Notas iniciais
Primeiramente eu gostaria de me desculpar pela demora. Nada justifica... Mas eu espero que vocês compreendam. Eu não gostaria de escrever esse capítulo de qualquer jeito. Vocês merecem o melhor! Boa leitura, espero que gostem.

Aquelas palavras fizeram com que a noite passasse em um segundo. Ali, deitado, eu só conseguia ouvir a voz dela ecoando em minha cabeça e repetindo a sua inesperada declaração. Mas o quanto aquilo era o que eu esperava? E se ela quisesse dizer que amava como irmã? E se... E se... E se... Essas questões ficaram pairando no ar e na minha mente mil e uma respostas se formaram. Algumas favoráveis, outras não. E assim a noite se foi enquanto eu fritava na cama.

No outro dia levantei antes dela e fui arranjar algo para comer, afinal meu estômago não parava de roncar. Resolvi colocar meu lado gourmet para fora e preparei panquecas para gente comer. Tá, não é o café da manhã mais chique do mundo, mas na TV eles sempre comem panquecas, torradas, bacon e suco de laranja então é isso que vou servir pra Rin (menos o bacon porque pode ser forte demais pra ela).

Infelizmente antes que eu pudesse levar o café na cama, ela desceu. Me deu bom dia, sentou na mesa e não tirou os olhos do prato enquanto comia. Nem preciso dizer que isso me deixou preocupado.

O resto dos dias que nos restavam sozinhos eu mal vi a Rin. Só nas horas das refeições mesmo. Fora isso ela passava trancada no quarto. Maldita. Minha vontade é arrombar aquela porta estúpida e gritar “VOCÊ TÁ DE GOZAÇÃO COM A MINHA CARA?”, mas é obvio que eu não faço isso. Na verdade eu já imagino o que isso seja. Ela deve ter se arrependido do que me disse. Mas Rin, eu tinha ficado muito feliz com a sua declaração...

Para não surtar e começar a chamar minha bola de Wilson pedi ao Kaito que viesse me ver. E, claro, contei pra ele o meu rosário de reclamações. Sério, esse Kaito ainda vai cursar psicologia por minha causa...

– Você está com medo de estar projetando o que sente por ela...

Kaito estava sentado no chão do quarto, comendo um biscoito.

– Projetando? – Perguntei. – É tipo um retro-projetor?

– Mais ou menos isso. Você gosta da Rin, mas está inseguro por causa disso. Na realidade o fato dela estar trancada no quarto pode não ter nada a ver com você. Essa pode até ser uma desculpa para você pensar que ela está pensando em você tanto quanto você pensa nela. Como você não está mito seguro dos seus sentimentos quer pensar que ela também está... Pode ser que ela esteja trancada no quarto por qualquer motivo...

– MAS QUE MERDA DE OUTRO MOTIVO PODERIA SER? ESTAMOS SÓ EU E ELA NESSA CASA E ELA RESOLVE SE TRANCAR NA BOSTA DO QUARTO. ELA ACHA QUE EU VOU FAZER O QUE? ESTUPRAR ELA?

– Duas coisas: Primeiro, eu não acho que você ia querer que sua primeira vez fosse proveniente de um estupro. E Segundo... Acho que você "gritou alto demais"

– Ah, me deixa vai. – Eu disse, encabulado por minha explosão.

Pouco depois ouvimos batidas fracas na porta.

“Merda”- pensei – “Ela ouviu.”

Kaito abriu a porta e eu tive uma visão encantadora, apesar do fato de ela estar com lágrimas nos cantos dos olhos.

Rin estava parada na frente da porta, segurando a barra de um vestido branco curto (curto demais para os olhos do Kaito, aliás...) olhando para seus pés descalços e com os longos cabelos loiros soltos. Sua face estava levemente vermelha e ela parecia nervosa e desconfortável.

– Ahn... – Ela começou.

– Desculpe. – Me apressei em dizer.

– Não, eu que me desculpo! Desculpe mesmo, Len-nii... Mas é que eu realmente não posso dizer o que está acontecendo. Por favor... Só me dê um pouco mais de tempo...

– Você não precisa se preocupar... Tem o tempo que quiser. Eu vou estar esperando.– E eu sorri.

A Rin levantou a cabeça, sorriu para mim e voltou correndo para o quarto dela.

– Nossa, acho que me apaixonei por você agora, Len. – Disse o Kaito depois de fechar a porta, com uma mão no rosto e uma expressão debochada . – “Eu vou estar te esperando”, é?

– Me deixa! – Disse, sentindo o rosto em chamas enquanto jogava um travesseiro nele.

– Pelo menos sua pequena amada veio te dar alguma satisfação. Isso deve ter aquietado as minhocas da sua cabeça.

– É, você tem razão. Aliás, Kaito... Obrigado por ter vindo.

– Len, você é meu amigo e amigo é para essas coisas mesmo.

Mais do que qualquer outra coisa agora eu estava mesmo precisando do meu amigo para conversar/xingar/brigar/etc. Alguns dias depois nossos pais chegaram de viagem. Contaram que a viagem tinha sido ótima, era tudo maravilhoso, blábláblá “Cadê a Rin?”

– Está no quarto, mas nem faço idéia o motivo.

Meus pais se olharam e sorriram como se soubessem de algo. Senti meu coração gelar. Será que tinha escutas na casa e eles sabiam de tudo que estava acontecendo? Ajudei-os a levar as malas para o quarto, sondando para ver se sabiam alguma coisa.

Mas (como sempre que eu tentava conseguir alguma informação com meus pais, aliás) não consegui nada. E aí a minha curiosidade quase teve um troço. Nos meus últimos dias de férias meus pais, quando não estavam trabalhando, ficavam entrando e saindo do quarto da Rin. Eu estava prestes a arrancar os cabelos.

Mas o pior mesmo estava por vir. Dois dias antes do inicio das aulas, Rin saiu com nossos pais. Ninguém me disse pra onde iam, quando voltavam e ainda deixaram CLARO que eu não podia ir junto. Se sentir excluído é pouco... Eu estava me sentindo a própria Sadako, que ninguém quer por perto.

Na volta os malditos me trouxeram sorvete mas é claro que eu não os perdoei só com isso. Tá, perdoei mas só um pouquinho...

Pouquíssimo tempo depois veio a correria desgraçada do começo do novo semestre e eu não tive cabeça para pensar na Rin. Para variar tinha acordado muito tarde e tive que correr se não quisesse chegar atrasado na escola. A única coisa que eu estranhei foi que meus pais não estavam em casa quando eu sai. Problemas no escritório ou de novo estão de segredinhos com a Rin, pensei.

Cheguei na maldita instituição de ensino EM CIMA DO LAÇO. Mas consegui. Tive alguma dificuldade de passar pelo corredor por causa de uma aglomeração de pessoas que estavam vendo alguma coisa, mas eu estava com tanta pressa que não parei para ver. E ainda bem que fiz isso!

No que eu me sentei na minha carteira o professor responsável entrou na sala.

– Um bom dia para os que não estavam aqui na hora da cerimônia de abertura. – Ele disse.

– Bom dia!! – Disse o Kaito da porta, chegando atrasado.

– Shion-kun, a cerimônia de abertura não é uma desculpa para se dormir mais e chegar mais tarde na escola.

– Desculpe Leon-sensei.

O professor passou os olhos pela classe enquanto Kaito se sentava no seu lugar e demorou um pouco mais seu olhar em mim. Coçou os olhos e murmurou alguma coisa. Logo ele estava virado para o quadro, passando matéria.

O primeiro dia de aula foi como sempre: Animado, cheio de atividades divertidas, professores bem humorados, colegas bacanas. Só que não.

As primeiras horas da manhã pareciam não passar nunca e isso já estava me deixando angustiado. Achei que essa abençoada hora do dia não chegaria nunca: Intervalo!

Notas finais
E aí, o que acharam? Espero sinceramente que o esforço tenha valido a pena e que vocês tenham gostado... Assim que possível eu coloco mais. Obrigado por me acompanharem e não desistam de mim o/