Kage no Õji
4 Capitulo 4 - Minha consciência me dá lições de moral... ou seria de amor?
Notas iniciais
P.O.V. Nico
Me senti melhor depois de falar com Hazel, ela parecia ter ficabo bem abalada com a minha partida, sabia que ia mas, não imaginei que seria tanto. Sai do "meu quarto" e fui até a cozinha, eu já tinha terminado de limpar os quartos mas Abel foi exigente quando falou que o quarto dele ele arruma, o que me deixou curioso, fiquei me perguntando como seria o quarto dele. Chegando na cozinha vejo uma cena que me faz sair de meus devaneios.
Um Abel sem camisa e que parecia irritado, fiquei o fitando, mas logo parei e encarei a camisa que estava dentro da pia.
Nico: o que houve? — me aproximo um pouco mais.
Abel: eu sai de perto do fogo por alguns minutos para fazer uma coisa, quando volto a comida estava quase queimando, fiquei perto demais do fogo e a minha camisa FAVORITA acabou pagando pela minha falta de atenção — disse irritado, suspirou logo depois e me olhou com um sorriso — pelo menos a comida não queimou. E então, falou com a sua irmã? Você demorou bastante.
Nico: sim, falei — fiquei olhando para qualquer lado, mas nunca para ele, tinha que admitir, ele tem um corpo escultural natural, só um pouco mais musculoso que Percy, me repreendi por lembrar dele, afinal é para eu tentar esquece-lo — queimo você?
Abel: Não — fez careta — consegui tira a tempo.
Nico: mas o que você foi fazer que levou tempo o suficiente para quase queimar a comida? — olhei ele intrigado .
Abel: Fui no meu quarto — disse ele, indo em direção a mesa a arrumando.
Pera, ele foi pro quarto dele? Será que ele ouviu o que eu disse a Hazel? Será que ele ouviu sobre eu ter tido uma queda por Percy?
Abel: Eu ia te chamar mas ouvi você e sua irmã conversando e decidi descer, quando estou no fim da escada, corro pra cozinha pra salvar a comida — fez uma careta de novo — e então vamos comer? Depois eu arrumo meu quarto, ai vou ter que ir na escola pegar meu uniforme novo.
Nico: Escola?
Abel: Que foi? Nunca ouviu falar? — percebi um certo tãode irônia e diverção ou é só impressão?
Nico: Já sim, embora eu só tenha ido a uma a algum tempo atrás...
Abel: hum... quer que eu te matricule na minha?
Nico: Não. Obrigado. — Não to muito afim de voltar para uma escola, ele deu de ombros e terminou de arrumar a mesa.
Eu fico me perguntando se ele fez aula de culinária ou se, já se acostumou pelo fato de viver sozinho. Comemos em silêncio, por mais que eu esteja preocupado com o fato de saber se ele ouviu a minha conversa com a Haz, por que pelo o que eu me lembro geralmente não é fácil queimar os legumes cozidos, que foi o que ele deixou queimar praticamente, tínhamos Hambúrguer, arroz, suco de cereja, ele disse que fez uma torta de chocolate para a sobremesa.
Depois do almoço, deitei um pouco no sofá e voltei a ler aquele livro que estava lendo pela manhã, Abel subiu para arrumar o quarto dele, descidi entrar lá mais tarde depois que ele sair, não sei por que, mas a curiosidade estava me corroendo.
Depois de quase uma hora, comecei a passar aspirador de pó no andar de baixo, não demorei muito até para limpar, a casa em si já era praticamente limpa. Depois de mais alguns minutos Abel desceu.
Abel: Vou sair Nico, vou tentar não demorar, e se der na volta eu trago pizza para a gente — disse ele indo até a porta e calçando seu sapato e saindo.
Fiquei arrumando a cozinha, que eu tinha deixado para depois, e subi depois de alguns minutos, a porta do quarto estava trancada, fui até o meu e entrei na sombra na parede e segundos depois estava no quarto dele, fui até o interruptor da luz e liguei, fiquei fitando o quarto dele, ri olhando aquilo tudo, ele tinha vídeo-games de ultima geração, computador com tela enorme, um armário apenas com espadas, uma estante só de jogos, outra só de livros, a cama era de casal, e tudo era arrumado, tinha pelúcias de Pokémons e quando olhei no guarda-roupas, fantasias, quer dizer, roupas de personagens de animes, não surpreendi muito, decidi não mexer em nada, fechei o guarda-roupa, desliguei a luz e sai do quarto da mesma forma que entrei.
Voltei a sala e pela enorme janela, vi que estava para começar a chover, virei uma poltrona para a janela e fiquei sentado olhando o lado de fora, não demorou muito e começou a chover, e não foi fraca, foi uma chuva forte. Fiquei a olhando a tarde toda. Quando deu quatro da tarde, fui até uma estante com filmes e procurei um de terror, coloquei no DVD e fiquei assistindo, com a chuva ficando mais intensa lá fora.
Quando já estava escuro comecei a ficar preocupado, a chuva tinha diminuído para uma garoa mas ainda trovoava, fiquei imaginando que talvez ele apenas estivesse esperando a chuva passar, ou diminuir para ele vir embora. Subi pro banheiro e peguei uma toalha deixando pendurada perto da porta.
Liguei a luz da sala que eu tinha feito questão de deixar desligada para dar mais impacto ao filme, mas não mudou muita coisa, afinal já vi coisas mais assustadoras do que um zumbi comendo tripas de uma criança. Eu já estive no Tártaro, SOZINHO, sem ninguém ao meu lado para me dar apoio, o que eu vi naquele lugar ninguém viu, ou melhor, dois já viram, Annabeth e Percy também estiveram no Tártaro, mas a diferença é que EU não tinha NINGUÉM comigo. Já ELES tiveram UM AO OUTRO, dividiram a dor, tiveram mais sorte do que eu, pois apenas eu sei o que passei lá, sozinho, eles não sabem, ninguém sabe, ninguém me intende.
????: NICO!!!
Sinto dois braços molhados,passarem a minha volta e me apertarem com força, não tinha percebido, mas a aura de morte estava me rondando, estava deixando a raiva me consumir, olhei para o lado, Abel estava pálido e parecia fraco, estava todo molhado também. Ele colocou a vida em risco apenas para me fazer parar, estava tão inconsciente dentro de meus pensamentos e da minha raiva que nem ouvi ele chegar.
Abel: Está tudo bem, você não está mais sozinho Nico — ele afrouxou o abraço e olhou para mim sorrindo, a minha aura tinha afetado ele, mas ele não queria mostrar isso eu pude perceber.
Nico: Abel... O que você pensa que estava fazendo? Podia ter morrido, tem sorte de ter ficado apenas fraco!! -deixei minha raiva falar mais alto mas tudo o que ele fez foi sorrir um pouco bobo como se não tivesse entendido.
Abel: Não importa o que aconteça, não vou te deixar sozinho, afinal você já ficou sozinho tempo demais, por isso não vou deixa-lo partir e se isolar Nico, espero que intenda que pode contar comigo para o que precisar, não como um irmão mais velho mas sim, como um amigo — do que ele ta falando? Tudo o que eu quero é não ter que machucar ninguém.
Será que você está fazendo por que não quer se machucar? ... Você tem medo de se machucar e por isso tentar não dar espaço para seus sentimentos, você é fraco, por isso não quer intender que para começar tudo de novo, você tem que deixar de ser tão fechado e se abrir mais com os outros.
Não, não é isso, saia da minha cabeça. Eu não preciso de ninguém.
Vai continuar fugindo até quando? Se deixe ser amado Nico, isso é o que ele quer.
Não é não, ele só esta sendo gentil, ele não sabe... Saberia se você falasse com ele, tente se abrir com ele, pode ter certeza de que ele não vai lhe abandonar, não importa o que aconteça. Apenas confie nele. Eu já confiei em alguém uma vez e ele quebrou minha confiança deixando que Bianca morresse.
Abel: Nico? Está tudo bem? — Acordei de meus pensamentos e olhei para ele, sua pele tinha voltado a tonalidade normal, bem, pelo menos um pouco, ele ainda parecia pálido, estava com um olhar preocupado no rosto.
Nico: Por que?
Abel: O que?
Nico: Por que me disse aquelas coisas, nos conhecemos ontem basicamente.
Abel: Posso ter te visto ontem, mas senti que o conhecia a algum tempo e senti que devia te ajudar, não sei em que, mas senti que devia lhe proteger e cuidar de você — ele está ficando corado, ou é impressão minha? — Quero que saiba que sempre pode contar comigo, para desabafar, desde que se sita bem, podemos duelar se você quiser extravasar um pouco dessa raiva que está dentro de você.
Nico: Você é maluco... — ta bom, sinto que posso confiar nele, mas ainda não sei, não tenho certeza.
Abel: Só mais uma coisa.
Nico: o que?
Abel: O que achou do meu quarto? — um sorriso de canto surgiu na boca dele, senti um choque elétrico percorrer minha coluna, como ele sabe que entrei lá?
Nico: Não sei do que estava falando, não entrei no seu quarto e mesmo que quisesse você mantem aporta trancada...
Abel: Filhos de Hades podem viajar nas sombras — ele se aproximou mais de mim, olhando bem fundo nos meus olhos, como se estivesse vendo minha alma, e aqueles olhos diferentes não ajudavam muito.
Nico: Não vi por que fazer alvoroço por causa dele, eu queria ter um quarto igual... — disse desviando o olhar dos olhos dele, ele riu baixinho e se levantou.
Abel: eu vou tomar um banho quente, eu não pude comprar a pizza, mas, trouxe tudo necessário para fazer, então depois fazemos uma nós dois, que tal? — disse pegando a toalha e colocando no ombro enquanto abria os botões da camisa.
Nico: p..pode ser — por que eu to gaguejando?
Abel: ótimo, você pode tirar as coisas das sacolas? — olhei as sacolas sem muito entusiasmo e lembrei que tinha que tomar banho ainda — ou prefere tomar banho comigo?
Nico: ham?! — olhei para ele pasmo e ele começou a rir. MALDITOO. Senti meu rosto esquentar, mas espero que não tenha ficado muito visível, o que com a minha pele é pouco provável que não tenha — Bakaa!!
Ele ficou gargalhando até entrar no banheiro, bufei e fui até as sacolas, tirei as coisas e guardei tudo, peguei a sacola com o uniforme dele, a calça em um tom verde musgo, a camisa branca com o emblema da escola, uma gravata xadrez preta, verde musgo e um tom de verde lima, um paletó no mesmo tom da calça. Ele estudava numa escola para ricos? Não me surpreenderia nada se realmente estudasse em uma escola assim, tinha o uniforme de educação física, que era uma calça larga preta e uma camisa regata verde musgo com o emblema da escola nela.
Depois de arrumar e guardar tudo, deitei no sofá e fiquei olhando o teto por algum tempo, ouvi a porta do quarto sendo aberta e vi ele descendo com uma toalha pequena na cabeça, secando o cabelo. Estava usando uma calça moletom em tom Vermelho e uma camisa de manga curta verde (combino tudo hem).
Abel: e então vamos fazer a pizza?
Nico: Claro — me levantei e fui pro balcão da cozinha — Abel, tem alguma loja de pelúcias aqui perto?
Abel: tem uma atravessando a rua, por que? — disse pegando a massa pronta e os ingredientes para colocar na pizza.
Nico: Queria comprar um para a minha irmã Hazel, me senti ruim em deixar ela e queria mandar uma pelúcia, como forma de desculpa.
Abel: Está bem, mas você vai mandar via Hermes?
Nico:... Acho que sim. — olhei ele passando o molho na massa, peguei o queijo e o presunto e joguei por cima.
Abel: Vou com você lá amanhã pode ser? Mas, Você tem dinheiro?
Nico: meu pai me deu dinheiro, eu tinha decidido alugar um apartamento pequeno... Mas como estou aqui e não gastei nada ainda... — ele riu baixinho.
Abel: Se quiser posso cobrar aluguel, mas como já to cobrando com a forma de você ajudar na casa, né... — ele deu de ombros.
Nico: me sinto um empregado — falei refletindo.
Abel: como eu disse se você quiser, pode trocar.
Nico: Não, tudo bem, está bom assim. — ele sorriu, colocamos tomate, calabresa e orégano, uma pizza comum, nada diferente, tirando pelo falo de eu ter feito uma mini-pizza de chocolate e depois de pronta ter colocado Nuttela por cima ainda.
Para mim ficou bom, ele disse que era diferente mas que gostou. Ele me contou que ficou preso dentro de uma loja de conveniência, e que pro azar dele encontrou um "amigo" que ele disse que tem sido insuportável, depois de certos acontecimentos que ele não me falou. Ficamos vendo filmes de aventura, pois descobri que ele não gostava de filme de terror, por que ficava tendo pesadelos, por que uma vezes ele viu um monstro comendo um garotinho e essa cena mexeu com ele e por isso nunca mais quis saber de filmes de terror, me lembrei do filme de zumbi que estava assistindo antes dele chegar.
Quando fomos dormir, demorei a pegar no sono e quando aconteceu, sonhei com aquele lugar horrível, o Tartáro, quando era de madrugada acordei gritando, Abel veio no meu quarto e dormiu comigo, por alguma razão não tive pesadelos, mas sonhei com o passeio ao palácio de Diocleciano, quando eu era um garotinho ainda, com minha mãe e Bianca junto, mas nisso Cupido/Eros apareceu, mas ele não fez nada apenas sorriu e depois o cenário mudou, estava em um jardim com Abel do meu lado e estávamos olhando o céu.
O que esse sonho quer dizer?
Fale com o autor