Já estava na hora de começar...

Kagome ouvia gritos, pessoas correndo e crianças chorando. Fumaça por toda a aldeia. Foi a primeira coisa que viu ao sair de sua casa pela manhã.

— Inuyasha!!!! – Seu grito foi urgente, precisava de ajuda não conseguiria contê-los em sua barreira por muito tempo.

....

Em um sobressalto vestiu suas roupas como pôde, estava acordado mas não esperava pelo que estava a acontecer. Um grito imperativo era ouvido, chamavam por seu nome e o cheiro de adrenalina chamou sua atenção ao perigo que os cercava.

Kagome estava rodeada por espectros. Sombras negras que forçavam sua barreira atacando multiplamente, não tinha como identificá-los nem como feri-los, mas isso não importava, precisava tentar.

...

Kagome sentiu profundo alivio ao vê-lo chegar, seu hanyou usava a Tessaiga para dispersar os inimigos, mas não conseguia matá-los, seus golpes passavam pelos espectros apenas dividindo-os em emanação de um gás negro, recompondo-se em seguida. Teve seu arco e aljava lançados em sua direção, pegou-os no ar girando o corpo, ficando de costas para o meio-youkai, protegeriam a reta guarda um do outro. Encostaram os corpos com o baque surdo do impacto.

— Eu preciso de um estímulo!

— Ok! Não morra e será estimulado incansavelmente. – A Miko sorriu marota, enquanto pegava uma flecha posicionando-a no arco.

— Era disso que eu estava falando, agora eu também sou pervertido!!! – Fez o gracejo e avançou sobre os espectros.

Miroku, Sango, Kohaku e Kirara chegaram ao centro da batalha, com um sorriso de satisfação. Shippou ficou ajudando Kaede a proteger Rin, enfim foi o que ele disse...

— Ahhh não iam chamar para a diversão? – O monge usava seu bastão, dispersando os espectros, eles não se recompunham quando atacados de forma espiritual.

— Kéh! Não se gabe monge safado!!! – O hanyou suava, mas parecia estar se divertindo com a luta.

Kohaku logo uniu-se a eles em batalha, enquanto a exterminadora e a gata youkai ajudavam os aldeões a fugir das casas em chamas. Kagome lançava flechas precisas, acertando três ou mais sombras de uma vez, mas ficou preocupada pois não diminuíam em quantidade, muito pelo contrário vinham mais e mais, desprendendo uma energia maligna que estava atraindo outros youkais para o vilarejo. Logo se viram rodeados de monstros famintos.

— Agora sim, vou cortá-los! – O hanyou matava os youkais que se aproximavam, usando a Tessaiga, nem precisava desprender muita energia sinistra, eram fracos e só estavam ali por serem bestas ignorantes.

A Miko usava os seus poderes, irradiando luzes de suas palmas, desintegrando os espectros com a purificação, seus cabelos balançavam acompanhando os movimentos harmoniosos e precisos.

Sango usava seu Osso Voador e Kohaku seu Machado e Corrente, destruindo os youkais que podiam ser feridos, exultantes por estarem juntos em um combate, trocando risos e piadas contra os inimigos.

Miroku e Inuyasha competiam para ver quem matava mais youkais, se cansariam rápido ou se ainda teriam fôlego para as mulheres mais tarde, enfim o monge não estava mais sozinho em sua perversão.

Mas a massa de monstros não diminuía nem se dispersava, continuavam avançando e atacando, mas Kagome não poderia aguentar por mais tempo, estava cansada por ter usado muita energia espiritual na luta, eles eram fracos mas eram muitos e carregavam destruição por onde passavam, colocando as pessoas em perigo. Precisava se concentrar na fonte da energia, aqueles monstros estavam sendo atraídos, mas por quem? Girou o corpo 360 graus, olhando a sua volta estreitando os olhos no horizonte, quando desprevenida um youkai serpente atravessou-a pelo abdome, abrindo uma perfuração de um lado a outro, voltou ferindo-a novamente atravessando agora seu ombro esquerdo, sangue foi expelido como jatos e a sacerdotisa caiu sobre os joelhos.

— KAGOMEEE, NÃO! — O hanyou correu em sua direção, matando centenas de youkais que impediam sua passagem usando a Ferida do Vento, chegando a tempo de ampará-la antes que o tronco da Miko caísse ao solo.

— No horizonte... acima da montanha... veja Inu...yasha. – A Miko apontou com a cabeça, e o hanyou fitou na mesma direção, vendo uma figura flamejante de cabelos vermelhos, irradiando uma energia maligna poderosa. De suas mãos desprendeu-se um lenço de seda, que foi levado pelo vento até onde estavam, teve um estrondo seguido de um clarão ofuscante, e todos os espectros sumiram, ficando apenas os youkais que logo foram destruídos pelo monge e os exterminadores.

Inuyasha pegou o tecido erguendo uma mão, era de cor purpura e desprendia um cheiro forte de bebida alcoólica, mas não reconheceu o odor como Saquê, era diferente, nunca havia sentido aquele cheiro antes. Olhou para a Miko preocupado, sangrava muito e estava ficando pálida. Ergueu-a nos braços e correu até Kaede com os amigos no encalço.

— VELHOTA! VELHOTA SURDA! VENHA!!! – Entrou na casa colocando Kagome em uma esteira de palha no chão.

— AAAAHHHH É A KAGOME?! – Shippou gritou desmaiando em seguida, ao ver o sangue escorrer pelo chão da cabana.

— Kagome-Sama!!! – Rin ajoelhou-se ao lado da Miko, abrindo as vestes da sacerdotisa para cuidar dos ferimentos.

— Inuyasha pegue água fresca rápido. – A velha senhora lavou as mãos e ajoelhou-se junto de Rin. – Menina, vá ali e pegue as ervas alecrim e eucalipto*, macere-as e misture com água fervente fazendo um emplastro.

O meio-youkai logo chegou com uma tina de água fresca, sentia o cheiro de sangue por todo o cômodo, Rin e Kaede limpavam os ferimentos de Kagome que estava desacordada. Ao puxar o tecido do kimono, a menina deu um grito de horror, o sangue estava seco o que fez o tecido colar-se nas feridas, e ao retirá-lo um novo sangramento se iniciou, enquanto a velha senhora fazia pressão nas lesões da Miko.

— Rin, eu vou estancar o sangramento, mas você precisa ser forte e lavar os ferimentos. Pode fazer isso?

— Hi Kaede-Sama! – A menina pegou toalhas limpas e as imergiu na água fresca, torcendo em seguida e passando nos machucados da Miko, tirando o sangue seco aplicando emplastros, fazendo bandagens e curativos.

— Ótimo Rin, muito bem. – A senhora conferiu os curativos, lançando um olhar aprovador para a jovem aprendiz. – O que houve Inuyasha?

— A aldeia foi atacada.

— Eu percebi...

— Kéh! Se já sabe então por que pergunta? – Tonk – Cascudo. – AAAIIII por que fez isso?

— Eu sei que a aldeia foi atacada, mas você viu quem foi, ou sabe o porquê? – A senhora perguntou sentando sobre os joelhos ao lado da Miko desacordada.

— Eu vi uma youkai estranha, e ela deixou isso para trás. – Disse estendendo o lenço purpura para a mais velha.

A Miko mais velha pegou o lenço nas mãos, sentiu o cheiro alcóolico e ficou pensativa. Não conhecia esse cheiro, nem fazia ideia de quem poderia ser essa youkai tão poderosa, nem o que ela poderia querer com a Kagome. Ela estava ferida e precisava descansar para recuperar forças e curar o ferimento, até lá não poderiam acordá-la.

Sango e Miroku entraram na cabana de Kaede preocupados. A exterminadora tinha lágrimas nos olhos, e estava sendo amparada por Miroku.

— O que aconteceu? – Um pequeno youkai raposa despertou do desmaio.

— Shippou!!! A Kagome está bem? – A voz de Sango saiu urgente e entrecortada.

— AAAIII A KAGOME!!! – E desmaiou novamente.

— Inuyasha, o que houve? – O monge tomou a iniciativa.

— Ela foi ferida. – Tonk – Paulada com o bastão do monge. – AAAI por que vocês fazem isso???

— Sabemos que ela foi ferida, mas o que mais você sabe?

— Vimos uma youkai diferente que comandava as sombras imortais.

— E ela trouxe isso. – Kaede estendeu o lenço para o monge.

— O que? – Miroku pegou-o e sentiu não somente o odor alcóolico, mas também resíduos de energia. – Está impregnado de energia maligna, tão forte quanto a de Naraku!

— Aquele maldito está morto!!! – Ralhou o hanyou no canto do cômodo.

— Sim, não é a mesma energia mas é tão forte quanto...- O monge segurava o próprio queixo, pensativo.

— O que vai acontecer agora? – A exterminadora segurava o braço do marido em busca de consolo.

— Eu não sei...

Ficaram juntos, iriam passar o dia guardando a querida amiga e velando seu sono. Rin e Shippou deitaram juntos em um futon, dormindo logo em seguida, mesmo sendo de dia, estavam cansados pelo choque que viveram. Sango e Miroku apoiaram-se um no outro sentados ao lado da parede, Kaede saiu preparar mais ervas e Inuyasha ficou sentado ao lado da Miko ferida. Em seguida Kohaku chegou com Kirara nos braços, ficando ao lado da irmã e do cunhado. Tristes, preocupados e perdidos... não imaginavam o que estaria por vir.

.....

Nas Terras do Oeste, um monarca agitava-se com a presença de uma poderosa energia maligna. Sentia o peso que o ser misterioso carregava, concentrado apenas em discernir o que estava sendo mascarado... não seria o suficiente, teria que partir e ver com os próprios olhos.

— Jaken! – A voz grave ecoou pelos corredores do castelo do Lorde Thaishou.

— Sssim Sssesshoumaru SSSSama!!!! – Um pequeno youkai verde respondeu alarmado.

— Prepare Ah-Uhn, este Sesshoumaru pretende sair em breve.

— Onde iremos Sssesshoumaru SSSSama? – o pequeno youkai ficou alarmado.

O Dai-Youkai não respondeu, apenas virou as costas com passos lentos, deixando sozinho o pequeno youkai verde.

Precisava pensar, sem interrupções. O poderoso Senhor das Terras do Oeste, dirigiu-se até o salão em que ficavam a armaduras e espadas do pai, Senhor Inu no Thaishou. Andou até chegar ao fim do cômodo, quando vislumbrou atrás de um grande quadro de seu Chichiue na forma youkai, um armário de mogno maciço, com puxadores de ferro fundido. Abriu-o e mirou atentamente a armadura, escudo e espada feitos para Izaoi, a humana que concebeu o hanyou bastardo, Inuyasha. Foram forjados por Toutosai, com as presas do grande lorde Thaishou. Não entendia porque seu Chichiue havia feito isso, uma frágil humana com um poderio fabuloso desses. A armadura era dourada e muito fina, tinha a meia lua do clã Thaishou, igual ao escudo e a bainha da espada, realmente muito imponentes. O Dai-Youkai baixou os olhos refletindo, mirou novamente o conteúdo do armário fechando-o com força, dando as costas e ignorando aquele passado intrigante.

— Jaken!!! – Bradou impaciente, olhando o pequeno youkai se aproximar apressado. – Vamos agora.

Sem esperar por resposta, partiram na direção da aldeia em que viviam seu meio-irmão hanyou e os amigos patéticos dele. Sabia que a energia havia ido naquela direção, e eles pagariam com as suas vidas miseráveis se tivesse acontecido algo com Rin.

....

Após algumas horas, O Senhor do Oeste chegou ao vilarejo e se surpreendeu com o que viu, casas destruídas, humanos chorando e correndo em todas as direções consertando o que podiam. Caminhava lentamente com sua costumeira postura altiva, recebendo olhares desconfiados, sentindo o cheiro do medo daqueles humanos inúteis.

“Patético...” pensou rolando os olhos.

Um cheiro familiar, lágrimas da pequena Rin.

Sem pensar, como um relâmpago invadiu a cabana da velha sacerdotisa, causando assombro aos que estavam presentes, menos ao hanyou, que sentira seu cheiro à quilômetros. Não se importava com os olhos curiosos sobre de si, apenas avançou até ver Rin dormindo em um futon com um filhote youkai, ela provavelmente havia chorado até cair no sono.

— Kéh! Não sabe bater Sesshoumaru? O que quer aqui?

O Dai-Youkai não se virou, mas estreitou os olhos em sinal de aborrecimento.

— Sesshoumaru não dá explicações de suas atitudes.

— Ele estava preocupado com a Rin. – Kagome acordara e estava levantando o corpo da esteira, com certa dificuldade, seus ferimentos estavam fechados graças ao poder espiritual, mas não tinham cicatrizado totalmente.

O Lorde virou-se em sua direção, Então o cheiro de sangue vinha da Miko, ponderou que provavelmente Rin chorou preocupada com ela, estava ferida gravemente pelo que pôde notar.

O olhar frio e avaliativo do Lorde sobre seu corpo, deixou Kagome desconfortável mas ela não queria deixar transparecer, continuou sentada se controlando para não enrubescer, estava ferida e era natural que estivesse coberta apenas por faixas deixando os ombros desnudos. Não conteve o ímpeto de encará-lo e numa fração de segundos, que pareceram passar em câmera lenta, os orbes âmbares encontraram os castanhos e era estranho distinguir os sentimentos, medo, indignação, fúria, compreensão talvez. Ficaram alheios ao resto do universo, por três segundos ou mais, ou menos mas isso não importou, foi o suficiente. O hanyou percebeu o que estava acontecendo, e num rosnado fez notar sua presença, levantou-se tirando a Burausu vermelha colocando-a sobre a Miko, que desviou os olhos sentindo-se ainda observada.

Uma tensão instaurou-se no ambiente, mas ficou ainda mais forte quando o Lorde ergueu os olhos para o meio-irmão, fitando-o profundamente sem nada dizer, impassível e inexpressivo como sempre. Um resmungo quebrou a aura que surgia.

— hum... Sesshoumaru-Sama!!! – Rin levantou do futon correndo na direção do Dai-Youkai, que abaixou a cabeça para fita-la.

— Você está bem? – Questionou à criança, que estava afoita em vê-lo.

— Hi!!! Os monstros atacaram a aldeia, mas foram embora. – Ouvindo a resposta da menina, moveu os olhos até encontrar os do hanyou, como se questiona-se o que havia acontecido.

— Tinha uma youkai ordenando os ataques, tinha sombras com ela e, deixou isso para trás. – Respondeu indicando o lenço vermelho que estava em cima de uma mesa.

O Dai-Youkai pegou-o nas mãos, em seguida o levou ao nariz e aspirou o odor alcóolico, e foi como se tivesse arregalado os olhos, o que era difícil com eles sendo tão puxados. A atitude chamou a atenção da Miko, que não se conteve em perguntar.

—Sesshoumaru? O que é isso? – Percebeu a alteração na expressão dele, mesmo com ele sendo o mais comedido o possível.

— Senti esse cheiro, há séculos... é Arak. — Disse apenas.

— Mas, é uma bebida árabe. – A jovem falava com o olhar confuso. Estalou os olhos, como se lembrasse de alguma coisa muito importante.

— O que foi Kagome? – O hanyou aproximou-se dela, sentando ao seu lado.

— Vovó, este lenço não pertence a Zayn? – A jovem Miko perguntou para Kaede, e acabou recebendo um olhar significativo do Dai-Youkai, virando-se para ele em seguida. – Você o conhece?

Sesshoumaru apenas assentiu com a cabeça, não tinha o desejo de jogar conversa fora com essa humana, mas estava intrigado, se realmente o lenço pertencia a Zayn então muitas coisas deveriam ser elucidadas.

— É filho de Nahan, ele foi um Sheikh que conheceu meu Chichiue. – O Lorde respondeu pensativo.

— Nosso Chichiue!!! – O hanyou atravessou, sendo fulminado pelos olhos do Dai-Youkai, furioso pelo atrevimento.

— Sheikh? Hum... um líder de um clã, ou tribo com muitas riquezas. – A Miko completou, recendo a afirmação do Inu-youkai com outro assentimento.

Miroku, Sango e Kohaku somente ouviam toda a conversa, interessados demais para se intrometer e interromper a história.

— Nahan queria tomar Izaoi como esposa. – Explicou com desprezo.

— A minha mãe? – O meio-youkai ficou intrigado, nunca soube dessas coisas. – Mas como sabe disso?

— Inuyasha! Pare de interromper o Sesshoumaru, deixe ele contar. – A Miko ralhou.

— Mas como conhecemos o fatídico desfecho, Chichiue encantou-se por aquela humana e você é o resultado. – Completou lançando um olhar gélido para o hanyou. – Zayn ainda era uma criança, não sei como conseguiu manter-se vivo até agora.

Sesshoumaru virou o corpo e saiu da cabana sem ao menos dizer um “adeus ridículos inúteis”, sendo seguido por Rin que foi falando incansavelmente as novidades. Kagome o acompanhou com os olhos, achando-o estranho e prepotente, ainda conseguindo ouvir algumas das coisas ditas por Rin.

— O Inuyasha e a Kagome vão se casar!!! – A menina contava batendo as palminhas das mãos.

O Dai-Youkai interrompeu o passo por um instante, ficando estático durante aquele momento. Em seguida passou a caminhar mais depressa, fazendo a menina correr para tentar acompanhá-lo. Kagome ficou confusa e intrigada, cruzou o olhar com o de Sango, que tinha uma expressão inquisidora. Ela percebera a atitude estranha do Lorde, mas não entendia o motivo e provavelmente a exterminadora teve a mesma impressão.

...

— Rin? – A voz grave chamou a atenção da menina.

— Hi, Sesshoumaru-Sama! – Ela se pôs de pé olhando-o atentamente.

— Você é feliz aqui?

A menina deu um sorriso tímido, não queria decepcioná-lo mas sim, ela era muito feliz ali, tinha uma família especial, e no pequeno coração somente a presença dele faria com que fosse extremamente perfeito. O Dai-Youkai apenas assentiu impassível.

— Este Sesshoumaru retornará às Terras do Oeste, mas se precisar virei ao seu encontro. – Seu tom de voz foi mais suave, mas mesmo assim cheio de autoridade.

— Hi! Sesshoumaru-Sama, fica pelo menos essa noite?

O Lorde refletiu por alguns instantes, e meneou com a cabeça em afirmativa. Rin saiu correndo, erguendo seus bracinhos como se plainasse no ar, exultante de alegria.

.....

Passaram algumas horas trazendo consigo o anoitecer majestoso no Japão Feudal, tinha algo romântico com essa época deixando tudo mais, poético. Rin obrigou Sesshoumaru a acompanhá-los durante a refeição noturna, mas o mesmo não tocou na comida, apenas bebericou um pouco de chá, observando a menina lutar contra o sono, adormecendo logo em seguida nos braços de Kagome, que pegou-a carinhosamente levando a garota ao futon. Se fosse costume do Inu-Youkai sorrir ele o faria, aquela criança realmente mudou o coração frio e impassível do Lorde, porém o mesmo não deixava transparecer de maneira alguma, mantendo-se sempre inatingível.

Sango e Miroku já haviam se recolhido, levando Kohaku e Shippou com eles. Quando a Miko recolheu os pratos e xícaras para lavá-los, ao pegar a xícara do hanyou recebeu um olhar repleto de significados, “vamos sair daqui, tem uma cama quente te esperando com um homem nu nela”, ela sorriu sendo retribuída com um leve roçar de dedos quando tomou a louça na mão, ficando totalmente sem jeito quando se apercebeu de estar sendo observada, com curiosidade pelos outros olhos âmbares no cômodo. Ergueu os olhos e fingiu não entender nada, mas indecisa quanto a recolher a louça que ele tinha bebido o chá, achando que pareceria grosseiro. Mas quando o meio-youkai levantou depositando um beijo em seu ombro, acordou de seus devaneios, vendo-o dirigir-se à saída olhando-a nos olhos antes de cruzar a porta, e ela retribuiu com uma expressão de “já vou”.

A Miko lavou a louça, e dando um último beijo em Rin virou-se caminhando até a saída.

— Você não dorme aqui com a Rin Miko? – Kagome estalou na porta sem se virar, sentia os olhos queimando suas costas. Mas tinha que ser adulta, afinal é claro que o “cunhado” percebeu os olhares indiscretos do Inuyasha, e com certeza sentia o cheiro dele impregnado na pele dela, concluiria que passariam a noite juntos ainda mais sabendo que se casariam logo, mas a curiosidade dele a incomodava.

— Konbanwa, Sesshoumaru-Sama. – Ela respirou fundo, dizendo com uma reverência respeitosa, sem encará-lo sendo o mais madura que poderia ser. Saiu calmamente controlando sua respiração, estranhando a atitude inconveniente do Lorde, pensando como ele estava obcecado em proteger a menina, não querendo que ela a deixasse sozinha.

A Miko olhou para os lados e caminhou até sua futura moradia, sabendo que era esperada com o estômago contraído pela ansiedade, nem percebera que havia sido seguida de longe por uma presença poderosa. O Lorde pôde ver exatamente onde a jovem entrara, calma e sabendo exatamente o que fazia, apurou os sentidos e quando ela abrira a porta sentiu o cheiro do meio-irmão, e momentos após conseguira ouvir um som, que ao identificá-lo como estalos de beijos na boca virou as costas bruscamente, caminhando em passos largos. Passou a noite velando o sono de Rin sentado em uma cadeira, concentrado na porta da moradia com ar aborrecido, nos primeiros raios de sol levantou-se e saiu do interior da casa.

O Senhor do Oeste olhou para o céu, um suspiro preso na garganta e muitas dúvidas em seu interior, precisaria sair em uma jornada para desvendar os segredos do pai. A armadura, espada e escudo de Izaoi o intrigavam, por que dar a uma humana artefatos de combate? Ainda mais uma princesa. Teria que ir ao encontro daquele velho ferreiro desmiolado. Precisava ficar longe daquela vila por um tempo, ponderou a contragosto sentindo-se irritado, mas não se permitido ir a fundo com a sensação. Seguiu para a clareira onde Jaken e Ah-Uhn o aguardavam.

...