Kalahari
24 Capítulo 23
Kalahari
Capitulo 23
Primeiro foi o perfume adocicado que penetrou pelas minhas narinas. Depois eu vi os cabelos que bailavam leves ao menor menear da cabeça loira. Finalizando com os lábios dela que se esticaram a tal modo formando um desenho estranho, algo parecido com um coração vermelho e carnudo. Então, ela se encaminhou para o lado de Edward toda rebolativa com os braços estendidos e os olhos com as pestanas semicerradas que batiam ligeiramente. Parecia que um raio caíra sobre nossas cabeças, mas na de Edward o paralisara completamente. Eu jurava que até podia ver os cabelos sujos dele em pé e para comprovar minhas suspeitas, antes de estralar a um sonoro beijo na boca dele, Tânia disse:
—Oh, meu bem, por que todo este espanto? Sou eu, seu algodãozinho doce! – ela finalizou com voz macia, quase musical e passou levemente a ponta dos dedos pela face de Edward que não disse a um sequer ou talvez, apenas continuava parado em silêncio e com os olhos tão esbugalhados que parecia que iriam saltar da cara dele e pipocarem pelo chão. Diante do silêncio, ela passou a bombardeá-lo com perguntas e queixumes. Sobre a viagem, se correra tudo bem e se houve alguma surpresa e, por fim, ela mencionou a decepção de não o encontrar na fazenda a sua espera. Uma amargura se acumulava no meu peito, eu não queria acreditar que aquela era a mulher de Edward, que eles tiveram intimidades, trocaram carinhos e eram alguma coisa juntos, que eu nunca seria com ele.
—Fiquei muito preocupada com você, “chifrudão”! Mandei uma mensagem para os Hale, avisando que estava devidamente instalada aqui em casa, mas meu coraçãozinho quase parou quando veio a resposta de Alice. – neste momento Tânia ergueu-se nas pontas dos pés e falou no ouvido de Edward, como se fosse lhe confessar a algum segredo, mas, todos nós ouvimos o seu comentário.
—Acho que Alice não gosta de mim, “chifrudão”! — Automaticamente eu lembrei de Alice se referindo a mulher de Edward com palavras pouco simpáticas. Depois dei uma boa olhada a minha volta, notando que não era somente Alice que não se simpatizava com Tânia, pois havia um olhar de descrença estampando nos olhos azuis de mamãe. Jacob olhava para Tânia com ares desconfiados e Zahara tinha algo de ressentido em seus modos. Eu tinha que confessar que era meio lenta para perceber algumas coisas, mas, Tânia parecia alheia ao mal estar que pairava no ar quente daquela hora. Ela se movia toda graciosa, balançando propositalmente as ancas enquanto movimentava o leque que tinha a uma estampa florida com rendas nas bordas. E deu um sorriso esplendoroso, como daquelas artistas de revista e teatro antes de virar-se para mamãe.
—Rennee, será mesmo você, minha cara?! Mas que roupa estranha esta, e temo que exista algo de errado com sua pele também!– ela tirou Edward de seu foco de visão e passou a notar o restante de nós. Imaginei o que ela estaria vendo, um grupo esfarrapado e sujo até a medula dos ossos. Eu me sentia pesada, como se uma bigorna estivesse em cima da minha cabeça e dei-me conta de que na presença daquela mulher eu deveria estar parecendo a um medonho espantalho. Daqueles que tinham os cabelos feitos de milho e sem expressão na face, apenas com olhos grandes e esbugalhados. Eu fedia tanto que mataria algum urubu que se aproximasse de mim enquanto que a mulher de Edward cheirava a rosas.
—Tânia, não posso dizer que seja a uma satisfação vê-la novamente! – Mamãe foi rápida na sua resposta o que me surpreendeu, pois eu tinha a garganta tão seca que parecia que ela se fechava na minha traqueia e vi com muita nitidez quando ela deu de ombros e sacudiu as vestes do corpo. Uma nuvem de poeira se levantou com este gesto, sendo densa o suficiente para fazer Tânia tossir, o que deu a um certo ar de satisfação em mamãe.
—Que modos são estes Rennee? – um pouco descomposta Tânia deu um riso leve e irritante ao mesmo tempo – Até parece que não somos parentes!
—E não somos! – minha mãe passou a tirar as tralhas que trazia junto ao corpo de forma brusca e com muito pouca paciência – Estou louca por um banho, mas antes desejo cumprimentar de forma decente a Zahara.
—Sim, querida, sinto que precisa urgentemente se limpar. – eu a vi esquadrinhando mamãe dos pés a cabeça antes de fazer a uma expressão de nojo — Sinceramente nunca entendi este teu fascinou pelo deserto! Aquilo não é lugar para mulheres, meu bem!
—E onde exatamente é o lugar certo para nós, no pardieiro onde Edward a encontrou anos atrás? – Rennee foi ácida. Nunca antes a vira assim tão agressiva.
Em resposta Tânia retrucara que o lugar de uma mulher era na segurança de uma casa arejada. E que nunca deveríamos nos esquecer de nossa condição frágil e feminina. Sem importar-se com o falatório organizado de Tânia, mamãe deu dois passos à frente me chamando — Isabella, venha meu bem, precisamos arejar nossas mentes enquanto nos limpamos.
Aquela menção foi o suficiente para me tornar o alvo das atenções de todos. A mulher de Edward voltou-se para mim com interesse me avaliando abertamente sem qualquer pudor. Ela colocou as mãos nos quadris que formaram a um desenho estranho no tecido leve do vestido verde que usava.
—É verdade, por um instante esqueci que sua filha está aqui na África conosco. – depois ela estralou a língua no céu da boca e soletrou lentamente meu primeiro nome, como quem degusta a um vinho.
—Belo nome para uma freira, querida! E pelo o que eu ouvi é uma madre, mas olhando para você, me parece ser tão jovem! – ela fechara o leque com um gesto rápido e o apontou para mim antes de perguntar a queima roupa — O que a levou para este caminho, alguma desilusão amorosa?
—Tânia? – antes que eu pudesse organizar alguma resposta, Edward finalmente saiu do estado catatônico em que se encontrava – O quê está fazendo aqui?
—Chifrudão, eu estava com saudades de você! – até mesmo eu, que não a conhecia, reconheci a falsidade naquela afirmação.
—Não me chame assim! – Edward olhou de forma desconfortável a sua volta antes de pegar no braço da mulher – Precisamos conversar agora!
—Oh, meu amor! – Tânia se insinuou para Edward com voz melosa e olhar morteiro, esticando o bico para falar — Eu já deixei uma tina com água e sabão pronta para o seu banho, no nosso quarto.
Ignorando o modo afetado como a mulher falava, Edward apenas a pegou no braço e passou a arrastá-la para dentro da casa.
—Eu tenho algo para te falar, isto é mais importante, venha! – Edward passou a arrastar Tânia para dentro da casa.
Mas Tânia voltou-se de forma a se desvencilhar dos dedos dele — Ai, calma! Eu não posso ser tratada assim, minha condição inspira muitos cuidados.
—Deixa de ser fresca mulher! Entra nesta casa agora, do contrário eu te carrego lá para dentro, pois você goste ou não, nós vamos ter a uma conversar, e será hoje!
—Também tenho algo para te dizer. Eu iria esperar pelo melhor momento, mas como você está muito bronco comigo vou falar agora!
—Depois de tanto tempo você não tem nada para me dizer que valha a alguma coisa!
—Você está muito mudado, Edward! Não parece o mesmo homem de três meses atrás, carinhoso e cheio de atenção... – ela deixara propositalmente por acabar a frase, como a insinuar alguma coisa. Meus sentidos estavam falhando, mas uma pergunta se formou na minha cabeça.
Três meses?!
—Não muda de assunto mulher, não importar o que aconteceu antes!
—Você não me ama mais, “chifrudão”? – parecia que ela iria chorar a qualquer instante. –O que aconteceu para você mudar assim, em tão pouco tempo?
Edward olhou para mim de forma significativa. Eu senti em seu olhar a toda angustia e comprometimento.
—Seria melhor se tivéssemos esta conversa a sós. O resto de vocês deveriam se refrescar, eu prometo que não irei me demorar. – Edward falava para todos ouvirem, mas era para mim que ele olhava.
—Isabella, por favor, me espere! – o pedido saiu de forma bem audível, mas ao mesmo tempo intimo demais para se não notar – Eu vou resolver tudo isto, eu prometo!
—O que você tem para resolver com esta menina, Edward Cullen?- ela perguntou de forma ofensiva antes de voltar-se para mim – Você tem alguma coisa com meu marido, madre?
Fui inspecionada minuciosamente dos pés a cabeça e a única coisa que consegui fazer foi engolir a minha saliva. Edward me olhava penetrantemente, como se esperasse que eu o salvasse de alguma enrascada. Mas encrencada estava eu, e sem qualquer força para lutar pelos meus sentimentos.
—Filha? – pude sentir os dedos de Rennee sobre meus ombros – Você não precisa dar satisfações a ela. Venha, meu bem! – fui conduzida pelos braços de Rennee, nós passamos por Edward e Tânia. Ele me olhava com um pedido de desculpas mudo, ela com ares de superioridade. Quando entrei na casa pude liberar as lagrimas que rolaram quentes pela minha face. Eu me sentia humilhada. Com um peso que nunca sairia dos meus ombros.
—Não chore querida, não chore!
Não conseguia perceber para onde estava sendo levada. Pouco me importava também, desde que fosse para longe de Tânia e Edward. Rennee falava alguma com Zahara que nos acompanhava, pude entender que iríamos para o quarto de banho, mas, de repente eu o senti ao meu lado, ele se impôs entre eu e mamãe.
—Isabella, por favor, tente entender, eu não sabia que Tânia estaria aqui! – ele segurou meu queixo com uma mão e com a outra tentava enxugar minhas lágrimas – Não era para ser assim, minha santa! Eu não queria te expor...!
—Edward, vá falar com sua mulher!
—Tânia não significa nada para mim Rennee, você sabe disso!
—A única coisa que sei neste momento é que minha filha precisa de mim. Vai agora, Edward, não quero Tânia nos seguindo.
—Eu vou resolver isto.
A voz de Tânia soou atrás de nós.
—Edward, o que está acontecendo? – eu não tinha a coragem de olhar para ela. Eu me sentia a pessoa mais suja do mundo, por me envolver com um homem casado. Tudo o que eu mais odiei no mundo estava acontecendo comigo, parecia até castigo.
—Tânia, não posso mais levar isto adiante! Você tem que saber agora...- ele voltou-se para ela, após me olhar por alguns segundos, mas foi interrompido pela pior noticia que poderíamos ouvir.
—Edward, estou grávida!
Parecia que abriram um buraco abaixo dos meus pés. Eu sentia que caia, mas continua em pé, e com os olhos muito aberto. Então era isto o que ela queria dizer com os três meses?
—Grávida de quem?! – Edward passou a berrar, dizia que o filho não era dele e que nada no mundo iria impedi-lo de por um fim ao casamento com ela.
—Como pode falar assim comigo? – Tânia chorava copiosamente – Sei que ficamos distantes por algum tempo, eu nunca menti para você, nunca te enganei!
—Mas aparece na minha casa de bucho e ainda tem a cara de pau em dizer que o filho é meu?! – Edward deu duas passadas largas até Tânia – Com todos os diabos, que eu mereço a todos os nomes de corno que existe por este mundo cão, pois que levei muito tempo para me livrar de você!
—Não foi isto o que você me disse ha três meses atrás! – Tânia o acusava de omisso.
—Que diabos de três meses?! Você se meteu em encrenca e agora vem aqui me encher o saco, mulher!
—Edward Cullen, não posso acreditar que esqueceu daquela noite, em que dormimos no hotel da cidade quando você levou o premio do bezerro de ouro!
Era como se uma bomba houvesse caído no meio de nós. Edward ficou parado com os braços para cima e a boca aberta. Havia a uma clara evidência de que ele passou a se lembrar de alguma coisa. Depois, ele passou a coçar o queixo com uma das mãos enquanto olhava para Tânia, ainda com um ar desconfiado.
—Você não lembrar a noite em que passamos fazendo amor? Você me tratou com tanto carinho, disse que me amava e que me desejava. – ela o acusava com um dedo enfiado bem no meio das fuças dele.
—Bem, naquele dia eu bebi demais...- aquilo foi o bastante para Rennee dar um basta.
—Um filho, Edward?
—Arre, que eu fui uma vitima!
—Pelo amor de Deus, me poupe de suas imbecilidades!
—Por todos os santos Rennee, ela já podia estar grávida de outro! – depois ele se voltou revoltado para Tânia – quem me garante que o filho não é de outro? Eu não te via há muito tempo e agora você me aparece, feito a desgraça encomendada. Mas comigo não! Eu chuto esta macumba para longe, passa reto desgraceira! – Edward falava tanto quanto gesticulava
—Edward, eu vou levar minha filha para bem longe de você!
—Rennee, pelo amor! Tenha piedade deste desgraçado que te clama, mulher! Este filho não é meu!
—Mas você lembra que dormiu com ela?
—Bem, sabe como são as coisas, eu sou homem, não sou?
—E pelo visto, vai ser pai, também! – Rennee virou-se furiosa e me rebocou. Eu me sentia feito a uma boneca de trapo, sem vida e sem vontade própria. Caminhamos pelo corredor largo até a casa de banho, pelo caminho Rennee falou toda a sorte de palavras ruins que eu podia conhecer e algumas novas também. As minhas lagrimas secaram na minha face, mas eu podia sentir a marca que elas deixaram nas minhas bochechas.
—Vamos, Isabella, tire estas roupas! – ao mesmo tempo em que ela ordenara, passou a arrancar as roupas do meu corpo. – Salafrário! Cachorro desdentado, vira-lata!
As roupas que Rennee tirava do meu corpo, ela rasgava com fúria!
—Fazendo juras e promessas de amor para minha filha! Agora eu quero ver Edward Cullen, como o senhor vai se livrar desta embrulhada!
Como ele faria para se livrar daquilo eu não sabia, mas o meu destino eu já tinha em mente.
—Eu vou voltar para os Estados Unidos, mamãe! – Rennee parou de rasgar meus trapos e me olhou atônita.
—Você não pode!
—Mas eu vou!
—Eu não vou deixar!
—Eu sou maior de idade, mamãe.
—Mas, ainda é minha filha e eu tenho direito soberano sobre você e não importa a idade que tenha! Não vai ser um cowboy desgarrado e uma oportunista que irão tirar você de mim! Eu não vou te perder de novo, Isabella!
—Não existe nada aqui para mim...- eu sentia que as lagrimas estavam voltando — ...eu deveria ter morrido no deserto, agora tanto faz se eu for morta pelos mafiosos, eu não tenho mais vida...
—Cale esta boca, Isabella! Se não tem nada de proveitoso para falar, a mantenha fechada!
—Mas, eu não posso ficar aqui, nesta casa com ele!
—Você ficará comigo se for preciso, querida! – voltei-me para a porta do quarto de banho e me deparei com Alice que vestia a um brim escuro, camisa de sarja e botas de cano alto. -Alice? Chegou agora? – Rennee parecia tão surpresa quanto eu.
Alice tinha as mãos na cintura e um olhar severo no rosto, mas quando voltou a falar havia doçura em sua voz. –Bem a tempo de ver o estrago que Tânia causou! O que é isto, Isabella? – Alice entrou no quarto parando ao nosso lado – Não vai nos abandonar por causa de um grande mal entendido.
—Mal entendido? Teu irmão vai ser pai!
—Isto é o que ela diz! Edward merece o beneficio da dúvida, assim como você merece o perdão pelas coisas que fez, não é mesmo?
—Eu...- olhei a minha volta e vi os olhos de Zahara, depois olhei para mamãe e por último para os meus pés — ...deveria ir embora, aqui nunca foi o meu lugar!
—Você não pode fugir para sempre, Isabella!
—O que você quer que eu faça então?
—Faça como meu irmão, enfrente tudo com coragem e lute pelo o que ama!
—E pode ter a certeza que desta vez você não estará desamparada, minha filha! Venha, entre na água, vou lhe dar um banho!
Pareceu a uma eternidade todo aquele processo. E suspirei aliviada quando Rennee me enrolou na toalha grande e felpuda antes de me conduzir até o meu quarto. Enquanto eu caminhava, entrando pela porta da cozinha, lembrei da primeira vez em que pisara ali, foi no dia em que sai enrolada em um pedaço de pano que mal cobria meu tronco e dei de cara com Edward. Procurei ansiosa por ele enquanto passávamos no corredor, antes de entrarmos no meu quarto. A casa estava em silêncio, sem demonstrar qualquer sinal de haver alguém além de mim e Rennee nela e com tristeza lembrei que Edward estava com Tânia. Quase não percebi quando fui posta sentada na cadeira e mamãe esfregou com vigor aos meus cabelos úmidos.
—Eles estão quase secos e bonitos também! Definitivamente a Isabella que chegou em casa, desapareceu para sempre!
Olhei com admiração para o brilho dos meus cabelos, eles reluziam e pareciam estar muito macios, a comprovar isto, toquei-os e fechei meus olhos para sentir melhor a aquela sensação maravilhosa. Peguei uma mecha e a levei até as narinas inalando o perfume que exalava deles. Sim, valera muito todo o sofrimento que passei nas mãos de Rennee e Zahara dentro da casa de banho. Quando abri meus olhos passei a notar que minha pele estava muito macia também.
—Sente isto? – Rennee aproximou-se de mim, as minhas costas e seu reflexo no espelho me sorria. – a sua pele esta como a um pêssego no ponto. Acredite, aquele banho no deserto auxiliou a remover as células mortas, lhe concedendo a este macio.
Eu preferia esquecer aquele banho, alias desejava ardentemente esquecer os dias em que passei naquele deserto! Rennee me mostrou o vestido que eu usaria e pela primeira vez eu sorri.
—É lindo, mamãe!
—Sim! Mas agradeça a Zahara que ajustou ele para você usar esta noite. Levantei da cadeira me virando e peguei o vestido com as duas mãos, pela primeira vez, desde que vira a mulher de Edward eu tive uma certeza, a de que poderia fazer frente a ela usando aquela roupa. Sem muito pensar desatei o nó da toalha que caiu macia aos meus pés e me enfiei no vestido que me serviu feito a uma luva. Eu passava minhas mãos pelo tecido o alisando nas minhas ancas e no meu ventre. Sem conseguir me conter dei um giro em torno de mim mesma, e fiquei muito satisfeita com o resultado final do meu tratamento de beleza. Pude ouvir o riso leve de Rennee que também aprovava o que via.
—Está uma beleza, minha filha! Edward não vai conseguir desgrudar os olhos de você! – meu riso saiu solto e alegre com aquela afirmação e eu passei a imaginar os olhos dele presos em mim, para depois me dar conta de um simples e irremediável fato.
—Mas, talvez isto seja inconveniente, pois a mulher dele está lá fora e acredito que não irá gostar de vê-lo com os olhos grudados em mim.
—Isabella, há muito Tânia perdeu o direito de gostar ou não de algo na vida de Edward.
—Será mesmo, mamãe? Não tive a esta impressão...- Rennee se aproximou de mim e tomou as minhas mãos entre as delas-...pareceu-me que a mulher de Edward estava muito decidida a retomar seu casamento e...
—Tânia está na lona! Alice contou-me tudo enquanto a mocinha tentava se afogar em lagrimas. Ela irá embora assim que encher a bolsa de dinheiro, como sempre fez! Mas desta vez ela terá uma surpresa meu bem, pois a única coisa que irá receber é um belo de um pontapé no meio daquela bunda caída que ela tem!
Eu via convicção nos olhos de mamãe, mas, algo dentro de mim não deixava que acreditasse naquela história fantástica. Assim que abri a minha boca fui interrompida por uma batida leve na porta e em seguida a mesma abriu-se revelando o rosto sorridente de Alice.
—O que temos aqui?! – era quase palpável a admiração que reluzia nos olhos verdes dela, que entrou no quarto sem muita cerimônia se pondo ao nosso lado. – Isabella, você está linda, hoje Edward a pede em casamento!
Aquilo era tudo o que eu mais desejava, mas não permiti que a loucura tomasse conta de mim. – Alice, seu irmão já é casado, lembra?
—Um detalhe, querida! Pois que ele ama de verdade a você!
Vencida, deixei que o desânimo tomasse conta de mim. –Mas, ele dormia com Tânia há três meses e agora... – lembrei horrorizada e uma vontade de chorar se apossou de mim.
—Eh, quanta lamuria! O que a faz pensar que o filho é de Edward? Pelo o que eu sei... – ela ergueu um dedo para o alto, ficando na ponta dos pés, antes de voltar a falar-...Edward e Tânia não dormem juntos há muito tempo!
—Alice, eles se encontraram e...!
—E, mais nada! Edward chamou Tânia para conversar no quarto, logo tudo estará esclarecido!
Por mais que eu desejasse acreditar nas palavras de Alice, ainda ficava a sensação de que Tânia não aceitaria aquilo com facilidade. Era evidente que para ela o casamento deles não tinha se acabado de fato e que Edward ainda a amava. Eu sentia a agonia tomar conta de mim. Mas parecia que Alice não se dava conta do meu drama pessoal, pois ela olhava de forma significativa para Rennee, parecia que as duas estavam em uma conversa muda. Eu olhei de uma para outra antes de explodir
—Vocês estão me ouvindo? Ela vai ter um filho de Edward! Sinceramente não sei como me deixei enredar por tudo isto... – peguei com mãos frenéticas ao vestido –...é tudo uma perca de tempo, eu tenho que me conformar com a situação, eu tenho que ir embora daqui e... – fui interrompida de forma ríspida por Alice que, ainda tinha o aval de Rennee.
—Você tem que calar a boca e deixar de falar sandices! Nunca pensei que teria tanto trabalho na vida!
—Mas vai valer à pena se fizermos direito, ao final, que tudo já está nos conformes, visto que eles estão apaixonados, o que já é um grande avanço! – Rennee falou de forma calma, como se estivesse mesmo lendo a um livro de receitas, no que foi seguida por Alice que teve a uma súbita mudança de humor.
—Sem dúvidas que Tânia planeja a algo! Desconfio mesmo que ela tentara enganar meu irmão ainda a uma ultima vez!
—Será verdade que ela esteja grávida?
—Não duvido em nada, apenas que tenho a certeza de que este filho não seja de Edward!
—Muito conveniente ela aparecer agora, prenha!
—Muito desagradável, você quer dizer, Rennee! — Eu fiquei a um segundo plano, orbitando em volta das duas que confabulavam em voz baixa.
—Mas, e se houver a uma mínima chance disto ser verdade? – Rennee me olhou de forma especulativa, antes de soltar o verbo que me deixou tonta – Se houvesse acontecido algo entre vocês, Isabella...!
—O quê, mamãe?!
—Oh, minha filha se Edward a tivesse tomado de fato, eu poderia garantir que Tânia não teria passado a meia hora nesta casa, estando de bucho ou não!
—Com certeza! Mas, Edward acredita que Isabella é uma freira e somente não a atacou por isto. O que ainda acredito que seja a uma vantagem!
—Sim, e é mais importante ainda, que Tânia não saiba a verdade sobre Isabella, não antes de conseguirmos expulsá-la daqui.
Continua...
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