquela marca por toda a extensão, sabia muito bem que após um bom banho ela iria desaparecer. Aproveitei que a lamparina estava perto do meu corpo e com a mão livre abri os primeiros botões da calça e a abaixei lentamente. Meus olhos estavam pesados de sono e antes de tirar-la pelos pés eu vi um vulto grande dando a volta pela barraca, segui os passos pesados até que eles pararam na abertura da barraca e ergueram a parte frontal da lona.
Somente tive tempo de abrir a boca e gritar de medo!
Era ele, o demônio de olhos verdes, Edward Cullen. O homem tremia todinho, misericórdia! O rosto dele estava vermelho e transtornado, parecia que iria estourar. Ele deu um passo em minha direção e eu pulei para trás, depois mais outro passo e ele estava com o nariz enfiado no meu rosto. Nossos olhos estavam presos um nos outros e eu via somente o brilho da fúria nos dele e o ar quente que saiu pelas narinas dilatadas aqueceram toda a minha face.
Ai, ele falou, bem baixinho, por entre os dentes cerrados.
—Tenha piedade de nós e durma vestida, por favor!
Edward praticamente soletrou as duas ultimas palavras e então, ele ergueu uma das mãos com dedos postos em garras, eu tive tempo somente de me abaixar e gritar.
—Aiê!
Mas, para a minha surpresa, ele pegou a lamparina e saiu da barraca me deixando no escuro. Eu fiquei quase dois minutos de cócoras, com a calça presa nos calcanhares e tremendo por inteira, meu coração queria pular pela minha goela e meus braços rodeavam meu corpo.
Corpo?!
—Ai merda! – eu não era dada a falar palavras chulas, mas feito um estalo percebi o que tinha acontecido e fiquei ainda mais agitada, com dificuldade engatinhei até o saco de dormir me enfiando nele de qualquer jeito e fechei meus olhos. Como eu poderia adivinhar que eles também, veriam o meu vulto de dentro da barraca?!
Mas, será que eles viram tudo, tudinho?
Para ele ter incorporado a besta fera, suponho que sim!
—Hum, ele vai achar que foi de propósito! — não tinha jeito, meu sono fugira com medo de Edward Cullen e eu me remexia para lá e para cá dentro daquele saco de estopa sentindo o tecido rústico pinicar a minha bunda, ela iria ficar cheia de bolhinhas amanhã.
—Pelo menos não fede!
Suspirei desalentada me perguntando onde fora parar aquele homem sedutor e envolvente de horas atrás. Fechei meus olhos com força e cobri a cabeça, a minha vida era um carrossel invertido e o pior era que eu teria que dormir no escuro hoje. E se um bichinho aparecesse? A esta possibilidade eu me levantei e sem conseguir enxergar nada puxei para cima a minha calça e depois sai tateando o chão da barraca em busca da minha blusa.
—Cadê você, infeliz?
Eu não iria passar a noite no escuro, de jeito nenhum!
Meus joelhos já doíam em contato com a dureza do chão quando uma luz iluminou o lugar e eu vi a minha blusa, do lado oposto de onde eu estava, erguendo meu queixo em direção da claridade e vi os bicos das botas de vaqueiro dele.
—Mas que diabos você está fazendo?! — não tinha como me acostumar, o homem era grosso demais! Eu fiquei em pé e cobri meus seios com os braços e o enfrentei decidida.
—Não quero dormir no escuro!
—Deixa de ser fresca!
Edward Cullen cretino!
—Me respeite, seu mamute!
—Ma o que?!
—Além de grosso é ignorante?
Eu o vi olhando para o chão.
—Não acho aconselhável que fique com a luz dentro da barraca, vai dar merda!
—Pois fique sabendo que não estou nem um pouco interessada na tua opinião. Eu não vou dormir com os insetos e pronto!
Ai, ele ergueu os braços e quase bateu no teto da barraca a desmontando.
—Tá louca mulher? Que inseto?! Eu mesmo limpei este chão... – depois ele estendeu aquele dedão pro lado do meu nariz e me ameaçou — ...Olha aqui dona Isabella Marie Swan, acho melhor não começar com as tuas sandices que a minha paciência já esta lá no meu saco!
—Como você é grosso e inconveniente, sem modos para falar com uma freira!
—Estou neste momento falando com a mulher das tetas mais lindas que eu já vi em toda a minha vida e....!
—Ahhhh! – eu perdi o controle e pulei nele lhe desferindo um tapa no rosto.
Como assim?! Ele teve a ousadia de falar das minhas tetas?!
—Saia daqui! Prefiro dormir no escuro, com os bichos, do que continuar a olhar para esta tua cara fedida!
—Eu não sou fedido!
—Pois saiba, Edward Cullen, que você é tão fedido quanto aqueles bichos horrendos que chama de búfalos! Agora saia da minha frente, ou eu sou capaz de aprontar tanto escândalo que você vai se arrepender até a alma por ter me trazido a força nesta viajem!
Claro que eu já estava gritando. Não, eu bufava enfurecida e pelo visto consegui impressioná-lo, pois vi o momento exato em que ele abaixou as vistas, feito a um menino repreendido e saiu da barraca, levando a luz com ele.
—Dane-se!
Era isto mesmo, eu me dirigi até onde estava a minha cama de estopa e me enfiei nela. Fechei meus olhos com fúria, bem apertados.
—Tetas bonitas...criatura abominável, desde quando eu sou vaca para ter tetas?
Só porque ele já tinha me visto nua em pêlos, não tinha o direito de falar daquele jeito comigo! Eu não sou santa, já trabalhei em uma boate para lá de suspeita, mas sempre me dei ao respeito e, o que andou acontecendo entre eu e ele foi tudo por conta de um desagradável e indesejado acidente, pronto!
Tetas bonitas, a voz máscula dele retumbava em meus ouvidos me martirizando. Eu dei de ombros tentando conciliar de uma vez o sono perdido.
—Pelo menos ele acha alguma coisa bonita em mim!
E pelo o que ouvi as minhas tetas eram as mais bonitas que ele já tinha visto. Levei minhas mãos até elas e me apalpei imaginando quantos peitos ele já vira e, como seria a sensação de ter aquelas mãos grandes os cobrindo.
—Humm!
Deveria ser uma pegada e tanto, minha mente pervertida começou a imaginar coisas, começando pela língua vigorosa e quente me lambendo, eu gemi só de pensar naquela possibilidade. Meu estado físico e mental estava tão precário que eu não tinha qualquer controle sobre o meu corpo, prova disto, era que a minha intimidade passou a piscar feito vagalume e eu senti uma coisa escorrendo dela que me causou muito prazer.
—Maldito Edward Cullen, você está acabando comigo! – ele deveria ter tido a muitas mulheres, ao passo de mim, que não passava de uma virgem que tivera a única experiência sexualmente falando mais forte através de um beijo de língua, bem molhado.
Depois de tanta confusão percebi que não sabia nada sobre ele, eu sabia sobre os seus desgostos, mas o que agradava aquele homem, além de seus búfalos, me era um completo mistério. Acho que ele deveria ter quase trinta anos, pois era jovem e vigoroso, longe de ser a um adolescente débil e sem personalidade. O sono voltou e dormi pensando nele, em voltar a sentir aquelas mãos grandes e quentes, os lábios macios e a língua comprida e atrevida. Estávamos no jardim da minha casa em Forks, andávamos de mãos dadas, Edward sorria para mim lindamente e paramos debaixo da copa de uma arvore. Eu fiquei com as costas apoiadas no tronco e ele de frente para mim, nossos rostos se aproximaram e eu sentia aquele cheiro gostoso que saia da boca dele, meu estomago se comprimiu ao mesmo tempo em que meu sexo palpitou.
—Eu vou beijá-la! — aquela voz rouca dele, falando daquele jeito, fui obrigada a implorar...
—Me beije, logo!
Era tudo tão real que senti os dedos quentes tocando meu rosto...
—Agora madre?!
—Hã, hã!
—Mas, isto seria muito inconveniente, não acha?!
Eu estiquei o meu bico para ele, que se danasse a inconveniência eu queria aquela boca grande amassando a minha.
—Não é não! Para de falar e me beije logo!
—Não tem nada que eu queira mais nesta vida, madre!
Madre? Por que ele insistia em dizer aquela palavra?!
—Bella, me chame de Bella!
—Acredite, eu te chamaria de muitas outras coisas se você não fosse uma freira e filha da minha melhor amiga, agora acorda, vamos, abra estes olhos!
Ele me tomou pelos ombros e passou a me sacudir.
—Aiê! – eu abri meus olhos e o vi parado quase que em cima de mim.
—Acordou?
—Mas é claro que sim, me sacudindo deste jeito!
—Você estava dormindo feito uma pedra!
—Mal educado! Quem te chamou aqui?
—Você!
—Eu?!
—Sim, senhora! Se bem que eu fiquei em duvidas, pois eu não sabia se roncava ou se me chamava.
O QUÊ?!
—Eu não ronco! – pulei em cima dele.
—Ronca sim, feito um búfalo!
—Não me compare com teus bichos fedidos, Edward Cullen! — eu enlouqueci, pois ele começou a gargalhar!
Enfurecida me levantei e busquei pela minha blusa e depois peguei de qualquer jeito as botas e sai da barraca, somente para constatar que o dia já amanhecera e o sol ia alto no céu. Lá estava eu, no meio do nada, de pés descalços, usando a calça com que dormira e de combinação curta com a boca escancarada. Olhei ao redor e vi apenas uma fogueira acessa e um bule que fumegava o cheiro do café.
—Cadê todo mundo?
—Levantaram antes do alvorecer e seguiram caminho.
—Eles nos largaram?! – Edward revirou os olhos, gente, eu era ignorante naquele mundo selvagem, ele poderia ter sensibilidade para compreender isto?
Passei a vestir a blusa rapidamente, agradecendo mentalmente que estivéssemos de fato, a sós.
—Eles saíram na madrugada, pois assim, os animais não seriam tão exigidos pelo calor do dia e, eu estou aqui! – ele falou gesticulando com aquele jeitão, meio bronco, meio menino...
—Estou vendo e não estou entendendo! Porque você ficou para trás, e comigo?
—Depois do Streep tease de ontem a noite, acho que sua virtude religiosa seria melhor conservada comigo!
Senti que ficava vermelha. Para disfarçar eu me dirigi até uma pedra e sentei para calçar as botas.
—Você tem que entender que eu não poderia imaginar que a lona fosse assim tão transparente.
—O que eu não consigo entender, é que uma freira queira dormir nua!
Ele não olhava para mim, apenas despejava o café em uma caneca antes de estendê-la.
—Não consegue entender porque não passa de um abusado!
Eu peguei a caneca e nossos dedos se tocaram, aquela eletricidade, indecente e libidinosa me percorreu todinha, da nuca até os fundilhos e, para ajudar a minha situação, ele ficou me olhando daquele jeito que somente ele conseguia.
Aquele homem deveria ser preso!
—Será mesmo?! – agora ele passou a me provocar.
—O quê?! — disfarcei muito mal e, covardemente abaixei minhas vistas e beberiquei do café que queimou a minha língua como punição.
—Não foi o que eu senti quando fui acordá-la.
—Ah, vai me dizer que você sente alguma coisa? – balancei meus ombros e falei de forma bastante jocosa, eu daria o troco pela historia do ronco. Mas era um jogo muito perigoso, principalmente quando ele se aproximava daquele jeito, de quem vai dar o bote...
Eu não teria forças se ele fizesse isto! Acabei ficando cativa novamente com a força daquele olhar enquanto o desgranhento tomava conta da situação.
—Estou me controlando muito para não dizer o que estou sentindo neste momento, mas vou avisá-la que não costumo deixar uma mulher desejosa de um beijo meu!
Olhei escandalizada para ele, como sabia da história do beijo, não foi um sonho?!? Ai, ele me olhou de um modo muito penetrante, como se me enxergasse por inteira, até o tutano dos meus ossos e, depois falou de uma forma que nunca antes falara comigo.
Eu senti vertigem nessa hora...
—Mas, levando-se em conta que você é uma freira e que não deva ter nem vinte anos, vou me controlar! Somente gostaria de poder contar com alguma ajuda sua, se não fosse pedir muito.
Engoli a saliva seca, nada de brilhante saia da minha cabeça e para não dar a impressão de que eu era uma retardada de nascença, apenas consegui balbuciar.
—Não sei do que está falando, Sr.Cullen!
—Ah não sabe?! Aprendeu a ser dissimulada no convento? – Edward apertou os olhos e me inspecionou muito atentamente. Eu passei a mão pelos meus cabelos, eles deveriam estar um verdadeiro horror. Eu deveria estar toda assim, e sem saber ao certo o que fazer, alisei a minha blusa antes de voltar a falar.
—Por favor, não seja impertinente!
Edward tomou a caneca de minhas mãos e me pôs em pé pelos ombros. Eu tremia com aquele contato e minha consciência começou a fraquejar.
—Estou tentando respeitá-la, Madre Isabella. Já percebeu que não sou dado a gentilezas ou cortesias, mas, pode se surpreender com o quão humano eu posso ser. O que eu quero dizer, é que sou suscetível à ganância, a ira e a cobiça e, neste momento, ando cobiçando algo que não me pertence, visto que você jurou ser casta a Deus!
Jurei é?!
Meus joelhos tremiam muito e parecia que meu estomago estava cheio de borboletas, ele continuou a falar, bem perto do meu rosto tirando a toda minha sanidade mental, desta vez eu tinha certeza de que não estava sonhando.
—Não quero perturbá-la, tão pouco desviá-la de seu caminho. Mas eu olho para você e vejo a uma mistura perturbante de inocência com sedução. Isabella, você tem noção da força que exerce sobre mim?
Eu apenas consegui balançar a minha cabeça em negativa, era até injustiça ele me fazer qualquer pergunta, ainda mais naquela altura dos acontecimentos.
Oh meu pai, e o homem não parava de falar!
—Ainda não sei o motivo de você ter aparecido na minha vida, não sei se é para a minha redenção ou condenação eterna. A única coisa que sei é que estou completamente atraído por você e, não gosto desta sensação que estou sentindo, tê-la ao meu alcance e não poder tomá-la.
Eu tinha mesmo que responder aquilo? Ai meu pai, de repente achei que havia me metido em uma baita encrenca! Como assim ele estava atraído por mim?! E agora, não, e depois, quando ele descobrir que eu não passo de uma fugitiva?
Edward continuava a me atormentar com as suas declarações.
— Com todos os demônios, você não é qualquer uma para que eu possa levá-la para cama e amá-la como se deve...
Sou fraca, sou fraca....!!
— Sei bem que não deveria estar falando estas coisas com você, mas, é que está sendo muito difícil para mim, pois eu sinto que nesta historia toda, tem alguma coisa de errado. Algo que você ainda não me disse.
Fiquei de boca aberta olhando para aquele homem impossível. Por um momento cogitei a possibilidade de dizer que eu não era freira coisa nenhuma, que era uma bandida e que fugira dos Estados Unidos com uma valise cheia de dinheiro. Que havia um bando de mafiosos querendo o meu pescoço. Mas, foi só por um momento. O silêncio ainda era a minha melhor alternativa e eu fui muito evasiva quando respondi.
Que ele continuasse a procurar a peça que faltava naquele quebra-cabeça maluco.
—Estou confusa.
—Não Isabella, você causa confusão na vida das pessoas, feito um tornado que arrasta tudo por onde passa!
Procurei ignorar aquele comentário, assim como, a vontade louca que eu tinha de me atirar no peito dele e erguer meus lábios suplicantes e implorar pelo beijo tão sonhado.
Mas e depois?
—Uma hora você me ofende, na outra diz que me deseja...?
—Sou apenas um homem que está tentando lutar contra seus instintos.
Ele teve a iniciativa de me largar e me deu as costas.
—Acho que não vai mais querer café. – Edward despejou o liquido no fogo para depois jogar areia e apagá-lo por completo.
—Vamos seguir viajem, assim que estiver pronta.
Tenha dó! Primeiro ele me enche a cabeça, me atormenta e azucrina, para depois me larga assim, como se nada tivesse acontecido.
continua....
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