Kage no Õji
29 Enquanto Isso...
Notas iniciais
LEANDRO
Passei a noite em claro, fiquei jogando, ouvindo música, assistindo filme, qualquer coisa, menos dormir. Depois daquelas cenas horríveis que vi assim que preguei os olhos, desisti de dormir, não queria ver aquilo novamente. Era horripilante, meu coração ainda não tinha se acalmado, tenho pena dos filhos de Apolo, Hypnos e Morfeu, se os meus sonhos estão assim imagina os sonhos deles, talvez Abel esteja os tendo também, mas a essa hora ele estria sobrevoando o Atlântico, provavelmente. Quando olhei pela janela já estava amanhecendo, ouvi a porta da sala de jogos ser aberta revelando um Isaac ofegante, todo suado e com uma expressão nada boa.
Isaac: Temos problemas! Precisamos falar com Kaiyra com urgência!
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Estávamos agora frente a frente com Kaiyra, eram seis e meia da manhã, mas ela parecia bem alegre para quem acabará de acordar, mas eu acho que essa alegria não vai durar muito.
Kaiyra: Então. O que os trazem aqui a essa hora? Deve ser bem grave! -disse se ajeitando na poltrona.
Isaac: Kaiyra-sama, o assunto é sério, Tártaro está entrando nos sonhos de vários semideuses, de todas as culturas, vários amigos nossos mandaram mensagens, Abel mandou quando param em Londres, ele e Nico também sonharam, mas com Nico, parece que ele viu Gaya em seus sonhos, ou Maya, ao que parece Gaya está fraca, mas está ao lado dos humanos, só que não tem poder suficiente para deter o Tártaro! Ele quer destruir o Olimpo, acabar com toda a Terra, precisamos agir, ele está se comunicando com aqueles que não têm muita ou nenhuma ligação com os acampamentos e com os deuses, ele mostrou algumas cenas para o Leandro, eu quase morri enquanto dormia por causa das coisas que ele falou e me mostrou!
Isso foi o suficiente para que o sorriso na face da mulher sumisse, ela adquiriu uma expressão sombria e pensativa, fitou o chão como se o deus antigo fosse sair dali.
Kaiyra: Isso é um problema... Um enorme problema... -começou a batucar nos dedos na mesinha de madeira ao lado, assim como balançava os pés freneticamente- Vou falar com alguns seres e pessoas que eu conheço, na festa irão alguns deuses além de vários semideuses, podemos usar a festa como uma forma de nos comunicarmos com eles... Mas podemos falar com o Abel e o Nico, eles irão aos acampamentos, além de irem falar com Hades ao que parece... Eles podem nos ajudar bastante nisto, precisamos tomar cuidado, usem os amuletos, colocando nas janelas e portas de seus quartos, irá impedir que talvez tenham esses sonhos de novo, ele não tem um poder forte o suficiente e precisamos checar as portas da morte também...
Leandro: Meu pai falou sobre me mandar para o Acampamento Meio-Sangue, posso falar para ele me levar lá, assim já o deixamos avisados e eles conversam com o outro acampamento...
Isaac: O Acampamento Júpiter, uma irmã minha é a pretora, posso mandar uma águia para eles também... Afinal eu já fui um centurião.
Leandro: O que acha Kaiyra-sama?
Kaiyra: É uma excelente ideia, façam isso, precisamos tomar drásticas medidas contra eles. Agora vamos comer o café está pronto e ai de vocês se disserem não.
A acompanhamos no café que teria sido mais agradável se aquela velha não estivesse ali, a cena do Tártaro tomando o corpo dele e agindo a partir dela, não me deixou muito seguro...
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LIA
Acordei com um grito de medo da Ana, assim como todas.
Eram duas da manhã, o que realmente não ajudou a melhorar meu humor, sai correndo do meu quarto e fui no da garota, as outras saíram de seus quartos, Alex parecia uma múmia com aquele creme verde no rosto, já Sunny estava com a cara toda amaçada, entrei no quarto da baixinha e fui até a cama.
Ela estava chorando compulsivamente, com o rosto escondido no travesseiro, toquei o ombro dela e ela pulou no meu colo me abraçando com força enquanto chorava, Alex colocou as mãos no ombro dela, enquanto eu lhe fazia cafuné.
Sunny: Eu vou pegar um copo de água para ela. -dito isso ela saiu em direção a cozinha.
Ficamos tentando a acalmar, o que não foi fácil, afinal nunca foi fácil controlar essas crises de choro dela. Sunny voltou com a água, ela devia ter colocado um calmante nessa água, por que a baixinha ficou mais calma depois de algum tempo.
Alex: E então o que aconteceu? -disse entregando um lenço para a garota que aceitou e secou as lagrimas.
Ana: p..Pesa.. delo.. -disse controlando os soluços, a puxei e deitei a cabeça dela sobre meu peito enquanto lhe fazia cafuné.
Lia: pronto baixinha, já passo, foi só um sonho...
Ana: Não foi só um sonho... -disse saindo dos meus braços e encarando todas- estamos em perigo! Todos, ninguém vai escapar deles, o Tártaro vai soltar sua fúria sobre todos, se não agirmos rápido, tudo o que eu vi vai se realizar! -gritou enquanto voltava a chorar, todas ficamos a nos encarar, ela era a mais frágil e sensível entre todas, por isso sempre tinha os piores sonhos.
Alex: Vou mandar ligar para a Kaiy amanhã, depois do café, enquanto isso vamos voltar a dormir e tentar descansar, teremos muito o que fazer — ela olhou para mim e entendi o recado.
Lia: Eu fico aqui com a Ana -a baixinha olhou para mim e dei um sorriso de lado para ela.
Sunny: Bem, vou mandar uma mensagem para o Isaac e para o Abel, o Abel vai ver quando chegar a terra novamente, agora dormir, além disso, temos que falar com o seu irmão Lia.
Lia: Okay. Vamos deitar agora!
Alex: Juízo vocês duas! -ambas saíram do quarto, me deixando sozinha com a baixinha.
Olhei para ela e vi que a mesma estava corada.
Lia: Não gostou de eu ficar? -perguntei fazendo bico e ela balançou a cabeça e os braços freneticamente.
Ana: N... n.a....Na...Não é isso... L..Lia-chan!! -disse completamente corada- é..é que...
Suspirei baixinho e a puxei depositando um selinho em seus lábios. Vi seu rosto ficar mais vermelho, se é que isso é possível.
Lia: Vamos dormir.
Deitei-me na cama de casal dela, esperando ela deitar, o que ela fez mas ficando um pouco longe então eu a trouxe para mais perto, a aconchegando em meus braços deitando de conchinha e assim adormecemos, dormindo tranquilamente o resto da noite.
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Newton
Acordei do repentino sonho que tive, Abel tendo seu corpo atravessado por uma katana negra, que era empunhada por sua avó. Um enorme calafrio percorreu meu corpo, algo nada bom iria acontecer, tinha certeza disso, me sentei na cama de solteiro e observei meu quarto. Todo pintado de amarelo forte, com a mobília em uma cor única, branco.
Suspirei pesadamente e sai da cama calçando minhas pantufas, estava usando um pijama, calça e camisa na cor rosa bebê.
Andei pelo local frio, quase voltando a minha cama, mas eu não iria conseguir dormir novamente e se tentasse aquela mesma cena voltaria a minha mente diversas vezes. Quando dei por mim já havia chegado a cozinha, abri a geladeira e peguei um copo de água, me servindo da mesma, até que ouço a voz às minhas costas.
Tristan: Teve pesadelos também? -perguntou de trás do balcão, apenas assenti com a cabeça.
Ele usava apenas uma box azul escura, como sempre, mas eu não me acostumava. O que me fez quase engasgar quando ele saiu de trás do balcão e veio em minha direção.
Newton: Quer água também? -perguntei um pouco nervoso enquanto tentava prestar atenção em qualquer coisa menos nele.
Tristan: Eu quero outra coisa... -disse vindo em minha direção e de repente me vi prensado contra a pia.
Newton: T..tis... Par...para... -disse tentando afasta-lo, o que não mudou em nada ele era bem mais forte, além de ser um pouco mais alto também.
Tristan: New, por que você sempre foge de mim? Não gosta de mim? -perguntou bem próximo do meu ouvido, o que me fez estremecer.
Newton: Na.. Não é isso... Tristan, é que... Eu não quero, me machucar mais... -disse a ultima frase em um sussurro quase inaudível, mas o moreno o ouviu muito bem, devido ao fato de estar tão próximo de mim.
Ele me abraçou, com força e carinho, enquanto afagava meus cabelos, ele descançou sua cabeça na curva de meu pescoço, com sua boca próxima ao meu ouvido.
Tristan: Nunca que eu irei lhe machucar, irei estar sempre aqui para te proteger de tudo que possa lhe fazer mal, só quero o seu bem -disse com a voz rouca e sensual, meu corpo extremeceu, os pelos de meus braços se eriçaram, senti uma vontade enorme de chorar.
Ele sempre esteve ao meu lado, desde o momento em que nos conhecemos, ele foi meu melhor amigo, aquele que me dava colo sempre que precisei, que brigava no meu lugar, que desistiu da vida mansa que levava para ser mais justo e se dedicar a cuidar de mim. Eu nunca entendi o por que dele desistir de tudo o que tinha antes, para recomeçar do zero comigo. Abel foi quem nos apresentou, Tristan agiu de forma estranha no início, falava enrolado, além de gaguejar algumas vezes, ele ficava corado, cheguei a pensar que ele estava doente, mas sempre olhava para Abel, ele parecia se segurar para não rir. Ai ele nos mandou para cá, juntos. Nos apresentou as meninas que atualmente moram na França com a tia de Abel, Alex.
Tristan: Vem. Vou te acompanhar até o quarto... -disse baixinho, pegou na minha mão e me guiou pro quarto, eu não queria dormir, o sonho ainda me agitava, quando dei por mim, já estava sendo deitado na cama e o moreno me cobriu, fiquei o olhando, não queria ficar sozinho e queria que ele ficasse ao meu lado, quando ele se virou, meus reflexos foram rápidos, segurei seu pulso e ele logo se virou para mim- O que foi?
Newton:B..bem... -engoli em seco, respirei fundo- deita comigo? até eu dormi pelo menos... -pedi com o rosto completamente corado.
Ele nada disse, apenas se deitou ao meu lado, me acomodou em seus braços, deitando minha cabeça em seu peito nu, senti meu rosto esquentar, mas não reclamei, ele ficou me acariciando, até que finalmente peguei no sono.
Tive uma noite sem sonhos, fiquei inebriado pelo perfume dele, que me fazia ficar calmo, será que era algum poder dele que eu desconhecia?
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