Kagome e Inuyasha - Pertencentes um ao outro
11 Capítulo 11
Notas iniciais
No Médio Oriente acima das montanhas, duas lindas jovens dançavam, as roupas de fina seda balançavam com o vento, e os véus graciosamente se moviam no ritmo da dança, seguindo suas mestras com perfeição. As duas criaturas dançantes, eram Mariskah e Soraya youkais-águia, protetoras da harmonia e do equilíbrio, realizando desejos e trazendo fertilidade às humanas e às plantações. Uma era complemento da outra, exatamente como se fossem uma só carne.
Soraya tinha os cabelos e as sobrancelhas vermelhos como fogo, e seus trajes elegantes e finos, eram da mais pura seda de cor púrpura. Vestia graciosas calças com aberturas nas laterais e uma pequena blusa que deixava à mostra o gracioso abdômen. Ela representava as mais fortes emoções ira, paixão, medo, ódio. Seu poder era imenso e longe da irmã causava destruição, por isso não conseguiam viver se não estivessem juntas. Mariskah usava roupas exatamente iguais às da irmã, mas em um profundo azul turquesa, assim como os cabelos e sobrancelhas. Era a harmonia, equilíbrio. Transformava a ira em coragem, o medo em prudência, a paixão em amor e o ódio em perdão.
Dançavam uma canção maravilhosa, com um ritmo que envolvia os quadris trepidantes das belas criaturas, os olhos grandes e os lábios espessos. Faziam movimentos espelhados na mais pura sintonia.
Corriam até a beira da montanha e se lançavam, transformando os corpos em magnificas águias douradas. Tinham habilidades de ver o futuro e criar ilusões, mas não tinham interesse em trazer sofrimento para outras criaturas.
— Veja irmã, na pequena tribo ao sul, uma jovem mãe dará à luz seu primeiro filho... – Manifestou-se Soraya. Mariskah sorriu suavemente.
— Mas?
— Ela não vai conseguir... posso ver. – Dizia impassível.
— Essa criança é fruto de amor, ou violência Soraya? – A youkai azul perguntava.
— Amor... – Respondeu a youkai vermelha.
Mariskah correu pela montanha e lançou-se para baixo, transformando-se em águia, para interferir no infeliz destino da criança.
— Ah... – Suspirou a youkai vermelha, vendo Mariskah alçar voo. – Não me importo com isso... mas não posso viver sem você, vou ajuda-la como sempre, minha amada e benevolente irmã. – E num movimento rápido, transformou-se indo ao encontro de sua metade.
Ao chegar na pequena tribo, a youkai azul desceu dos céus, retomando sua aparência humanoide, e indo em direção da tenda onde acontecia o parto. Por onde passava, despertava sorrisos dos humanos que amavam, e era gratos às protetoras do seu continente.
Entrou na humilde moradia suavemente, apaziguando os corações aflitos que acompanhavam, o complicado nascimento do bebe. Sentou-se sobre os joelhos, na pequena esteira em que a jovem mãe fazia força para ter o filho, e gentilmente pousou sua mão sobre o ventre contraído. Fechou os olhos, e sentiu que o bebe estava com o cordão enrolado no pescoço. Soraya entrou e viu sua irmã atendendo a jovem, aproximou-se e colocou sua mão sobre a dela, podendo também identificar o problema. Ambas se concentraram, e com o enorme poder que possuíam quando juntas, restauraram o equilíbrio da criança, que sozinha pôde se desvencilhar do cordão. A partir dali, o parto seguiu normalmente, e um tempo depois podiam ouvir, o choro forte do bebe que vinha ao mundo.
Mariskah sorriu de satisfação, enquanto sua irmã permaneceu inexpressiva.
Soraya não era benevolente, era cruel em seu íntimo, não se importava com as pessoas. Mas existia um sentido para sua existência, ela harmonizava a essência da irmã, tornando-as em um equilíbrio perfeito. Mariskah era boa e amável, sempre queria ajudar, curar e salvar. Muitas pessoas e até outros seres queriam se apossar de seus poderes, mas Soraya a protegia sendo a guerreira, alertando e ajudando a irmã, por mais que detestasse isso. O amor de ambas era incondicional, morreriam uma pela outra. Se uma fosse destruída, a outra desapareceria também.
....
Kouga e Ayame decidiram se casar o quanto antes. Mas primeiro deveriam informar ao Chefe Shouro, o desejo de se unirem. Vieram de mãos dadas da floresta, tinham apenas lavado os rostos tirando as manchas de fruta. Kouga entrou primeiro.
— Shitsurei Shimasu, Shouro! – Pediu o youkai, ao entrar na caverna onde estava o líder da tribo.
— Fique à vontade jovem príncipe. – Respondeu, o grande lobo cinzento.
— Shouro Shi, eu desejo com profundo respeito, que me conceda Ayame como esposa. – Pediu com uma reverência.
— Eu não volto atrás em minha palavra meu jovem, me agrada sua união com Ayame, mas somente se ela concordar. – Disse solenemente, o velho lobo.
— Hai. – Kouga respondeu.
— Chamem Ayame em minha presença, imediatamente. – Ordenou, o sábio líder.
— Hai, Oji-Chan! – Respondeu a jovem, assim que entrou na caverna.
— Minha querida, sinto não te dar muito tempo para refletir, mas o assunto é importante e eu preciso que seja totalmente sincera, está bem? – Proferiu as palavras, carinhosamente.
— Hai. – A jovem respondeu, assentindo.
— Este jovem deseja tomá-la como esposa. Você terá o dever de ajuda-lo em tudo, como eu ensinei a você. Seu desejo é aceitar? – O velho youkai-lobo perguntou, olhando seriamente para a neta.
Ayame ficou em silêncio por um tempo, em sinal de respeito à presença de seu avô. E com uma expressão tranquila, mas ao mesmo tempo séria assentiu, com uma reverência.
— Hai Oji-Chan, eu aceito casar-me. – E ficou em silêncio novamente.
O Avô sorriu carinhosamente para Ayame, orgulhoso de seu comportamento digno de uma virtuosa princesa. Sabia que a neta amava o jovem príncipe, mas queria vê-lo ser capaz de merecê-la, afinal ela era seu bem mais precioso, e não a entregaria nas mãos de alguém capaz de feri-la ou magoá-la.
— Meu jovem, tem minha benção. Estamos na lua crescente, então como diz a tradição, devemos aguardar a lua cheia que será daqui há duas semanas, para trazer sorte e fertilidade a união. Que se iniciem os preparativos, imediatamente. – Dito isso, o velho Líder se retirou, e os servos que estavam presentes seguiram as ordens dadas.
Assim que teve a certeza, de que o avô não estava mais presente, Ayame correu para Kouga colando os lábios nos dele, e enroscando os braços em seu pescoço. Seu coração estava disparado, e ela mal podia acreditar, que daqui há tão pouco tempo estaria casada, com aquele lindo youkai-lobo que ela tanto desejara.
— Contenha-se! – Kouga avisou, segurando Ayame pela cintura enquanto olhava para todos os lados.
— Não posso!!! Quero gritar! – Ela respondeu sorrindo.
— Não aqui mocinha... ainda não casamos e seu avô pode não se agradar. – explicou com carinho, acariciando o rosto da jovem ansiosa.
Ayame assentiu, concordando com o futuro marido. Mas como era também muito geniosa, o agarrou novamente dando um beijo mais ousado, mas ainda sem língua, ela ainda não sabia como fazê-lo. Ele a olhou erguendo as sobrancelhas, chamando sua atenção. O youkai-lobo sabia que sua jovem noiva estava ansiosa, e com os hormônios gritando por ele, mas devia respeitá-la até consumarem a união. Estava no território de Shouro, não queria afrontá-lo de maneira alguma, muito menos pôr tudo a perder.
— Ei! Pare de me agarrar Ayame! Quando nos casarmos, prometo que te deixo explorar meu corpo inteiro, mas por enquanto precisa se conter... – falava com carinho, segurando o queixo delicado com uma mão.
— Está bem. – Ela ficou meio desapontada, mas gostou muito da expressão “explorar por inteiro”.
Kouga riu vendo Ayame fazer pirraça, puxando-o para fora da caverna e argumentando sobre seus desejos.
— Eu quero o meu beijo!!! Você prometeu... – Pedia manhosa, enquanto se afastavam dali.
— Shhhhhiu! Vão ouvir... sossegue mulher! Terá que esperar. – O youkai-lobo tentava argumentar com ela.
— Não quero esperar nada! Só um beijo... por favor! – A linda ruiva fez o pedido, com as mãos unidas no peito.
Não teria jeito, a garota estava decidida, e não o deixaria em paz enquanto não atendesse o seu pedido. Ele também estava louco para encher de beijos e mordidas, aqueles lábios carnudos e avermelhados, que faziam um lindo biquinho em sua dona manhosa. Puxou-a para si, abocanhando por inteiro os lábios da jovem, que suspirava com o contato. O youkai beijava com carinho sua noiva, que estava agarrada ao seu pescoço, levemente ele introduziu a língua no interior convidativo da jovem, e pôde ouvi-la gemer com a prazerosa invasão.
Ayame nem acreditava no que estava acontecendo, adorava a sensação de ter seus lábios, sendo sugados e mordidos por seu futuro marido. Aninhou-se mais entre os braços dele, para sentir mais do corpo másculo.
Ela estava se mexendo muito, se encostando muito, gemendo muito e Kouga já não estava mais resistindo a tantos estímulos, teve que afastá-la segurando os braços delicados e interrompendo o beijo.
— Seu avô vai me matar se fizermos alguma coisa antes da hora!!! – Dizia enquanto se afastava. — Eu não vou aguentar... você quer me deixar louco?
— Sim... – Ayame respondeu sorrindo, avançando na direção dele.
— Por favor minha querida, se contenha. O que aconteceu com você? – Questionou o jovem youkai, sentando em uma raiz abaixo de uma arvore frondosa.
— Eu não aguento mais esperar... preciso de você, e agora que eu sei que vamos nos casar, eu já não me importo com mais nada! Eu te desejo tanto, há tanto tempo... – A jovem youkai suspirava enquanto respondia.
— Eu entendo, também quero. Se a situação fosse diferente, eu já teria me rendido aos seus encantos, mas você é a neta do líder de todas as tribos, e daqui duas semanas estaremos juntos. Então respire fundo e espere.
— Como você consegue? Não me deseja? – Pequenas lágrimas se formaram nos olhos da garota.
— Claro que desejo. Mas eu vou esperar e eu consigo resistir! – Kouga proferia as palavras, enquanto cruzava os braços.
Ayame deu um longo suspiro, e tentou refletir. Na reflexão que fez, decidiu sentar no colo dele e assim o fez. Sentou-se de lado e o abraçou encostando a ponta do nariz no pescoço dele, sentindo o cheiro do amado.
A atitude dela o fez arrepiar, e não teve como não reagir ao corpo quente e macio em suas coxas, se aninhando e acariciando, respirando pesado e espalhando calor em seu pescoço. O corpo reagiu prontamente, e não teve como conter mais. A jovem ergueu a cabeça rapidamente, e corou quando teve a certeza, de que estava sentada sobre uma ereção.
— Por favor... vá agora, vamos nos ver depois. – O youkai disse, em tom de advertência.
— Está bem. – Ela levantou, corada como nunca e sorrindo, virou-se partindo por entre as árvores.
Kouga olhava para a sua situação, que coisa louca essa mulher... não imaginava que ela estava nesse pico hormonal, num verdadeiro cio. Teria trabalho para satisfazê-la na noite de núpcias, pensou dando um sorriso e fechando os olhos.
....
Existem forças, que estão além da compreensão humana, as energias se complementam e constroem novos fluxos. Tudo deve estar em perfeito equilíbrio, engana-se quem pensa que a harmonia é a paz absoluta. Harmonia é o embate de forças contrárias e equivalentes, que se chocam intensamente por toda a eternidade, mas as vezes por algum motivo, uma prevalece sobre a outra trazendo angustia e sofrimento.
Nesse momento, uma energia maligna oriunda da cobiça, está crescendo absurdamente e em breve tudo o que conhecemos será afetado.
Com os olhos da crueldade, quem corteja a guerra anseia desesperadamente por poder, a única maneira de trazer o caos é fazer o mal prevalecer, anulando o equilíbrio. Isso já aconteceu uma vez, foi o que gerou a maldita Shikon no Tama, trazendo dor, mentiras e guerra a todos os seres do planeta.
Uma nova ponte Inter Mundos será aberta. E só existe um ser, em todo o universo capaz de atrapalhar os planos perversos, a estrela reencarnou em nosso mundo...
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