Kakashi: O Clã Hatake e as Sombras de Konoha
5 Extra 2.5 (parte 2): ARQUIVO QUE A MEMÓRIA TENTOU APAGAR
Notas iniciais
[Dados Corrompidos/Memória]
Ao cruzar os portões da Academia sob a luz dos LEDs frios, o vento trouxe um rastro de perfume que a tecnologia de Konoha jamais conseguiria replicar. O cheiro de glicínias. Não era apenas uma memória; era um arquivo que a sua própria biologia tentava acessar...
O relatório de DNA em suas mãos era uma prova física, mas o gatilho para a verdade estava enterrado sob camadas de luto e silêncio. Antes que pudesse processar a traição de Orochimaru, o cheiro de glicínias invadiu o laboratório estéril, arrastando-o para a noite em que tudo começou...
O ar da noite carregava o perfume inconfundível das glicínias, um aroma doce que Ayana usava para mascarar o cheiro de suor e terra das missões do dia. Eles haviam treinado até a exaustão. Kakashi, apesar dos seus doze anos, movia-se com a precisão letal de um assassino de elite. A cronologia dizia que ele era uma criança, mas suas mãos, calejadas pelo metal das kunais, e seu olhar frio contavam uma história de décadas..
Ayana estava encostada no tronco de uma árvore, os cabelos longos — marrons, dourados e prateados como a terra fértil — caíam sobre seus ombros. Seus olhos ocre observavam Kakashi, não como um shinobi, mas como o homem que Sakumo havia sonhado que ele seria.
— Sua forma está perfeita, Kakashi. Mas seu coração ainda hesita — disse ela, a voz um sussurro que se misturava ao farfalhar das folhas.
Kakashi parou, a respiração pesada, e a viu sob a luz do luar. A pele dela tinha o tom da terra, curvas desenhadas com a suavidade que só a natureza pode esculpir. Ele sentiu uma atração que não era a lascívia da vila, mas uma curiosidade profunda e aterrorizante. Ele a observava há meses, na cachoeira, no silêncio do jardim, e percebeu que a armadura que usava para proteger seu coração estava derretendo.
Ele se aproximou, a máscara uma barreira que ela respeitava, mas que naquele momento parecia inútil.
— Ensine-me a não hesitar, Ayana — a frase tinha um duplo sentido que ele mesmo não entendia. Apesar do leve tremor em suas mãos, o único sinal físico de que o ninja perfeito estava dando lugar ao jovem.
Ela sorriu, um gesto raro e puro. Levantou a mão e tocou a bochecha dele.
Naquele momento, dois dias antes de liderar sua primeira missão como capitão, não havia ANBU, Danzo ou o ódio de Manda. Havia apenas a fusão. As energias se tocaram. O chakra errático do relâmpago de Kakashi encontrou a calmaria da energia vital de Ayana. Era a união do criador e da ferramenta, do céu e da terra, do fôlego de vida e do receptáculo humano. A cena foi descrita pelo toque, o beijo e a conexão de almas. O mundo girou ao redor deles, as estrelas no céu pareciam se alinhar com a cosmologia perfeita.
Ayana não o presenteou com um filho naquele instante, mas com algo mais vital para o futuro da história: uma bênção.
Quando o momento passou, Kakashi sentiu-se diferente, o Raikiri (Chidori) que ele estava desenvolvendo parou de "gorjear" (o som dos mil pássaros) e ficou silencioso, simbolizando o equilíbrio que Ayana trouxe. Ele não era apenas a ninja em ascensão ou o "menino órfão". Ele era o homem que carregava a esperança de Sakumo e a essência da natureza.
— Agora você está pronto — ela sussurrou, ajeitando o cabelo dele. — O caminho à frente será perigoso. Seja cauteloso ao usar o Chidori, você ainda está aprendendo a domina-lo. O tom da sua voz parecia prever a tragédia iminente. Ao revisitar as memórias sobre cautela, as imagens de Obito e Rin refletiram diante dos seus olhos eternizadas pela cicatriz em tom diferente marcada em sua pele.
A lembrança do toque de Ayana se dissipou como a fumaça de um pavio apagado, deixando Kakashi sozinho em pensamentos. O cheiro de glicínias ainda estava em seus pulmões, mas seus olhos agora focavam na descoberta.
Ele não podia se dar ao luxo de ser apenas o homem que a amava; ele precisava ser o arquiteto que vigiaria a convidada de Iruka. Abrindo um arquivo criptografado que não constava em nenhum servidor oficial de Konoha, ele iniciou o registro que mudaria sua percepção sobre o próprio passado.
Ele engoliu o nó na garganta e deixou o perfume de glicínias para trás. O homem deu lugar ao Sexto Hokage. Seus dedos tocaram o console analógico e, em vez de poesia, ele digitou a primeira linha do Inventário das Sombras.
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