Kalahari
11 Capítulo 10
Notas iniciais
Kalahari
Capitulo 10
Eu o vi recolhendo nossos pertences meticulosamente como se aquela tarefa fosse a coisa mais importante a se fazer. Edward tentava me ignorar deliberadamente após ter se declarado e aquilo estava me dando uma vontade enorme de lhe chutar os fundilhos e depois me estapear. Mas a única coisa que fiz foi ficar para da naquela pedra, como se fosse uma extensão dela, imóvel e silenciosa.
Na verdade, eu estava em choque!
Não sabia o que fazer, se ia para frente ou para trás, ou se corria gritando pelo deserto. Não era todo dia que um homem como Edward Cullen se declarava para mim. Para ser sincera, tirando Mike Newton, nenhum outro homem me fizera qualquer tipo de declaração amorosa.
—“Você é o floquinho de neve na ponta do meu nariz!” — aquilo nem chegava a ser uma declaração de amor, nem se poderia igualar ao estilo Edward Cullen de falar. Ah sim, teve o mafioso chamado gordo, mas as intenções do falecido não eram nada nobres comigo. Eu senti um frio na minha barriga que se alastrou por todo o meu corpo e quase mijei de susto quando Edward estendeu o meu chapéu e disse que estávamos prontos para partir. Se eu fosse mais experiente, saberia como lidar com aquilo, aliás, se eu fosse mais esperta, não teria me metido em tanta enrascada na vida e, para ajudar a minha cabeça doía miseravelmente.
—Você esta se sentindo bem?
—Sim!
—Não parece, está pálida!
Como ele poderia saber como eu estava se evitava me olhar a todo o custo? Coloquei dois dedos de cada lado das minhas têmporas e disse que minha cabeça doía, depois subi no cavalo de um jeito muito estranho e quase cai do outro lado. Era tudo culpa dele, que estava acabando com o meu ponto de equilíbrio e tirando o meu sossego. Quando consegui sentar com dignidade na égua chamada Divina, olhei para cima e me deparei com a expressa de incredulidade estampada na cara dele.
—O que foi? – até podia imaginar o que ele estava vendo, eu, descabelada e apatetada.
—Hã, nada! Aceita água? Talvez melhore a sua dor de cabeça.
Nossos dedos se tocaram, uma sensação eletrizante percorreu meu corpo do mindinho até a medula. Meu corpo reagia a ele, isto era um fato consumado e acho que ele percebeu ou sentiu alguma coisa também.
—Você é muito jovem! Eu fico surpreso com o fato de ser tão decidida.
Olhei para ele sem entender bem, eu era a pessoa mais confusa e cheia de duvidas que poderia existir na face da terra e ele me achava decidida?
—É, mas você já me chamou de maluca também!
Um riso baixo fez o corpo de Edward sacudir :-É verdade, uma louca decidida!
Edward tomou a dianteira com o seu cavalo e conduziu nossa viagem que transcorreu em silencio absoluto. Meu cavalo andava a um compasso atrás do dele, eu não ousava emparelhar ao seu lado, sei lá o que poderia acontecer e ele respeitou esta minha decisão. Ele andava reto e magnífico logo a frente e de onde eu estava podia ver o pescoço firme e bronzeado e o gingar das costas largas. O quadril e as coxas musculosas eram uma atração a parte, tudo em perfeita harmonia com o ambiente. Era evidente que aquele homem fora feito com o lápis e a borracha do lado para se corrigir os defeitos. Ele também fazia parte daquela paisagem magnífica, o chão rachado, as moitas e o sol ardido. Era tudo parte de Edward Cullen, belo e selvagem.
—Gostaria de lhe mostrar algo, seria um desperdício fazer uma viagem destas e não os vê-los.
Olhei para os lados e depois firmei a minha vista nele antes de perguntar o que era.
—Não fica muito longe daqui, a esta época do ano, eles migram para esta região por causa da água e para procriarem. Madre, você verá uma das mais belas imagens da áfrica, eu te garanto!
Havia uma jovialidade impressionante na voz máscula dele, era como se Edward rejuvenescesse repentinamente.
—Senhor Cullen, eu poderia lhe fazer uma pergunta?
—Só se parar de me chamar de senhor, não precisa maltratar tanto assim, pois eu já me sinto um idoso perto de você.
—E você deve me achar muito jovem.
Ele se voltou sorrindo.
—Mas você é muito jovem!
—Eu tenho dezenove anos!
—Praticamente um bebê!
—Quantos anos você tem?
—Quantos anos você me dá!
—Se for levar em conta o mau humor e o jeito como é rabugento eu te daria setenta anos!
Eu me encolhi no lombo da Divina esperando pela bronca, mas me surpreendi com a gargalhada forte e alta.
—Verdade mesmo! Mas espero que a tenha impressionado com alguma coisa boa, pelo menos!
—Seus olhos são bonitos. – eu senti que enrubescia e achei muito bom que ele estivesse a minha frente, abaixei a minha cabeça e toquei com cuidado a crina da Divina, era macia, ela era um animal muito bem cuidado também.
—Pode cavalgar ao meu lado madre, não precisa ter medo de mim, não pretendo agarrá-la.
Edward falou de um jeito estranho, entre triste e irônico ao mesmo tempo. Eu ergui minha cabeça e olhei para ele que continuava com as costas retas sem se voltar. Ele me surpreendia a cada instante.
—Não respondeu a minha pergunta!
—Talvez você seja jovem demais e eu velho demais.
—Para o que?
—Para a vida!
—Eu não te acho...velho.
Divina se aproximou lentamente do cavalo dele e quando emparelhamos nossos olhos se cruzaram, mas eu não consegui manter os meus sob os dele, firmes e penetrantes. A lembrança do calor dos dedos que seguraram de forma tão decidida meus ombros ainda era muito presente em meu corpo. Para quantas mulheres ele já se declarara daquela forma?
Será que ele já amou alguma vez na vida? Eu não podia correr o risco com falsas ilusões, lembrei de Jessica Stanley, uma das dançarinas da boate que caiu de amores por um dos costumeiros freqüentadores, era um homem mais velho e casado que somente a fez sofrer. Todos que conheci em minha vida sofreram por amor, principalmente papai, que foi traído e abandonado.
Até aquele momento eu só tinha uma certeza na vida, que o amor não existiria para mim!
E o que havia entre nós era uma evidente tensão sexual, eu não iria me iludir como Jessica ou sofrer como meu pai. Eu iria reaver o meu dinheiro, depois fugiria para a França e realizaria o meu sonho de ser cantora. Passei a me concentrar nestas idéias e não senti a passagem do tempo, mas fui arrancada de meus pensamentos assim que ouvi a voz dele.
—Logo poderemos descansar um pouco.
—Não estou cansada. — mesmo sentindo meu corpo todo dolorido, eu não me sentia cansada.
—É logo a frente, pode sentir o cheiro da mata úmida?
Acho que fiquei muito concentrada em meus pensamentos, pois quando dei por mim a vegetação ao nosso redor mudara, estávamos próximo a uma mata não muito fechada, não era a mesma coisa que olhar para uma floresta da minha cidade natal, mas já era uma imagem muito bonita de se ver. Edward desceu do cavalo e eu o imitei, ele não se preocupou em amarrá-lo em algum lugar o deixando livre e eu fiz o mesmo com Divina, depois eu o segui, ele andava devagar e abaixado, sem nada dizer. Eu me sentia em um jogo, faça tudo o que o chefe mandar. Andamos por alguns minutos, nos infiltrando cada vez mais na mata. Eu procurava tomar cuidado para não cair ou fazer alguma coisa ridícula perto dele e quase que bato nele quando parou bem de repente.
—O que foi? – acho que falei alto demais, pois Edward colocou um dedo sobre a boca pedindo silencio. A esta altura já me encontrava em estado de terror, e se fosse alguma fera? Olhei para todos os lados, menos para o lado que ele apontava com o dedo, comecei a tremer de medo e quase que grito quando escuto um barulho estranho, era estridente demais. Edward me pegou pelo braço e me colocou a sua frente e depois uma mão em cada lado da minha cabeça e a conduziu na direção que ele queria. Minha boca se escancarou com o que eu vi.
—Aquilo é...?
—Sim, um filhote de elefante!
—Filhote?! É imenso!
Lá estava ele, tinha uma cor estranha, entre o cinza e o bege e enormes orelhas que abanavam a sua cabeça, mas o que me chamou a atenção foi a pele enrugada e a enorme tromba. Ele estava dentro do rio e brincava com a água, parecia muito feliz. Um sorriso aflorou na minha face, era lindo de se ver.
—Agora escute!
Eu não sabia bem o que Edward queria que eu escutasse e procurei ficar atenta, mas com os olhos fixos no filhote que jogava a água no seu corpo com a tromba. Eu ouvi o barulho da correnteza e algo despencando.
—É uma cachoeira, Edward?
Voltei meus olhos para ele que me fitava muito atentamente.
—Gosto do som do meu nome saindo dos teus lábios.
Tudo se dissipou, a mata, o elefantezinho, a água e até mesmo a cachoeira. Tudo menos ele, que estava muito perto de mim, tanto que passei a sentir o calor do corpo se moldando ao meu e o gosto do hálito dele dentro da minha boca. Eu estava tão envolvida que cai sentada no chão da mata, um barulho de algo se quebrando embaixo da minha bunda me dizia que fora um graveto.
—Você gostaria de ver a cachoeira? — Somente tive forças para menear a minha cabeça. Aquele homem estava fazendo de mim de gato e sapato. Ele me levantou do chão e nós caminhamos pela extensão do rio, mas por dentro da mata. Rapidamente chegamos no ponto da queda da agua, a fumaça úmida dominava o ar deixando aquele lugar muito refrescante. Eu toquei meu rosto, a minha pele estava tão ressecada que parecia uma esponja absorvendo toda aquela umidade e, sem me conter eu corri para beira do rio e me debrucei molhando as minhas mãos. Olhei mais a frente e vi Edward, ele estava se abastecendo de água também.
—Temos que ter cuidado quando estivermos deste lado da mata, quando os elefantes estão por perto, não há perigo de sermos atacados por felinos.
—Mas nós só vimos um filhote, onde está o resto da manada.
—Você é mesmo desatenciosa. – não era uma acusação, ele comentou de forma brincalhona e eu vi um sorriso surgindo no rosto dele, na verdade meio sorriso e de lado, mas que o deixou ainda mais atraente.
—Sabe, aquele filhote me lembra você!
Toquei a minha pele rapidamente, será que ela estava tão seca quanto a pele do filhote? Edward continuou a falar, ele não percebera meu desespero.
—Ele é incontrolável e sem a noção do perigo que suas ações podem acarretar. – depois ele se voltou sorrindo para mim e eu vi o brilho dos dentes brancos e me surpreendi, eram perfeitos.
—Estou correndo algum perigo neste momento?
—Você está ao meu lado, não deixarei que nada de mal te aconteça.
Edward se levantou e se aproximou de mim e me estendeu a mão me levando para junto do seu corpo. Acho que ele iria me beijar, as minhas pernas começaram a tremer, acho que meu corpo todo tremia.
Eu era uma virgem ridícula!
Então, Edward passou a ponta do dedo no meu rosto e mesmo sentindo a luva grossa que ele usava eu me arrepiei todinha, depois, ele falou baixinho com aquela voz rouca e penetrante.
—Mas, talvez, você corra algum perigo estando ao meu lado, pois não sei se vou conseguir cumprir com a minha promessa.
—Você não me prometeu nada!
—Mas prometi para mim mesmo!
Se ele me pedisse qualquer coisa naquele momento eu faria. Eu abandonaria aquela vida de eira e sem beira e me jogaria nos braços dele. Mas, ele pediu outra coisa e foi como um solavanco em meu corpo.
—Venha, será melhor se continuarmos a andar.
Edward se virou e caminhou para dentro da mata, eu o segui com certa dificuldade, parecia que minhas pernas pesavam chumbos. Voltamos para o ponto onde deixamos os cavalos, eu estava em estado de letargia quando ele me trouxe Divina.
—Consegue subir sozinha?
—Acho que sim!
Ele me ajudou mesmo assim, sentir o calor das mãos dele na minha cintura era tortura demais, fui acomodada em cima da Divina com rapidez. Depois ele montou em seu próprio cavalo antes de voltar a falar.
—Não se preocupe, logo chegaremos a fazenda de Jasper e Alice, vai gostar deles. Principalmente de Alice!
Eu ressenti quando deixamos a área úmida da mata e ficamos novamente sob sol forte. A todo instante Edward se preocupava em me oferecer água e ficou cavalgando ao meu lado todo o tempo. Ele disse que logo teríamos uma parada e comeríamos algo.
—Estou sem fome!
—Sim, seu corpo esta sofrendo os efeitos do calor do deserto, mas será melhor comer alguma coisa, mínima que seja.
—Ainda sinto o gosto da comida de Moabe. O que eu gostaria mesmo era chegar logo na fazenda de seus amigos.
—Talvez, se conversássemos um pouco, lhe ajudaria a suportar esta viagem, não seria bom vê-la desmaiando por aqui, não gostaria de carregá-la feito um saco de batatas em cima da Divina. Vai me dar muito trabalho!
—E o senhor é muito convencido se pensa que tenho medo de suas grosserias.
Aproximei ficando ao seu lado e o olhando com desafio, seja lá qual fosse o plano dele, funcionou!
—Este é outro ponto que gostaria de ajeitar com você!
Fiquei imaginando o que poderia ser. Edward me olhou por um longo tempo e depois voltou a atenção para frente e falou assim, como alguém que fala do tempo.
—Devo ter lhe causado a uma péssima impressão, Zahara sempre me falou disto e, até mesmo a tua mãe... – neste momento ele olhou novamente para mim me vendo de boca escancarada –...por diversas vezes, Rennee falou deste meu gênio difícil.
Difícil?!
—Difícil seria lidar com o demônio, você chega ser inacreditavelmente impossível!
Mas, engoli a minha saliva que vez um barulho estranho e fiquei imaginando o tipo de impressão que ele tivera de mim logo que nos conhecemos. Minhas lembranças me bombardearam com as imagens nada gentis dele me agarrando pelos ombros e me sacudindo. Depois eu pelada nos braços dele e por último, do pedaço de carne que ficou entalado na minha goela quase me matando. O melhor era eu voltar a minha atenção para ele, que se esforçava em tentar passar a imagem do bom moço.
—Não vou prometer, mas, tentarei ser mais sociável e, seria bom poder contar com a sua ajuda de vez em quando.
Hein, como assim?! Eu estava sendo acusada do quê exatamente? Parecia transmissão de pensamento quando Edward voltou a falar, dando de ombros, tentando parecer impessoal.
—Não estou te acusando de nada, por enquanto, mas bem que poderia...
Ele exercia um forte poder sobre mim, principalmente o de me irritar.
—Pelo o quê, por exemplo?!
Edward coçou o queixo e olhou por um longo tempo para frente, depois ele suspirou pesado e falou de uma única vez.
—De seduzir meu pobre e ingênuo funcionário, para começar... – eu podia sentir o sol pinicando a minha língua de tão escancarada que ficou a minha boca.
—Eu nunca me insinue para Jacob, ele...
— Jacob é um tolo, ele se encanta com as pessoas rapidamente! Você não o conhece como eu. Sugiro inclusive, que mantenha a uma postura distante dele. Jacob foi uma criança triste e abandonada que cresceu carente de afeto feminino, então, seria prudente não lhe dar falsos entendimentos, se é que me entende.
—Não, eu não entendo! Principalmente pelo fato do senhor ter se declarado horas atrás para mim!
Edward parecia ter incorporado novamente o demônio de olhos verdes quando se voltou e falou com os dentes cerrados.
—Talvez, não! Visto que não passa de uma moça mimada do interior que só teve duas opções na vida, se casar ou viver em um convento! O que você sabe da vida, além de seu narizinho rico?
Ele sabia desta história, só podia ter sido Zahara. Edward me olhou de cima abaixo, como quem avalia a mercadoria antes de dar o seu veredicto.
—Eu sou um homem firme, moldado pelas circunstâncias da vida dura, não é muito fácil para mim lidar com uma mulher como você e...
— A sua instabilidade é algo chocante! Sinceramente, eu nunca conheci homem mais bronco e duvidoso do que o senhor, nem mesmo na boate da Sue...!
Parei de falar no momento exato em que ele me olhou alarmado, eu já havia falado demais!
Era o efeito Edward Cullen, ele sempre me fazia falar além da conta. Mordi meus lábios e virei meu rosto para o lado, um silêncio horroroso pairou entre nós sendo quebrado somente pelos cascos dos cavalos e pelo meu coração que galopava feito louco.
—Boate da Sue?! – eu não respondi, continue em silencio olhando firmemente para frente. Mas o homem era muito insistente e dali a pouco ele passaria a dar escândalos, eu estava sentindo isto em minhas carnes.
—Madre Isabella Marie Swan, o que você fazia em uma boate?!
O que ele pensava que eu fazia em uma boate para falar daquele modo comigo? Desta vez, quem deu o escândalo fui eu lhe respondendo a altura.
—“Eu catequizava os indígenas!”
Ironia fria, sob sol escaldante! Edward bateu na aba do chapéu revelando os olhos que estavam muito arregalados.
Vala-me Deus!
— Sinceramente Sr. Cullen, o que pensa que eu fazia em uma boate? – aquela pergunta o desarmou momentaneamente.
—Eu... – ele coçou a orelha, depois arrumou o chapéu e limpou a garganta — ...não faço a menor idéia, madre!
—Que o senhor não tem idéia de nada, para mim, isto é um fato! É um rufião, sempre me julgando.
—Arre, que eu nunca te julguei!
—Como não?! Pois que acaba de insinuar que eu estou a seduzir seu jovem peão Jacob.
—Talvez, você não o faça intencionalmente, pois não sabe o efeito que causa nos homens!
Ele era impossível de fato!
—Pois saiba que o meu único propósito é o de me manter longe de mim homens como o senhor, que além de grosso me acusa por coisas que eu nunca fiz, me acusa até por eu ser jovem e bonita demais para ser uma freira, ao contrário de Jacob que sempre me respeitou e me tratou com cortesia!
—Eu nunca falei isto para você!
Verdade! Quando ele disse estas palavras eu estava supostamente desmaiada.
—Mas falou aos gritos pela casa, não sei se já percebeu, mas até mesmo os urubus no céu podem escutá-lo falando!
Edward Cullen ficou sem jeito, como um garoto que é pego de surpresa em alguma traquinagem.
—Desde quando é crime achar uma mulher bonita?
—Desde quando esta mulher é comprometida! – e eu mentia tão descaradamente que tinha medo de mim mesma.
—Eu gostaria sinceramente que você não estivesse amarrada a igreja, tudo seria tão menos complicado!
—Pois saiba que não podemos ter tudo o que desejamos na vida!
—É uma pena que alguém tão jovem como você esteja tão desiludida ao ponto de achar que a melhor solução seja viver embaixo de uma batina! Você nega tudo que está diante de seu nariz, fecha seus olhos para o que esta sentindo e...
—Não fale comigo, como se me conhecesse!
Galopei mais para frente, mas ele me alcançou rápido e pegou as rédeas de minhas mãos emparelhando os nossos cavalos. Fiquei irritada com aquela atitude dele e tentei tomá-las de volta, ele foi mais rápido e muito mais forte.
—Isabella! — Havia autoridade em sua voz e agindo como uma marionete eu erguei meus olhos contra a minha vontade.
—Não sei pelo o que andou passando na vida, sei apenas de seu noivado forçado e isto graças a Zahara, mas posso te garantir que conheço alguém desesperado quando vejo um.
—Está me chamando de desesperada?
—O que tem de errado com você, uma mulher jovem e bonita, metida em uma batina e no meio do deserto? E aquele dinheiro, de onde ele veio?
Ficamos nos olhando seriamente, eu já não tinha mais forças para lutar contra ele.
—O que você deseja ouvir?
—A verdade!
—Eu fui uma cantora de cabaré e, aquele dinheiro que está guardado em seu cofre foi roubado de um gangster italiano. Eu falsifiquei os papeis de embarque no porto me fazendo passar por madre superiora e fugi em um navio de piratas pelos oceanos até cair em suas mãos imundas.
Falei como quem recita um verso, sem alterar a minha voz, quando acabei ficamos nos olhando por não sei quando tempo, eu via o brilho da duvida estampada nos olhos dele. Já não mais sabia pelo o que esperar e sofria por me sentir tão atraída por ele e, principalmente, pelo medo de ser rejeitada.
—Porque você brinca comigo deste modo, Isabella? – a voz de Edward estava rouca e tremeu a cada palavra dita, sem saber o motivo, eu chorava.
—Você acha que eu nunca sofri na vida, não é mesmo?! Provavelmente deva me achar uma burra também e...
Foi muito rápido, eu tive tempo somente de gemer assim que senti os lábios fortes amassando os meus. O gosto dele penetrou pela minha língua irrigando desejo por cada célula do meu corpo. Sem controle algum eu me joguei para frente e fui pega por ele que me acomodou em seu colo me abraçando fortemente. Mãos fortes pressionaram a base das minhas costas e meu corpo se moldou ao dele, mas foi a língua, assim que ela invadiu minha boca, que me levou ao delírio. O calor era enorme, mas eu tremia, meus dedos apertaram o ombro de Edward, eu senti por debaixo do tecido da camisa os músculos se tencionarem e uma fraqueza me dominou quando a mão grande desceu pelo meu quadril e apertou a minha coxa, eu percebi que iria desmaiar nos braços dele, estava sentindo que perdia a noção da realidade.
—Isabella? Me perdoe, por favor...!
A voz de Edward estava longe, eu sentia apenas o calor do sol e do corpo dele quando a escuridão tomou conta da minha consciência.
A minha consciência voltou aos poucos e a primeira coisa que senti foi o cheiro dele, então percebi que meu nariz estava metido bem no meio do peito suado de Edward. Depois, senti os braços que me envolviam e o calor do corpo firme e duro que penetrava em cada parte do meu corpo.
—Sente-se melhor?
Olhei para cima e me deparei com eles, os olhos verdes e tristes.
—Beba um pouco de água!
Tentei me aprumar, percebi que ainda dividíamos o mesmo cavalo, vozes chamaram a minha atenção e com dificuldade eu virei a minha cabeça. As minhas vistas se firmavam aos poucos e eu vi os búfalos sendo conduzidos pelos peões, mas eram muitos homens. Mais a frente eu vi a porteira alta com uma placa bem talhada onde se podia ler Fazenda dos Hale. Pelo visto havíamos chegado ao nosso destino.
—Eu fiquei desacordada por quanto tempo?
—Apenas beba a água, seu corpo não resistiu ao calor do deserto, vamos hidratá-la!
Obedeci sem qualquer vontade de contrariá-lo não tinha forças para isto. Passamos pela porteira e mais a frente eu vi a casa grande que parecia ser bem aconchegante. Um homem no cavalo se aproximou de nós, mas eu somente pude ver o rosto assim que ele praticamente emparelhou ao nosso lado.
—Finalmente, Cullen!
—Jasper!
Ele tinha incríveis olhos azuis e parecia ser mais velho do que Edward.
—Já estava pensando em mandar alguns homens no teu rastro, quem é esta mocinha? – eu senti os olhos azuis olhando atentamente para mim e percebi que estava muito bem acomodada nos braços de Edward, tentei me ajeitar, mas ele não permitiu.
—Fique quieta, logo eu te levo para a cama! Jasper, quero que conheça Madre Isabella Swan, filha de Rennee.
Ficou evidente a confusão no rosto do homem que Edward estava me apresentando, ele bateu a mão na aba do chapéu e perguntou de forma fracionada
—Madre? Filha da Rennee?
—Por incrível que parece, meu amigo, ela é as duas coisas!
Jasper assobiou.
—O que aconteceu?
—Ela teve um principio de insolação.
—Venha, Alice ficará maluca!
—Mulheres!
Assim que nos aproximamos da casa grande, Edward desceu do cavalo comigo no colo dele, eu fiquei admirada com a força e equilíbrio que ele tinha.
—Pode me colocar no chão, por favor!
—Tem certeza?
—Sim! – eu percebi que ele me obedecia com cautela e duvida, entre soltar a minha cintura ou voltar a me tomar no colo. De repente um grito agudo.
—Edwardddd!
O grito ecoou de longe e eu fiquei procurando de onde ele vinha até que algo pequeno grudou nas costas de Edward o fazendo pular para o lado, ele se assustou e eu também. Eu via e não acreditava, havia uma mulher grudada nele, com os braços envoltos em seu pescoço e as pernas rodeando a cintura. Depois, dentes alvos brilharam e um beijo sonoro foi desferido no rosto dele.
—Alice!
Aquela criaturinha era a tal da Alice?!
A minha boca voltou a ficar escancarada, eu sentia isto! E não era para menos, pois eu espera por tudo, menos por uma mulher de meio metro e espevitada. Edward passou a girar com ela enganchada nele.
—Alice, por favor, o que Jasper vai dizer?
—Nada! Pois ele não foi enganado quando se casou comigo!
Edward parecia não consegui puxar o corpo da pequena Alice de suas costas.
—Edward Cullen, você está vergonhosamente atrasado e em divida comigo!
—Não estou te devendo nada, desce dai!
—Sabe a quanto tempo meus ouvidos não escutam a uma grosseria tua?
Suspirei aliviada, o modo Edward Cullen de ser não era um privilégio somente meu, mas, isto atraiu a atenção dela e eu me vi sendo alvo de pequenos e inteligentes olhos verdes. Depois ela sorriu lindamente para mim, que até fiquei sem jeito.
—Olá, quem é você? – esta pergunta teve a força necessária para fazê-la descer das costas de Edward que olhou muito preocupado para mim.
Eu?!
Bem, eu procurei ajeitar a minha roupa, a alisando com a mão para depois dar dois passos na direção dela a estendendo.
—Ola! Sou a madre Bella, muito prazer!
Alice ignorou completamente a minha mão, ela ficou me olhando e olhando, depois ficou dando voltas ao meu redor, me examinado minuciosamente. Eu olhei apreensiva para Edward que tinha um dedo em cada lado das têmporas e suspirou pesado.
—Alice, por favor! – parecia que ele começava a perder a paciência. Depois, como se um raio tivesse caído entre nós, Alice quase gritou.
—Madre?!
Edward olhou para mim, olhou para ela e depois olhou para o loiro alto que ele me apresentou como sendo Jasper Hale, mas quem respondeu fui eu e, por uma fração de segundos achei que não fora uma boa idéia ter me apresentado como uma religiosa para aquela mulher.
—S-sim!
Bem, ela ficou entre nós, olhando do meu rosto que deveria estar vermelho e depois alternando para a feição consternada de Edward. Então, ela colocou as mãos na cintura e perguntou.
—Desde quando, Edward Cullen, anda com freiras?
Hein?!
Ando meio lerdinha, o sol derreteu o meu cérebro, mas senti que algo ficou no ar com aquela pergunta.
—Alice, está é Isabella Swan, a filha de Rennee.
Edward falou muito contrito.
—Nãoooo! – Alice respondera, assim, de modo pouco cortez, como quem duvida que o dia é dia! Ai, ela se volta para mim.
—Você é filha da Rennee?!
—Sou!
—E é madre também?!
Eu resolvi não falar, apenas meneei a minha cabeça e esperei pela facada. Edward intercedeu ao meu favor.
—Alice, por favor, podemos levar Isabella para dentro? Ela não passou bem durante a viagem e...
—Isabella?!
—Alice, meu bem, parece que a madre teve um principio de insolação. – todos nos voltamos para Jasper que subia as escadas tirando o chapéu de sua cabeça, ele era loiro e tão alto quanto Edward, mas assim que ele entrou na casa a pequena se voltou para Edward e quase enfiou um dedo no nariz dele.
—Edward Cullen, porque motivo você arrastou a pobre moça por este deserto?
Eu vi desespero nos olhos de Edward que olhou para Alice e depois para mim.
—Bem eu...
—Você é um idiota! Desculpe madre, mas se já está ao lado de Edward a algum tempo, provavelmente deva ter ouvido coisa bem pior. Traga ela, Edward!
Ela se voltou e sinalizou com o dedo em riste, era uma ordem que foi obedecida imediatamente por ele que me pegou pelo meu braço com gentileza e, quando começamos a andar Alice falou de um modo muito escandaloso.
—Edward Cullen! Como se atreve a fazê-la andar? A traga no colo, seu bronco!
Eu fui pega no colo no mesmo instante. Edward entrou comigo na casa que era bastante arejada, a pequena Alice dava ordens por ela.
—Haaaaj?
Um homem moreno e usando uma roupa estranha demais entrou no hall da casa se dirigindo até ela.
—Senhora?
—Temos visitas, Haj, providencie acomodações e uma refeição rápida. Ah, faça aquele suco revigorante, temos alguém que sofreu com os efeitos do sol, leve o suco para o quarto de hospedes. Mande preparar também, água para um banho.
Era muita coisa ao mesmo tempo, será que o tal do Haj havia entendi tudo? Eu olhei para ele, acho que ele deveria ter um sessenta anos, era muito calmo e educado e antes de sair ele se curvou. Depois, Alice se voltou para nós e eu me encolhi no colo de Edward.
—Muito bem, vamos levá-la para o andar de cima, e logo poderá tomar do suco revigorante do Haj, vai se sentir ótima em poucos minutos. Depois você tomará um banho que irá tirar todo o cansaço do teu corpo, se importa se eu te chamar de Isabella? Você é tão novinha e pelo o que vi Edward já a chama assim sem qualquer problema.
Meu pai, aquela mulher falava demais! Eu só meneava a minha cabeça concordando com tudo, depois da bronca que ela deu em Edward eu não ousava abrir a minha boca.
—Ótimo! Enquanto toma o seu banho, poderemos conversar, quero saber de tudo e, nem ouse me esconder os detalhes.
O quê?!
Olhei com medo para Edward e segurei bem firme as lapelas da blusa dele, de repente eu não queria sair dos braços dele.
—Fique calma, ela só assusta no começo. – começamos a subir as escadas e a pequena Alice se voltou para trás para reclamar.
—Não ouse falar assim de mim, Edward, o que a jovem e bela madre vai pensar?
—Que você é uma velha desmiolada!
Alice soltou um riso fino e cheio de terror, fiquei até arrepiada.
—Quem você está chamando de velha e desmiolada, Edward Cullen?! Já se olhou no espelho?
—Já, e não vi nada demais!
—Pois não parece! Vai ver que você ficou cego, de tanto olhar para as pelancas da...
—Alice!
Eu estava perdida, do que eles estavam falando, meu pai?
Alice voltou a rir daquele jeito medonho antes de falar novamente.
—Você até pode me achar uma velha, mas saiba que temos a mesma idade e, Jasper não tem que pegar em tetas muxibentas ou pernas pelancudas à noite!
—Céus Alice, você poderia se conter, por gentileza?
Chegamos no andar de cima e Alice se vira para nós com as mãos na cintura e me pergunta a queima roupa.
—Madre Bella?
—Hein?!
—Você me acha velha?
Eu olhei para ela, quantos ela deveria ter? Vinte e cinco, vinte e sete?
—Não! E é bonita também!
Um sorriso enorme aflorou no rosto dela e eu pude ver uns pezinhos de galinha no canto dos olhos, já Edward Cullen não conseguiu ficar de boca fechada.
—Alice, Isabella sofreu insolação, ela não está muito certa das idéias, pelo amor...!
—Cale a boca, Edward Cullen!
—...pois se ela estivesse certa das idéias, iria ver teus pés de galinha!
Alice se sacudiu inteira como se estivesse sendo eletrocutada e perguntou se ele estava vendo penas pelo corpo dela.
—Então é obvio que eu não sou uma galinha, portanto não posso ter pés de galinha?
—Mas tem pés de idade! Eu sei, nascemos no mesmo dia!
—E a inteligência da família ficou toda comigo, com você somente a grosseria animal!
Ela gritou e abriu uma porta. Eu olhei assustada para eles, Edward caminhou até a cama e me colocou deitada nela e depois se voltou para a pequena e instável Alice que tremia muito.
—Você me chamou de animal?
—E, estúpido!
—Vovozinha e rabugenta!
Alice começou a rosnar!
Eu pulei na cama e olhei para a porta, o tal do Jasper estava parado na soleira com o ombro encostado no batente sorrindo, como ele conseguia, Edward e Alice iriam se matar! Então eu gritei na mesma hora em que a pequena se jogou em cima de Edward, eles foram ao chão e eu engatinhei até a beirada e esbugalhei meus olhos com o que vi. Alice estava por cima de Edward que segurava suas mãos, eles gargalhavam.
continua...
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