— Sesshoumaru, a armadura Issa é abençoada pela deusa Kwan Yin, e não foi forjada para Izaoi. Ela é o presente de casamento para a Hime do filho que casar-se primeiro.

O Dai-Youkai estreitou os olhos, até onde iria a maldade de Inu no Thaishou? Como pôde ordenar a confecção de um presente como esse e não ter dito o verdadeiro propósito dele? Não interessava saber, este assunto estava encerrado.

— O que fará com ela?

Sem nada dizer, o Lorde deu as costas ao ferreiro, quando foi interrompido.

— Sesshoumaru, a armadura vai chamar pela dona. Não importa quem seja, assim que um de vocês marcar uma companheira, a missão de Issa começará você permitindo ou não.

Ele ouviu as palavras do velho olhando-o pelo ombro, continuou a andar em sua plenitude e sua expressão inabalável, mas um conflito o estava dominando qual seria a missão da Armadura?

Jaken ficou em silêncio, por mais difícil que estivesse sendo, seu mestre estava com uma postura ameaçadora e ele não queria apanhar ou morrer, ficaria assim evitando tirá-lo do sério.

.........

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No templo de Jade, localizado onde hoje conhecemos como Shangai, China vários monges com vestes alaranjadas e cabeças raspadas meditavam na posição de lótus, tentando alcançar a iluminação espiritual. O templo nesse período era dedicado à deusa Kwan Yin, que concedia iluminação suprema aos seus devotos.

Em outras dependências do extenso templo, outros visitantes se dedicavam à pratica da yoga, como se dançassem alcançando plenitude e equilíbrio nos chacras do corpo.

Ao sul do templo, com os olhos fechados Wu Fa praticava Kung fu com maestria e precisão, ele desprendia poder espiritual com luzes azuladas ao redor do seu corpo. Tinha olhos e cabelos negros acima da altura dos ombros, a pele em um tom mais bronzeado vestindo um Kamishimo, tinha o corpo definido em músculos bem trabalhados, possuindo muita força e vitalidade. Durante sua prática sentiu um pulsar em seu peito, fazendo-o abrir os olhos e deparar-se com o sacerdote Shen, uma figura de respeito muito idoso, sorria com expressão de preocupado.

— Mestre. – Wu curvou-se ficando de joelhos.

— Shi de, chegou a hora, sua jornada se inicia siga seu espirito, ele vai guia-lo até encontrá-la.

Wu fez mais uma reverência antes de partir ao encontro de Issa e sua dona, era chegado o momento de treiná-la e ensinar-lhe como usaria o presente do Senhor Inu no Thaishou, que foi grande devoto de Kwan Yin, deusa e guia nos caminhos para o equilíbrio. Seu amigo já havia partido deste plano, mas as orientações que lhe foram feitas ecoavam em sua mente, como se tivessem sido ditas ontem.

— Mas Senhor, qual dos filhos herdará Issa?

— Aquele que aprender a amar primeiro, e quando este dia chegar minha futura yome terá como proteger-se sozinha, e como proteger meu musuko também, em uma relação de confiança absoluta.

— É uma missão difícil de cumprir Senhor...

— Hai, eu sei... mas não confio em outro para completá-la.

A lembrança da última conversa com o Inu-Youkai, permanecia insistente junto com a promessa que fora feita. Finalmente um dos filhos do querido amigo aprendera a amar, mas qual foi? O mais velho provavelmente, afinal é a ordem natural das coisas. Encontrara uma companheira e a marcara, a armadura forjada com as presas e sangue de Inu no Thaishou, abençoada pela deusa Kwan Yin clamava pela dona e pelo mestre que os ensinaria a se protegerem. Qual espada seria o par de Shinrai? Tessaiga ou Tenseiga? Estava curioso para conhecer quem seria a tsuma de Sesshoumaru, sim este era o nome do mais velho. Sem olhar para trás, fez uma prece silenciosa pedindo coragem e iluminação em sua jornada.

........

— Inuyasha, precisamos contar logo a Kaede que já fui marcada. – Kagome dizia com certo desconforto, teriam que admitir que passaram dos limites muito antes da hora, ainda faltava aproximadamente um mês de meio para a data que seria celebrada a união.

— Kéh! Não fique assim preocupada, está tudo bem.

O hanyou estava sentado observando a Miko pentear os cabelos e ajeitar o Kimono, vestiu um de sacerdotisa, mas era diferente dos que a Kikyou usava, parecia mais confortável e também mais bonito. A saia continuava longa mas era azul no tom de uma safira, e a yukata tinha mangas longas porém com a abertura da manga menor, ela insistira em mudar seu traje pois não queria que o meio-youkai lembrasse de Kikyou toda vez que a visse.

— Bem, então vamos.

Chegaram à casa de Kaede, e adentraram com o enorme azar de estarem todos presentes. Kohaku, Sango, Miroku, Rin, Shippou e Kaede olharam para o casal com expressões distintas, dentre elas, malicia, carinho e repreensão. Sumiram há quase dois dias, e agora chegavam com a maior “cara de pau”.

— Ohayou Gozaimasu. – Kagome cumprimentou a todos.

— Ohayou Gozaimasu. – Responderam em um uníssono.

— Vou aproveitar que estão todos aqui e dizer que, bem... é difícil falar...

— Eu já a marquei, então é como se estivéssemos casados, então decidam se vai ter festa ou não. – O hanyou tomou a frente deixando a Miko aliviada, realmente a ligação entre eles poderia ser mais útil do que ela poderia imaginar.

— A festa já teve, e sei está tendo há muito tempo... – Kaede disse olhando seria para o hanyou, como se ele tivesse culpa sozinho.

— Kéh! – Resmungou cruzando os braços.

— Minha menina, se você está feliz, então eu fico feliz. – A velha senhora mudou de expressão sorrindo para a Miko.

— AAAAAIIIIII eu não acredito!!!!! – Sango correu abraçando Kagome, dando pulos e rodando como uma louca.

— É Inuyasha, seja bem-vindo ao seleto grupo dos homens responsáveis. – O monge levantou para abraçar o amigo.

— Responsáveis e pervertidos. – Shippou comentou levando um cascudo em seguida. – AIII!!!

— Mas mesmo assim temos que continuar com a comemoração na data prevista! – A exterminadora tinha os olhos brilhando. – Eu vou ser sua madrinha!

— Obrigada Sango!!!! – A Miko sorria com lágrimas de felicidade nos olhos, agarrada à amiga.

Depois de passada a euforia, as inseparáveis tagarelas foram ao rio. Estava calor após tanta chuva, o sol brilhava intenso e sufocante, e elas aproveitariam para lavar roupas.

— Ei Sango. – A Miko olhava ao redor para certificar-se que estavam sozinhas.

— Hai?!

— Tenho que contar-lhe uma coisa, mas antes você precisa saber quem é Leonardo da Vinci. – Após explicar-lhe a biografia do pintor, aproveitou para contar qual era o apelido novo de Sesshoumaru enquanto lavavam as roupas. – Então, você acredita que “Monalisa” fez-me essa pergunta intrometida?

— Meu Kami! Kagome, seu gikei está interessado em você sua boba, não no bem-estar de Rin. – A exterminadora concluiu abismada coma situação.

— Shhhhh! Não diga essa palavra! É “Monalisa”! – A Miko abanava as mãos tentando conter a amiga. – E é claro que ele não está interessado em mim, afinal eu sou uma humana patética, só por esse motivo já sou objeto de repulsa.

— Aham, sei que tipo de objeto você representa pra ele...

— Sango me poupe! – Ria com a insinuação da exterminadora, achando-a absurda.

— Hum, está bem posso até estar exagerando, mas explique porque ele ficou tão esquisito com a notícia do seu casamento com o Inuyasha? Eu percebi tá!

— Porque ele é um idiota ué! – Respondeu cruzando os braços. – Que não suporta ver o irmão feliz, e porque me acha muito inferior.

Sango suspirou, realmente o último argumento da sacerdotisa havia lhe tirado a certeza.

— Eu estou com calor! Vamos nos refrescar? – A Miko convidou-a sorrindo.

— Estou com cólicas... mas vou ficar vigiando enquanto conversamos e você refresca esse seu fogo mortal hahaha. – Sango via a sacerdotisa despir-se mostrando-lhe a língua.

.......

O retorno às Terras do Oeste não foram agradáveis para Jaken, por todo o percurso ele fora o esparro de Sesshoumaru, que estava com seu humor negro reforçado. O Lorde havia escancarado as portas de madeira nobre de seu castelo, simplesmente possuído pela revolta. O maldito hanyou havia conseguido mais uma vez o melhor presente de seu pai. Tudo começou pela Tessaiga, Issa e também... respirou fundo controlando-se, afinal o Senhor daquelas Terras não deveria sentir-se inferior à ninguém, ainda mais ao hanyou.

Seu sentido apurado lhe permitiu ouvir ruídos estranhos no Salão de Armamentos, caminhando lentamente acompanhando o ruído que vinha do final do cômodo, atrás do quadro de seu Chichiue, dentro do armário de mogno. Parou em frente do móvel, abrindo-o diligentemente, estreitou os olhos ao ver que a Armadura Issa brilhava e pulsava como um coração bombeando sangue, cada vez mais forte.

Já está a chamando... isso quer dizer que o mestiço... maldito.

— Jaken!!! – Bradou para os quatro cantos da Terra.

— Hai Sssssesshoumaru-Ssssama!!!

— Sesshoumaru irá partir novamente.

— Onde vamos Ssssenhor?

— Você a lugar algum, este Sesshoumaru irá sozinho. Se alguém vier buscar Issa... Deixe que a levem.

O youkai-sapo abriu a boca diversas vezes mas não conseguira proferir nenhuma palavra, a ordem era absurda, como assim deixem que levem? Não o desobedeceria, mas queria entender o que estava acontecendo com seu senhor, onde ele iria também seria um mistério e somente em seu retorno ele saberia o que havia acontecido.

O Dai-Youkai chegava a aldeia de Inuyasha após uma viagem desagradável, consumindo por pensamentos odiosos. Parou a alguns metros do vilarejo prendendo-se com um cheiro familiar, parou de repente girando nos calcanhares e em passos meticulosos seguiu até ouvir vozes femininas. Concentrou-se em mascarar sua presença, ficando também oculto por entre árvores, não era necessário aproximar-se muito, pois sua visão era muito mais eficiente do que a de uma águia.

Com perfeição podia ver a silhueta feminina despindo-se enquanto conversava com outra fêmea à beira de um rio, tirando uma yukata branca e em seguida abaixando uma longa saia azul, fazendo os cabelos negros cobrirem até metade das nádegas firmes, ajoelhando-se em seguida levantando os braços até a cabeça, enrolando os longos cabelos em um coque, revelando uma cintura extremamente estreita e os ombros alvos e graciosos, e chegando à nuca... a marca. O Lorde fechou os olhos com força, cravando as garras em um tronco de árvore. Quis desviar os olhos, mas os movimentos chamaram-lhe a atenção. A figura feminil ergueu o corpo tranquilamente, caminhado à cristalinidade arrepiando toda a extensão da pele perfeita, braços, pernas, seios... e ao imergir até a altura da cintura, os cabelos sedosos soltaram-se do coque molhando as pontas na água.

— Ai que raiva! – Kagome praguejou, mas de repente arregalou os olhos, sentira uma presença familiar. Pensou um pouco, e respirou fundo para não “dar na vista”, que sabia que estava sendo observada. Mergulhou por inteiro deixando os cabelos pra lá, indo próxima a Sango.

— O que aconteceu? Você não queria molhar os cabelos!

— Sango, não faça escândalo! Mas Monalisa está entre nós hahaha – Forçou uma conversa natural, sabendo que a amiga entendera a indireta pois ficou atônita, sorrindo sem saber o que dizer, mas por sorte inventou uma história.

— Sério que está com cólicas também?! Nossos ciclos são sincronizados mesmo hahaha. Vou pegar sua roupa, você precisa sair da água fria senão vai sofrer durante a noite.

A exterminadora levantou-se com falsa calma, pegando as peças de roupa em uma velocidade aceitável, pondo-se a frente do corpo da amiga para que ela se vestisse.

— Vamos então, as roupas podem secar no varal da minha casa! – Pegou uma bacia de roupa esperando Kagome levar a outra, e saíram sorrindo como duas loucas, que pareciam ter saído de um filme de terror.

A Miko já não sentia mais a presença poderosa, mas mesmo assim não achava seguro falar, se não o tinha sentido antes provavelmente ele teria se ocultado, então só conversariam novamente quando realmente tivesse certeza de estarem sozinhas.

A visão fora perturbadora, não aguentava mais apenas olhar, achou melhor sair daquele lugar imediatamente após ver os cabelos tocarem na água, o cheiro que se desprendeu deles foi inebriante. Dirigiu-se à aldeia com um embrulho nas mãos, não teve pressa caminhando tranquilamente, com sua expressão fria e distante.

Ao longo da colina, Rin estava deitada de bruços com os pezinhos erguidos conversando e rindo com um filhote de youkai-raposa e o humano escravo de Naraku.

— Sesshoumaru-Sama! – A menina correu de encontro ao Dai-Youkai assim que o viu.

— Rin, trouxe-lhe isto. – Estendeu o embrulho.

A jovenzinha abriu-o e ficou extasiada com o kimono novo, este era cor de rosa com o Obi azul, seus olhos brilhavam intensamente.

— Arigato! – O Dai-Youkai apenas assentiu, seguindo-a com os olhos enquanto a menina corria na direção da sacerdotisa que estava passando com uma bacia de roupas ao lado de Sango, que continuou a caminhada deixando a amiga para trás.

— Kagome-Sama!!!!! Veja o que Sesshoumaru-Sama me deu!!! – Mostrava o kimono com tanta alegria que provavelmente nem respirava direito.

A Miko respirou fundo, olhando apenas para a criança. É a hora da verdade! Acuso ou não o acuso de assédio? E a resposta é: Se não quiser morrer patética cale a boca!!!

— É realmente lindo Rin! Quando for vesti-lo mostre-me está bem? – Não podia fingir que ele não estava ali, então usou o feitiço reverso “cara de paisagem seguido de sorriso discreto”. – Konnichiwa Sesshoumaru-Sama! – Cumprimentou fazendo uma leve reverência. Todo o respeito para o taradão sem vergonha safado! Olha como sou educada diferente de você Monalisa. Teve o pensamento sarcástico imaginando que ele não responderia, mas ao ouvir a voz grave ergueu os olhos confusa.

— Konnichiwa. – Expressão de estátua de mármore. Ela queria uma Miley Cyrus balançando com uma bola de demolição para quebrá-lo ao meio.

— Ele pode ficar para jantar? – Os olhinhos castanhos “pediam” desesperadamente.

— Se ele quiser pode, mas nós sabemos que ele é um senhor muito ocupado cheio de batalhas e monstros para derrotar, então depende dele. – Deu a deixa para que ele tivesse a dignidade de sumir.

— Pode ficar? – A criança pedia para o Dai-Youkai.

Traidora!!!

Ele assentiu virando o corpo na direção oposta a passos lentos, sendo acompanhado por sua “puxa-saco” oficial.

Suspirou resignada, agora era o momento ideal para soltar um palavrão, já que ela poupava-se em fazê-lo.

— Caralho, Filho da Puta! – Fez careta, falou mais de um.

.......

— Sango-chan! Sango-chan!

— Hai! Estou aqui, pare de gritar feito uma louca... meu Kami você está pálida!

— Mo... Monalisa! Vai jantar aqui, a Rin... – Puxou o ar. – Convidou-o e ele aceitou.

— Droga Kagome! Olha a confusão que você se meteu... – A exterminadora falava com as mãos na cintura.

— AH! Mas até parece que a culpa é minha mesmo! E tem mais, ele nem come então tanto faz. – A Miko estava vermelha, descabelada e suando, tinha saído correndo desvairadamente assim que teve certeza que Sesshoumaru estava longe. – Eu não quero problemas com o Inuyasha, ele vai brigar com o irmão e ele não merece se incomodar com isso, você vai me ajudar! – Ordenou apontando o dedo indicador para a exterminadora.

— O que preciso fazer?

— Não me deixar sozinha em hipótese alguma, fique perto até quando for lavar a louça!

— Hai! Conte comigo, sou sua amiga e não te deixarei nem um minuto sequer. – A exterminadora sorriu compreensiva para a Miko, que já estava mais calma pensando em como avisaria ao hanyou sobre a visita do irmão.

— Como vou contar ao Inuyasha que o Sesshoumaru está aqui?

* Suspiro — Não conte, ele já deve ter sentido o cheiro e se você for contar ele vai saber que esteve perto dele. – Sango deu uma piscadinha para a amiga, vendo-a abrir a boca sem pronunciar nenhuma palavra. – E ele veio ver a Rin, então fica ai bem tranquila.

— Verdade é bem simples.

Sango era bem esperta quanto a esses assuntos, sempre pensava rápido e não passava apuros sempre sabendo o que dizer, e dando conselho sábios em todas as vezes que Kagome via-se em apuros. Olha como a vida é irônica, a Miko sentiu cólicas fortes, enquanto um fluxo desceu pelo seu ventre, estavam as duas mais uma vez de “castigo”.

— Parece até que você profetizou... – Ria indo para sua casa se banhar e preparar-se para o jantar, teria que colher um pouco de camomila para fazer um chá evitando assim que a cólica aumentasse, teria também que vestir roupas intimas.

..........

— Kagome! Venha, você está com dor? – O hanyou perguntava da pequena sala da casa.

— Estou bem, já tomei um chá morno e... Como sabe que eu estava com dor?

— Sempre sente nesse período.

— Como você percebeu isso? Eu estou de banho tomado e super protegida! – Estava vermelha com a possibilidade de estar desprendendo alguma coisa desagradável.

— Eu senti que estava com dor, pela nossa ligação esqueceu?

— Ah, verdade. – Sorriu tranquilizada.

— Mas está ansiosa. – Concluiu olhando-a desconfiado.

— Eu? Ansiosa? Que absurdo ansiosa, como poderia? Não tenho porquê! – Boa Kagome! Agora ele tem certeza absoluta que está descontrolada, parabéns por ser uma maníaca depressiva!

— Hum... sei lá esquece, ei o idiota do Sesshoumaru está lá na Kaede.

— Certo. – “Cara de paisagem, sorriso discreto” 3, 2, 1. – Podemos ir se quiser.

— Então vamos logo, estou com fome. – Abraçou o ombro da jovem e conduziu-a à casa de Kaede. – Amanhã você já pode cozinhar aqui se quiser, assim não precisa irmos até lá.

A Miko apenas sorriu, gostava da comida da velha sacerdotisa, mas também amava cozinhar apesar de não poder fazer metade das coisas que apreciava, o hanyou detestava seu tempero picante, mas por ele mudara seu jeito de fazer comida e agora agradava o paladar sensível do marido.

— Konbanwa. – Sango saudou a amiga abraçando-a.

— Konbanwa. – O casal respondeu junto. Sentando-se sobre os joelhos e servindo-se de sopa. Frango com legumes variados, e estava com um cheiro maravilhoso.

Miroku e Inuyasha comiam e conversavam sobre como o dia foi quente, e que amanhã teriam um trabalho redobrado nas lavouras e armazém devido aos estragos da chuva. Shippou ficava comendo desesperado e contando para Kohaku, como funcionava a contagem dos pontos das provas de raposa.

Rin olhava para Kagome e em seguida para Sesshoumaru, que vez ou outra colava os olhos âmbares na Miko que estava em silêncio por tanto tempo, que nem parecia estar ali. Os olhos atentos de Sango encararam os do Lorde, que ao sentir-se observado respondeu ao olhar, desviando-os logo em seguida, a expressão da exterminadora era “eu sei de tudo tarado, para de encarar minha amiga”.

A velha senhora sentia uma certa tensão no ar, mas permaneceu em silêncio sem saber ao certo o motivo do ambiente estar pesado.

— Kagome, você está bem? – Rin perguntou com expressão preocupada.

— Ela está com dor. – Sango respondeu sorrindo para a menina. – Mas é só uma cólica, isso vai passar logo.

— Sim querida. — A Miko pode sentir os olhos dourados e avaliativos sob si, e com a visão periférica percebeu um arquear de uma sobrancelha.

Sango ficou enfurecida, que petulância! A sua amiga ali naquela situação desagradável, teve vontade de ela mesma cortar o braço dele novamente com a Tessaiga, alias dessa vez não seria o braço...

Felizmente terminaram a refeição, a exterminadora levantou-se recolhendo os pratos, fuzilando Sesshoumaru quando recolheu a xícara de chá que o mesmo usara, mas fora “ignorada com sucesso” como se a mesma não estivesse ali, mas sabia que ele havia percebido só não queria transparecer. Kagome levantou-se com ela, e lavaram a louça trocando olhares como “você viu isso?”, “ele é um cretino”, “deixa pra lá”, “tome cuidado”. Amizade é uma benção porque você começa a desenvolver a habilidade de ler mentes.

— Vamos embora Kagome? – Sango disse segurando o pulso da amiga, já a puxando para fora.

— Kagome-Sama, conte-me uma história? – Rin pedia com os olhos mais “por favorzinho” do mundo, e a exterminadora revirou os olhos ao perceber que a Miko atenderia ao pedido infantil.

— Amor, vamos pra casa? – O chamado veio do monge, que sorria para a esposa.

— Eu vou ficar aqui. – A resposta fez com que todos os olhares fossem destinados à exterminadora, incluindo um par de olhos dourados irritadiços. – Depois eu vou, quero ficar mais um pouco com a minha amiga. – Enfatizou o “minha amiga”.

O monge ergueu os braços como se tivesse sido rendido, saindo da casa acompanhado de Inuyasha e Kohaku. Mantinham uma conversa expressamente masculina, sobre força e trabalho, com os braços cruzados fora da casa mas próximos à porta.

Sesshoumaru levantou-se fazendo menção de sair quando Rin, o chamou para que ficasse até ela dormir fazendo-o voltar e ficar ao seu lado sentado no chão encostado na parede.

Sango sentou sobre os joelhos acompanhada da Miko, que ficou entre os dois. Começou a contar a história do pé de feijão, mas a menina queria uma de amor, então ela contou a da Bela e a Fera. Valeu a pena assistir aos clássicos da Disney, tenho histórias até o fim do mundo.

A menina não concordava com a história, e interrompia algumas vezes. O Dai-Youkai ouvia o conto com os olhos fechados encostado a parede. Sango já estava praticamente dormindo sentada, vez ou outra acordando sobressaltada.

— Mas se ele era tão feio, por que a Bela ficou com ele?

— Porque as pessoas amam coisas improváveis Rin, não somente as aparências físicas devem ser levadas em conta.

— Ele era mau e egoísta também.

— Quando amamos alguém, por mais ruim que a pessoa seja, ela deve ser perdoada e amada com todos os seus defeitos.

— Mesmo se ele for um monstro cruel?

— Mesmo assim. – Ela respondeu em um suspiro. O Lorde abriu os olhos, e fitou a Miko por alguns minutos. Ela sentiu que era observada e correspondeu ao olhar, era estranho o que acontecia pois não sabia o que fazer, queria correr para o hanyou, para fugir daqueles olhos gelados que causavam arrepios desagradáveis, e ficou muito pior quando ele estendeu uma mão e segurou entre os dedos uma mecha dos cabelos negros de Kagome, deslizando-os até chegar aos cachos nas pontas, levando-os ao nariz e aspirando profundamente o cheiro. Sua reação foi correr mas o corpo não obedeceu, então ficou ali chocada vendo-o tomar-lhe os cabelos entre os dedos sentindo seu perfume, não soube quanto tempo durou mas só voltou a si quando Sango pigarreou.

— Rin já dormiu, vamos! – Levantou coçando os olhos e puxando Kagome pelo braço.

A Miko levantou-se no mesmo instante alisando a saia e virando as costas para acompanhar sua amiga, quando a voz grave chamou sua atenção.

— Konbanwa. – Expressão impassível.

— Konbanwa Sesshoumaru-Sama. – Meneou com a cabeça e fora arrastada pela exterminadora.

— Vamos amor! Inuyasha leve a SUA mulher para casa, ela está cansada. – Beijou a bochecha da Miko e agarrou-se ao braço do monge, que não entendeu o grito da esposa.

O hanyou enlaçou a Miko pelo ombro e caminharam até a casa onde viviam, dando-lhe um beijo no topo da cabeça, sentindo o cheiro do irmão, mas não passou por sua cabeça que ele pudesse ter tocado nela, assim constatou que era a proximidade deles com Rin que fizera isso acontecer.

Ao chegarem em casa foram direto para o quarto, onde deitaram e se abraçaram.

Eu não posso mais ficar sozinha perto daquele egocêntrico, ele quer usar a mim para atingir o Inuyasha, e isso eu não vou permitir. Como se eu fosse uma idiota mesmo pra achar que ele fosse capaz de sentir alguma coisa por alguém que não fosse ele mesmo.

.....

Passos tranquilos, pensativo enquanto retornava para seu castelo, estava curioso, qual seria a reação deles quando soubessem de Issa e Shinrai? E como uma esfera de energia, sumiu no horizonte em uma claridade esverdeada, rumo às Terras do Oeste.

.......

Notas finais
https://www.youtube.com/watch?v=eX445QJ0fwE Link Música Templo Jade Yome: nora Issa: armadura e escudo (coragem e valentia). Shinrai: nome da espada samurai de Issa, significa confiança. Kwan Yin: Deusa nipônica da sabedoria e criatividade. Musuko: filho. Tsuma: Esposa. Kamishimo: traje formal para homens da classe samurai. Gikei: cunhado Gente vai ter treta e vai ter surpresa boa demais, então não briguem comigo ;( Espero sinceramente que tenham gostado! Fico no aguardo dos comentários, reviews e feedbacks! Muito obrigada por lerem mais um capitulo da fic!