Kalahari
16 Capítulo 15
Notas iniciais
Kalahari
Capitulo 15
Eu fechei meus olhos não querendo acreditar.
É um pesadelo, é um pesadelo, é um pesadelo!
Eu sussurrei para mim mesma três vezes e desejei fervorosamente que quando os abrisse acordasse na cama de pijamas, mas, quando o fiz, lá estavam eles, verdes e brilhantes diante do meu nariz.
—Como ela está, Edward? – a voz esganiçada de Alice foi o prego que firmou a minha decepcionante certeza, mas, foi quando ele gargalhou, somente, que eu senti ódio.
Ele ria escandalosamente!
—A moça deve estar bem, Edward está rindo... – dizendo isto Jasper Hale volta a dedilhar algumas notas em seu piano, como se nada houvesse acontecido em sua sala de estar. Edward, em meio as gargalhadas, me estende a mão enorme e, eu a repudiei com um tapa bem certeiro nos dedos longos.
—Isto porque, não é muito difícil para uma hiena relinchar! – eu nem sabia se hiena relinchava, mas olhando para Edward, com aquela cara larga e os dentes arreganhados eu não consegui pensar em outra coisa. Minha tontura estava passando o que me possibilitou a ficar de pé sem o auxilio daquele homem, que riu ainda mais! A tal ponto de bater a mão na coxa firme. Eu sentia que meu rosto estava muito quente e, como me conhecia, já sabia que deveria estar vermelha feito a um tomate. Uma mão pequena empurrou Edward de lado.
—Edward! Como pode rir? Não vê que ela pode ter se machucado?! – era Alice que me olhou de cima abaixo, como a inspecionar o estrago. Neste momento Edward me firmou serio, mas, quando abriu a boca, outra pessoa perguntou preocupado.
—Madre, está bem? – olhei para o lado e vi o Sr. Besson que agora exibia a um arroxeado ao redor do olho esquerdo.
—Somente no meu orgulho! – eu podia sentir meu nariz arder e sabia que se não me controlasse iria as lagrimas. Minhas mãos tremiam muito, se eu tivesse a certeza de que não as iria quebrar as socava na cara de Edward que voltou a rir.
—Humm, madre? -olhei novamente para o Sr. Besson — ...que tipo de hiena é esta que relincha?
Pronto!
Agora, a fazer companhia a Edward, as risadas de Jasper e Alice ganharam as alturas. E babando, Edward mal conseguia falar.
—Olha, a língua desta moça continua desenfreada e o cérebro com defeito, do jeito que a conheci! Oh, minha santa, hiena não relincha, ela não faz parte da família dos eqüídeos. E a risada dela na verdade é um som que determina a sua posse do local e, para assustar os chacais...
—Você é um idiota, Edward Cullen! – eu tentava me segurar firmemente, mas já sentia as lagrimas molhando meus olhos.
—Arre! O que foi que eu fiz desta vez?!
Edward colocou as mãos na cintura e me olhou de um modo como se estivesse vendo a coisa mais absurda da vida dele! Alice olhou para o céu, como se buscasse inspiração e o Sr. Besson fungou o nariz. No meio deles estava eu, toda desconjuntada e dolorida.
—Fica a rir de mim, feito a um demente! Sem contar as milhares de vezes que me tratou mal e ainda a pouco me chamou de ignorante. Estou assim, a um tanto mínimo de me desestabilizar com o senhor.
—Edward, tem que ter paciência, pois a jovem madre sabe muito pouco do mundo fora do convento, não é mesmo, madre Bella?- Alice falou de um jeito muita complacente.
—E que culpa tenho eu?!
—Ah sim! Por certo é culpado, o Sr. Besson que tão gentilmente estava me ensinando a pular feito a uma selvagem, como o senhor fez a pouco com Alice, está de prova – Edward olhou de um modo muito estranho para o pobre Sr. Besson que se encolheu todinho, eu me sentia indignada e continue a falar — ...e o que recebemos em troca? Agrediu ao Sr. Besson me fazendo girar e cair deste modo no chão e, ainda vem a nos dizer que não tem culpa de nada?!
—Por certo que não! Pois foi a moça quem puxou este francês fedido para dançar! E no mais eu a estava salvando...
—Do quê?!
—De ser beiçada por ele! — Edward estica o braço e aponta o dedo bem na fuça do Sr. Besson que tinha a uma expressão muito estranha com aquele olho roxo.
—Pois fique sabendo que mal maior me acometeu quando cai no chão com este seu jeito bronco e...
—Nada disso teria acontecido, se a moça tivesse ficado quietinha aqui nos meus braços!
—Caso o senhor não se lembre, eu fui dispensada e da forma mais grosseira! – eu apontei meu dedo bem no meio do nariz dele.
—Arre, isto porque a moça não sabe dançar!
—EU SEI DANÇAR! E muito bem para o seu governo.
—Pois não foi o que pareceu quando te puxei pela cintura. Até parecia a uma garça destroncada!
Garça destroncada?!
—Fique o senhor sabendo que aprendi do balé clássico ao contemporâneo – eu coloquei minhas mãos na cintura, o que aquele caipira pensava? — ...danças que são facilmente vistas nos grandes salões da America do norte e da Europa! Mas, é claro, que o senhor por certo deva desconhecer a estas civilidades, embrenhado neste calor dos infernos, admirando as tetas de uma búfula fedorenta!
—Muito bem, madre Bella! – as palmas de Alice ganharam a todo o salão. Edward Cullen deu um passo em minha direção, não vou mentir, minha vontade era sair correndo mas, agora que eu mexi com o leão, não tinha para onde correr. Os olhos dele estavam muito sérios e, ele coçou o queixo quadrado que tinha uma barba rala por fazer.
—A moça acha mesmo que eu não entendo destas coisas de gente fresca?
—De pessoas educadas no mais alto padrão civilizado? Duvido muito! – dei de ombros, como a enfatizar minha segurança.
—Pois fique sabendo que eu vim da velha Londres, onde se dança deste jeito ai como está dizendo, empertigado e cheio de pompas.
Fiquei estupefata com aquela revelação e olhei para Alice que, já se encontrava bem acomodada no sofá ao lado do infeliz do Sr. Besson.
—É verdade, Alice?
—Oh, minha querida, sim! Devo confessar que tenho a uma certa participação no modo ogro que Edward hoje demonstra. Veja, que ainda muito jovem, meu irmão veio atrás mim que havia fugido daquele mundo monótono e chuvoso da Inglaterra e aqui, encontrei o meu sol!
Ela olhou de forma apaixonada para Jasper Hale que lhe sorriu de um modo muito intimo. Fiquei sem graça com aquela demonstração de carinho e desviei meus olhos para Edward que me olhava de um jeito muito, mas muito estranho.
—Olha, eu ainda estou tentando entender que diabos de convento é este de onde você veio, moça! Dizem por ai, que na América se tem coisas doidas demais. Mas, eu tenho brio na cara, viu! E já que a moça quer dança civilizada, me vejo na obrigação de mostrar que deste riscado, eu entendo. Jasper, dedilha ai uma musica de fresco, que hoje a freira vai dançar!
Dizendo isto, ele me toma pela cintura e gira comigo em uma perfeita sincronia pelo meio da sala. Seus olhos em nenhum momento se desgrudaram dos meus e meus ouvidos passaram a ouvir o som melodioso de uma musica que logo identifiquei como um sucesso e, que Edward passou a conduzir com muita eficiência, para minha surpresa, como a uma variação bem ritmada de um foxtrot. Eu me deixei ser conduzida pela sala e girávamos em perfeita harmonia. O calor da mão grande e dos dedos cuidados na curva de minha cintura, me deixavam bem consciente de todo a magnetismo dele que me hipnotizava de todas as formas, mas, principalmente, com o olhar, firme e penetrante. Era como se Edward Cullen desejasse ler a minha alma. O corpo, perfeito, quente e vigoroso que roçava intimamente no meu e, cheguei mesmo a gemer, nas vezes em que a coxa dura e quente se metia no meio das minhas e me fazia girar de corpo e alma.
O ritmo era conduzido por ele e, eu flutuava em seus braços. Por um momento, achei que fosse voar feito a uma pluma e abri meus lábios em busca de ar. A minha língua ficou salpicada com o aroma forte dele, era um bouquet diferente de tudo, era vibrante, másculo e tentador. Minha mente estava apagada para tudo o mais a minha volta, ela se concentrava por completo nele, que me olhava tão intensamente, de um modo tão quente e intimo que eu me sentia nua, bailando em seus braços e, a esta idéia, senti que esfogueava. Aquilo foi o suficiente para ele sorrir de um jeito mais do que perfeito, de lado, com um meio sorriso que me dizia mais do que mil palavras. E para completar meu estado de pura graça ele suspirou bem no meio do meu rosto. Foi como um beijo! Eu senti o gosto da boca de Edward dentro da minha, que fez a minha língua estralar no céu.
O mundo era eu e ele. Nossos corpos se aproximaram ficando bem grudadinhos. Os bicos dos meus seios roçaram o peito forte e, eles doeram de um modo indecentemente prazeroso. Eu me encontrava toda envolvida por aquele homem, era o cheiro dele, o calor, os olhos e agora as mãos. Uma se apossou das minhas costas e como o vestido tinha uma fenda generosa, eu senti o calor dos dedos na minha pele e estremeci. O quadril de Edward estava bem pronunciado na minha barriga e por um momento eu pensei nele e algo pulsou em meio aos meus pensamentos e minhas carnes. Foi tão intenso que eu apertei o ombro dele com meus dedinhos e, Edward inspirou o ar perto do meu cangote o que fez meus joelhos tremerem e minha intimidade latejar. Ele ficou ali e eu achei por um segundo que fosse ser beijada de forma avassaladora, quente e possessiva. Fraca e demente, tombei minha cabeça para trás e entreabri meus lábios a espera da língua dele, quando palmas me fizeram voltar a consciência e, uma voz, que nunca havia ouvido antes fez meus ouvidos doerem.
—Oh meu pai! Que foi lindo demais de se ver!!!!! – abri meus olhos lentamente e os dele ainda estavam lá, quentes e brilhantes, me devorando.
Passos soaram atrás de mim e havia alguém pulando ao nosso redor. Edward endireitou a postura e, meu cérebro começou a tomar conta da situação. A musica se silenciara, alias, somente aquela mulher que gritava ao nosso redor era a única que fazia barulho e, eu concentrei meus olhos nela. Era alta, magra e com incríveis olhos azuis.
—Que meus olhos custam a acreditar, é você mesmo, Edward!
—Rose! Chegou faz tempo?
—Ainda agorinha, e muito feliz por ver a dança mais linda que já vi em toda a minha vida!!!
Edward não soltou da minha cintura, ele estreitou o braço ainda mais por ela me levando para mais pertinho do peito dele. A moça, que Edward havia chamado de Rose olhou para mim com um sorriso enorme, ela me lembrava alguém.
—E você moça, que é bonita de doer o olho! – depois, ela cutucou Edward com o cotovelo — ...olha Edward, que desta vez você acertou em cheio, mil vezes melhor do que a pelancuda.
Novamente esta tal pelancuda, já estava começando a ficar curiosa...
—Hã, obrigada... – eu tentei me desvencilhar do braço firme que apenas me segurou ainda com mais firmeza, estava claro que Edward não iria me soltar.
—Rose, está moça bonita aqui, é a filha da Rennee...
—Não diga! – Rose se afastou para me olhar melhor e assoviou de um modo muito desconcertante. Eu desviei meus olhos dela que caíram em Alice, sentada do outro lado da sala, me olhava de um modo nada confortável. Ela colocou um dedinho no queixo e seus olhos brilharam, como se fosse olhos de gato, no escuro.
—Muito prazer viu! Rosálie Hale! – minha atenção foi requerida novamente quando ela pegou na minha mão e a balançou de modo bem efusivo.
—Prazer, Isabella Swan!
—Mas até o nome é bonito, não parece uma artista?!
—Então você vai se surpreender Rose, Isabella é freira!
Fechei meus olhos, aquela história estava tomando a uma proporção que eu não estava gostando.
—Chuta minha bunda! — Meu pai! olhei assustada para Edward que sorria todo embevecido, enquanto Rosálie continuava a falar coisas estranhas demais para a minha compreensão.
—Mas que eu cai das cadeiras com esta agora! Emmett, corre aqui, que a namorada de Edward é freira!
Não sei como não o tinha visto antes, era enorme, forte e muito simpático com um baita sorriso no rosto.
—E eu aqui pensando que fosse uma artista!
Quando dei por mim, estava cercada, com Edward se apoderando da minha cintura, Rosálie Hale de um lado e o moço alto que ela chamou de Emmet do outro que agora tomava a minha outra mão e a sacudia.
—Emmett MacCarthy a sua disposição, vossa graça! Se deixa falar, olha dança feito um anjo! Tem que ensinar uns passos desses aqui para a minha Rosálie.
Gostei deles no mesmo instante.
—Mas é claro que sim, será um enorme prazer!
—Ouviu isto Emmett, ela vai me ensinar uns passos!
—Eita que depois desta vou ter que ficar com os olhos da cara e os da bunda de olho em você viu Rose. Que sorte em Edward, a tua namorada é uma freira, assim não vai ter muito urubu querendo beiça ela. De onde você é dona freira?
Eles eram simples e extremamente encantadores.
—Só Bella, por favor.
—Olha que até o apelido é bonito de danado! – Rosálie Hale não se continha de contentamento.
—Eu vim dos Estados Unidos e....
—Da América? – Emmett e Rose falaram ao mesmo tempo.
—Hã, sim, da América do Norte e...
—Ai meu pai! Emmett me segura que agora eu tenho um troço! – Rosálie colocou as duas mãos no peito e revirou os olhos — ...até que enfim nosso senhor ouviu as minhas preces!
Não sei dizer o motivo, mas, comecei a ficar assustada com aquela reação. Rosálie abre os olhos e olha bem firme nos meus.
—Dona freira, é verdade mesmo? Você veio dos Estados Unidos?!
—V-vim. – levei um segundo e gaguejei antes de responder, depois, dei um pulo e grudei em Edward.
—Iuehuuuu! Era só isto o que estava precisando para colocar este deserto para ferver! – Rosálie se impulsionou para cima de mim e de Edward.
—Larga dela Edward, não toma posse que a dona Estados Unidos e eu temos muito o que conversar!
Rosálie bateu nos dedos de Edward que se recusavam a largar da minha cintura.
—Solta Edward, que coisa!
—Eu cheguei primeiro Rose!
—Arre! Você já teve muito dela esta noite!
—Tive coisa nenhuma! O beiçudo do Besson tentou tomar ela de mim...!
—E você deixou?! É muito frouxo mesmo...!
—Olha para trás e veja o que eu deixei!
Rosálie virou a cabeça, os cabelos loiros dela, que estavam presos em duas tranças giraram com aquele movimento e, antes dela voltar a nos olhar ela falou.
—Só um olho?! Pois se fosse meu Emmett, tinha sido logo os dois!
O Sr.Besson que estava ficando verde, deu um pulo do sofá e falou em sua defesa.
—Que eu fui vitima de uma agressão descuidada e ciumenta de Eduardo. Nada fiz para tanta hostilidade, ele ficou descontrolado, pois estava ensinando a madre a dançar o estilo de polca destas bandas.
—Jasper, se ia dar uma festa poderia esperar eu chegar né?! – Rosálie bateu o pé no chão embirrada e, com um safanão, ela me livrou da mão de Edward que estava concentrado em rosnar para o pobre do Sr. Besson.
Finalmente Alice se pronunciou.
—Oh, querida! Que foi tudo tão repentino, veja que Edward envergonhou a todos com seus modos rudes com a madre, que como já notou, é uma moça fina, que não está acostumada com a aridez de nosso habitat. E, para que ela não ficasse com está má impressão, Edward, como desculpas, demonstrou a nossa convidada especial que recebeu sim a uma excelente educação, não mais envergonhando ao nome da família Cullen.
Jasper Hale gargalhou neste momento e, eu vi com prazer que Edward começava a ficar envergonhado de sua postura comigo.
—É, mas, eu elogiei a moça ai que não entendeu!
Rosalie, que já havia me arrastado para longe dele, perguntou muito curiosa e, eu desejei ser desintegrada naquele momento.
—Eu a chamei de cheirosa! – ele falou novamente aquela palavra e com muito orgulho. Um assovio incomodou meus ouvidos de tão agudo, era Rosálie Hale que me surpreendia a cada minuto.
—A cheirosa? – depois ela me olhou de cima abaixo, bestificada e, se concentrou nos meus seios. Eu fiquei muito incomodada e procurei pelo meu xale que sumira. Mas vi com assombro que ela se virou para Alice de boca aberta com um sorriso enorme e, Alice movimentou a cabeça, como se fosse a minerva da eleição ao dar o voto de confiança.
—É verdade, Rose!
Depois, Rosálie olhou para Edward e depois para mim antes de disparar.
—Minha nossa, chutem a minha bunda! Edward Cullen está de quatro pela freira americana!
—Arre! Deixa de falar maluquices Rose, a moça é freira! – era evidente que Edward estava mais desconfortável do que eu.
—Eita, e deixou de ser mulher por causa disto, foi?!
—Não, mas ela tem um compromisso com o homem lá em cima!
Edward apontou para o alto e todos olhamos na direção do seu dedo.
—E desde quando isto é problema para você, Edward?
Emmett falou com um toque de assombro na voz, mas foi o Sr. Besson quem respondeu.
—Com a delicadeza de uma pata de búfalo, todos! Madre Bella é fina, educada e não está acostumada ao trato bruto de mom ami, que teve a falta de senso de comparar a beleza dela com de uma bufula, ancroiable!
—Pois na minha opinião... – Rosálie colocou suas mãos na cintura e um pé a frente do corpo-...foi a melhor declaração de amor que uma mulher por estas paragens poderia receber. Olha aqui dona freira americana, a cheirosa é a bufula mais rabuda, tetuda e melhor parideira de todas as fazendas da região. Ela vale ouro viu! E se eu fosse você, já tinha enganchado neste homem pra lá de bom e tascado um beijo nos beiços dele.
Misericórdia!
Continua...
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