Kagome e Inuyasha - Pertencentes um ao outro
32 Capítulo 32
Notas iniciais
Music 1 Play*
Inuyasha despertou com Kagome envolta em seus braços, no rosto feminino uma expressão serena. Alisou suas sobrancelhas, depois deslizando o dedo indicador pela extensão do nariz delicado, seguido de carícias nos lábios com o polegar. Aos poucos ela acordara, esboçando um sorriso sonolento, espreguiçando o corpo em meio a gemidos de preguiça.
— Vamos minha Hime, acorde. Nosso musuko precisa se alimentar...
— Hai. – Sorriu timidamente, coçando os olhos. A Miko sentiu seu coração apertar lembrando de Tsunade. – Nossa musume...
— Eu sei. – Segurou o queixo delicado, com a ponta dos dedos. – Nós vamos encontrá-la. Venha, quero subir a montanha.
A Miko assentiu, levantando-se da cama e indo fazer sua higiene matinal, seguida de um banho. Vestiu sua Yukata com Zubon pretas, colocando também sua armadura Issa, e pousando a Katana Shinrai na cintura.
Foram diretamente à cozinha, mas não havia ninguém ali. A Miko aproveitou e pegou diversas frutas, que saiu comendo as dividindo com o hanyou. O grupo os esperava do lado de fora da vivenda do Senhor do Norte, conversavam sobre as influências energéticas da montanha, nas personalidades de cada um e ficaram mudos quando o casal aproximou-se.
— Do que estão falando? – O hanyou perguntou, curioso.
— Nada não. – Miroku respondeu evasivo. Kouga começou a explicar:
— Nada demais. A montanha projeta nossos medos, e teremos de estar preparados...
Toda aquela conversa parecia “balela” aos ouvidos da Miko, que sabia exatamente a quem perguntar de forma a ouvir a verdade, caminhou tranquilamente dispersando deles, e indo até a parte isolada, na direção da presença altiva do Senhor do Oeste.
— Sesshoumaru? – Não conseguia vê-lo, mas sentia sua energia. Olhou para os lados, talvez ele não quisesse conversar, porém, tentou mais uma vez. – Por favor, mate minha curiosidade...
Sem nada dizer ela sentia a proximidade em suas costas, e lentamente virou-se para encará-lo. Com o rosto impassível e semblante sereno, os orbes dourados pousaram na Miko por um tempo, ouviu-o aspirar o ar com força, sentindo seu cheiro.
— Eu quero pedir-lhe um favor... – Mordeu o lábio inferior, fazendo-o franzir o cenho. – Ouviu o assunto que falavam antes de chegarmos? – Ele assentiu, porém, não contou o conteúdo da conversa. – Então conte-me!
A curiosidade dela o divertira, e pela primeira vez nos 17 anos em que se conheciam, ela o ouviu rir. Foi contido, grave e mais anasalado do que o normal, mas foi uma risada sim, seguida de um sorriso que mostrou as presas, foi muito rápido e impactante.
— Meu Kami... – Ela levou uma mão à boca. – Eu o vi rir... pensei que morreria sem ter esse privilégio. – Realmente era muito, muito raro qualquer expressão dele, até mesmo algumas palavras, mas o riso com certeza foi a coisa mais sensacional que ela já o viu fazer. – Faça outra vez, eu adorei o seu sorriso...
— Pare. – A resposta foi autoritária, a assustando.
— Ora, mas que mudança de humor hein! – Colocou as mãos na cintura. – O que eu fiz de mal?
— Não fale a este Sesshoumaru o que aprecia nele. – Foi direto e doloroso, ela simplesmente baixou as vistas.
— Gomennasai. – Ergueu novamente os olhos, com algumas lágrimas formadas. Não as derramou, respirou fundo e sorriu tristonha. – Pode contar-me o que ouviu?
— Falavam de você e do hanyou, sobre o sentimento que ele nutre pela Miko morta. – Inexpressivo, porém, sereno.
— Ah, isso explica terem mudado de assunto quando chegamos... – Pousou uma mão no queixo. – Arigato. – Fez uma leve reverência e afastou-se sem olhar para trás. Sentia-se magoada pela resposta do Lorde, queria ter forças para ignorá-lo, mas não conseguiu voltando para trás e novamente o olhando nos olhos. – Sesshoumaru?
Ele voltou-se para ela, parecia aborrecido agora. Ela pensou em desistir de uma vez, mas realmente a curiosidade era o seu maior defeito.
— Eu sinto muito Sesshoumaru... – Pensou na escolha das palavras. – Mas, por que não posso elogiá-lo?
— Este Sesshoumaru acatou sua exigência. Eis a minha... – A resposta a fez sorrir fazendo-o parar de falar, não sabia o motivo de achar graça.
— Mas olhe que youkai vingativo... – Deixou o sorriso para rir livremente, e quando ele franziu o cenho, ela riu mais ainda.
— O que foi Miko? – Questionou irritado.
— Ora o que foi... – Começou a andar na direção oposta deixando-o sozinho, virou-se brevemente dando um giro, ainda dando risada dele, e continuou seu caminho. Ele era realmente um mimado com muitos séculos de vida, aquela criança milenar só precisava de disciplina.
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— Então, o que faremos? – A Miko aproximou-se do grupo, com algumas lágrimas nos olhos, mas eram provenientes do riso.
— Vamos até lá. – Inuyasha respondeu a abraçando. – Onde estava?
— Conversando, rindo... – Correspondeu ao enlace.
— Que estranho... o único que não está aqui é o Sesshoumaru, então não pode ter sido com ele. – O hanyou gargalhou com a ideia de ver o meio-irmão fazendo alguma piada, era simplesmente inacreditável.
A Miko apenas sorriu, pois realmente seu shujin tinha razão, era improvável que ele fizesse piada, mas não impossível que ele fosse a piada.
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Ao chegarem na montanha, a energia sinistra que ela emanava, simplesmente era esmagadora. Kento, Ayame e Kouga, foram os primeiros a iniciar a escalada, seguidos por Taú e Dakarai. Sango e Miroku subiram na Kirara, o hanyou subiu com a Miko nas costas.
Quando entraram na neblina, não avistaram nenhum dos amigos além da espessa fumaça de orvalho, chegaram à um local plano e ao notarem, já estavam separados.
O hanyou ficou muito preocupado, andava de um lado para o outro chamando pela Miko sem obter respostas, apenas o silêncio e a solidão. Continuou com a subida sem fim, ficando exausto. Respirou fundo, sentia o cheiro dela próximo, mas não sabia o que fazer.
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Kagome foi praticamente jogada no chão, mas conseguiu se equilibrar pela sua agilidade. O hanyou estava com ela diante dos olhos mas não conseguia vê-la, a chamou até ficar rouco.
— Inuyasha, eu estou aqui... – Levou a mão pequenina de encontro à dele. Foi um erro.
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— Onde eles estão? – Miroku perguntou para Sango, que igual aos outros não conseguiam encontrar o casal de -amigos.
— Não consigo vê-los também. – Kouga falou, abraçado em Ayame.
Kento chamou a atenção dos pais para o conflito eminente.
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Sesshoumaru, estava no topo da montanha há tempos. Começando a ficar entediado até com a monotonia, e o tempo que estava esperando parecia não ter fim, e isso o intrigava. O tempo sempre fora seu amigo, nunca o deixara ansioso, porém, sentia-se sufocado pela própria eternidade. Todos morrem... menos ele, e os outros youkais.
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A Miko estreitou os olhos, o sentimento em seu coração era a preocupação. Inuyasha não a via como sua tsuma, em algum lugar do coração confuso dele a única imagem que ele via, era uma sombra o atacando.
— Inuyasha! Sou eu... – Ela tentava se aproximar, porém sem sucesso.
— Saia! Onde está a Kagome? Sinto o cheiro dela mas não consigo vê-la. – Vociferou transtornado, o cheiro tão próximo, mas a ilusão o cegou para os demais sentidos.
Ergueu a Tessaiga para ela, e atacou.
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Tanto Sesshoumaru, como os outros foram atraídos pelos gritos do hanyou, que mais uma vez fora pego pela ilusão da montanha, tamanha era a fraqueza do seu coração e a incerteza dos seus sentimentos. O choque foi inevitável, ela estava grávida lutando com uma espada demoníaca contra outra espada demoníaca, bloqueando uma Kaze no Kizucom uma barreira, fazendo a energia do golpe dividir-se em duas ondas luminescentes ao redor da esfera, as luzes douradas interferiram no brilho da lilás.
Ela não tentava mais chamá-lo, apenas o mantinha ali. Os golpes dele eram muito poderosos e provavelmente, somente ela e Sesshoumaru seriam capazes de enfrentá-lo. Os sons das lâminas se chocando, a claridade emitida a cada golpe, eram coisas surpreendentes. A destreza dela com a arma, e toda graça e feminilidade a cada golpe, cada giro com o corpo na intenção de desviar. Giros da Katana no ar faziam barulho como se cortasse o vento, apenas bloqueios, ora com um chute na cara do hanyou, ou apenas segurando a espada pelo punho e pela ponta a lâmina, bloqueando golpes frontais. Trancos contra o corpo dele, pois era mais fácil deixa-lo lutando corpo a corpo, do que permitir que se afastasse podendo usar todos os poderes da Tessaiga.
Todos ficaram temerosos por ela, mas depois ficaram atônitos ao perceber que ela dava conta tranquilamente, parecia estar apenas o cansando até que ele parasse, vencido pela exaustão, já que não conseguia nem chegar perto da barreira que ela irradiava ao redor do próprio corpo.
— Acabe com isso Kagome. – O Lorde continuava atento aos movimentos da Miko, mesmo sabendo de todos os olhares incrédulos lançados para ele, ninguém acreditava que ele estava interferindo, e ainda mais fazendo um pedido, do jeito dele mas era um pedido, se ele quisesse ia lá e parava com tudo.
A jovem girou o corpo e chutou com toda a força o hanyou, no plexo solar, deixando-o completamente sem oxigênio. Ao se aproximar, também deu um chute na Tessaiga fazendo-a voar para longe, temeu chegar mais perto e ser atacada por ele novamente, então deu mais um chute para ter certeza, mas agora foi na canela.
— AIIII!!!DROGA KAGOME, MALDIÇÃO! – Estava no chão com a face arroxeada pela falta de ar, mas pelo menos voltara a si
— Meu amor, foi necessário.
— Sua maldita!!!! – Ralhou entre dentes.
— Ouça aqui, seu maldito, você com a sua burrice colocou em risco a mim e ao nosso filhote, então foi realmente necessário. – Falou com toda a paciência possível no mundo, enquanto ele fazia um esforço soberbo para levantar.
A Miko apenas se aproximou, sentando-se sobre os joelhos ao lado dele, concentrando sua energia nas palmas das mãos, tocando-o no abdome o curando da dor e do mal estar, resultantes da luta. Mais calmo ele acabou esboçando um sorriso.
— Está melhor assim, seu maldito? – Perguntou encarando-o.
— Gomennasai. – Pediu envergonhado.
Ela se enroscou no colo dele, o envolvendo pelo pescoço e beijando-o na boca, por tanto tempo que Miroku precisou pigarrear, mesmo estando em uma extremidade e eles em outra, e ainda assim foi possível ouvi-lo. Levantaram-se e se juntaram ao grupo, que os observava boquiabertos com a força do casal, e o controle emocional da Miko, que não permitiu abater-se um minuto sequer.
— Diga-me Ayame, qual o problema com a montanha? – Kagome questionou-a calmamente.
— Problema algum com a montanha, vocês que são indignos! – Respondeu com a mais crua sinceridade, a Seii no hōseki estava irradiando seu poder, fazendo-os falar o secreto de seus corações.
— Lá vem você com essa mania ridícula de dignidade. – Agora foi Kouga que proferiu as palavras.
— Eu amo Tsunade, e não vejo a hora de casar-me com ela! – Kento correu do hanyou, que queria pegá-lo a qualquer custo.
— Não fale nada seu monge pervertido, safado e mulherengo! – Sango chegou a cobrir a boca com as duas mãos, depois do choque da verdade.
— Não vou mesmo! Mas por favor, tenha mais um filho meu!!! – Miroku fechou os olhos e deu um tapa na própria testa.
A Miko segurou a própria boca e a do hanyou para que ficassem em silêncio, mas ele não conseguiu se controlar.
— Eu queria estar em casa fazendo amor com você, ao invés de estar aqui nessa fria com Lobo Fedido! – Chegou a rir, ele não estava nem aí, era normal não filtrar o que falava.
— Eu não dou a mínima para a Kikyou! – A Miko quase gritou de empolgação, para ela foi incrível saber que realmente não ligava.
— Este Sesshoumaru só está aqui por sua causa Kagome. – O Lorde arregalou os olhos, o que foi extraordinário, pois parecia impossível para olhos tão puxados, virou as costas e quase correu para se afastar.
— Eu quero dar-lhe um herdeiro... – Dakarai olhou para o shujin dela.
— E eu quero fazer esse herdeiro... – Taú retribuiu na mesma intensidade ao olhar dela.
A Miko achou muito engraçado tudo o que estava acontecendo, mas precisava tomar uma atitude. Subiu ao cume da montanha, com alguma dificuldade pois quanto mais alto subia, mais o ar se tornava mais rarefeito. Dentro de uma minúscula gruta, onde só cabia à mão, ela retirou um pedra em formato de um losango marrom, era a Seii no hōseki, totalmente corrompida. Ela desceu voltando ao nível em que os outros estavam, envolvendo a jóia com as duas mãos, concentrando todo o seu poder nas palmas.
Uma explosão de energia aconteceu, de dentro das mãos da Miko uma intensa luz verde brilhou emanando poder. Ela abriu as mãos e todos puderam contemplar a gema, que agora estava verde como uma esmeralda, totalmente purificada.
Em questão de milésimos de segundos, tão rápido que ninguém conseguiu reagir, um espectro de Zayn tomou a gema purificada da mãos da Miko, sumindo logo em seguida.
— Maldição! – O hanyou tentou interferir, mas já era tarde.
— Eles nos atraíram para que Kagome purificasse a jóia!!! – A exterminadora gritou furiosa.
— Como não pude perceber... que tipo de energia mantém esses monstros de sombras? – Kagome perguntou mais para si mesma.
— Almas humanas. – Sesshoumaru se pronunciou seriamente.
— Como sabe disso Senhor “Eu só estou aqui pela Kagome”? – O hanyou perguntou irritado, provocando o Lorde fazendo aspas com as mãos.
O Senhor do Oeste estreitou os olhos, e sua energia demoníaca se alterou, indicando uma postura agressiva prestes a entrar em uma luta. A Miko interferiu pousando uma mão o ombro do Lorde.
— Obrigada por vir. – Falou num sussurro, afastando-se dele e abraçando ao hanyou em seguida. – Seu ciumento!
— Você é minha!!! – Inuyasha falou igual uma criança contrariada.
— Está bem. – Sorriu doce, depois adotou uma postura mais firme. – Vamos embora.
A jovem sacerdotisa virou-se indo em direção da casa.
— Mas Kagome, o que faremos? Ele levou a jóia! – Ayame perguntou.
— Esperaremos o próximo passo dele. – Respondeu e novamente seguiu seu curso, seguida por Miroku, Sango Kirara e Inuyasha.
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Voltaram à casa de Kouga, resolveram por bem passar a noite por ali, já que teriam que cruzar uma floresta. Dakarai e Taú seguiram para o Sul de imediato, não gostavam de ficar tanto tempo longe dos domínios. Depois de conversarem um pouco, todos recolheram-se aos aposentos, partiriam pela manhã.
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Ao primeiro raiar do dia, o grupo seguiu com a viagem de volta às Terras do Leste, a caminhada era intensa e ainda faltavam alguns dias para chegarem ao seu destino.
A Miko sentiu-se incomodada, como se as forças lhe tivesses sido drenadas, acabou caindo ao chão sendo amparada por Inuyasha em seguida. Ela olhou para os lados tentando captar de onde aquela força vinha, até aparecer diante dos seus olhos um Dai-Youkai dragão. Tão grande que cobria praticamente toda aquela porção do céu em que estavam debaixo, grandes escamas vermelhas e alaranjadas, e próximo a cabeça elas eram amareladas, os olhos rubros como sangue e gigantescos dentes na face ameaçadora.
Eles iam atacar, mas a Miko fez um sinal para que não o fizessem.
— Se ele quisesse nos matar, já o teria feito. – Olhava para a criatura animalesca e imponente, os relâmpagos que se formaram ao redor dele foram assustadores. – O que quer youkai?
E com a voz que parecia incalculáveis trovões em uma tempestade monstruosa, o ser fascinante e ao mesmo tempo ameaçador se pronunciou.
— Sua ajuda.
A jovem estreitou os olhos, o que aquela criatura mística poderia querer com ela?
— Minha ajuda?
— Hai.
Uma escuridão tomou conta daquele local, a terra também se pôs a tremer e uma luz dourada ofuscou às vistas do grupo de viajantes. Quando estavam recuperados do assombro abriram os olhos, e puderam contemplar uma imponente figura masculina. Aquele ser em forma humanoide, foi o “homem” mais bonito que já viram em suas vidas, ele era alto, forte, com sobrancelhas douradas, e longos cabelos louros que estavam presos em um rabo de cavalo com trança, os olhos eram rubros. Tinha a aparência de um homem de 40 anos, o que indicava estar vivo há milênios.
— Sou Doragon. – A voz continuava grave e grandiosa. A rouquidão natural daquela voz chamou a atenção da Miko, que não se conteve em matar sua curiosidade.
— Doragon, eu sou Kagome Higurashi Thaishou. – Respondeu estendendo a destra, que foi observada com desconfiança por alguns segundos, até que ele cedesse e a tocasse também. Uma luz irradiou de ambas as mãos, seguida de uma espécie de choque que os sobressaltou.
— É uma sacerdotisa. – Sorriu de um jeito, que até Sango suspirou, pigarreando em seguida para disfarçar, diante os olhos inquisitivos do monge. – A Hime disse, Thaishou?
— Hai.
— É realmente a yome de Inu no Thaishou. Está usando Issa e Shinrai, somente agora eu percebi. – Olhou para Sesshoumaru que finalmente os alcançou, com sua calma e tranquilidade comuns. Voltou os olhos para a Miko.
— Hai, conheceu meu honorável Gifu? – Ela perguntou seriamente.
— Eu vi aquele belo rapaz nascer. – Apontou para o Lorde. – Sinto-me honrado em saber que ele finalmente deixou de odiar aos humanos, e casou-se com uma que ainda por cima é uma sacerdotisa, muito poderosa e bela.
— Oh. – A Miko levou a mão aos lábios, enquanto Inuyasha se aproximava e a abraçava pelos ombros.
— Eu sou o Shujin de Kagome. – O hanyou falou firme, porém respeitoso. — Não consigo imaginar o porquê de sempre acharem, que ela é casada com Sesshoumaru.
— Inuyasha... o hanyou. – Doragon olhou-o com curiosidade. – Que bela sorte você possui, Tessaiga em sua cintura, uma tsuma digna de um verdadeiro Rei, cheia de poder e beleza. – Olhou novamente para a Miko, depois para o meio-youkai novamente. – É porque você é o mais jovem, curioso ter casado antes que seu irmão, e com uma jovem tão bonita e especial. Mas também... porque eu sou um leitor de corações.
— Kéh! O que isso significa? – O hanyou questionou levemente aborrecido, detestava que o subjugassem, ainda mais o comparando ao Sesshoumaru.
— Significa que eu sei o que ele sente. – O Youkai-Dragão conseguiu captar o estreitar de olhos do Lorde, sabendo que não deveria tocar naquele assunto. – Eu sei dessas coisas pois, além da presas e do sangue de seu Chichiue, também contém minhas escamas na armadura, bainha, e punho da Katana de sua tsuma.
— Hum... Gomennasai. – O hanyou desculpou-se com um sorriso, aquele youkai era amigo de seu Chichiue, participou da forja dos seus presentes, só continuava chateado por todos julgarem a Miko, “boa demais” para ele. – Não me agradou que achasse-me indigno para Kagome, foi um amor conquistado e sofrido para chegar onde estamos.
— Eu sei, eu li isso em seu coração... vi também que sofre por sua musume, aliás, ambos sofrem. – Olhou para a Miko. – Onde ela está?
— Tsunade, foi sequestrada... – Kagome deixou algumas lágrimas rolarem. – E estamos à sua procura...
— Está grávida também. – O Youkai-Dragão olhou-a com doçura.
— Hai... – Respondeu chorosa. – É um menino.
— Eu sei. – Doragon esboçou um sorriso altivo. – Tenho o pressentimento, de que o inimigo de vocês é Zayn, está correto?
— Está. – Miroku respondeu, pela primeira vez participando da conversa. – O Senhor o conhece?
— Claro... ele matou meu amigo.
— Disse precisar de ajuda. – O hanyou começou. – O que quer de nós?
Doragon respirou profundamente, fechou os olhos por alguns segundos e quando os abriu, caminhou até a Miko, oferecendo seu braço para que ela segurasse, sugerindo que precisava conversar com ela por um instante. Ela ficou um pouco confusa e com medo.
— Não tema Hime Kagome...
Ela aceitou o enlace, e caminharam pelo menos uns 80 metros adiante.
— Faça uma barreira por favor.
Music 2 Play*
A jovem se concentrou criando uma sólida barreira de energia ao redor eles, garantindo que não pudessem ser ouvidos, nem mesmo pelo mais poderoso youkai.
— Eu amava Satori Hime.
— A hahaue de Sesshoumaru? – Ela não controlou o desejo de olhar para o Lorde, o que imediatamente o fez saber que falavam dele. – Mas o que isso tem a ver?
— Ora menina, tem a ver com sua história. – Segurou ambas as mãos da Miko, de forma paternal. – Foi assim que conheci o Chichiue deles. Ela foi dada em casamento por aliança de guerra, como era muito bela ele aceitou. Mas como o destino é deveras traiçoeiro, ele conheceu a Hime humana Izayoi e apaixonou-se perdidamente por ela. Satori era muito orgulhosa, não aceitou-me declarando que não misturaria as raças, um clã Inu com um clã doragon. Preferiu unir-se com um macho que não a amava, e a consequência foi a morte trágica do Chichiue dos garotos.
— Garotos... – Ela sorriu balançando a cabeça.
— Hai, são como garotos para mim.
— Eu imagino.
— Eu posso descobrir onde sua musume está, mas preciso de algo em troca.
— O quê? – Seu pressentimento dizia que não gostaria do preço que teria de pagar para encontrar a filha.
— Não vai gostar...
— Eu já imaginava isso.
— Seu shujin também não vai, seu gikei também não.
— Por Kami, o que é?
— Preciso marcá-la, para fazer uso dos seus poderes.
A Miko soltou-se das mãos do Youkai-dragão, estava irritada e sentia-se ofendida, seus movimentos chamaram a atenção dos que estavam observando.
— Não pode fazer isso! Eu já tenho a marca de Inuyasha! – Ela gritou, porém, os outros não puderam ouvi-la. – Eu o amo e não me entregarei a você.
— Eu não estou pedindo isso estou? Cale-se e deixe-me terminar. – A voz rouca a fez arrepiar-se. – Não é uma marca de acasalamento, é uma marca espiritual você precisa marcar a mim também. Porém, eles não entenderão dessa forma, terá que lidar com a mágoa de seu shujin que se sentirá traído, e de seu gikei que terá a alma queimada pelo ciúme. Pode lidar com isso Sacerdotisa?
A jovem olhou para Inuyasha, que estava muito atento e agitado, olhou para os amigos preocupados e por último para Sesshoumaru, que a observava sem piscar. Pensou em sua única filha, nas garras dos inimigos cruéis e sem coração, e no bebê que carregava em seu ventre.
— Inuyasha... Ele não irá me perdoar...
— Eu sei que conheceram o Mestre Wu Fa, e a 1ª Lição deve ter sido aprendida, considero que ele será mais fácil de lidar do que Sesshoumaru. Decida Sacerdotisa.
A Miko teve a certeza que essa decisão magoaria ao Lorde mais uma vez, e talvez ele jamais a perdoasse. Porém, quem é mãe sabe, que a cria vem antes da própria existência, e ver a musume a salvo era o que importava, mais do que tudo, mais do que ele, mais do que ela mesma. Respirou fundo, assentiu com a cabeça. Olhou nos olhos do hanyou, e quando conseguiu sua atenção, proferiu um “Eu sinto muito, me perdoe”.
Ergueu os olhos para o Youkai à sua frente, estendeu as mãos para ele e novamente assentindo com a cabeça, meio trêmula, sabendo que o sacrifício pelos que ama, era o seu karma*.
Doragon tirou de sua cintura, um punhal de cabo translúcido, que era extremamente pontiagudo e afiado, sua bainha era de ouro e prata, com um dragão envolto entalhado nos metais preciosos. Desembainhou a lâmina acuminada, fazendo um corte profundo no próprio pulso horizontalmente, em seguida pegou o braço esquerdo da Miko e fez o mesmo, foi quando ela gritou de dor. Ambos sangrando e os demais que estavam de fora chocados, correndo na direção deles, o Lorde apenas observando.
Ele levou o pulso da Miko aos lábios e sorveu do sangue, levando o próprio pulso até a boca dela para que fizesse o mesmo, ela ficou um pouco enjoada mas obedeceu. Quando ambos estavam com os lábios cheios de sangue, Doragon puxou a Miko para um beijo. Nesse momento a energia expelida foi tanta, que todos tiveram que fechar aos olhos para não ficarem cegos. Quando abriram os olhos a Miko estava ainda nos braços de Doragon, e todo o braço esquerdo de ambos tinha uma tatuagem em forma de escamas, que seguiam pelo ombro até o pescoço, e no pulso ao invés de uma cicatriz, uma tatuagem de um dragão negro.
A energia mística aliada ao fogo provocando labaredas, criaram um cenário assustador, Sango e Miroku ficaram mais afastados, enquanto Inuyasha e até mesmo Sesshoumaru se aproximaram. Ficaram observando os dois se olhando intensamente, a ligação simbólica os unindo de forma a ceder os poderes espirituais para o youkai-dragão, e os poderes demoníacos para a Miko, que ainda não sabia, mas podia dominar o fogo se quisesse, ler corações se desejasse.
Ele fechou os olhos aturdido, luzes lilás os envolvendo e subindo aos céus unindo-se às chamas ardentes, mesclando o laranja e rubro do fogo, ao rosado da energia purificadora.
— Ele a marcou... – Sesshoumaru sibilou, respirando pesado antes de sumir, virou as costas sem procurar respostas às suas dúvidas, e sem saber os motivos da decisão da Miko. Sumiria para sempre, e esta foi sua decisão final.
— O que foi isso? – Inuyasha se aproximou com cautela, sentia a energia deles que era muito grande.
— Inuyasha, foi necessário. Preciso que confie em mim... por favor. – Lágrimas escorriam de seus olhos.
— Eu a amo Kagome, sempre vou confiar em você... mas o que foi isso? Sesshoumaru disse que você foi marcada. – Olhava para Doragon de forma inquisidora, e este o respondeu:
— Hai, mas não é marca de acasalamento, é união de almas como seres místicos. Mescla de poderes de forma ilimitada. Vou encontrar Tsunade, preparem-se pois a verdadeira guerra vai começar.
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