Kalahari
17 Capítulo 16
Notas iniciais
Kalahari
Capitulo 16
O meu sangue corria tão rápido pelas minhas veias que eu sentia as minhas faces formigando!
Aqueles olhos azuis enormes me fitando como se fossem capazes de enxergarem o tutano dos meus ossos também não ajudavam com a minha situação e, em busca de fuga pulei da frigideira direto para o fogo vivo e incandescente que eram os olhos verdes de Alice. Que demoniacamente me sorriu daquele modo tão familiar, de ladinho. Naquele momento, eu não mais duvidei que ela fosse irmã dele, Edward, que mesmo estando do outro lado da sala, respirava tão forte que fazia meus pelinhos do corpo tremerem.
Inadvertidamente eu o olhei e, foi a minha perdição...
Lá estava ele, todo duro, quente e selvagem, me olhando daquele jeito depravado. Eu não sei o que acontecia comigo quando Edward me encarava assim, pois eu ficava tão fraca, tão demente que parecia que nem era eu! O pior era meu corpo. Parecia um boneco, não respondia ao meu cérebro, somente ao olhar dele e, a minha boca, pidonha e safada, se abria da forma mais indecente possível e a minha língua se metia no meio dos meus dentes como a dizer: me invade que eu sou tua!
Eu havia chegado a uma conclusão!
Aquele lugar não era do planeta terra e Edward Cullen era a criatura mais perigosa que eu já conheci em toda a minha vida e, eu já havia conhecido muita gente!
Oh meu pai! Como poderia ser possível odiar uma criatura como aquela e cinco minutos depois desejar com todas as fibras do corpo que ela te agarrasse e te beijasse?! Eu engoli a minha saliva que desceu rasgando a minha goela. A voz de Rosálie Hale falava comigo alguma coisa, mas, somente me dei conta quando uma tapa nas minhas costas me fez voltar à realidade quente daquela sala.
—Aiê!
—Aiê não, dona madre! Amor! – olhei para o rosto dela, a pele branca apresentava algumas sardas e os olhos, duas safiras que brilharam intensamente quando ela esticou os lábios para falar aquela palavra, pequena e estranha...
—Hein?! – olhei para os lados perdida.
—É o que estou aqui dizendo... – Rose Hale falava bem expressiva, mexendo sem para as mãos finas com dedos longos-...quando eu vi meu bezerrão, não pensei duas vezes e grudei meus beiços nos dele! E olha, que o danado tava para casar com uma das irmãs da pelancuda, a senhora deve saber...
Novamente!
Inclinei para frente e perguntei bem baixinho.
—Quem é a pelancuda?
—O quê?! — depois dei dois passos para trás, pois ela deu um pulo tão alto que eu pensei que iria bater no teto-...pela virgem das periquitas desenganadas!
Como?!
Balancei minha cabeça de um lado para o outro e depois a inclinei para o lado.
—Oi?! Virgem de quem?!
—Arre! Não se ofende viu dona madre americana! Mas este é meu jeito de falar, eu sou assim mesmo, me ama ou me odeia!
—É...- eu cruzei meus dedinhos, estava tudo tão difícil-...de fato te acho muito simpática e bem comunicativa...
Rose Hale pulou em cima de mim e me abraçou.
—Eita meu pai! Que este meu nariz nunca me enganou...- ela colocou um dedo na ponta do nariz antes de voltar a falar-...que ele sente cheiro de gente boa para mais de metro! E olha bem nestes meus olhos, que eu sabia que iria gamar em você assim que te vi rebolando com Edward pela sala...
Eu rebolei?!
E, a fim de deixar mais evidenciado, ela bateu com gosto nas minhas nádegas.
—Que esta bundinha empinada tua é até bem durinha viu!
—Meu pai!!! – eu pulei para trás e coloquei minhas mãos sobre as minhas nádegas.
—Rose, acredito que a madre Bella não esteja acostumada com o nosso jeito e...- Alice começou a falar enquanto se erguia do sofá. Eu nunca poderia imaginar que encontraria alguém ainda pior do que ela.
—Arre! Que ela pega loguinho o ritmo das coisas aqui em kalahari!
—Sim, minha querida! Mas devemos ir com calma. – Alice bateu palmas duas vezes e depois soltou a goela – HAJ!!!!
—Olha dona madre, pode perguntar tudinho viu! Não fica com vergonha...!
Eu olhei para os lados, estranhamente os homens já haviam se retirado e, Alice fez um sinal, para que as seguíssemos. Rose Hale grudou no meu braço e me puxou na direção em que Alice seguira.
—Hum, eita cheiro bom! Por isto que Edward estava tão enganchado em você! Macia e cheirosa, sem contar que é bem rabuda e tem umas tetas de dar inveja!
Eu limpei a minha goela seca, depois sacudi minha cabeça para ver se meu cérebro voltava a funcionar.
—Acho que isto é um elogio?!,
—Lá na América deve ser bem diferente... – andávamos a passos lentos por um corredor-...acho que as moças devem ser todas assim, macias demais e educadas...
—Bem, de fato, temos culturas diferentes, e acho que não vou me acostumar tão cedo com o modo como vocês aqui, falam.
—Pergunta ai que eu respondo!
Cocei assim, sem jeito a minha cabeça, eram tantas as perguntas que elas se perdiam, assim como eu estava.
—Bem, não me leve a mal, já disse antes que a achei muito simpática, mas... – olhei fundo naqueles olhos enormes-...tem umas coisinhas que você disse a pouco que me deixaram um tantinho perdida.
—Arre, puta merda! Então fala logo que a minha periquita já está assanhada!
Rose Hale bateu com vigor na coxa da perna esquerda e abriu os lábios em um enorme sorriso, ela era muito bonita. Entramos na sala onde jantamos, tudo já havia sido organizado para uma nova refeição e, meus olhos quase saltaram das órbitas.
Aquele povo não tinha fundos?!
Edward Cullen, assim como, Jasper Hale, Emmett MacCarthy e o Sr. Besson já se serviam das guloseimas e comiam ruidosamente. Na outra extremidade da mesa, sentada como a uma rainha estava à pequena Alice que sorria gentilmente e apontou a uma cadeira.
—Madre, por favor, do meu lado esquerdo. — daquela vez, eu sentaria ao lado de Edward e Rose Hale ao lado de Emmett MacCarty. Eu caminhei tropeçando nos meus pés e quase enfartei quando Edward, com as bochechas cheias se levantou e puxou a cadeira para mim.
—Obrigada! – sem coragem eu não olhei em seus olhos quando agradeci. Mas ouvi o barulho da comida sendo empurrada a força pela goela dele e depois a voz única e grossa falando comigo.
—Vocês demoraram demais. Pensei que não iriam comer!
Foi a vez de Rose se manifestar.
—Isto porque somos damas! E, estávamos trocando confidências no corredor... – depois ela piscou para mim, de um jeito bem infantil. Já Edward, antes de abocanhar ruidosamente a um pedaço de bolo comentou.
—Eu é que não entendo o que vocês tem tanto para falar! Se conheceram nem faz dez minutos e já estão de confidências?!
Olhei desanimada para toda aquela comida. Nada desceria pela minha goela, mas, aceitei de bom grado ao suco que Alice me ofereceu.
—Que a madre americana não conhece algumas coisinhas nossas por aqui...!
—Arre! Me pergunta então! – Edward largou o garfo sobre o prato e me olhou de forma bem incisiva. Eu me senti pouco confortável! Como eu iria perguntar aquelas coisas para ele?!
Mas o pior foi o modo como ele falou, daquele jeito que só ele conseguia, escandaloso! Eu olhei para cima, todos estavam me olhando e, me senti ficar pequena e encolhi meus ombros.
—Ela está bem sem graça, não é?! Eu nunca vi assim, uma cara tão vermelha!
—Bezerrão, damas não tem cara, tem faces... – Rose falou a ultima palavra por entre os dentes.
—Nossa minha bezerrinha, cinco minutos com a madre e você já está até mais culta!
—Viu só! É a convivência!
—Há! Mas parece que Bella não aprendeu nada do nosso modo de viver, ainda não! – pronto, minha raiva havia voltado ao ouvi-lo relinchar! — ...eu sempre soube, ela é mole demais para a nossa força!
—Mas, tenho a um cérebro, senhor Cullen! – eu fiquei muito irada. Pequei com força um pedaço de torta e o coloquei em meu prato, era enorme! Eu iria mostrar para ele onde estava a minha força!
—E, saiba que a Srta. Hale ficou de me ensinar algumas coisinhas...!
—A foi?!
—Pois foi!
—E o que, por exemplo?!
—O que?!
—Foi o que eu perguntei?
Eu cortei um pedaço da torta e o meti na minha boca o mastigando com raiva enquanto pensava, assim que o engoli disparei.
—Por exemplo, ela estava a me dizer quem é a Virgem das Periquitas Desenganadas, pois de onde eu venho, esta santa me é desconhecida!
Ai pronto! Todos na mesa, menos eu e Edward, caíram na gargalhada.
E eu fiquei lá, com cara de pateta e Edward vermelho feito um tomate!
—Isto ai, você bem que poderia ter perguntado mais baixo. — ele falou assim, de um jeito tão encabulado que me deixou com vergonha. Eu já não sabia mais o que fazer e nem para quem olhar quando Rose Hale bateu na beira da mesa.
—Eita lasqueira, que esta madre é das minhas!
—Rose, você poderia moderar tua boca enquanto estivesse perto de Isabella?!
—Arre, que agora levei uns coices! Não se enxerga Edward Cullen? Se bem te conheço você deve ter falado todos os palavrões de A a Z perto da santinha!
E Rosálie Hale não se continha, ela ria e ria sem parar. Eu bebi do meu suco, no que fui imitada por Edward vermelho e sem jeito.
—E por falar em santinha, deixa eu dizer sobre a Virgem das Periquitas...
—Você vai falar aqui Rose?
—Vou sim! E você não está nem besta de me impedir! – Rose se levantou, Edward se levantou e, eu me levantei...!
—Bem, acho que você pode me dizer isto em uma outra hora!
—Eu quero falar agora!
Rose olhava para Edward como se fosse fuzilar ele.
—Não seja inconveniente, Rosálie Hale! – Edward estava falando daquele modo, por entre os dentes e bem baixo. Lembro até o hoje do dia que ele falou comigo assim pela primeira vez, minha alma fugiu do meu corpo naquele dia!
—Você não me mete medo, Edward Cullen! E se não for bonzinho, vou falar ainda mais coisas que vão deixar a madre com vontade de voltar para a América, coisas suas!
Olhei para Edward que me olhou de cima a baixo e depois voltou a sentar, como se nada tivesse mesmo acontecido.
—Arre, você quer falar, então fale!
—Pois falo! Olha dona madre...- ficamos nós duas em pé, os outros nos fitavam, a mim, mais exatamente-... não existe de fato, isto assim acho, esta virgem viu! Mas, por aqui, em Kalahari, falamos assim, quando a periquita da mulher não recebe mais nada...!
Periquita?!
—Aquela?! – quando eu perguntei, olhei para baixo, como a indicar quem, exatamente era. Mas, quando fiz isto, vi que Alice havia colocado suas mãos sobre o rosto e balançava a cabeça de um lado para o outro. Bem, como eu já havia começado, iria até o final...
—Recebe o que, exatamente?!
—Arre, que veio do convento mesmo, não foi?!
—Hã, bem...!
—Então que a madre nem sabe....!
—Isto está bem evidente! – eu já me sentia fora de mim...
—Não recebe, dona madre, a um beliscão...!
Rosálie Hale começou a falar daquele jeito, alto e cheio de expressão.
—Uma lambida...!
Eu me sentia ficar pequena e tremula.
—Uma beiçada...!
Para cada adjetivo minha boca se escancarava ainda mais.
—Um despenteia a cabeleira...!
Meu pai! Cai sentada na cadeira.
—Um...!
—Chega Rose!
Meu coração ainda batia?!
—Creio que ela entendeu bem o significado! – Alice falou de forma bem convincente.
—Então está bom! Mas se tiver alguma outra duvida é só perguntar.
Olhei para o lado e me deparei com a cara desfigurada de Edward. Voltei meus olhos para o prato de torta e julguei que ela deveria ser comida, em absoluto silencio. Mas, que foi quebrado repentinamente pelo barulho das botas de um homem alto e loiro. Ele entrou na sala sem se anunciar e me olhou diretamente nos olhos. Havia algo de estranho naquele homem, algo que me fez sentir medo.
—James Walston! Mas que surpresa desagradável o trás a minha casa, na minha sala?
—Não seja mal educada Alice!
—Não me vejo na obrigação de tratá-lo bem!
—Vim falar com teu irmão!
Edward ergueu-se da mesa e jogou o guardanapo de pano que estava pendurado em seu peito sobre a mesa e se afastou com o tal mal encarado.
—Edward, o que foi?
Alice falou de um jeito estranho, mas Edward não respondeu, ele saiu da sala em companhia daquele homem. Um olhar trocado entre Alice e o esposo o fez erguer-se e ir atrás dos dois. Mas, foi somente quando MacCarthy falou que eu compreendi tudo.
—Ele é o melhor rastreador branco de toda a redondeza.
—Rastreador?!
—Sim, Edward o contratou a alguns meses, acho que ele deva ter noticias frescas sobre Rennee...
Eu não esperei o resto ser concluído e me projetei para fora da sala. Eu corri pelo corredor e olhei dentro de cada cômodo por onde passava sendo que ao final, tive a certeza de que eles não estavam dentro de casa e, então abri a porta da rua e quase cai nos braços do tal rastreador.
—Olha, que não é todas as noites que anjos caem do céu em meus braços.
—E não será está também! – me desvencilhei dos braços dele. Alguma coisa naquele homem me inspirava perigo.
—Calma ai docinho! Vou receber uma gaita preta hoje, depois podemos sair para beber e quem sabe...
—Não me confunda, não sou da tua laia! Agora me diga o que sabe sobre Rennee Dwyer!
O homem me olhou de cima abaixo e lambeu os lábios de forma bem indecorosa.
—Eu te fiz uma pergunta!
—Eu costumo responder em baixo dos lençóis e...
Ele não completou a frase, eu lhe dei um tapa no rosto, mas, quando ele se voltou para mim, encontrou o peito de Edward de frente.
—Hum, claro que...
—Será importante para seu futuro que não termine o que pensou!
Eles olharam-se por apenas alguns segundos, eu senti alguém tocando meus ombros, era Alice que se posicionara de forma protetora ao meu lado. Depois, vi MacCarthy e Jasper Hale com as mãos na cintura rodearem aquele homem asqueroso. Mas foi Roselie que falou o que todos deveriam estar pensando.
—Acho melhor você pegar teu dinheiro e cair fora das nossas terras se não quiser levar um chute neste teu rabo mal lavado!
O estranho James Walston colocou seu chapéu na cabeça e se afastou, mas antes disse.
—Rosalie Hale, você calada é um poema!
—Tua mãe também!
Ele gargalhou alegremente.
—Boa noite a todos! Se precisarem dos meus serviços, já sabem onde me encontrar!
Ele subiu no cavalo e se afastou de nós rapidamente.
—Sei, no inferno! – Alice sussurrou perto do meu ouvido, mas, foi Edward quem me chamou a atenção.
—Eu trouxe aquele homem indecente para fora e você facilitou tudo caindo nos braços dele!
—Eu vim em busca de noticias sobre a minha mãe! – havia a um desespero em minha voz que surpreendeu a todos, inclusive a mim, mesma!
—Vou partir amanhã, antes do sol nascer! Tenho noticias quentes sobre o paradeiro de Rennee e Phil! Jasper, vou levar Moabe, mas, preciso de pelo menos dois bons homens.
—Pode levar Kalabe e Nagome, me são de confiança e falam as línguas do lado sul. Se o que James falou for mesmo verdade, precisamos de fluentes em Zulu...
Eles falavam como se estivessem a sós!
—Eu vou com vocês! – aquilo pareceu ser bem eficiente a ponto de fazer Edward praticamente esbravejar em cima de mim.
—Só comigo morto!
—Então vou atrás daquele homem seboso e pagarei tudo o que tenho para que ele me leve! A escolha é tua, você ou James!
Ficamos nos olhando sob a lua redonda e prateada. Não havia brisa naquela noite, somente o mormaço que se concentrava em meu corpo em forma de um pegajoso suor. O dia amanheceu tão quente quanto fora a noite, meus olhos ardiam, pois eu chorei por quase duas horas seguidas. Eu tinha muito medo do que poderia nos acontecer, mas não mudei de idéia, mesmo passando a quase toda a madrugada brigando com Edward que por fim, vencido pela minha teimosia, resolveu me levar. Os suprimentos foram arrumados rapidamente e eu me vi cercado por dois homens altos e magros, eles vestiam a roupas estranhas também. Um usava uma variação de brim com bata, era Kalabe e o outro, uma túnica em forma de vestido com uma corda amarrada no meio, Nagome. Eles partiram bem antes de nós, foram a pé mesmo e, o que me surpreendeu era que o tal do Nagome, não usava nenhum tipo de calcado, ele com suas vestes exóticas e um cajado, antes de partir, entoou a uma estranha canção e pulou por quase dez minutos sem parar, depois seguiu correndo.
Fui colocada duas horas antes do dia nascer no lombo de um cavalo forte que já se encontrava carregado com sacos de suprimentos e um cobertor. Alice me vestira com calças de brim, uma camisa de sarja e um lenço amarrado em meu pescoço.
—Lembre-se, beba muita água e faça tudo o que Edward mandar!
—Ficarei ao lado de Moabe e....
—Fique ao lado de Edward, ele terá mais segurança com o que fazer tendo você embaixo do nariz dele.
Naquele momento, eu já havia perdido as horas em que andávamos sob aquele calor infernal. Mas, não reclamei e nada disse. Apenas pensei em mamãe!
Moabe ia mais a frente, seguíamos em um ritmo lento, mas continuo. Olhei para o céu azul, sem nuvens e o brilho do sol ofuscou minhas vistas. Eu suava bicas e tirei um pouco o chapéu de abas longas e passei o lenço pelo meu pescoço e pela minha testa. Não sabia qual era o nosso destino. Edward estava ainda muito irado e pouco falava comigo. Ele achava mesmo que eu fosse derreter no sol, mas, eu deixei bem claro que vim dos Estados Unidos sem ajuda alguma, e já havia sobrevivido ao sol, aos piratas e sobreviveria ao mau humor dele.
—É minha mãe Edward Cullen, nada e ninguém neste mundo pode me impedir de ir salvá-la!
Eu resistiria a tudo! Eu sentia que aquele era o meu objetivo maior, então confiante apenas me deixei guiar.
—Se estiver arrependida, pedirei que Moabe a leve de volta, ainda há tempo!
—Se a tua preocupação é o tempo, então apresse o galopar de nossos cavalos para que cheguemos mais rápido até a minha mãe!
—Você é teimosa e burra!
—Me poupe de seus adjetivos, já sei bem qual é a tua opinião sobre mim!
Ele me pegou pelo braço
—Se alguma coisa acontecer com você eu não vou me perdoar!
—Então não deixe!
Ficamos nos olhando duramente, depois de alguns segundos, ele me soltou.
—Arre! Burra feito um jumento! Moabe?
—Bwana?!
—Quanto tempo de Kalabe e Nagome?
—Duas horas!
—Bom, vamos mais dez milhas a frente e depois paramos para descansar.
Quando finalmente pude sair de cima do lombo do cavalo, sentia a todos os meus músculos. Sentei em uma pedra e tentei tirar as minhas botas.
—Não as tire!
—Como?!
—Depois será difícil colocá-las novamente, então não as tire! – ele falou comigo sem se quer me olhar nos olhos. Eu procurei me esticar o máximo que consegui e senti cada músculo do meu corpo protestando, mas, dos meus lábios nada saíram. Eu não daria aquele gostinho para ele.
Quase quarenta minutos depois, Edward me serviu um prato de metal, lá eu identifiquei uma “gororoba” com farinha e feijão.
—Eu não tenho fome...
—Não te perguntei nada, mandei comer!
Fechei meus olhos antes de pegar com os dedos trêmulos o prato de comida. Quando os abri, Edward havia se afastado e falava alguma coisa com Moabe. Eu comi, sem vontade. Aquela vida ainda se arrastou por quase três dias, quando finalmente, voltei a por meus olhos nos dois rastreadores, Nagome e Kalabe.
Estranhamente me senti feliz ao vê-los. Eles falaram em uma língua enrolada com Edward e, eu me admirei que ele soubesse falar naquele dialeto tão estranho, mas com um sotaque acolhedor. Tive que esperar por quase meia hora e, fiquei sentada no chão arenoso o riscando com um pedaço de graveto até que Edward veio até mim. Eu me ergui meio que desajeitada e limpei a areia da minha bunda. Havia a algo de preocupante no modo como Edward me olhava.
—Bem, agora ficará um pouco mais difícil – ele tirou o chapéu quando começou a falar e passou os dedos nervosos pelos cabelos que brilharam vermelhos no sol de final de tarde.
—Como assim...? – até aquele momento, fora o calor infernal, tudo transcorrera bem, até demais e eu o xinguei mentalmente por ter feito um escândalo a toa. Pois em nosso percurso em todos aqueles dias, eu via somente a animais exóticos e a terra rachada.
—Chegamos ao rio dos hipopótamos brancos... – eu o olhei sem entender, o que poderia ter de perigoso com aqueles animais e, somente para elucidar perguntei.
—Sei, são aqueles animais grandes e pesados, que comem matinhos?
—Sim, mas, teremos que atravessar o rio deles e...
—Francamente, não vejo onde possa estar o problema, eles são grandes e lentos.
—Mas são excelentes nadadores!
—Com todo aquele tamanho?!
Edward deu um passo em minha direção e me pegou pelos ombros.
—Vou posicioná-la no meio da embarcação, tem que me prometer que não vai gritar, temos que atravessar o rio em silencio.
Eu não conseguia entender o grau de severidade naquelas palavras, mas apenas meneei a minha cabeça em sinal afirmativo.
—Bom! – era estranho tudo aquilo, ainda mais, quando repentinamente, Edward me abraçou — ...vai dar tudo certo Bella, eu prometo!
Eu me agarrei ao corpo dele e fechei meus olhos. Eu precisava tanto ouvir aquelas palavras! Mas, feito a fumaça que se dissipa no ar, ele me soltou e segurou a minha mão com firmeza.
—Venha!
Seguimos por uma trilha e descemos um morro, era muito íngreme. Lá embaixo, eu vi o rio e na margem os dois rastreadores.
—Onde está Moabe?
—Ele dará a volta com nossos cavalos, vai levar ainda quase três dias até nos encontrar.
—Não poderíamos ir com ele?
—Ficaríamos sem suprimentos. Temos que atravessar o rio.
Edward falava muito baixo. Assim que chegamos a beira do rio, ele me colocou no barco, sentada no meio. Na ponta ia Kalabe e a trás Edward e Nagome. Eu abri minha boca assim que vi Edward com um rifle em punho e Nagome com uma Lança de ponta muito afiada. Depois olhei para todos os lados e não vi os temíveis hipopótamos. O barco foi empurrado para dentro da correnteza e Kalebe com uma vara comprida o fazia movimentar bem lento, na verdade ele se deixava guiar pela correnteza do rio. Eu olhei para cima, passávamos por um desfiladeiro e, não havia visto a algo tão lindo em todos aqueles dias. A umidade fez um carinho em minha pele e eu sorri agradecida quando algo repentino e muito rápido atraiu a minha atenção. Uma enorme cabeça negra que se projetou para o meu lado, com uma bocarra surpreendente que se arreganhou e mostrou com riqueza de detalhes os dentes enormes e amarelos com água espirrando para todos os lados.
Duas coisas aconteceram ao mesmo tempo, meu berro desesperado e o barulho da espingarda acima da minha cabeça.
Continua...
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