Kalahari
18 Capítulo 17
Notas iniciais
Kalahari
Capitulo 17
—Aieeeee!!!!!
Foi de repente!
O grito de Bella anunciou o ataque da fera. Eu tive tempo de atirar somente uma vez, bem no meio da cabeça do bicho. O tiro atingiu a criatura que voltou para a água, mas, não antes de bater em nossa embarcação a fazendo emborcar para o lado e, somente não viramos devido ao posicionamento de Kalebe e Nagome nas extremidades, mas, assim que pude recuperar o equilíbrio percebi que algo estava errado.
Na verdade, algo sempre estaria errado com Isabella por perto!
Eu virei meu rosto. — Isabella?
Fudeu, cadê a mulher?!
—Gasp, Edwarddd!!!!
Assim que ouvi o grito esgoelado mergulhei no rio atrás dela. O pavor que vi nos olhos marrons, um pouco antes, foi o suficiente para gelar a minha alma. A correnteza do rio estava forte, fazendo a água ficar turva.
Voltei à tona em busca de ar e olhei a volta desesperado.
—Bella? — gritei o nome dela e como resposta ouvi a outro grito, ainda mais sufocado. Virei meu rosto para a esquerda e a vi afundando na água, eu tornei a mergulhar, mas, algo me atingiu forte na cabeça. A dor se alastrou pelo meu corpo me fazendo perder a coordenação dos meus movimentos. Acho que estava perdendo a consciência e lutei contra isto, se eu apagasse quem iria salvá-la?!
Isabella tornara-se, em um curto espaço de tempo, muito importante para mim. Eu ainda não sabia mensurar com palavras o que arrebentava no meu peito toda vez que pensava nela. Aquela menina havia modificado minha vida desde a primeira vez que eu coloquei meus olhos naquele corpo que estava escondido por embaixo daquele habito escuro, parecia um urubu, com seus enormes e belos olhos marrons. Eu não podia mais negar que ficava sem meu rumo com o jeitinho brejeiro dela. Uma mistura desgraçada de inocência com mulher fatal. Com aquele jeitinho só dela, que uma hora me dizia para agarrá-la e beijá-la até os beiços desgrudarem da boca e na outra, para estrangular aquele pescoçinho fino.
Doideira!
Nenhuma outra mulher era como ela, que conseguia fugir de mim, como água quando escorrer pelos vãos dos dedos. Em toda a minha vida de cão desgarrado nunca havia sentido por qualquer outra mulher o que aquela menina fazia comigo com aquela boca suculenta.
A água entrou abundante pela minha goela. A merda toda era que eu iria morrer naquela terra de ninguém e sem a decência de ter feito algo de importante na vida.
Não, eu não!
Isabella!
Eu precisava lutar para salvá-la!
Me esforcei, tentei lutar contra a correnteza, eu tinha um propósito naquela vida de cão sem dono. Eu tinha Isabella! Mexi meus braços que doeram tanto que parecia que seriam descarnados. Passei a bater as minhas pernas, precisava voltar, achá-la, tirá-la daquelas águas e dizer tudo que estava maltratando as minhas idéias.
E que fosse para o inferno tudo o mais! Assim que saísse dali, Isabella saberia que eu não poderia mais viver longe dela, chega de ficar feito a um cão sarnento uivando para a lua! Eu tinha necessidade de amá-la e com muita paixão! Eu precisava abocanhar aqueles peitos rosados e sugá-los para depois tomar a boca dela e exigir com um beijo o gemido mais rouco, mais profundo que ela poderia me dar, feito a fêmea que ela era, tesuda e quente!
Mas com os diabos, a correnteza estava forte e fazia a minha vontade de nada valer. Eu estava sendo arrastado e a ultima coisa que pensei foi no sorriso dela, usando aquele vestido indecente com os bicos dos seios durinhos e os beiços molhados.
Tanto que eu desejava beijá-los mais uma vez!
Nunca fui um homem espiritualizado, mas, naquele momento que julguei ser o meu ultimo, eu não pedi por mim. Desejei com toda a minha sinceridade que se houvesse um ser maior, um Deus como Zahara me falou tantas vezes, que ele a salvasse! Ela era um anjo que caiu do céu de Kalahari direto na minha cabeça. Mas, verdade fosse dita, Isabella era um tantinho confusa, perdidinha que só ela! Mas doce como mel e macia como algodão! Era só ela sorrir ou me olhar daquele jeito, mordendo a boca e me olhando de baixo para cima que me punha fora de mim, me deixando com uma vontade danada de agarrá-la, mesmo quando ela estava com raiva de mim e, isto era quase sempre.
Minha linda freirinha!
Eu que me considerava um lobo solitário, sem teta de pouso ou colo de anca e estava todo perdido pela bela virgenzinha. Todo mundo já sabia que eu ficava feito lobo uivando para a lua por causa da madre. Todo mundo menos ela.
Que erguia aquele narizinho arrebitado e me enfrentava com as maluquices mais absurdas, tudo para me enlouquecer ainda mais.
Minha linda Isabella!
Que Deus a protegesse, pois eu não seria mais capaz.
Uma dor estranha no meu peito fez um clarão aparecer nas minhas idéias...
—Edward?
Era ela?!?
—Edward?
A voz rouca estava triste, a minha freira estava chorando?!
—Edward, por favor...!
Ela estava implorando?! Ela nunca deveria implorar por nada!
—Volta, por favor, Edward!
Oh, minha linda! Meu tesouro, eu não vou a lugar nenhum sem você nesta vida!
—Edward, se você morrer, eu, eu vou morrer de tanta tristeza!
Era muita alegria para um homem só!
Ainda sim, um homem como eu, sarnento e vadio!
Foi ai que eu senti um negocio gostoso, era molhado e quentinho, quando caiu no meio da minha boca, senti o gosto salgado, eram as lagrimas da minha freirinha. Eu ainda estava vivo e ela também! Depois, eu senti os dedinhos, eles percorriam meu peito e depois foram direto para o meu rosto, tocando tudo. Os olhos, que desgraçados, continuavam fechados. Já o meu nariz passou a sentir o cheirinho gostoso dela. Depois, os dedinhos passaram levemente no meio dos meus beiços e ai, foi o sonho dos sonhos, pois eles foram substituídos pela boca quente e carnuda, me cobrindo com um beijinho.
Arre, diacho, que bosta de homem que eu virei?!
Aquilo tudo de mulher em cima de mim e, eu duro feito pedra!
Ela estava se afastando!
Acorda homem besta!
Uma eletricidade chacoalhou meu corpo e, graças a ela, eu pude mexer meus braços e agarrar aquele corpo gostoso. Nem abri meus olhos, já tinha decorado tudo, sabia exatamente cada lugar de cada coisinha de Isabella e o tamanho certo. Com a boca aberta eu tomei de uma vez a dela, eu a apertei de encontro ao meu peito e a beijei, sugando aquela boca louca. Depois, sem paciência, eu enfiei minha língua nela e gemi feito cão louco, com aquele calor quente e doce. Desci a mão pelas costas pequenas e senti a curva da cintura até me apossar com os dedos abertos da bunda dura e apertá-la.
—Edward?!
—Quieta que eu ainda não estou pronto!
Abri meus olhos e me deparei com os dela, lindos, mas, como sempre, confusos!
—Pronto para o quê?!
E suas perguntas absurdas!
—Para te largar, mulher!
Tornei a beijá-la ainda com mais ardor. Minhas mãos apalpavam todo o corpo dela com indecência, eu a deixei bem ciente de que estava acordado, por inteiro. Ela gemeu gostosinho dentro da minha boca e eu pulsei. Eu tinha certeza que a cabeça havia saído do elástico da cueca. Virei de lado e cobri o corpo dela, era pequeno e todo macio, feito todinho para mim. Eu a apalpei da coxa até o meio da anca e me esfreguei nela, enquanto consumia a sua boca e depois passei a lamber seu pescoço. O ar quente que saiu da boca molhada dela arrepiou os cabelos da minha nuca e ela passou a sussurrar meu nome. Aquilo me enlouqueceu. Eu me enfiei no meio das pernas dela e me esfreguei.
—Oh minha linda! – ergui meu rosto e tive a visão do paraíso. Isabella todo derretida nas minhas mãos, com os beiços vermelhos e molhados e os olhos semi-serrados, sussurrando Edward...
As coxas dela me apertaram, minha fêmea!
A minha freira me queria!
—Eu te quero tanto Isabella, que sou capaz de virar o mundo só para te ouvir gemer de novo...
Ela fez isto, com os olhinhos reviraram nas órbitas ela gemeu gostosinho meu nome. Eu meti minha mão pelo meio das pernas dela e a apertei, mas, tinha muito pano, eu não conseguia sentir direito...
Foi ai, que tudo aconteceu! Primeiro ela gritou, depois a voz grossa de Kalebe fez minha alegria evaporar.
—Bwanna?!
Isabella me levou a loucura de tal maneira que nem percebi onde estávamos. Olhei para cima, e percebi que estávamos deitados em um lugar entre os desfiladeiros, perto da margem do rio. Depois pude ouvir o barulho da água e somente por ultimo olhei para aquela criatura do além.
—Que hora Kalebe!
—Já vai fechar o dia Bwanna, quatro horas no relógio.
Porra!
—Não perguntei sobre as horas! Não tem nada para fazer?
—Não Bwanna!
Eles eram ótimos! Mas a simplicidade de pensamento sempre me tirava do limite.
—Bwanna?!
—Tá, já entendi, vai lá! Eu já vou, já vou!
Eu não estava bem das idéias. Kalebe passou a falar em zulu e eu não conseguia acompanhar a tradução.
—Porra, já vou!
Ele estava agitado demais. Alguma coisa estava acontecendo e aquilo me deixou preocupado. Eu olhei ainda uma ultima vez para Bella, que estava linda com aquela cara toda vermelha.
—Moça, uma hora vamos ter que terminar o que começamos!
Eu estava lá, no meio das pernas dela, todo galante! Mas ai, vi umas bolotas de água saindo dos cantos dos olhos de Bella e virei para cima. A ponta da lança quase fura meu olho.
—Caralho!
Eu fiquei por cima de Bella, fosse o que fosse, não ia deixar nada acontecer com ela. Mas, fui pego por homens altos e fortes, eles me afastaram da minha freirinha. Eu comecei a lutar com eles até que a lança de um rasgou a palma da minha mão. Não foi aquilo que me fez parar, foi o pedido de Bella.
—Edward, não!
Estávamos cercados. Olhei de um lado para o outro, agora eu entendia o alarde de Kalebe. Eu procurei por ele, estava não muito longe, falando um dialeto que eu nunca ouvira antes.
—Kalebe?
Procurei por Moabe, ele havia sumido.
—Kalebe?
Um dos homens se aproximou de mim, ele tinha a face negra coberta com uma espécie de argila e os olhos estavam contornados, acho que ele usou carvão, todos eles estavam assim, até nos corpos, todos pintados com uma mistura estranha de vermelho.
Onde diabos, fomos parar?!
Eu tentei me desvencilhar das mãos e ir até Isabella. Mas foi impossível! Eles me subjugaram até me deixarem de joelhos. Ouvi Kalebe me chamando.
—Bwanna?
—Quem são eles, o que querem?!
—São das tribos do sul!
—Prazer, meu nome é Edward Cullen, agora fala para estes porras me soltarem!
Kalebe passou a falar com eles gesticulando e pulando. Acho que surtiu efeito, pois me soltaram, mas, não me deixaram chegar até Isabella.
—Kalebe, fala para teus amigos me devolverem ela!
—Bwanna, eles a querem.
—O quê?!?
—Tem uma cerimônia, casamento do chefe das tribos do sul, é o décimo casamento, “Mokika” será um presente para o chefe da tribo deles.
Claro! Ela tinha que virar presente de alguém! De um chefe tribal tarado que estava casando pela décima vez e pelo visto iria ganhar de souvenir uma amante branca.
—Fala para eles que “Mokika” não está disponível! Ela é minha! Fala Kalebe, porra!
Kalebe se voltou para o que parecia ser o líder. Os olhos daquele homem eram amarelos e ele tinha uma cara de poucos amigos. Eu comecei a tatear meu corpo, não sei onde estava com a cabeça que não carreguei a pistola e a deixei comigo!
—Bwanna!
—Fala!
—Eles vão nos levar para o chefe da tribo.
—O que está acontecendo?
—Calma Bwanna, é bom!
—O que pode ser bom Kalebe? Eles querem tirá-la de mim!
—Não, Bwanna, ainda não! Vamos pedir para o chefe da tribo, ele deve estar feliz hoje, é o dia de seu casamento.
—Mas, e se ele...
Kalebe colocou as mãos nos meus ombros antes de voltar a falar.
—Fé, Bwanna!
Não tínhamos outra opção, a não ser seguir com aqueles guerreiros que pelo o que entendi saíram em busca de um presente para o grande chefe. Andamos muito, meus pés doíam e minha cabeça pesava feito chumbo. Não me foi permitido ficar perto de Bella, mas agradeci quando Kalebe se pôs ao lado dela, eu gritava de onde estava para ele acalmá-la. Que tudo ficaria bem.
Não conseguia ouvir muita coisa, pois os guerreiros passaram a cantar enquanto andavam e apressaram as passadas, daquele jeito eu teria que ser carregado por eles. Eu estava exausto, como iria conseguir lutar com um chefe guerreiro naquelas condições?! Não sei precisar quanto tempo, mas a noite já ia alta quando nos aproximamos da aldeia, acho que era mesmo noite de festa, havia muito mais deles, todos altos, fortes e mau encarados. Conforme nos aproximamos, eles foram nos cercando, a mim em especial. Passei a ouvir a voz de Kalebe e depois os gritos de Isabella. Eu tentei me livrar daqueles homens, tudo em vão...
—Kalebe?!
—Fica calma “Mokika”! Eles vão levá-la para a tenda das noivas, fica calma!
Tenda das noivas?!
Eu urrei de ódio e me joguei em cima de um “pernudão”. Derrubei o homem no chão e soquei a cara dele com gosto, mas algo me atingiu com força na cabeça e apaguei.
Depois foi a dor, pungente que me acordou, junto com o barulho dos atabaques.
Até respirar doía!
—Isabella?
—Bwanna?!
Kalebe?!
Abri meus olhos, era ele sim!
—Seu desgraçado, você mentiu para mim!
—Não Bwanna! Estamos vivos!
—A que custas?! Onde está Isabella?
—Mokika está bem!
Eu ainda não sabia porque eles a chamavam assim, foi desde o dia em que ela dançou com os peões na fazenda, fora Moabe quem dera aquele apelido para ela.
—Onde ela está?
—Ali, junto com as outras mulheres!
Eu me levantei com a ajuda de Kalebe. Eu a vi, com seus olhos enormes e cheios de lagrimas. Ela estava bem, mas, muito assustada.
—Bwanna?
—O quê?
—O chefe quer negociar...
—Não!
—Ouve Bwanna!
—Eu não vou entregá-la!
Uma voz forte nos interrompeu o que chamou a atenção de todos. No centro da aldeia, perto da fogueira apareceu o maior homem que eu já vi em toda a minha vida. E o mais impressionante era não somente o tamanho dele, como a barriga redonda e gorda, que destoava dos braços e das pernas musculosas. Ele começou a falar e deixou toda a tribo agitada. Os homens passaram a pular e as mulheres faziam barulhos estranhos com a boca. Eu fui levado para perto da fogueira, acho que fiquei cerca de dois metros longe do chefe pançudo e Bella também foi levada, assim como outras mulheres. Elas estavam semi-nuas e, eu agradeci muito que eles não tivessem tentado fazer Isabella mudar de roupa e ficar como aquelas mulheres. Eu precisava dar um jeito de sair daquele inferno levando Isabella comigo.
—Bwanna?
Olhei para Kalebe, só foi ai que percebi que o chefe pançudo havia parado de falar.
—O Chefe está te oferecendo três noivas em troca da Mokika.
—Não! – eu deixei bem claro com as mãos que não aceitava!
O chefe fez um sinal com a cabeça e as mulheres, três delas, se aproximaram de mim e passaram a pular a minha volta. As tetas delas iam para cima e para baixo, era impressionante todo aquele movimento.
—Edward? — eu estava ficando tonto quando ouvi Isabella gritar meu nome!
—Fica quietinha Isabella, não se mexa!
—Por que estas mulheres estão esfregando as tetas no meio da tua cara?!
Hein?!
Que merda de pergunta era aquela?!
—Edward Cullen, é melhor você falar para estas despudoradas, que eu não estou gostando nada disto!
—Eu não falo a língua delas, porra!
—Pois parece que fala muito bem, teus olhos não desgrudam das tetas delas!
—Deixa de ser louca mulher! Não está vendo que elas são noivas?!
—Nunca vi noivas assim, tão desavergonhadas!
—Puta que o pariu! Aqui é a África!
—Muito bonito de se ouvir! Vou tirar a minha blusa e vou pular com as tetas de fora também!
—Isabella Marie Swan, fica quieta ai! Não se mexe que as coisas estão muito difíceis!
—Não é o que parece!
—Isto porque você é cega criatura! Eu estou fazendo de tudo para te salvar!
—Com os olhos esbugalhados nas tetas destas desavergonhadas?! Isto é salvamento?!
—É!
—Eu vou te mostrar o que é um salvamento!
Foi na velocidade de um piscar e a desmiolada estava só de combinação pulando para o meio, perto da fogueira e, ainda não contente o suficiente, ela empurrou uma das noivas para o lado enquanto pulava feito uma louca. Toda ela saltava, com os cabelos que iam para cima e os peitos que pareciam duas melonas saltitantes. Eu vi de relance o chefe pançudo se levantar e apontar com um dedo em riste e, não era só o dedo dele não, por baixo da tanga tinha um troço roliço apontado para o lado da minha Isabella. Eu fiquei doido, eu a peguei pelos ombros e a sacudi.
—Está louca mulher?! Sabe o que acabou de fazer?
—Sei! Mostrei para estas desavergonhadas que você tem dona!
—Oh, minha Isabella, por que diabos você nunca me escuta?!
—Quando existe algo de bom para se ouvir...
—Então escuta está, você acaba de ficar noiva!
—Fiquei?
—Ficou!
Ela sorriu de um jeito bobo, cortou meu coração de tanto dó...
—Com você?!
—Não minha Bella!
—Não?!
—Não!
—De quem então?!
—Dele ali, olha!
Ela virou a cabeça lentamente, para depois gritar desesperada.
—Aiê!
Continua...
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