Notas iniciais
Sem imaginar, Rin desencadeia uma série de eventos que levarão à captura dos culpados por tudo que ela tem passado!!

Depois que fomos ao banheiro para Lily me mostrar como ficou o meu cabelo fui direto para aula. Piko estava lá mas não falou comigo. Fiquei um pouco magoada. Depois , durante o intervalo da manhã, a presidente do Conselho Estudantil Mayu usou o sistema de rádio da escola para veicular uma mensagem à todos os alunos:

– Bom dia a todos! Aqui quem vos fala é a presidente do Conselho Estudantil, Usano Mayu. Chegou ao conhecimento do Conselho casos recentes de bullying praticados contra uma aluna do primeiro ano. Inicialmente pensamos que deveríamos aguardar até que a escola se posicionasse e tomasse alguma atitude, mas dada a inércia do corpo docente o Conselho Estudantil tomou a frente para defender os interesses da aluna prejudicada. Bullying é a forma mais covarde de agressão e aquele que acoberta quem pratica o bullying é tão culpado e covarde quando quem vai e faz. NÓS DEFINITIVAMENTE VAMOS PEGAR ESTE OU ESTES RATOS COVARDES E QUANDO O FIZER EU MESMA VOU ME ENCARREGAR DO DESTINO DELES!

Nesse momento foi possível escutar um rapaz falando com Mayu enquanto ela gritava algumas barbaridades pelo sistema de rádio. Houve um barulho alto de algo caindo e então a transmissão se encerrou.

Olhei para as minhas unhas.

“Ela fez isso por mim”, pensei, e isso sinceramente me deixou mais animada. Mas é claro, minha animação ia acabar logo no intervalo e a minha dor ia se arrastar até em casa.

Já era de madrugada quando eu me esgueirei até o quarto do Len-nii.

– Desculpe, mas eu precisava te ver. – Sussurrei.

– Não importa. Vem aqui.

Len fez sinal para que eu me deitasse com ele.

– Sei que nós combinamos que não nos falaríamos mais na escola e que na medida do possível ficaríamos afastados lá, mas... – Eu comecei a falar e imediatamente as lágrimas começaram a correr.

– Mas?

Len gentilmente passou os dedos no meu rosto, limpando as minhas lágrimas.

– Porque você estava com a Aoki Lapis da minha turma??

– Hã??

– Eu vi vocês dois juntos na hora do intervalo. Eu sei que eu não tenho direito de controlar com quem você anda e o que você faz mas... Eu fiquei realmente com muito ciúme daquela garota. Mais do que isso, eu queria ser ela. Poder andar por aí com você, poder sorrir com você, poder conversar qualquer bobagem sem o risco de alguém me jogar alguma coisa...

– Rin, eu vou precisar que você aguente isso mais um pouco. Eu vou começar a andar sempre com a Aoki ou com qualquer outra garota que queira a minha companhia. Vou brincar com elas pela escola e fazê-las felizes. Acho que esse é o único jeito de proteger você. Perdoe-me. Mas... Em casa, eu serei só seu.

Então ele gentilmente segurou meu rosto com suas mãos, aproximou-se de mim e me beijou, longa e ternamente.

Mas Len... Eu estou me descobrindo uma garota terrível. Eu não me importo se é para me proteger ou o que for. Não me interessa se você vai andar com outras garotas para que eu fique a salvo. Eu quero você pra mim. Não quero que mais ninguém toque em você. Quero que você seja só meu e de mais ninguém.

– Eu te amo, sua tonta. – Len sorriu gentilmente. – Agora, vá para o seu quarto. Já está tarde e você vai acabar com sono na aula amanhã.

– Boa noite...

– Boa noite. – Ele me beijou de novo e eu fui para o meu quarto.

Dormi um sono inquieto, acordando de vez em quando,mudando de posição e tentando voltar a dormir. Mal sabia eu que, dali para frente, todas as minhas noites seriam assim.

A semana terminou e começou de novo. A cada dia que passava eu ficava mais próxima da Lily, Mayu e Kamui-senpai (por algum motivo não consigo chamá-lo só pelo nome).

Mas com a Lily era diferente. Ela sempre estava interessada no que eu estava fazendo e se preocupava com a distancia que Len e eu estávamos impondo um ao outro. Ela não sabia do nosso relacionamento, claro, mas constantemente me perguntava se o Len estava bem, se as coisas em casa estavam tranquilas. Lily é como uma irmã mais velha para mim e cada vez mais eu gosto de passar o tempo com ela, apesar de sentir falta do Len.

Quanto mais tempo eu passava longe do Len, mais eu descobria sobre mim mesma. Mas era um lado em mim que eu nãoi gostava. Egoísta, ciumenta, explosiva... E isso ficou bem claro naquela tarde quando tudo na minha vida começou a mudar e as mascaras começaram a cair.

Acho que era uma terça, então já faziam 5 dias que Len e Aoki estavam andando juntos. As coisas tinham melhorado para mim. Desde ontem que não tinha nada nos meus sapatos ou nos meus livros, ninguém tinha colocado lixo na minha mesa, ninguém tinha jogado coisas em mim de janelas mais altas e ninguém tinha molhado meus livros. Na verdade, desde que nós dois nos afastamos essas coisas vinham acontecendo cada vez com menos frequência... Kamui-senpai e eu andávamos pelo corredor, conversando algumas trivialidades. Na verdade, ele me perguntava e eu respondia. Tínhamos um gosto comum para muitas coisas, apesar dele preferir comer coisas salgadas e eu gostar mais de doces.

Foi quando Len apareceu correndo no corredor. Ele pareceu querer dizer alguma coisa mas ao perceber que eu estava com Kamui-senpai, endureceu o tom e perguntou acusador:

– O que você está fazendo com ele?

– O que?

– Quero saber o que você está fazendo com o Kamui Gakupo!

– Não é da sua conta!

– Rin-chan... – Kamui-senpai começou, mas Len interferiu.

– Nem tente se meter, isso é entre mim e ela!!

– Agora chega! Você foi longe demais! Eu não vou aceitar que você seja mal educado com um amigo meu, muito menos que me cobre explicações sobre com quem eu ando ou deixo de andar. Volta lá para a sua amiguinha e nos deixe em paz!

– ÓTIMO!

Len e eu estávamos aos gritos. Ele simplesmente se virou e foi embora. Eu me limitei a cair de joelhos e começar a chorar.

Kamui-senpai se aproximou e me abraçou, pressionando meu rosto contra seu peito.

– Me desculpe pelo que eu vou fazer agora, Rin-chan...

Eu nem tive forças para reclamar com ele. Gakupo me tomou nos braços e me carregou para um lugar onde não tivesse ninguém. A discussão que eu tinha tido aos gritos com Len chamou a atenção de muitas pessoas e conforme as pessoas passavam, paravam para ver o que estava acontecendo.

Quando dei por mim já estava em um lugar isolado. Gakupo me segurava no colo, sentado em algum lugar, e eu chorava copiosamente em seu peito.

Não era um choro só de tristeza, era um choro de raiva. Eu tinha acabado de ser horrível com a pessoa mais importante para mim e todo mundo. Claro que Len tinha sido detestável na forma como tratou o Kamui-senpai, mas a raiva que eu senti quando disse aquelas ultimas palavras “Volta lá para a sua amiguinha e nos deixe em paz!”... Aquilo foi completamente desnecessário. Ao proferi-lo eu senti tanta raiva, quase como se veneno escorresse pela minha boca. Eu falei aquilo com a única intenção de ferir o Len. Eu só disse o que disse com a única intenção de machucá-lo. Foi de propósito e lá no fundo da minha mente eu sabia que tinha escolhido as palavras que mais o magoariam.

E era isso que estava me corroendo por dentro. Eu tinha direcionado toda a minha frustração por não poder estar com o Len para ele mesmo, como se ele tivesse alguma culpa.

Mas agora eu não quero pensar nisso. Quero apenas deixar que toda essa mágoa escorra pelos meus olhos junto com as lágrimas enquanto Gakupo me assiste em silêncio.

Notas finais
Ufa! Ficou curtinho mas é que eu quero revelar logo as culpadas!! Hoje de noite estreia a série de extras que eu vou lançar de Kagamine Twins. A leitura não é obrigatória para entender a história aqui!! Vejo vocês na semana que vem!