KURAI YOKUBÔ (desejos obscuros)
5 Capítulo 4 - Conexões Indesejadas!
Notas iniciais

— Além de belo, você é culto e conhece o mito... – falou Dione com a voz rouca e um sorriso predatório.
Minos velou seus brilhantes olhos violáceos, tentando esconder a surpresa. Não disse nada, embora a conexão genética tivesse ficado gritante. Era a mãe de Hades! Aquele olhar, a boca bem desenhada, quase cruel... Sim, o destino, mais uma vez brincava consigo!
Halldora chegou a abrir a boca, porém ao focar nos olhos do sobrinho, calou-se. Havia neles uma proibição implícita que ela não compreendeu, mas acatou.
— Bem, fique à vontade. Eu tenho um compromisso, mas volto logo. – disse o jovem.
Dione sorriu.
— Espero não ficar muito tempo, não desejo incomodar.
— Não se preocupe com isso. – disse Halldora com um sorriso trêmulo.
Porém, quando Dione olhou de forma lânguida e sedutora para Mirako, ela não gostou nem um pouco. Havia algo de estranho naquela mulher e isso a incomodou. Talvez fosse o reconhecimento inconsciente de um egoísmo que lhe era bastante familiar em outra época, quando fizera o mesmo com sua irmã...
— Mirako, por favor, me acompanhe até a cozinha, sim? – disse ela controlando o humor.
— Mas é claro. – respondeu ele, também um tanto constrangido com a súbita atenção de Dione.
A mãe de Hades fechou os olhos e levou a cabeça para trás. Para ela, era natural usar dos artifícios femininos da sedução frente aos homens e, depois da revelação de Pandora, essa forma de agir ficara ainda mais enfática, como se tivesse de provar a si mesma que ainda tinha o poder.
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Uma expressão de surpresa surgiu nas feições de Hiroaki, mas desapareceu num instante, sendo substituído por um semblante fechado. Ainda não acreditava que estava ali, diante da irmã que tomara o seu lugar como oyabun. Parecia que o destino brincava com a sua vida, acenando com a liberdade e, em seguida, tomando-a, novamente.
— Você quer que eu seja o seu cão de guarda, é isso? – disse o japonês enfrentando o olhar firme da irmã.
— Não exagere. Papai o quer de volta nos negócios e o cargo de gerente de projetos é perfeito neste caso específico. Você será os olhos da organização, já que o velho Kawasaki colocou os filhos em cargos administrativos, menos um, o tal Yoshiki que vai ser seu parceiro. Essa sociedade entre Kawasaki e nosso pai aconteceu muito rápido e temos que nos certificar que não seremos prejudicados.
— Gerente de projetos... O que eu vou fazer? Não entendo nada de televisão.
— Aqui estão as pastas com algumas ideias de alguns produtores. Leia e veja o que achar interessante. Use a sua intuição e escolhas alguns.
— Por que você não faz isso? Afinal, a inteligente da família é você e não eu.
— Eu já coloquei algumas coisas em prática, mas não tenho tempo de me dedicar, somente a isso. Temos muitos investimentos e eu tenho de focar neles.
— Eu não sei por que aceitei isso. É óbvio que não vai dar certo. – disse Hiroaki puxando um cigarro da carteira e acendendo-o.
Naoko suspirou. Em seguida olhou para o irmão disposta a ignorar os sentimentos negativos que sentia por ele. Seu pai estava morrendo e devia isso a ele.
— Hiroaki, eu sei que nunca nos demos bem, mas agora é diferente. Nosso pai não tem muito tempo e não quero contribuir para o agravamento da saúde dele. Por ele, vamos esquecer as nossas diferenças e agir em conjunto.
O japonês tragou e exalou a fumaça, enquanto fitava a irmã. Sim, eles não se davam bem, mas a tradição da família devia ser colocada acima das divergências e sentimentos.
— Ok. Vou fazer o que me pede. Acho até que vou procurar esse tal Yoshiki. Pelo visto, ele e eu teremos algo em comum.
— Faça isso. Ah, pode me ceder o Raiden? Sei que ele é o seu homem de confiança, mas...
Hiroaki sorriu malicioso.
— Não precisa explicar, sei que vocês dois tem uma treta íntima. Fique com ele, eu me arranjo.
Naoko não disse nada. Qualquer palavra que proferisse daria ao irmão a chance de se intrometer em sua vida e conhecer-lhe a única fraqueza que possuía.
Aceitara que ele voltasse por causa de seu pai e faria tudo para que permanecesse certa distância saudável entre ela e Hiroaki. Fez um movimento de cabeça e agradeceu, enquanto o yakuza deixava a sala e Raiden entrava, olhando-a com respeito, mas também com o brilho fogoso do desejo...
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Minos desceu do táxi e entrou no elevador. Havia um burburinho de perguntas em sua mente e isso o deixava inquieto. Queria saber, mas, ao mesmo tempo, temia que Hades ficasse aborrecido em tocar naquele assunto. Não queria estragar a noite.
A porta do elevador se abriu revelando o espaço luxuoso da cobertura do amante. Hades estava parado à porta, parecendo mais viril do que nunca. Não usava terno e sim uma camisa escura junto de uma calça jeans, também escura. Um sorriso se fez nos lábios de Minos ao cruzar com o olhar intenso.
— Nunca o vi usando jeans.
— Não costumo usar, mas é bom se permitir algumas mudanças. – falou Hades com um sorriso divertido.
— Mudanças, é? Isso tem a ver comigo? – perguntou o jovem sem esconder o olhar presunçoso.
A expressão do executivo tornou-se afiada e Minos não pode deixar de perceber o quanto ele e a mãe eram parecidos. O mesmo franzir da testa, o brilho devastador e intenso nos olhos, o curvar dos lábios...
— Sim, Minos. Tem muito a ver com você. – admitiu Hades aproximando-se.
O jovem enlaçou-o pelo pescoço, puxando-o de encontro a si. Hades sorriu e invadiu a boca do jovem com a língua ávida, iniciando uma lenta exploração que foi recebida com entusiasmo e sofreguidão.
Minos era sempre receptivo, intenso, provocando em Hades uma resposta imediata e apaixonada. Era natural e fácil tomá-lo para si e deixar-se levar pelo prazer intenso. Mas, não queria quebrar as regras se desejava tê-lo ao seu lado. Continuando daquele jeito, acabariam na cama e não o deixaria voltar para casa. Interrompeu o beijo, deixando Minos com uma inevitável sensação de vazio.
— Eu sei que o combinado é jantar, mas... – sussurrou Minos junto ao pescoço de Hades.
— Combinamos de jantar e é o que vamos fazer. Não quero que deixe seus estudos de lado. Teremos muito tempo juntos. – cortou o executivo.
Sem esconder a decepção, Minos concordou e logo estavam comendo e conversando. A mesa posta com esmero propiciava uma bela vista noturna da baía de Tóquio. Hades ouvia tudo com atenção e Minos chegou a pensar em perguntar sobre a família do executivo, as palavras quase na ponta da língua...
— Posso perguntar algo pessoal? – disse por fim, enquanto brincava com o garfo.
— E o que seria? – devolveu Hades encarando-o.
— Não quero parecer intrometido e nem estragar o jantar.
— Já lhe dei permissão, não é?
— Sua mãe. Ela... Você não vai mesmo falar com ela como disse aquele dia?
— Por que quer saber? – o cenho de Hades se estreitou.
— Curiosidade. Você falou de abuso e eu fiquei pensando que deve ter sido algo muito grave, mas... E se ela procurar você?
— Ela já procurou e eu a mandei embora.
— Então foi por isso... – murmurou Minos.
— Isso o quê?
— Hã... nada. Foi um pensamento que me ocorreu.
Hades suspirou, limpou a boca com o guardanapo e olhou para o jovem.
— Ela foi até o meu escritório fazer o que sempre fez, distorcer as coisas em nome do desejo doentio que sente. Agora que meu pai morreu, ela está sozinha em sua jornada perversa. Não há nenhuma chance de eu aceitá-la ou perdoá-la e eu espero que ela tenha entendido bem.
— E se ela voltar a procurá-lo?
— Simples, não vou recebê-la. Quer sobremesa?
— Eu quero mais vinho. – respondeu Minos estendendo a taça.
— Melhor não. Lembre-se que não é fim de semana e amanhã você tem aula. – disse Hades.
— Quer saber? Você está sendo muito chato! Sem sexo, sem bebida. Acho melhor eu ir embora já que você faz questão de me lembrar dos meus compromissos ao invés de aproveitar que estamos juntos. – falou Minos fechando a cara e levantando da mesa.
Antes que o jovem finalizasse o ato, Hades levantou-se também e se aproximou dele puxando-o para si, prendendo a cabeça dele com uma das mãos, enquanto a outra lhe apertava os quadris contra os seus. Era um abraço forte e sensual que fez Minos sentir a força rígida do corpo esguio dele colado ao seu.
— Sempre rebelde, não é...? – murmurou Hades rente à boca desenhada do amante.
— Você provoca... – respondeu Minos encarando-o, desafiador.
O olhar de Hades adquiriu um tom ardente e a expressão de Minos transformou-se em rendição. Ofegante, o jovem entreabriu os lábios no instante em que as bocas se encontraram e Hades finalizou a dominação, enfiando a língua na boca de Minos numa carícia erótica. Os corpos, imediatamente, entraram em combustão e o executivo apertou Minos ainda mais, sentindo e fazendo sentir a ereção potente acordada em ambos os corpos...
O executivo afastou-se um passo e começou a abrir o zíper da calça. Depois se afastou da mesa, empurrando Minos de encontro ao sofá largo e cobriu o jovem amante com o próprio corpo. Os ombros largos e os braços fortes o aprisionaram e Minos firmou-se nos cotovelos deliciando-se com o apetite voraz que percebeu nos olhos incendiados de paixão antes de Hades se mover sobre ele, abrir-lhe a camisa e tomar-lhe a boca em mais um beijo voraz...
As mãos de Hades correram por todo o corpo de Minos. Seus dedos longos exploravam a curva das axilas, apertavam os quadris e deslizavam sobre os mamilos rijos, enquanto seus lábios, língua e dentes provocavam a carne sensível e ardente do jovem fazendo-o entreabrir os lábios e gemer, agarrando-se a ele com desespero.
Minos sorriu e jogou a cabeça para trás, mas manteve o olhar fixo no dele. O corpo se oferecendo...
Então, Hades despiu-lhe a calça, mas não tirou a sua. Libertou, apenas, o falo rijo que pulsava e entrou dentro dele num único e longo movimento, arrancando um gemido abafado do jovem.
Ignorando a dor inicial pela penetração abrupta, Minos começou a movimentar os quadris, estimulando o executivo a mover-se dentro dele e deixar escapar um gemido de puro êxtase em sentir-se tão apertado e quente.
Arquejando e pressionando todo o seu corpo contra o de Hades, Minos abriu mais as pernas, fazendo com que ele entrasse cada vez mais fundo, mais rápido e mais intenso dentro de si. O rosto afogueado de Hades e o brilho aquoso nos olhos acinzentados mostravam o prazer que ele sentia em apossar-se daquele corpo que despertava um antagonismo dentro de si. Ora libertava seu lado primitivo e um tanto perverso, ora fazia aflorar aquele amor transcendente e enlouquecido que o fazia desejá-lo sem limites e quebrar as regras que estabelecera..
Moveu-se com força para sentir melhor o calor úmido que emanava de Minos e, enquanto movia-se dentro dele, sentia a pulsação furiosa do sangue em seu pescoço, coração e falo. Todas as células do corpo inundando-se de uma luxúria possante, ao ponto de fazê-lo arfar descontrolado e sentir a aproximação do gozo eletrizando sua pele, seus ossos, sua alma. Jamais se sentira assim com qualquer outro! Nunca o sexo fora tão despudorado e, ao mesmo tempo, tão sublime e extasiante como o era com Minos...
Olhou para Minos que fechara os olhos e gemia alto. Estocou com mais força, vendo-o cerrar os dentes e arquear o corpo. Ambos estremeceram convulsos, quase ao mesmo tempo, os gemidos intensos vibrando na carne quente, o suor vertendo em gotículas brilhantes na testa...
Hades grunhiu ao alcançar o orgasmo e puxou Minos para si, afundando-se mais dentro dele, esgotando cada gota de seu prazer na cavidade quente que, se contraía e o apertava mais forte. Neste momento, o jovem gritou e abriu os olhos em meio aos espasmos de seu corpo, derramando-se no tórax de Hades e sentindo o sêmen dele jorrando em jatos quentes e intensos dentro de si.
Os dois desabaram exaustos, a respiração pesada e entrecortada.
— Obrigado pela sobremesa... – murmurou Minos.
Hades riu.
— Podíamos ter uma indigestão, isso sim. Você consegue ser exasperante quando quer.
— E você gosta disso... É a sua oportunidade de achar que me domina. – retrucou Minos.
— Achar? — devolveu Hades com uma das sobrancelhas elevada.
— Eu queria transar desde o início. – disse Minos com um sorriso malicioso.
— Então tudo não passou de um teatro para me fazer possuí-lo... – devolveu Hades fitando-o com um brilho indefinível nos olhos azuis.
— Bem... eu fiquei irritado de verdade e ia mesmo embora se você não me impedisse. Não foi fingimento. – confessou o jovem.
— Você tem sorte... – disse Hades com voz arrastada, enquanto acariciava gentilmente um dos mamilos de Minos.
— Eu sei. – falou Minos e o sorriso em seus lábios atraiu, mais uma vez, a boca de Hades.
O beijo foi lento, as línguas se tocando sem pressa... Minos havia provocado, mas em seu íntimo, sabia que não havia um limite rígido entre dominador e dominado. Ambos se permitiam oscilar entre os dois papéis e tudo parecia justo e perfeito. Olhou para o executivo e segurou-lhe o rosto bem perto do seu.
— Eu te amo. – disse, simplesmente.
— Eu também... Mas, agora, tome um banho que eu vou levá-lo para casa. – respondeu Hades reassumindo a postura de autocontrole.
— Não precisa me levar, eu já deixei agendado com o táxi. É só ligar ele vem me buscar. – disse Minos.
— Tem certeza?
— Tenho. Regras são regras, não? – provocou o jovem.
Hades levantou e puxou-o do sofá, depois o olhou com luxúria e deu-lhe uma sonora palmada na bunda roliça.
— Ai! Isso doeu. – reclamou Minos.
— Dispense o táxi, vou levar você. – disse o executivo.
O semblante de Minos ficou sério, porém não adiantava retrucar. Então olhou para o corpo do amante e falou:
—Você não vem também? Afinal, sua camisa...
Hades fitou-o, estreitando os olhos. Teria que tomar uma ducha rápida e trocar de camisa, mas com Minos junto, haveria outras “coisas” que fariam além do banho e ele percebia isso no olhar faminto do amante que sorria e passava a língua nos lábios.
— Sei o que está pensando... — falou o executivo.
Minos riu.
Cinco minutos depois, a água do chuveiro escorria, pelos corpos, enquanto o jovem tomava o membro duro do amante em sua boca e sugava com volúpia, vendo-o tentar controlar os gemidos involuntários que escapavam cada vez que a sua língua traçava caminhos tortuosos em toda a extensão, para depois fixar-se no pequeno orifício que gotejava, antevendo que Hades gozaria novamente e encheria sua boca com seu sêmen quente...
— Minos... — gemeu Hades ao sentir-se estremecer e o gozo chegar. Apoiando-se na parede do Box para não cair.
— Agora sim, estamos empatados...! — disse Minos olhando-o vitorioso e passando os dedos nos lábios.
O executivo deixou uma risada deliciada, pensando que talvez aquele fosse o momento de entrar no assunto emancipação. Porém, ao ver a expressão do amante, resolveu guardar a surpresa e puxou-o pelos cabelos platinados fazendo, mais uma vez, as bocas se encontrarem num beijo profundo...
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Era a segunda vez que enfrentava uma situação limítrofe e delicada, porém Kanon mantinha-se firme. Se havia uma chance de zerar os erros do passado, seria agora. Procurar aquele homem e ficar lhe devendo, ainda mais, era arriscado, mas suas opções eram poucas e precisava por um ponto final naquele assunto ou estaria perdido.
Não se cansava de admirar a arquitetura japonesa, sempre austera e elegante, oportunizando o serenar da mente, embora a sua ainda fervilhasse com o reencontro e também com o amante inesperado de Afrodite. O que você queria? Que um homem como ele permanecesse sozinho depois de tudo o que aconteceu?
— O senhor Kimamura irá recebê-lo. – disse uma voz baixa e feminina, interrompendo seus questionamentos.
— Arigatô!— respondeu em japonês e sorrindo para a jovem.
Foi conduzido por um corredor estreito até chegar a um ambiente típico das casas japonesas. O chão era coberto por um tatame e as paredes exibiam pinturas reproduzindo belas sakuras em flor. Uma mesinha baixa estava posta com duas xícaras e um bule de chá. As cores se harmonizavam entre si, a luz tênue acentuava a intimidade e o conforto, como se resgatassem a época em que não havia pressa...
A jovem curvou-se e sinalizou para que ele entrasse e Kanon assim o fez, observando a vista mostrada por outra porta aberta que exibia um belo jardim com pessegueiros e bonsais iluminados por lanternas vermelhas. O som de água caindo indicava que também havia uma fonte e isto, de certa forma, ajudava-o a escolher as palavras certas.
Kanon sentou-se e esperou. Logo, o seu anfitrião juntou-se a ele. A bengala apoiando-se com suavidade no tatame. Diferente da vestimenta que usava fora de casa, Kobayashi trajava um kimono e se podia ver parte da tatuagem que Kanon sabia preencher os braços do homem.
— E então, o que o traz aqui? – perguntou o japonês.
— Peço desculpas por incomodá-lo à noite. Mas, gostaria de esclarecer o que aconteceu na universidade e pedir a sua ajuda. – respondeu num tom respeitoso, ensaiado em sua mente muitas vezes.
— Minha ajuda? O crédito que lhe dei já me custou muito. Meu irmão ainda quer matá-lo e estou arriscando minha reputação em dar-lhe uma segunda chance, depois do transtorno que causou. – falou Kobayashi.
— Eu sei. – disse Kanon e sua mente voltou ao passado...
Era um fotógrafo de renome, seu trabalho solicitado por revistas importantes em vários setores, moda, arquitetura, desigh. Não havia um artista ou modelo que não desejasse passar pelo seu “clic” e isso o envaidecia de modo que quando conheceu Afrodite, custou a acreditar que alguém tão belo pudesse existir de verdade, sem produção ou efeitos especiais. Ele o conhecera na universidade e, ao colocar os olhos nele, soube que aquela beleza andrógina e elegante lhe abriria um leque infinito de possibilidades. Se um dia os deuses tivessem existido, Afrodite certamente seria um deles.
O envolvimento entre os dois aconteceu rápido, um flash romântico e erótico que os levou a morar juntos em um curto espaço de tempo.
Afrodite tornara-se um cartão de visitas perfeito, exibia-o como se fosse um troféu e o que partilhavam na cama jamais o tinha feito com outra pessoa. Tudo ia bem, o universo parecia conspirar para confirmar o sucesso até a proposta de deixar a Grécia e estabelecer-se em Tóquio.
Sempre fora ávido por novidades e aquele trabalho, em especial, fez formigar o seu interesse. Afrodite aceitou acompanhá-lo, então acreditou que tudo seria perfeito.
Entretanto, o ritmo da metrópole oriental era bem diferente do seu. No Japão, não havia tolerância ao fracasso e as exigências do trabalho o deixavam exaurido. Não bastava ser excelente, tinha que manter-se no topo, circular entre os figurões e ainda responder às exigências do amante que se sentia solitário em meio a tantos compromissos.
Junto ao trabalho incessante, as festas se somavam ao circuito obrigatório que tinha de vencer e, numa delas, ele conheceu o “cristal”, uma droga poderosa que fazia sumir todos os seus medos, estresse e cansaço. Era como “cavalgar a crista do Dragão” lhe dissera o homem que o iniciou no uso.
E assim, começou a decadência vertiginosa em direção ao caos. Podia ficar dias sem comer, nem dormir. Trabalhava compulsivamente e o sexo que passara ter com Afrodite era selvagem, frio e, muitas vezes, apesar da ereção duradoura, não conseguia gozar e acabava deixando a cama para drogar-se mais...
O cristal tinha seu “preço” e, numa noite regada a drogas, bebidas e orgias, acabou se excedendo. A euforia da droga o fez desafiar um importante integrante da yakuza, causando constrangimentos e selando o seu destino.
Inconsciente de suas ações voltou para casa e para um Afrodite cansado da solidão, das discussões e do desrespeito. Discutiram feio, trocaram agressões e dali para frente, não se lembrava do que tinha feito, nem do ataque de loucura que o fez destruir metade do apartamento e bater no amante até deixá-lo inconsciente.
Estava insano e assim permaneceu até o único momento de lucidez em que pediu para seu irmão vir buscá-lo. Saga achava que estava tudo bem e quando o encontrou, ficou abismado. Ele jamais desconfiou do que havia acontecido com Afrodite e ao vê-lo naquele estado deplorável, de imediato, levou-o de volta.
Foram seis longos meses em uma clínica de reabilitação, mais seis para recuperar seu prestígio, mais seis para criar coragem e... voltar. Dezoito meses em que teve de conviver com a culpa por ter prejudicado aquele que amava e que confiara nele.
Sabia que seu retorno teria um preço a ser pago. Uma dívida em aberto com a Yakuza, especificamente com um homem, Ichiriro Kobayashi. A desavença que tivera fora com o irmão do japonês e ele intercedera em seu favor graças ao fato de ter sido contratado para fotografar o seu filho primogênito e seu trabalho ter encantado a família.
Kobayashi o impedira de ser morto, mas deixara claro que ficaria em dívida com ele e um dia, essa dívida deveria ser saldada.
Não o agradava o que tinha de fazer, mas não tinha escolha. Só assim, seria perdoado e poderia recomeçar.
— Então, o que deseja de mim? – perguntou o japonês.
— Um homem está me pressionando para deixar a universidade. Pelo jeito arrogante é alguém com influência, mesmo não sendo natural do país.
Kobayashi franziu o cenho e levou a mão ao queixo quadrado.
— Qual o nome dele?
— Ângelo Buorronatti.
— Realmente, este homem é influente e sócio do Imperador do Shinjuku, Hades. Ele é conhecido no meio pelo apelido de Máscara da Morte.
— Quer dizer que ele faz parte de um dos principais grupos econômicos do Japão?
— Sim, mas o quê, especificamente, existe entre vocês dois?
— O mais belo homem que pode imaginar. Quando perdi o controle sobre minha vida, fui um completo canalha com aquele que amava. Não é somente com o senhor que tenho uma dívida. – murmurou Kanon.
— Vou dar um jeito nisso. Agora, foque em sua missão e faça o que deve fazer. Quero um público seleto e frequente para o produto que pretendo colocar nas ruas. Cumpra o combinado e estará livre para voltar ao seu amante.
O tom de voz do japonês indicava que a conversa estava terminada. Kanon fez uma reverência, levantou-se e deixou a casa.
Kobayashi chamou dois homens de porte médio e deu-lhes instruções do que desejava que fizessem. Depois, retirou o kimono e se dirigiu ao ofurô. A água quente e fumegante o fez sorrir de canto e logo, uma bela e jovem mulher uniu-se a ele.
— Shizue... – murmurou ele com um brilho ardente nos olhos negros.
— Estou aqui, meu senhor... – respondeu ela com um sorriso tímido, enquanto despia suas roupas e mostrava o corpo mignon.
O yakuza estendeu-lhe a mão e ela fitou-o bem dentro dos olhos como sua senhora havia instruído. Adorava aqueles papéis de espionagem e infiltração... A família de Kobayashi pertencia à Yakuza tradicional e, embora poderosa, não era uma das maiores.
Seiko desejava que seu amado Hiroaki formasse uma facção forte e se tornasse oyabun da própria família. Conhecer aliados em potencial era um plano que esboçara e tinha em Shizue, seu braço direito. Se conseguisse tal feito, talvez Hiroaki nunca se desfizesse dela.
Por sua vez, para Shizue, a vida era um grande espetáculo cinematográfico e ela apreciava todos os desafios deste universo particular que criara para si. Dentro dele, seduzir um homem importante como Kobayashi, embora perigoso, era deliciosamente excitante, assim como assistira muitas e muitas vezes nos filmes de 007...
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A Fuji News Network ainda estava em funcionamento com os últimos jornais da noite, porém um de seus estúdios estava às escuras e Yoshiki observava todos os detalhes do lugar. Afastado dos demais, aquele estúdio havia sido desativado e, por isso mesmo, chamara a atenção do professor.
Ainda estava se inteirando do seu papel naquela história toda. Havia muita gente envolvida, além dele e de seus meios-irmãos. Tinha sido escalado para trabalhar com um tal de Hiroaki e ambos ocuparem o cargo de gerente de projetos. Ainda não tinha se reunido com ele, mas também não tinha pressa...
Sua atividade como professor titular lhe tomava muito tempo e agora, com o grupo de estudos precisaria de toda a energia para segurá-lo. Principalmente, porque Minos estaria nele e seria a oportunidade para estreitar laços com o jovem.
No entanto, aquele estúdio lhe despertara certas ideias e estava louco para testá-las... Ligou as luzes e olhou para Misty que analisava tudo com curiosidade. Sentiu a excitação insinuar-se em seu baixo-ventre ao saber que estavam isolados ali e que a acústica abafaria qualquer som.
— Quer dizer que parte de tudo isso é seu? – perguntou o jovem.
— Sim.
— E é aqui que nós vamos... brincar?
— Sim.
O jovem mordeu o lábio inferior e se aproximou de forma insinuante. Vestia um sobretudo negro que lhe cobria o corpo perfeito.
Quando chegou bem perto do professor, ele o abriu exibindo uma coleira negra, incrustada de pedras semelhantes a diamantes. Ainda sinuoso, retirou das costas um pequeno chicote com um feixe de correias de couro na ponta e sorriu.
Olhando para o objeto, Yoshiki sentiu um pequeno espasmo de prazer. Exultava com a união do prazer com a dor e Misty, neste quesito, era o seu aluno predileto. Por enquanto...
— E quais são as regras? – perguntou o professor com o olhar cheio de luxúria.
— As de seu prazer, meu senhor... — respondeu Misty.
Yoshiki sentou-se em uma poltrona que jazia em um canto do estúdio. Misty aproximou-se mais até erguer a perna e apoiá-la no colo do professor, bem em cima do membro já túrgido, sentindo-o pulsar de encontro à panturrilha.
O jovem esfregou a perna sobre o membro, mais uma vez e arrancou um pequeno gemido de Yoshiki. Contente com o efeito que causava, Misty massageou o sexo do professor sobre a roupa, depois, abriu a camisa dele e passou as correias do chicote pelo tórax robusto, detendo-se nos mamilos e fazendo-o arrepiar-se e fechar os olhos.
Abaixando o objeto, voltou-o para si e passou entre as pernas o cabo revestido de couro, levando-o à própria entrada. Yoshiki tocou em si mesmo, sentindo a ereção enrijecer de tal modo que estava ficando dolorido.
Misty sorriu e tomou-lhe a mão, sugando um a um dos dedos, enquanto continuava com a tortura de esfregar a perna no falo túrgido. Yoshiki reagiu, puxando Misty para si e tomando-o com um beijo violento, as línguas se tocando com fúria.
Sugando os lábios carnudos e fazendo surgir um filete de sangue, fechou os olhos e pensou em como seria se Minos estivesse ali também... Depois, pegou Misty pelos cabelos e o fez joelhar-se, roçando sua ereção no rosto alvo. Puxou-lhe os cabelos, com força suficiente, para que ele ofegasse, e ordenou-lhe que abrisse a boca. Com um sorriso de satisfação, abriu a braguilha e enfiou seu falo com força, fazendo-o engolir todo, até a garganta. O jovem engasgou, de início, os olhos claros se encheram de lágrimas, mas depois começou a sugá-lo com volúpia, arrancando ofegos de prazer.
Molhava a extensão e mordiscava próximo à virilha, lambendo o sexo do professor em todo o conjunto, para então voltar a dar atenção ao falo e engoli-lo com gosto. Não tardou para Yoshiki gozar dentro da boca do aluno e vê-lo sorrir e passar a língua nos lábios.
Misty levantou-se e virou de costas para Yoshiki, estendendo o chicote que havia trazido. Com um olhar malicioso, o professor começou a chicotear a bunda alva e roliça, enquanto o jovem levava a mão ao membro e se masturbava, gemendo.
— Geme putinho... Geme e mexe esse rabo pra mim... – falava Yoshiki com a voz carregada de desejo.
Misty obedeceu e continuou gemendo e se masturbando, as marcas avermelhadas do chicote emergindo na pele...
Antes que ele chegasse ao clímax, Yoshiki já estava com o membro ereto, novamente. Ele segurou o falo em riste e puxou Misty de encontro a si. Uma das mãos lhe apertava o quadril, enquanto a outra largava o chicote e o pegava pela garganta, fazendo-o sufocar...
— Agora pare... Vai gozar só sentindo o meu pau todo enterrado dentro desse teu rabo. – murmurou Yoshiki e o penetrou com violência, segurando as nádegas bem abertas, olhando seu falo mergulhar inteiro dentro do corpo do jovem.
O jovem ofegou, o pequeno estrangulamento aumentando a euforia e o prazer. Começou a gemer alto ao sentir os quadris de Yoshiki moverem-se rápidos e baterem contra o seu corpo. Empinou mais a bunda e moveu-se de encontro ao quadril do professor, aprofundando as estocadas violentas.
Aahhh... Você é quente... Apertado... Molhado... Vou te comer com gosto até cansar... Você vai ser meu, Minos! Imaginava Yoshiki, enquanto gemia sentindo chegar o orgasmo.
Com um grunhido, o professor gozou e sentiu seu aluno gozar, também, fechando-se em torno do seu falo, enquanto seu prazer se derramava dentro do corpo jovem.
Ofegantes, eles se separaram. Misty pegou seu kit de higiene corporal e começou a limpar os vestígios da sessão de sexo em seu corpo. Depois vestiu seu manto e se aproximou do professor, novamente.
Yoshiki havia voltado para a sua poltrona com as vestes abertas, a respiração entrecortada e uma sensação de prazer mesclado com curiosidade. Será que a câmera que tinha preparado gravara tudo?
De repente, a porta se abriu e um sujeito vestindo uma jaqueta de couro e usando óculos escuros adentrou o pequeno espaço.
— Quem é você? – perguntou Yoshiki, incomodado.
O sujeito olhou para o professor e, em seguida para Misty. Um sorrisinho malicioso brincou nos lábios dele, enquanto pegava uma carteira de cigarros do bolso.
Acendendo um cigarro com toda a calma, Hiroaki, mirou diretamente os olhos de Yoshiki.
— Eu sou Hiroaki, seu parceiro na tal gerência de projetos. Eu estava te procurando, então alguém disse que o tinha visto vir para cá. Então... pelo clima que eu to percebendo aqui e... pelo cheiro, acho que você já tem um projeto com bastante putaria em mente, não é? – disse o yakuza se divertindo com a expressão desconfortável do professor e seu aluno.
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