Kalahari
21 Capítulo 20
Notas iniciais
Kalahari
capitulo 20
Eu podia sentir todo o calor do mundo na minha pele que derretia em contato com a dele e suspirei novamente quando senti a boca suculenta deixando um rastro de fogo pelo meu pescoço. O meu corpo reagia de forma explicitamente indecente em cada pedacinho que tinha contato com o dele e era tudo tão intenso quanto devastador. Eu estava ao dispor de Edward para o que ele bem entendesse e nem precisava pedir.
Que culpa eu tinha se aquele homem existia no mundo?
Somente com o olhar ele me virava do avesso e agora com as mãos bem firmes em meu corpo, como poderia eu ter controle de alguma coisa?
Tudo nele me enlouquecia, até mesmo o suor que exalava daquele corpo me envolvia de forma lasciva, me contaminando inteirinha.
As coxas firmes e quentes eram um espetáculo a parte e uma abriu as minhas pernas se metendo bem no meio me pressionando, alguma coisa desceu de dentro de mim causando choques e me deixando molhada. A intensidade daquela sensação foi tamanha que eu podia jurar que meu espírito tinha fugido do meu corpo que tremia todinho e idéias pervertidas afloravam do meu cérebro me deixando descontrolada. Eu sabia, era a força da natureza me dominando no meio do deserto tórrido do Kalahari e quando Edward começou a sussurrar um monte de bobagens no meu ouvido, com aquela voz rouca, eu fiquei possuída por alguma coisa que gritava dentro da minha cabeça, dizendo para me jogar naquele chão duro e me arreganhar todinha para ele.
E feito um demônio ele meteu a língua dentro da minha orelha, eu praticamente uivei.
Sempre considerei que a minha vida era como um carrossel ambulante, com seus altos e baixos e naquele momento eu estava tão alto que até podia tocar o céu. Edward continuava a falar coisas sem sentido enquanto me mordia e lambia. Sinceramente eu não estava entendendo metade do que ele dizia e nem queria saber!
—Ai, me aperta, me aperta! — eu quase me desmanchei quando as mãos grandes me apertaram em todos os lugares. Sedenta, fui em busca da boca louca dele, querendo mais beijos quando ele falou alguma coisa estranha.
"Rennee está com a razão!"
—Quem?
Que razão meu pai? E aquele era momento para se ter razão?!
Botei a minha língua para fora e lambi a boca dele vibrando de emoção quando o vi revirando os olhos. Mas Edward ficou estranho de repente e me virou de costas para ele. Oh, tentação! Só consegui gemer, bem alto quando senti entranhado no meio das minhas bandas aquele negócio quente e roliço.
"Calma amor, olha a sua mãe!"
"Mamãe?!"
Abri meus olhos e me deparei com duas enormes orbes azuis que me olhavam de forma tão intensa quanto curiosa e, para completar o quadro, ela tinha a boca escancarada até o queixo. Eu até poderia imaginar o porque, se me colocassem no ponto de visão dela me vendo ali, enroscada até os cabelos em Edward. Depois, aos poucos, fui tomando consciência do resto do mundo. Olhei a minha volta e vi o deserto com o chão rachado, o céu azul sem nuvens, o paredão que não dava sombra até voltar a focalizar Rennee que continuava com a boca aberta e, logo atrás dela estava Phil com seus olhos risonhos. Ao lado de Phil se encontrava Moabe com seus enormes olhos negros e, estavam todos lá, olhando para mim.
Eu nem queria saber o que eles estavam pensando ao meu respeito! Minha mãe falou alguma coisa que me fez dar um pulo e me separar definitivamente de Edward como se tivesse levado um choque. Na verdade ela fez duas ou mais perguntas muito bem formuladas em uma só, fazendo com que a minha cabeça desse um giro de 160 graus. Eu não sabia por onde começar e enquanto alisava meus cabelos e ajeitava as minhas roupas que estavam tortas no meu corpo eu tentava achar uma resposta que fosse boa o suficiente para dizer que eu não era fato uma madre.
Eu sentia que caia da frigideira e ia parar direto no fogaréu, principalmente quando olhei para trás, para os olhos verdes e brilhantes de Edward e, uma aflição tomou conta de mim a tal ponto me fazendo sentir vontade de desaparecer da face da terra.
Eu vivia um dilema aterrorizante enquanto mamãe pedia café , como se estivesse em um restaurante e não no meio do deserto embaixo de um sol escaldante.
"O meu com pouco açúcar, por favor! " — havia algo no modo como Edward me olhava, ele tocou meu rosto com muito carinho antes de falar.
—Rennee, eu posso explicar tudo!- eu levantei um dedinho, tentando silenciá-lo, mas Edward beijou a minha testa e deu um passo a minha frente.
—Sou toda ouvidos, Edward!- eles começaram a falar como se eu não estivesse ali.
—Bom, a quase um mês eu conheci a sua filha...
—Um mês?! — Rennee tombou a cabeça de ladinho, assim, como quem se toma de surpresas.
—Sim, ela foi encontrada por um peão da fazenda, você conhece, Jacob... — Edward falava daquele jeito esparafatoso usando as mãos enquanto Rennee apenas balançava a cabeça conforme se dava o entendimento-...ela estava a míngua no deserto e quase morta.
—Meu Deus! Querida o que você fazia no deserto?
Eu abri a minha boca, mas nada saiu por entre meus lábios, mesmo tendo toda a explicação de como viera parar naquele lugar infernal. Edward muito provavelmente julgou que eu deveria estar com algum problema de entendimento e continuou a falar em meu lugar.
—Não fique preocupada Rennee, ela estava bem e logo foi socorrida. Claro que eu fiquei surpreso em saber que sua filha era, quero dizer, é uma religiosa...- neste momento Edward olhou rapidamente para mim, de cima a baixo, antes de voltar-se para mamãe com sua explicação maluca-... e muito fervorosa.
—Ela é? — havia a um claro sinal de duvida na voz de Rennee e na de Edward, uma firmeza convicta demais.
—Sim! Isabella tem um dom de cativar as pessoas, de fazê-las pensar ... — ele parou por um instante de falar e voltou a olhar para mim antes de finalizar-...em coisas santas!
Coisas Santas?!
Meu pai, por mais que eu tentasse não conseguia me lembrar das vezes em que falei sobre coisas santas com Edward!
—Não diga! — Rennee olhou para mim e com certeza viu na minha cara a face da descrença e do terror. Depois olho para Edward e colocou dois dedinhos no queixo antes de perguntar a queima roupa — e quando foi que ela perdeu a santidade com você, Edward?
Ele se agitou todo erguendo os braços.
—Não é nada disto o que você está pensando! Rennee, eu juro por este sol que ilumina a tudo que eu não bulinei...- ele se voltou para mim novamente me olhando de cima a baixo e, eu fiz o mesmo, vendo o estado lamentável em que eu me encontrava, depois ele voltou-se para mamãe visivelmente encabulado.
—Esqueça o que eu estou pensando e continue a falar sobre você e minha santa filha! — eu podia estar bagunçada e um pouco ressecada, mas ainda podia detectar ironia maledicente quando ouvia uma.
—Mamãe... — já era hora de colocar tudo a limpo e pigarreei, aquilo vez a minha garganta doer, mas eu não iria desistir.
—Você disse alguma coisa mocinha?
Eu tentei passar por Edward que parecia uma porta na minha frente.
—Deixe que eu falo com ela Isabella, não se preocupe, eu me responsabilizo por você. Se for preciso vou até a sua ordem religiosa explicar tudo também.
—O quê?! Não Edward, você não sabe de verdade quem eu sou!
Edward se vira para mim e segura meu rosto com tanto carinho que até me deixou sem fala.
—Arre, que você foi a coisa mais danada de bonita que apareceu na minha vida xoxa. Eu sou um homem besta e tacanho . Sem modos e um tantinho nervoso, mas tenho um coração que pula no meu peito toda vez que escuta esta tua voz rouca e juro que saio dos trilhos quando empina este nariz pra mim, dona madre ! Então, deixa este caipira fazer alguma coisa de decente nesta vida e acabar de vez com toda esta confusão.
—Oh, Edward, esta foi a coisa mais bonita que eu já ouvi na vida! — eu até tinha esquecido do que iria falar o vendo dizer aquelas coisas. Foi a primeira declaração de amor que eu recebi na minha vida! Claro que eu sonhava em ser cortejada em Paris, por algum galã de teatro e revista, mas, nada no mundo poderia ser mais lindo e romântico do que ouvir aquele bronco, sujo e fedido falando daquele modo comigo no meio do nada.
—Olha, eu não tenho nada neste mundo, mas se você me aceitar assim deste jeito que eu sou, prometo que não vai se arrepender viu, moça !. E depois, vou pedir perdão pro altíssimo por desencaminhar a santa dele, mas vou agradecer também, pois a moça colocou algo de bom aqui dentro deste peito oco.
Meus olhos estavam cheios de lagrimas e um ardor dentro do meu nariz fez com que elas escorressem pelo meu rosto. Eu olhava encantada para ele, que tinha o rosto sujo e a barba por fazer, mas, era o homem mais bonito que eu já tinha visto em toda a minha vida e sem pensar duas vezes eu me impulsionei nos braços dele o beijando. Edward me aninhou com ternura e correspondeu ao meu beijo, mas desta vez, não tinha aquela desejo animalesco de acasalamento, era algo terno, cheio de candura.
—Crianças, por favor! Vocês não vão começar de novo! — havia a uma clara impaciência na voz de mamãe, ainda sim, foi muito difícil me desgrudar de Edward que me dizia juras de amor e promessa de viver comigo para toda a vida. Eu vivi a tantas coisas naqueles meses que me levaram até o Kalahari, até chegar a Edward que tudo até parecia um sonho.
—Oh, Edward, eu acho que estou sonhando...!
—Então estamos tendo o mesmo sonho! — era tudo fantástico demais e eu passei a ouvir palmas que por um segundo, até pensei que fossem os anjos! Mas era mamãe com uma mistura de cinismo e comédia. Tinha um nome para aquilo, mas, minha cabeça estava uma lastima, foi quando Edward resolveu se manifestar.
—Rennee, eu vou casar com a sua filha! Assim que resolvermos toda esta história. Já dei a minha palavra de que vou lá na ordem religiosa dela pedir para liberarem ela para mim, vou fazer isto nem que tenha que atravessar a nado todo aquele mundaréu de água.
Eu comecei a sonhar com o vestido de noiva, as rosas, a igreja toda enfeitada e Edward lá na frente trajando um terno branco e sorrindo para mim...
—Comovente Edward Cullen! Mas eu tenho algumas perguntas a fazer antes.
—Diacho, desembucha então!
—Primeiro, porque Isabella deixou os Estados Unidos?
—Arre, ela veio em missão divina, para abrir um convento aqui!
—Um convento?! No Kalahari?
— Verdade!
—E você acreditou mesmo nisto, Edward?!
—Arre, Rennee! Quem sou eu para questionar se o altissimo quer fazer as coisas divinas dele aqui ou na Sibéria?!
—Isabella? — Rennee olhou para mim, eu ainda me encontrava em estado de graça, flutuando nas mãos de Edward e não estava mais me importando com o resto. Até já podia ouvir os acordes do violino anunciando as núpcias...
—Deixa ela fora disto Rennee! Isabella não tem culpa de ter me conhecido. Eu, um cão vadio, sem rumo na vida, agora tenho algo para dizer que é meu de verdade!
—Edward Cullen, me custa a crer que estou ouvindo estas coisas de você!
—Arre, é assim tão difícil de aceitar que este peão está gamado na tua filha?
Eu me via com o buquê nas mãos, dando os passos, um após o outro, no ritmo certo, nem rápido, nem lento demais, tendo a minha frente Edward com as mãos estendidas para mim, sorrindo, me chamando para ele...
—Em um mês?!?
—Não tem tempo pro amor, Rennee!
—Que amor?! Você acha mesmo que esta amando minha filha?
—Do fundo do meu coração! Fico até com as pernas tronchas quando ela toca em mim...
—Você fica assim por outro motivo! Edward Cullen, fique sabendo que eu posso ter me ausentado da vida de Isabella por um longo período, mas eu ainda sou a mãe dela e, te conheço melhor do que você mesmo!
—Mais um bom motivo para festejar, pois que agora vamos ser parentes! Bota um sorriso nesta tua cara enrugada mulher, você vai ganhar um filho e dos bons!
—Sei! Então me diga como será este teu casamento?
—Vai ser tudo nos conformes, no preto e no branco!
Os passarinhos cantavam do lado de fora da igreja e o cheiro das flores exalavam a minha felicidade...!
—Isto depois que você conseguir anular o seu primeiro casamento, assim, espero!
De repente o sol sumiu por entre nuvens escuras, os passarinhos começaram a cair mortos no chão e as flores murcharam na minha mão.
—É só um detalhe Rennee.
—Detalhe, Edward, isto é bigamia!
—Não é e, nem vai ser!
Eu sentia que cordinhas moviam meu corpo quando me virei para Edward e perguntei
—Você é casado?
—Não, minha freirinha!
Olhei para mamãe, ela pegava uma caneca de alumínio antes de dizer que estava presente no dia do casamento e, ainda disse a data certa como se fosse ontem.
—Foi no dia 13 de setembro, Edward! Eu e Phil estávamos lá, fomos suas testemunhas...
Edward continuava olhando para mim, eu podia ver que ele estava tentando me esconder a algo.
—O que tua mãe está dizendo, aconteceu há muito tempo, foi um erro na minha vida! Eu nem me considero casado.
Meu coração estava apertadinho no meu peito de tal modo que doía muito.
—Porque você nunca me disse que era casado?
—Oh, minha freirinha, eu fiquei com aquela mulher uma semana e foi a pior de toda a minha vida! Depois eu a larguei , olha aqui? – ele esticou os dedos da mão esquerda – esta mão nunca chegou a sentir o peso de uma aliança !
Meus olhos já não mais conseguiam ver qualquer coisa com clareza e eu senti lagrimas quentes rolando pelo meu rosto.
—Você não pode casar comigo, já sendo casado!
—Oh, diacho! Eu não sou casado, quero dizer só no papel e...
—Você me magoou, Edward!
—Eu vou resolver isto! Vou anular esta droga de papel e resolver nossa vida!
Quando dei por mim, já estava aos berros!
—Até lá, já vou estar morta! Porque você tinha que me tocar, me fazer sentir mulher e sonhar? Eu estava indo muito bem, tendo que me virar sozinha!
—Que culpa eu tenho se teu corpo me atrai? E que Deus me perdoe, mas até mesmo vestida de urubu você é bonita!
—Você não me ama!
—Amo sim!
—Não é de verdade!
—Nunca amei a outra mulher como você, Isabella!
Do meu nariz escorria minhas lagrimas, assim como a minha esperança de finalmente ser feliz!
—Até vencer o prazo de uma semana e você me largar como fez com a outra !
—Oh, Isabella...!
—Deixe-me, Edward Cullen! Eu vou voltar para o lugar de onde nunca deveria ter saído!
Continua...
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