Eu estou em cima de um prédio com uma linda vista, eu posso ver quase toda cidade. Mas eu estou sozinha. É muito estranho, eu quase nunca fico sozinha. Pensando bem, toda vez que eu tento ficar sozinha alguém chega e eu acabo esquecendo...

Passos. Eu estou ouvindo passos, e estão se aproximando. Girei procurando ao redor, mas não tem nada nem ninguém, apenas vazio. Os passos se aproximam mais até que eles param, eu simplesmente fico apavorada, sempre me assusto com muita facilidade, mas eu não demonstro.

“O que você faz aqui numa noite como está?” eu me viro assustada e encaro o dono dessa voz.

“Ei, você me assustou” eu digo um pouco sem ar. Se ele não fosse... Lindo... Com certeza estaria xingando.

Como alguém pode ser tão lindo como ele? Ele tem cabelos curtos, no tom de castanho claro com uma franja descendo um pouco, quase tampando seu olho esquerdo, que o deixa com um ar muito sexy. Seus olhos são de tom claro, mas eu não consigo enxergar a cor, está muito escuro. Sua pele refletindo com um pouco de luz de tão branca que ela é.

“Como você apareceu aqui do nada?” quando percebo o que havia acabado de perguntar, fico com medo.

Eu havia acabado de observar todo o local e não tem ninguém lá. Ele é bonito e tudo mais, mas ainda é um estranho. Quando dei por mim ele vinha na minha direção como se fosse me beijar, mas ao invés disso ele vem no meu pescoço...

***

Acordo assustada.

Desde o primeiro dia, que eu vim morar com o meu pai, eu estou tendo aquele pesadelo. Sempre o mesmo sonho. Nunca contei para o Steve, isso é estranho demais.

Levanto e vi que eram 04h30min da manhã, e eu não estou com a menor vontade de voltar para cama. Visto um casaco por cima do pijama, e saio. Foi difícil sair sem fazer barulho o meu quarto fica no segundo andar e essa sim pode se considero uma grande mansão. Tem uma floresta que ficava ali perto, estava muito cedo e aqui em Glemt o sol não aparecia á essa hora, ele sempre vinha depois das oito.

Nunca sou muito medrosa, mas depois daquele pesadelo. Ainda mais naquela floresta assustadora, seu nome é um tanto estranho Skov Nat. Meu pai disse que significa Floresta da Noite. Isso definitivamente assustava.

Por mais que eu estou andando dentro da floresta eu não consego me concentrar no caminho. Aquele garoto do meu sonho não sai da minha cabeça, ele é misterioso e me dava medo. Mas ele parecia muito real mais real que pessoas da minha antiga cidade. Cidade de Lille é muito pequena, eu tinha umas lembranças muito vagas dos meus amigos de lá. A única pessoa que eu lembro com clareza é a minha avó Lyz. Eu não lembro quase nada de quando estava só, eu sempre estava com ela.

“O que faz sozinha em um lugar como esse?”

Alguém aparece na minha frente me fazendo dar alguns passos para trás. É um homem bonito com cabelos longos, e um olhar assustador. Ele me olha com um sorriso arrepiante. Eu o olhei e fiz a primeira coisa que minha mente mandou... Corri.

Mas tudo está contra mim, ele é incrivelmente rápido – eu sempre ganhava na velocidade de todos meus colegas –, e me ultrapassa facilmente. Faço o possível pra desviar, mas é inútil. Ele me agarra com força e me puxou para trás fazendo com que eu caía. Sento minha cabeça ficando molhada, toco e vejo que é sangue. Tudo começa a ficar escuro e eu apago.

O despertador toca me fazendo acordar. Levanto e vejo que estou no meu quarto. Minha cabeça não está mais sangrando e não tem nenhum sinal, é como se tivesse sido um sonho. Troco de roupa. Olho no espelho e lá estou eu com uma pele clara, olhos azuis, e cabelos extremamente pretos. Eu estou de regata branca com um casaco por cima e uma jeans confortável. Nunca pensei que fosse a mais bonita de todas, mas eu me acho atraente.

Sacudo minha cabeça e desço para tomar café da manhã. Meu pai sempre come comigo, toda manhã ele está lá. E jantamos juntos também. Falo “bom dia” para ele, e como o mais rápido possível.

Eu estou me sentindo confusa não sei o que fazer, só quero limpar minha mente e sair dali e ir pra qualquer outro lugar. Eu sei que aquilo não foi um sonho, não tem como não ser real.

Hoje vai ser meu primeiro dia de aula no Colégio Henry Oaky Blair. Chego lá vou para coordenação e pergunto onde é minha sala, e elas me passam o horário. Foi muito difícil achar a sala, aquele colégio é enorme e tudo é novidade. Tem seu lado positivo, o colégio não está muito cheio. Sento-me o mais no fundo, para não parecer uma intrometida.

Pouco a pouco os alunos vão chegando. E um garoto lindo também que se senta na cadeira a fileira ao meu lado. Ele é o garoto que eu sonhei todas essas semanas. Então ele existe? Isso realmente me assustou um pouco. No meu sonho ele sempre me atacava e eu acordava, e, ele tinha presas. Parte de mim diz que eu devo conhecê-lo, mas parte diz que é perigoso.

A aula vai passando e eu mal presto atenção, eu olho pra ele o tempo todo – mas claro disfarçadamente –, e às vezes nossos olhares se cruzam e eu o encaro por segundos. O professor até chama minha atenção algumas vezes, nem liguei. No outro colégio eu era encrenqueira e brigava por qualquer coisa, minha avó vivia indo lá. Mas eu prometi que vou mudar – pelo menos tentar.

O sino bateu. Eu guardo meus materiais e sego em direção à porta, mas, um garoto loiro com olhos escuro, realmente bonito para na porta me barrando. Eu pensei em dizer algo, mas ele foi mais rápido...

“Oi, meu nome é Nicolas Bredown. Prazer em conhecê-la, e pode me chamar de Nick.” ele estende a mão para que eu pegue.

“Olá, eu sou Pandora Khrats. Prazer.” eu digo estendendo a minha mão e pegando a dele.

Quando eu solto a mão dele eu dou uma rápida olhada para trás, mas o garoto não estava lá.