Notas iniciais
Agora na visão da Rin, o que aconteceu naquela tarde...

Quando acordei, na manhã do dia seguinte às compras, não encontrei ninguém. Len já havia ido para aula... Mas onde estavam Soichiro e Reina? Não estavam na cozinha e nem na sala... Teriam saído?

Alguns barulhos no andar de cima chamaram a minha atenção. A muito custo, me apoiando no corrimão e subindo um degrau de cada vez, fui averiguar o que estava acontecendo.

Encontrei meus pais no cômodo que viria a ser meu quarto. O chão estava coberto por jornais e ambos, Soichiro e Reina, estavam sujos de tinta branca.

Reina: Ah! Rin-chan!! Se afaste do quarto. O cheiro da tinta está forte e pode fazer você passar mal.

Soichiro: A Rin-chan já acordou? Que horas são? – Perguntou enquanto limpava as mãos em um pano.

Rin: Acho que... Já passa das dez... – Respondi olhando para baixo.

Reina: Nossa! Já é tudo isso? Acho que perdemos a noção do tempo...

Soichiro: Vamos descer e tomar o café.

Soichiro e Reina passaram no lavabo antes, para lavar as mãos. Depois fomos todos para a cozinha.

A exemplo de ontem Reina serviu-me um café da manhã mais leve. Em seguida, enquanto ela cuidava da louça, Soichiro foi comigo até o meu quarto provisório.

Conversamos um pouco antes dele sair e voltar com alguns livros para mim.

Soichiro: Não se esqueça de que é uma surpresa, ok? – Ele me sorriu e afagou meus cabelos.

Rin: Se depender de mim ninguém saberá de nada. — Disse sorrindo.

Ninguém... Como se o meu circulo social passasse de alguém daquela casa... Bem, aquilo ficaria só entre mim e ele. Durante o resto do dia, fora as refeições, passei lendo os livros que Soichiro me deu enquanto ele e Reina pintavam o quarto.

Não vi Len chegar em nenhum dos outros dias que se seguiram. Apesar de estar tentando, não conseguia ficar acordada tanto quanto os outros.

Sempre que ele chegava eu já estava dormindo por isso qual não foi a minha surpresa quando, naquela tarde, eu o encontrei. Eu estava sentada na sala, estudando, quando o barulho da porta e sua voz chamaram minha atenção.

Len: Oi Rin, estou em casa. O que está fazendo? – Ele me disse enquanto colocava os chinelos.

Justo no dia em que nossos pais voltaram a trabalhar e que eu ficaria sozinha em casa ele veio mais cedo. Destino?

Rin: Ah, estou... Hmm...Nada. – Fechei o livro que Soichiro me deu antes que ele visse o que era. – Seja bem-vindo de volta onii-san. – Sorri para ele. Tinha ficado bastante feliz que ele estava em casa comigo.

Len: Rin, você sabe que a mais velha é você, não sabe?

Rin: Sim, eu sei. – Respondi, sorrindo.

Len: Então porque o onii-san?

Rin: Você não se lembra?

Len: Do que?

Rin: Uma vez, quando éramos menores, você me disse que eu devia chamar você de onii-san porque você era mais forte do que eu. Sendo assim, você que me protegeria e eu estava livre do meu dever como irmã mais velha. – Eu me lembrava daquele dia perfeitamente.

Len: Eu... Falei algo tão embaraçoso assim é? – Notei que o rosto dele ficou levemente vermelho

Rin: Não lembra mesmo? – Tentei instigar sua memória.

Len: Desculpe, eu não lembro de muita coisa do hospital... – Ele olhou para baixo, como se sentisse culpado.

Rin: Ah... Que pena... – Olhei para baixo também.

Len: Ahn... Você quer ver um filme? Eu tenho alguns no meu quarto, pode ser que você goste. – Ele se aproximou sorrindo. Tudo bem, mesmo que ele não se lembrasse eu me lembrava. E agora que estávamos juntos podíamos construir novas memórias juntos.

Rin: O que você tem em mente?

Len: Madagascar 3?

A sugestão me pareceu tão absurda que eu não tive como segurar o riso. Espero que ele não tenha se ofendido.

Rin: Eu não vi nem o 1, como veria o 3? – Disse em meio ao riso

Len: Quer ver o 1, então? Podemos ver um por dia até chegar ao 3. – Ele sugeriu.

Rin: É de terror? – Perguntei um pouco receosa. Não sabia que tipo de coisas o Len que estava na minha frente gostava.

É mesmo... Era outro que se apresentava na minha frente. Não era o mesmo que vinha me visitar no hospital apesar de conservar sua gentileza e bondade. Era um Len agora já era homem e não mais um garoto. Um homem... Senti meu rosto esquentar um pouco.

Len: Sim. – Ele me disse. – É muito triste, tu fica em pânico quando eles se perdem na floresta.

Rin: Então não quero ver isso não... – Tenho um pequeno trauma com pessoas perdidas em florestas. Pensei logo nas histórias de terror que uma enfermeira me contou onde uma pessoa se perdia na floresta e era perseguida por um tal de Enderman, um homem de braços e pernas compridas e que não tinha olhos.

Len: Caaalma, no final acaba tudo bem. Então, vamos?

Rin: Hmm... Você garante que eu não vou me assustar?

Len: Garanto, garanto... Vou lá buscar o filme.

Enquanto ele ia buscar o tal filme aproveitei para ir ao meu quarto largar o livro. Retornei antes do Len. Que demora só para buscar um filme...

Len: O livro...- Ele disse assim que chegou na sala.

Rin: Eu fui guardar enquanto você foi pegar o filme. Não tinha motivo para ele continuar aqui.

Len: Quer comer pipoca ?

Rin: Hmm... Pode ser... Nossos pais demoram muito para voltar do trabalho?

Len: Eles costumam chegar de noite mas talvez cheguem ainda mais tarde. Devem ter uma pilha de serviço para fazer por causa das folgas...

Ah não... Por culpa do tempo que desperdiçaram comigo Reina e Soichiro tiveram que ficar mais tempo no trabalho... Senti meu coração apertado. Len pareceu perceber porque se aproximou de mim sorrindo.

Len: Olha... Eles folgaram sabendo do trabalho que teriam ao retornar. Nossos pais são bem responsáveis por isso não se sinta culpada. Eles sabiam o que estavam fazendo.

Sorri para ele. Len devia estar certo... Pelo menos é o que eu espero.

Ele foi para a cozinha aprontar as pipocas. Fui atrás para ajuda-lo, não era justo que ele fizesse tudo. Quando eu estava entrando na cozinha ele gritou para mim (deve ter pensado que eu ainda estava na sala...)

Len: Rin! Você quer pipoca de panela ou de micro-ondas?

Como eu estava quase ao lado dele não respondi Len acabou por me chamar de novo

Len: Rin!

Rin: De panela. – Já estando às costas dele respondi qual pipoca eu queria. Acho que o peguei desprevenido pois ele deu um ganido estranho e jogou o pacote de pipoca para cima.

Rin: Desculpe... – Juntei o pacote do chão e alcancei para ele.

Len: Não tem problema... O pacote estava fechado por sorte. Então... Vai ser de panela.

Pipocas dão sede, pensei comigo mesma, então peguei dos copos e coloquei gelos. O que Len poderia querer beber?

Rin: Você prefere suco ou refrigerante?

Len: Não prefere chá gelado?

Rin: Tem?

Len: Acho que tem um de jasmim fechado na geladeira.

Pop, pop, pop. A pipoca saltava dentro da panela e eu quase enfiada dentro da geladeira catando a tal garrafa de chá.

ACHEI A DANADA!!

Rin: Encontrei. Levar a garrafa para sala?

Len: Pode ser...

Peguei uma badeja e coloquei em cima dela os copos e a garrafa de chá. Len tinha acabado de fazer as pipocas e colocou-as em um pote para levarmos. Eu fiz menção de levantar a badeja mas Len, atrás de mim, pegou-a antes, fazendo com que minhas costas encostasse em seu peito.

Ba-tum.

Olhei para trás e Len me sorria.

Len: Pode deixar que o seu onii-san leva.

Passei por baixo de seus braços, olhando o chão. Sentia o rosto quente e o coração apertado.

Depois da pipoca pronta nos ajeitamos para ver o filme. Na verdade eu nem prestei muita atenção. Fui ficando sonolenta até cair deitada sobre o Len. O corpo dele era quentinho e confortável. Não me lembro muito mais depois disso. Não sei bem quando mas acordei com Len me levando para o meu quarto. Os braços dele eram quentes e confortáveis. Poderia ficar alí para sempre. Fechei os olhos de novo e me deixei carregar por ele.

Ele me levou para meu quarto, no segundo andar, e me deitou na cama. Podia senti-lo muito perto. Len...

O telefone tocou e Len foi atendê-lo. Assim que ele saiu do quarto abri os olhos, sentindo o peito doer e falta de ar. Sentei na cama e tentei me acalmar. Meu rosto estava quente e a cabeça girando. Será que as pipocas tinham feito mal?

Levantei e fui ao banheiro lavar o rosto. Na volta para o quarto cruzei com Len no corredor.

Len: Achei que ia ficar dormindo até mais tarde. Você ainda não consegue ficar acordada o dia todo, não é? – Ele me sorriu e eu sorri de volta.

Rin: Acho que sim... Mas eu vou me acostumar!

Len: Ah, a propósito, amanhã você quer ir comigo na casa do Kaito?

Rin: Aquele seu amigo que vem aqui sempre? Não vou incomodar vocês dois se eu for junto?

Len: Bem... Ele mesmo que te convidou. Se você não quiser ir eu...

Rin: Eu vou! Vou com você, amanhã. – Fiquei animada por poder ficar com o Len mesmo quando ele ia ver seus amigos.

Len se aproximou e acariciou meu cabelo.

Len: Então descanse bastante para amanhã. – Ele disse, sorrindo.

Rin: Sim! Amanhã vou me esforçar bastante para ficar acordada o dia todo.

Len: Mas não se esforce demais... – Ele ficou com uma expressão preocupada e então, de repente, me abraçou. – Faça as coisas com calma para não ter que voltar para o hospital. Nós não saberíamos mais ficar sem você.

Meu coração bateu tão forte que fiquei com medo que ele pudesse perceber. Me desvencilhei do seu abraço apesar de querer ficar mais em seus braços e sorri para ele, tentando ter noção do que estava acontecendo.

Rin: Vai ficar tudo bem contanto que você esteja junto comigo.

Amanhã... Vai ser um dia legal... Pensei comigo mesma.

Notas finais
Esse capítulo deu um TRABALHÃO pra escrever!! Juro! Atrasou não porque eu não estava fazendo mas sim porque eu não estava ficando satisfeita com o resultado... E se eu não gosto eu refaço! Para os meus leitores, só o melhor! Já sabem, espero muitas reviwes até pra ver se o esforço valeu a pena. E eu sei que ficou praticamente igual ao capítulo anterior mas eu queria muito escrever o que a Rin sentiu!! Beijos amores ♥