Kakatte Koi
39 Herança vampírica
Notas iniciais

POV OFF
Yutaka chegou à sala da mansão onde seu mestre Kamijo e Hizaki estavam, com passos pesados e uma expressão plena de raiva e ressentimento. Furioso e determinado, ele atribuía toda a culpa a Kamijo pelo sofrimento que estava enfrentando.
Hizaki estava lá, observando com preocupação enquanto Yutaka parecia prestes a explodir. Este último estava perturbado tanto pela rejeição de Uruha, que não o aceitava como vampiro, quanto pela orientação de Daigo-san. Este último instruiu-o a retornar somente após ter encontrado respostas sobre si e de acertar as coisas com o guitarrista.
Kamijo, estava sentado em uma poltrona, olhando calmamente para o vampiro que ele havia criado. Ele esperou em silêncio enquanto Yutaka começava a falar, com sua voz tremendo de raiva, então não perdeu tempo e começou a despejar sua frustração.
— Kamijo-san, eu quero respostas! Por que você me transformou em um vampiro? Por que você fez isso comigo? — Yutaka exigiu saber, suas emoções à flor da pele. — Por que me condenou a essa maldição que me fez perder o Uruha e o Daigo?
Kamijo suspirou e olhou profundamente nos olhos de Yutaka antes de começar a explicar. Ele sabia que essa conversa era inevitável, e a verdade precisava ser revelada.
— Yutaka, eu entendo que você esteja com raiva e confuso, mas há coisas que você precisa saber. Eu não podia te contar antes porque você não estava pronto para ouvir a verdade.
A tensão no ar era palpável quando Kamijo finalmente decidiu contar a verdade a Yutaka.
— Preciso te contar algo muito pertinente, Yutaka. A razão pela qual lhe fiz um vampiro… É porque seu corpo humano estava morrendo. Cometi um erro em não te contar antes. Gomennasai.
Yutaka franziu a testa, perplexo com a revelação.
— O que você quer dizer? Por que meu corpo estava morrendo? E como isso me tornou um vampiro?
Kamijo abaixou a cabeça por um momento antes de responder com sinceridade.
— Yutaka, você é um Dhampiro — Kamijo continuou escolhendo suas palavras com cuidado. — Isso significa que seu nascimento foi resultado do envolvimento de um vampiro puro com uma humana, sua mãe. Essa união criou um ser híbrido, e você nasceu com uma combinação de características humanas e vampíricas.
As palavras de Kamijo caíram como um peso sobre Yutaka, que levou as mãos à cabeça, processando a informação.
— Um Dhampiro? Uma combinação de humano e vampiro? — ele sussurrou, tentando entender o que ouviu. — Espere, você quer dizer que sou metade humano e metade vampiro?
Yutaka ficou momentaneamente atordoado, nunca soube a verdade sobre suas origens, e a notícia o deixou perplexo.
— Sim, com certeza. — confirmou Kamijo. — Essa herança híbrida adormecida estava em você há muito tempo. Eram habilidades latentes, mas elas não podiam ser habilitadas de modo natural.
Yutaka começou a entender a gravidade da situação.
— Então, toda essa confusão, a rejeição de Uruha e Daigo se afastar de mim… tudo isso foi devido às minhas origens como Dhampiro? — Yutaka perguntou, sua voz agora cheia de tristeza e resignação.
— Sim, Yutaka-san. Você é único, uma mistura de duas raças, e isso sempre causaria desafios. Sinto muito por todo o sofrimento que você passou, não queria que você morresse. Eu sabia que a transição seria difícil e traumática, mas era a única opção.
Yutaka percebeu que Kamijo não o havia transformado em um vampiro por capricho, mas sim por necessidade.
— Então você quer dizer que minha mãe escondeu esse segredo com o medo do meu pai? — indagou Yutaka.
— Com certeza, ela se assustou como Uruha quando descobriu e fugiu. — relatou Kamijo.
— Isso explicaria ela nunca falar nem o nome dele. — Yutaka continua intrigado. — Mais sobre meu corpo, por que você disse estar morrendo?
— Seu corpo humano estava enfraquecendo, e ficando a cada dia mais doente. Foi quando seu pai vampiro descobriu que tinha um filho. Ele sentiu que sua vida estava em perigo, então me convocou para lhe encontrar o mais rápido possível e para ele fazer sua transformação em vampiro.
Yutaka parecia surpreso, mas também preocupado.
— Então eu não tinha outra escolha a não ser se tornar um vampiro para sobreviver?
Kamijo assentiu com tristeza.
— Infelizmente, não, seu corpo humano estava morrendo, e a única maneira de sobreviver era se tornar um vampiro. — respondeu com voz angustiada — seu pai queria a sua conversão logo que eu te trouxe para a mansão, mas você tinha muitos sonhos e sua vida humana havia sido péssima naquele bar horrível.
— Hizaki e eu convencemos ele a lhe dar mais tempo, apesar de o seu corpo estar em fase de falência. — Hizaki acenou com a cabeça em positivo.
— Como vocês fizeram isso? Não percebi nada, lembro de fazer os cursos e aulas de bateria. — Yutaka ficou pensativo em busca da resposta.
— Yukkun, querido, lembra dos exames e das vitaminas? — Hizaki sempre cuidou dele como seu filho assim que ele chegou.
— Lembro, sim, Hizaki, eu melhorei muito com elas, não me sentia mais cansado e recuperei a vitalidade, nunca mais fiquei doente.
— Essas não eram meras cápsulas de remédio, eram cuidadosamente elaboradas, criadas a partir do sangue do seu próprio pai. Apenas desta maneira, você poderia manter sua humanidade intacta…
Yutaka ficou em silêncio por um momento, processando todas as informações que havia recebido. Ele ainda estava magoado e confuso, mas pelo menos agora entendia a razão por trás de sua transformação em vampiro.
— Se meu pai é um vampiro puro como vocês estão me dizendo… Por que ele nunca se apresentou e veio me ver? — Yutaka disse ressentido.
— Ele veio, sim, e deixou você aos nossos cuidados para seguir com um pouco da vida humana que lhe restará. — Hizaki comentou — Durou o tempo necessário para você fazer o curso de Gastronomia e suas aulas de bateria.
— Então Kamijo-san não me encontrou por que estava perdido naquele beco… — Yutaka analisava os fatos de outro ângulo agora.
— Não, a desculpa da falta de um baterista era só para te tirar daquele lugar. — Kamijo relembra o dia que encontrou o baterista de apelido Kai.
Yutaka ficou parado, olhando para Kamijo com surpresa e confuso ao mesmo tempo.
— Mas por que você nunca me contou antes, que me resgatou a mando do meu pai. — suspirou deixando uma lágrima cair — Hizaki, você sabia de tudo e mesmo assim guardou segredo.
Hizaki observava a conversa com uma combinação de simpatia e inquietação. Ele estava ciente do desafio extremo pelo qual Yutaka estava atravessando e, afinal de contas, a verdade fora desvendada como deveria ter ocorrido após sua transformação. Acaso, havia uma oportunidade para remediar os estragos que foram causados em sua vida.
— Eu não queria sobrecarregar você com o conhecimento de sua natureza vampírica até que estivesse mais fortalecido — comentou Hizaki.
— Eu só segui ordens do seu pai, ele mesmo queria contar. Contudo, o tempo foi passando e você seguia decidido e feliz com o lançamento do restaurante que acabou só te observando de longe. — Kamijo explica o motivo do segredo.
— De certa forma desconfiei que algo estava errado, quando Hizaki disse estar me esperando, sua história não batia com a do Kamijo. — sorriu com a lembrança — Mais fiquei tão feliz de ter um lar e depois que vocês me contaram a verdade sobre serem vampiros não me importei mais.
Yutaka pareceu pensar por um momento, ainda faltava o principal saber a verdade sobre sua conversão em vampiro.
— Hizaki, sobre a vitaminas por que eu não podia continuar tomando, se elas me mantinham sendo humano. — Yutaka pensou já que o sangue vampiro tinha efeito curativo…
— O tratamento era experimental, não sabíamos quanto tempo ia durar ou como funcionaria num híbrido. — Hizaki pensativo tentava explicar… — O resultado foi que você ganhou alguns anos extras. Mas foram perdendo o efeito mesmo o sangue sendo forte.
— Quando você veio falar comigo sobre morar sozinho no restaurante, entrei em desespero. Creio que você achou que eu não queria deixá-lo ir por capricho e outras razões da sua cabeça. — Kamijo passa a mão nos cabelos, nervoso.
— Você estava bebendo muito, e começou a brigar e falar coisas sem sentido para mim. Eu queria seguir minha vida por mérito próprio sem depender de vocês. — Yutaka se sentia um fardo para eles. — Eu era um humano no meio de vampiros, me sentia deslocado, apesar de gostar muito de todo o acolhimento que recebi.
— Aquele dia eu estava só, os meninos haviam saído para uma entrevista e Hizaki não lembro onde foi. Os resultados dos seus últimos exames haviam sido entregues, e não eram bons. Os comprimidos não estavam funcionando há menos de um mês, o risco de morte era iminente. Então era lógico que você não podia ficar sozinho. — Kamijo se lembra do dia.
Yutaka sentou-se no estofado ali próximo, sua vida toda nunca foi apenas um simples humano, era isso que acabara de escutar. As palavras ecoavam em sua mente, revelando um segredo oculto por anos. Ele era um Dhampiro, resultado de uma união talvez proibida de um vampiro com uma humana. Agora, tudo parecia fazer um certo sentido. A razão do medo constante de sua mãe, que temia que seu filho nascesse vampiro e que seu pai o encontrasse e o levasse embora.
Com sua mente em turbilhão, Yutaka se perguntava se ele poderia aproveitar essa herança sobrenatural de maneira positiva, ou se seria apenas uma maldição que o perseguiria até o fim dos seus dias. O drama de sua existência se intensificava, enquanto ele começava a compreender a verdade por trás de seu nascimento e sua ligação com o mundo sombrio dos vampiros.
— Se você morresse sem o sangue vampiro, seu lado híbrido não seria ativado e sua sobrevivência dependia disso. E seu pai iria matar os responsáveis por deixar o filho dele morrer. — Hizaki completa a explicação de Kamijo.
— Então, foi dessa maneira que Kamijo-san me transformou em um de vocês, tendo em vista que eu estava à beira da morte. Por que esperar mais? Foi por isso que começou a discutir comigo, não foi? — Yutaka questiona exaltadamente.
— Não foi assim, eu briguei por que você saiu e voltou na sala com sua mala. Disse que ia embora sem se despedir de ninguém, e já tinha arrumado um quarto no restaurante. — relata Kamijo
— Certo, eu fiz a mala mesmo, só que você me impediu. Então acordei com Hizaki-san me olhando falando que eu era um vampiro. É nesse meio tempo, que quero saber o que houve? Por que me mordeu? — indaga nervoso Yutaka.
— Você se engana sobre isso, é o único vampiro entre nós que não tem marcas de mordida no pescoço. — Kamijo mostra sua marca no pescoço, assim como Hizaki — também pode se admirar no espelho e o principal pode sair de dia no sol sem se queimar.
Yutaka sentiu um nó se formar em seu estômago à medida que absorvia as palavras de Kamijo. Seus olhos se arregalaram de surpresa, as sobrancelhas se ergueram em uma expressão mista de choque e perplexidade.
Ele nunca havia notado as marcas de mordida no pescoço de Kamijo e Hizaki, e isso o faz perceber o quanto era desatento ao seu redor.
Yutaka tocou instintivamente no pescoço, como se esperasse encontrar uma marca que nunca notara antes.
O reflexo no espelho, antes uma imagem comum para ele, tanto que conversava com seu alter-ego Kai através dele, agora assume um novo significado.
Sempre usou a desculpa que era fotossensível a luz do sol, mas nunca teve coragem de se aventurar a colocar a mão nos raios solares. Caminhava pelas sombras para chegar ao carro ou na van.
Enquanto o silêncio pairava no ar, Yutaka finalmente encontrou palavras para expressar sua surpresa e confusão.
— Eu… Eu nunca percebi nada disso em mim mesmo. Como pude ser tão cego para algo tão fundamental?
Uma enxurrada de sentimentos o invade: a sensação de ter sido mantido no escuro, a revelação de que ele era diferente dos outros, era um estranho dentro da sua própria espécie.
Ele se sentia desconcertado, intrigado e, acima de tudo, inquieto. O que mais ele não sabia sobre si? Como essas revelações mudariam sua vida daquele momento em diante?
— Yukkun, sua rejeição foi tamanha em se manter o mais próximo, de ser humano que não percebeu esses detalhes peculiares em você. — Hizaki tenta acalmar ele.
Toda aquela agitação e conversas alteradas, ativou a curiosidade dos outros vampiros da mansão. Teru, Masashi e Yuki vieram até sala saber o que acontecia, e por qual motivo Yutaka estava tão nervoso e brigando com Kamijo elevando a voz naquela altura.
Sendo informados por Hizaki que Kamijo contava a verdade sobre Yutaka que nem eles ainda sabiam, ficando impressionados com a descoberta.
Enquanto Yutaka tentava absorver toda a parte da vida que foi escondida. Teru-san foi o que ficou mais feliz com a notícia sobre o irmão ser um Dhampir, no fundo, sabia que ele era especial.
— Vamos Kamijo-san, se você não me mordeu… Como fez todos já estão aqui conte como você me traiu, pois, só lembro da nossa discussão. — ressentido, Yutaka exige uma resposta.
— Aceitei você me julgar como vilão e traidor, melhor que ter sua morte nas minhas mãos. — Kamijo fala olhando para Yutaka — Hizaki sabe que sempre lhe quis bem.
— Chega de rodeio, Kamijo-san. Quero a verdade, só estava eu e você nessa sala, você segurou meu braço, continue… — a voz de Yutaka sai cheia de mágoa e rancor.
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Enquanto Kamijo começava a confessar o que aconteceu, suas palavras ressoavam nos ouvidos de Yutaka.
Ele se lembrava daquele dia e fechou os olhos por um instante, tentando processar tudo. Recordou-se do momento em que havia organizado suas coisas, pronto para abandonar tudo, e visualizava a cena: a mala arrumada, a decisão de partir. Em seguida, veio a lembrança da briga intensa e emocional que se seguiu.
— Segurei para tentar convencê-lo a esperar Hizaki chegar para lhe acompanhar ao restaurante. Mas você estava irredutível, dizia que não precisava de ninguém, já era adulto e sabia se cuidar.
As palavras trocadas entre ele e Kamijo ecoavam em sua mente, e podia sentir a intensidade daquela discussão se reacendendo. Novamente a raiva que o dominara naquela discussão voltará, enquanto os dois trocavam palavras carregadas de tensão e frustração.
— Como eu ia saber que você estava preocupado com o meu bem-estar. Se você estava embriagado e discutindo que eu era ingrato, pois não quis aceitar ser o baterista da banda e ia fugir para ficar longe da família no restaurante.
A lembrança da discussão fazia suas mãos tremerem involuntariamente.
— Yutaka-san, você se lembra de começar a se sentir mal? — Kamijo quer saber.
— Durante nossa discussão, senti uma dor intensa no peito, se espalhando pelo corpo, uma sensação de perda do ar. Mas avaliei como a adrenalina já que os ânimos estavam alterados do momento. — Yutaka puxa fragmentos da memória.
— Então percebi que você tava mal quando segurei seu pulso, sua pressão subiu, e num instante seguinte caiu. Yutaka-san você desmaiou nos meus braços.
Então veio a parte mais sombria da história. Yutaka se lembrou do colapso, do desmaio inevitável.
— O que lembro é sua voz distante, desesperado, aflito no telefone que você ligava e a pessoa não atendia. A sua imagem estava desfocada, as cores dos meus olhos se misturavam, sendo difícil manter eles abertos.
E enquanto Kamijo falava, Yutaka revivia a sensação de quase morte, de estar à beira do abismo.
O olhar de Yutaka se dirigiu para Hizaki, cuja intervenção na narrativa aumentava a complexidade da situação.
— Era seu corpo que estava morrendo. Kamijo-san tentou ligar para seu pai, e só dava fora de área. Foi para mim que ele ligou em pânico. Larguei a sessão de fotos e vim o mais rápido que pude, o tempo era crucial para sua sobrevivência.
As palavras de Hizaki ecoavam na sua mente, ele havia largado tudo preocupado com sua saúde, e sentiu uma mistura de gratidão e ressentimento.
— Quando cheguei você estava deitado no sofá, e Kamijo sentado no chão ao lado segurando seu pulso, ao me ver entrar vi enxugando suas lágrimas com as costas das mãos.
As memórias voltavam, mesmo que em fragmentos.
— Kamijo-san, essas lágrimas eram por que havia discutido comigo, e desmaiei, certo?
— Refletindo sobre isso… era devido à sua condição, o seu pulso estava bem fraco. E não havia encontrado seu pai, por isso chamei Hizaki para me ajudar com aquela decisão.
— A decisão era de me transformar em vampiro. Podia ter esperado eu acordar e contado a verdade, seria melhor que trair minha confiança.
A conversa de Kamijo e Hizaki, era a incerteza sobre sua sobrevivência, tudo isso criou uma tormenta de emoções conflitantes dentro dele.
— Yukkun, seria impossível para você imaginar tudo o que estava acontecendo nos bastidores, pois você estava à beira da inconsciência. — Observou Hizaki.
— Yutaka-san, o que você não está entendendo é que não existia a possibilidade de acordar. Você já estava inconsciente, meu medo era você morrer se esperássemos para encontrar seu pai. — Kamijo esclarece o fato.
A confissão sobre a transformação de Yutaka chegou como uma onda de emoções. Kamijo enfrentou uma escolha impossível, a perspectiva de deixa-lo morrer ou transformá-lo. As duas teriam consequências devastadoras, sentia a pressão que sofreria do conselho vampiro por não seguir a hierarquia nesse caso.
Mas nunca passou na sua cabeça deixá-lo morrer. Yutaka era sua responsabilidade, e faria o que fosse possível para cumprir a promessa com seu pai.
— Yukkun, seu tempo estava acabando, eu não estava mais suportando observar o seu corpo se contorcendo de dor, então escolhemos pelo mal menor que eu o alimentaria. — revelou Hizaki — sabia que você se sentiria traído, mais era melhor do que vê-lo morrer.
A mente de Yutaka girava em torno da revelação, sentiu uma onda de fúria ao ouvir que fora Hizaki havia tomado essa decisão crucial sem sua permissão e sem seu consentimento.
— Não acredito! Hizaki-kun foi você que me transformou, isso mesmo que ouvi? — Yutaka exclamou perplexo.
Ele estava lutando para entender as camadas de mentiras, e de segredos.
— É verdade que eu estava decidido a torná-lo um de nós. Tinha consciência que enfrentaria a fúria do seu pai e receberia uma punição do conselho. — Hizaki suspira — Na minha mente o que me preocupava era se você ia me perdoar.
Yutaka ficou em silêncio por um instante, sobre o que responder para Hizaki, tinha carinho enorme por ele e estava confuso com tudo aquilo. A sensação de traição e engano estava fresca em sua mente.
Antes de responder para Hizaki. Kamijo retorna com a explicação do que aconteceu naquela fatídica noite.
— Eu impedi Hizaki-san daquela decisão, eu precisava dele para me auxiliar na sua aceitação. — revelou Kamijo — Alimentei você do meu pulso, com a sensação de que sua confiança fora quebrada, mesmo sabendo que não me perdoaria e só se lembraria da nossa discussão.
Yutaka ouviu as palavras de Kamijo, cada detalhe parecia formar uma teia de acontecimentos complexos e isso provocou uma mistura de sentimentos conflitantes. Por um lado, ele reconheceu a profundidade da culpa de Kamijo e sua tentativa de corrigir seu erro. Era uma verdade difícil de aceitar, a traição parecia cortante e a sensação de ter sido levado a uma nova existência contra sua vontade era avassaladora.
— Então foi assim que aconteceu, os dois tomaram a decisão por mim. Me dando essa nova existência, uma decisão que afetou toda a minha vida. — Yutaka olha para si, depois para os ambos, com certa mágoa. — Você agiu por medo, eu entendo, mas isso não muda o fato de que nossa confiança foi quebrada.
— Yukkun, enquanto esperávamos você acordar. Seu pai retornou a mensagem de Kamijo, que não chegaria a tempo estava longe fora da cidade, que era para avisar os membros do conselho sobre a situação. — Hizaki comenta. — Mas Kamijo já tinha dado o seu sangue quando leu a mensagem.
— Por isso que Kamijo estava em pânico, quando rejeitei me alimentar — Yutaka coloca mão no queixo refletindo — ele já tinha infringido a regra de hierarquia e enfrentava minha resistência em ser um vampiro.
A imagem de Kamijo perdendo o controle nervoso, o medo em seus olhos, o desespero por não deixá-lo ir embora… tudo isso se tornou mais claro.
— Levou algumas horas para você acordar, só passava na minha cabeça como te contar por que agora tu serias um vampiro. — Kamijo suspirou — se entenderia que fiz para seu bem.
Com os olhos cheios de fúria e mágoa, Yutaka não conseguiu evitar as palavras afiadas que saíram de seus lábios.
— Você traiu minha confiança, Kamijo! Você não tinha o direito de fazer isso comigo e nunca contar o motivo, sabendo que eu tinha nascido sendo meio vampiro. — tentava entender a lógica por trás das ações de Kamijo.
Ele pausou por um momento, suas mãos cerradas de frustração.
— Hizaki, por que não me contou sobre ser um Dhampiro, quando acordei? — Yutaka tentava lembrar passando a mão no cabelo. — Você só disse bem-vindo de volta, agora você é um de nós.
— A intenção era explicar sobre suas origens e o porquê você era um vampiro. Mas… — Hizaki ponderou a complexidade da situação e continuou — … você acordou revoltado e com muita raiva e acusando que Kamijo se aproveitou da briga para convertê-lo em vampiro por capricho.
— Não tinha como dialogar com você naquele estado. Sabia que você não estava preparado para aceitar a natureza de sua nova existência e ainda saber que havia nascido sendo um híbrido vampiro — Kamijo comenta — Então deixei você me odiar e me acusar de traidor, era melhor do que vê-lo morrer.
— Entendo que você agiu como achava melhor naquele momento, Kamijo-san. — suspirou profundamente — Mesmo que você tenha agido por preocupação, a maneira como tudo aconteceu… é dolorosa, era uma decisão tão crucial para mim que tudo seria diferente.
Yutaka ainda estava confuso e emocionalmente abalado, e a perspectiva de aceitar sua nova natureza continuava a ser um desafio monumental.
— Yukkun, quando você se acalmou, eu não imaginei que sua rejeição fosse criar um alter-ego para fugir da sua realidade, e fingir que nada aconteceu e se passar por humano se isolando no restaurante. — Hizaki relata que Kai, seu apelido como baterista, se tornou uma fuga de si.
Kai surgiu como uma armadura para proteger Yutaka da verdade que ele não estava disposto a aceitar que era um vampiro. Era para ser uma fuga temporária da realidade desconfortável e confusa que o cercava, mas não foi.
A ideia de estar preso no corpo de um vampiro com apenas 25 anos, sendo que tinha recém começado sua carreira como chef de restaurante, não era o futuro que imaginara para si.
Kamijo sabia que isso só complicaria ainda mais as coisas, mas ele não teve coragem de revelar a verdade naquele momento, quando Yutaka estava tão perturbado.
Yutaka entendeu que Kamijo estava agindo por medo de perdê-lo e por preocupação genuína. No entanto, a ferida da traição ainda estava fresca e aberta.
— Não sei o que pensar disso tudo… — disse Yutaka com uma voz tensa. — Eu apenas necessito de tempo para assimilar e determinar o melhor caminho a seguir.
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A sala ficou em silêncio, mas o peso de todo aquele segredo pairava sobre eles. O futuro permanecia incerto, e as consequências daquela noite continuariam a moldar o destino de Yutaka. O que ele faria agora com todas essas informações sobre si?
Ele queria gritar, questionar, desabafar toda a dor que estava sentindo, mas também precisava entender o que havia acontecido com ele naquela noite.
Uma pergunta ainda não havia sido respondida, era um meio vampiro por herança vampírica, faltava saber quem era seu pai afinal.
— Vocês dois estão escondendo de mim o último e mais significativo segredo. Se tudo que está conectado à minha transformação em vampiro tem a haver com meu pai. — Yutaka falou ainda abalado e perplexo com tudo revelado — Kamijo-san, você pode me dizer quem ele é ou precisa de permissão para revelar sua identidade secreta.
A revelação sobre a identidade de seu pai era uma peça crucial do quebra-cabeça que havia sido mantido em segredo por muito tempo.
— Sim, eu posso dizer, pois, ele já está vindo para mansão, assim que nossa conversa começou, mandei uma mensagem para ele. — Kamijo respondeu.
Seus olhos se arregalaram, e ele sentiu um frio percorrer sua espinha enquanto esperava pela tão aguardada revelação. Todos os outros vampiros naquela sala concentraram sua atenção na resposta de Kamijo.
O vampiro foi até o bar da sala e abriu uma garrafa de whisky com cheiro bem forte e serviu duas doses num copo pequeno e engoli seco, a bebida era para lhe dar coragem para sua fala a seguir.
— Seu pai é... — Kamijo com uma expressão séria e um olhar preocupado começou a dizer.
— É... — Murmurou Yutaka-san esperando Kamijo concluir a frase.
— Meu mestre Hyde-san... — Kamijo completou a revelação.
Yutaka ficou com os olhos arregalados, incapaz de acreditar no que acabara de ouvir, sua mente deu um salto, e sua expressão refletiu uma mistura de surpresa e incredulidade. Ele sentiu como se o chão tivesse sido arrancado sob seus pés.
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