KURAI YOKUBÔ (desejos obscuros)

11 Capítulo 11 - Alto risco...


Notas iniciais
♥Olá, galerinha amada do bem!!!! Mais um capítulo e também um super agradecimento para Thaty Hanayume que recomendou a fic com palavras tão especiais e me deixou imensamente feliz. Sempre que alguém recomenda o que fazemos, sinaliza que aquela leitura se tornou especial para aquela leitora e que ela se sente à vontade para assinar embaixo de um trabalho que considera à altura de ser recomendado. Isso, amadas, é um prêmio maravilhoso! Agradeço, também a presença carinhosa de cada uma, seja comentando com entusiasmo (adoro!!!), seja apenas lendo em silêncio ou favoritando!!Cada uma se manifesta como pode ou quer e isso imprime uma força maravilhosa para todas nós. Arigatô♥♥

Misty cerrou os dentes com força, enquanto olhava a tela do celular. Nenhuma mensagem e nenhuma ligação perdida. Ligou novamente e pela milésima vez ouviu esse número está indisponível para receber chamadas.

Teve vontade de atirar o celular na parede, mas não o fez, nem deixou mensagem. Não fazia sentido deixar mais uma, pois já deixara quatro, cada uma mais frustrada que a outra.

Quando aceitara fazer parte de toda aquela encenação o fizera para se proteger, afinal, fora ele quem drogara Minos e mesmo que nada pudesse ser provado, Yoshiki era o tipo de homem capaz de engendrar os mais terríveis planos e prejudicar quem quer que fosse. Antes o achava, apenas inteligente e dominador. Agora sabia do que o amante era capaz e tinha de ter todo o cuidado do mundo, inclusive do trunfo que possuía sobre ele. Embora o temesse, sabia jogar também e mostraria a ele o quanto a sua presença era mais interessante que de qualquer um, principalmente o tal Minos.

Usando a mão livre, abriu uma das portas de vidro que conduzia ao terraço e sentiu a brisa fria. Com uma careta, virou-se e voltou para o interior do apartamento dando de cara com a senhora Tamiko. Por um momento se esquecera dela e da sua expressão sempre séria e desagradável.

— Deseja algo mais de mim, senhor Misty? – disse ela.

— Não, pode ir.

Após a saída da mulher, Misty foi até a cozinha onde atirou o celular sobre o balcão de granito negro. O aroma do jantar, ainda no forno, permanecia no local. Abriu a geladeira e procurou a garrafa de vinho Sauvignon Blanc. Serviu uma taça e voltou para a sala de jantar, bebericando e observando a mesa posta. Se ele não chegar dentro de cinco minutos eu jogo tudo isso fora! Pensou repousando a taça sobre uma das mesinhas com tampo de vidro que ladeavam o sofá de couro branco.

Dez minutos depois, Misty atravessou a sala de estar e entrou no enorme quarto da suíte principal. Sentiu o sangue ferver, enquanto olhava para a cama com os lençóis de cetim negro e as velas perfumadas que mandara colocar sobre os criados-mudos, antecipando a noite que teria com o amante.

— Canalha! – murmurou, enquanto se atirava sobre a cama e a desfazia.

Alheio à irritação de Misty, Yoshiki deixava o apartamento de Minos. Tinha ido visitá-lo para dizer que transferira o fim de semana de estudos até que ele estivesse restabelecido. Ainda estava gravado em sua mente o olhar surpreso que o jovem esboçara. O senhor transferiu tudo por... mim? Ah, o prazer de poder se aproximar dele e deixá-lo cada vez mais seguro com a sua presença e a sua... atenção. Sim, por você. Eu o considero um dos meus melhores alunos. Eu o estimo e admiro Minos.

Seu corpo ficava excitado só em vê-lo sorrir, um tanto tímido, mas ainda assim com aquela força interna que o levava a desejá-lo, cada vez mais. Mas, na próxima vez o queria lúcido, ardente, cheio de tesão...Queria ter o prazer de dominá-lo e afundar-se, mais uma vez naquele corpo perfeito.

Quando a campainha tocou Misty deu um salto. Ele veio! Correu para a sala, excitado, mas quando abriu a porta, exibiu um olhar frio e inquisidor.

— Por que demorou tanto? Havíamos combinado um jantar especial. Por que não telefonou? Deixei um montão de mensagens no seu maldito celular!

Yoshiki olhou para o jovem com displicência. Misty era o seu parceiro de cama e de... crime! Se ele soubesse com quem estava se metendo... Bem, era melhor assim. Descobrira em si uma veia perversa e deliciosamente cruel. Talvez por isso adorasse ser um Dom. Dominava não só no sexo, mas também em outras áreas até então desconhecidas para si.

— Por favor, não comece a falar comigo nesse tom histérico. – disse o professor com frieza enquanto caminhava pela sala, afrouxando a gravata e abrindo o primeiro botão da camisa.

— Histérico? Não creio que seja histeria pedir consideração da sua parte.

O japonês suspirou, em seguida olhou bem dentro dos olhos cristalinos de Misty. Já tinha tido a sua dose de violência e agora desejava comer, beber e transar.

— Está bem, tive que resolver uns problemas. Satisfeito? – mentiu.

Na verdade, estivera bancando o gângster com o imbecil do Hiroaki e depois o professor gentil e preocupado com Minos. A atitude esquizofrênica lhe causava um prazer desconhecido e excitante, como se ele tivesse despertado para outra persona capaz de oferecer-lhe muito mais que satisfação intelectual.

— Que tal começarmos novamente e você me receber de outra forma, heim?- perguntou ele com um sorriso malicioso e já abrindo o zíper da calça social.

De imediato os olhos do jovem brilharam, fazendo Yoshiki rir, interiormente. Oh, como é fácil enganar um jovem idiota e apaixonado. Pensou ele com um prazer malévolo. Não era a primeira vez que percebia os sentimentos de Misty e os usava a seu bel-prazer. Nos jogos eróticos a dominação era completa e agora, ao dividirem um segredo sombrio, ele o tinha na palma da mão...

— Andou bebendo vinho? – perguntou olhando para a mesinha lateral onde estava a taça que Misty deixara.

— Ah, sim... – respondeu ele já com o rosto afogueado ao ver a ereção do amante.

— Tire a roupa. – disse o professor com os olhos semicerrados.

Misty sorriu e começou o striptease. Yoshiki começou a se aproximar, trazendo a taça de vinho na mão, levando-a aos lábios e saboreando a bebida bem devagar.

Seus olhos se encontraram sobre a borda do copo e, por alguns segundos, Misty sentiu um calafrio pela frieza do olhar do amante. Ou seria o desejo que brilhava nas profundezas escuras das íris negras? Misty não tinha certeza, mas, mais uma vez aquele medo visceral mexia consigo excitando-o.

— Você é meu escravo, agora... – disse Yoshiki com a respiração entrecortada, enquanto pressionava as nádegas do jovem contra seu corpo.

— Sim... – gemeu Misty fechando os olhos e jogando a cabeça para trás.

— Sabe o que isto significa, não é?

— Sim...

— Se apoie no sofá.

Quando Misty obedeceu, Yoshiki libertou o membro em riste com um sorriso cruel e o penetrou, deliciando-se com a resistência à sua invasão, já que o ato fora sem nenhuma preparação. Misty gemeu de dor, porém o professor não parou. Com a mão direita espalmada sobre seu ventre e a esquerda beliscando um mamilo, Yoshiki começou a mover os quadris.

Não tão depressa... Dizia a si mesmo, enquanto sua mente revivia a sensação de afundar-se no interior de Minos e seu corpo avançava rapidamente para o clímax prematuro. Seus quadris se recusavam a obedecê-lo, arremessava-se para frente e para trás com ímpeto, os dedos pressionando o estômago de Misty, erguendo suas nádegas ainda mais e permitindo uma maior penetração.

Yoshiki cerrou os dentes ao sentir o sangue pulsando nas veias. Estava para alcançar o orgasmo e sentia que Misty também estava quase lá. O deixaria ter prazer, imaginando ser Minos quem gemia rouco e alto. O intenso estremecimento do jovem o fez gozar e ambos gritaram varridos pelo êxtase.

Misty sorriu, saciado e ofegante, enquanto Yoshiki o puxava, também ofegante, e se atirava no sofá trazendo o corpo quente e jovem de encontro a si.

— Você me deixou gozar. – disse ele para o professor com um sorriso satisfeito.

— Digamos que... você mereceu. – falou Yoshiki.

— Posso perguntar uma coisa?

— Depende.

— Você... deseja aquele cara?

— Quem?

— Você sabe de quem eu estou falando. Você o quer? Quer mais do que a mim?

— Isso não diz respeito a você, mas vou ser bonzinho e responder... Não, não quero.

— Então por que... por que você o fodeu?

— Porque não resisti. Estava excitado e ele estava nu na minha cama. Você é o culpado de eu ter me descontrolado.

— Eu?

— Você. Agora deixe de bobagens e me chupe. – ordenou o professor.

Misty hesitou um pouco e, quando deu por si, seus cabelos estavam agarrados e puxados com força, levando o seu rosto de encontro ao pênis que já estava duro, novamente. Quase engasgou quando Yoshiki o forçou a abrir a boca e abarcar seu membro por inteiro. Tentou resistir, mas o amante o esbofeteou no rosto dizendo:

— O que eu disse antes, putinho? Você é meu escravo! Trate de se por em seu lugar e me chupe direito! Depois ponha a mesa e me sirva!

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Afrodite praguejou. Andava devagar pelos corredores da universidade como um autômato. Seus planos, a decisão que tomara. Merda! A conversa com Minos o fazia repensar tudo novamente.

Você simplesmente vai deixar que esse filho da puta que já te fodeu bonito uma vez, faça tudo de novo? Vai desistir da sua felicidade por ele? O questionamento do amigo ainda reverberava dentro de si e tivera um efeito singular em suas decisões.

Não adiantava afirmar que era para salvar a vida daquele que amava, Minos continuara a questioná-lo de um jeito que o deixou confuso e esperançoso, ambos ao mesmo tempo. Olha só, Afrodite, se a máfia apoia o Kanon e quer ele dentro da universidade é porque tem algo ilícito aí. Duas coisas fazem a Yakuza da velha guarda prosperar, as drogas e a prostituição. Não precisa pensar muito pra saber qual dessas rola solta dentro do campus. A gente tem é que bolar um plano pra que o Kanon se ferre sozinho! Não faz besteira! Vamos pensar em algo, juntos.

Olhando para a sala onde Kanon costumava orientar os projetos de fotografia, o loiro suspirou. Talvez Minos tivesse razão. Se colocasse o plano original em prática, além de perder Ângelo, ainda o faria sofrer muito e isso o corroia por dentro. O executivo se tornara outro homem, contara toda a sua história e o amava. Tripudiar sobre este amor era como uma sentença de morte.

Foi neste momento que Kanon abriu a porta e olhou na sua direção, chamando-o.

— Afrodite, venha aqui, por favor.

Mordendo o lábio, o loiro fitou-o e deu meia volta. Havia faltado às aulas e evitado os horários que Kanon transitava por ali. Se eu andar rápido, ele não vai me alcançar! Murmurou para si mesmo.

Vendo que Afrodite não o atendera, Kanon franziu o cenho e foi atrás dele. Afrodite correu e o professor de fotografia também. Desesperado, o jovem resolveu ir pelas escadas para despistar Kanon. Porém se desequilibrou, caiu para frente e sentiu que o chão se aproximava de seu rosto...

— Ah, meu Deus! – exclamou Ângelo que chegava no mesmo instante em que seu amante despencava do alto da escada de mármore.

O executivo nunca mais esqueceria o som horrível da cabeça de Afrodite batendo no chão ao pé da escadaria. Ele ficara imóvel e fora tudo tão rápido que deixou Ângelo tonto. Ele nem percebeu que Kanon estava logo atrás. A única coisa que importava era Afrodite.

Deus, não permita que ele morra! A imagem trágica varreu seus pensamentos, enquanto ele corria e se ajoelhava junto ao corpo inerte, pegando o pulso delicado e aproximando o rosto para verificar a respiração.

— Afrodite, amor... Por favor, fale comigo. – sussurrou desesperado, pois embora respirando, ele parecia desacordado.

Quando o loiro entreabriu os olhos gemendo de leve, ele respirou aliviado.

Kanon retrocedeu. A queda de Afrodite fora sua culpa. Por que viera atrás dele? Queria tentar resgatar a relação mais uma vez, mas a verdade era que já não tinha tanta certeza do que estava fazendo. Sim, estava pagando uma dívida, mas a que preço? Vendendo droga para os alunos ricos? A que ponto chegara? Teria coragem de envolver Afrodite na teia cruel de seus atos?

— Afrodite. Está me ouvindo? Você caiu e não deve se mexer. Estou chamando a ambulância. – disse Ângelo pegando o celular.

O loiro estava tonto, mas ainda assim queria se levantar.

— Eu estou bem, só caí. – disse ele vendo dois Ângelos e fingindo que estava tudo bem. – Me ajude a levantar.

— Não, você pode estar seriamente ferido. Não seja teimoso.

Embora Kanon enfrentasse um duelo contra sua própria mente, ao ver que Afrodite se mexia, deixou-se levar pelo ímpeto e se aproximou.

— Vamos, eu ajudo a levá-lo. – disse ele.

Ângelo encarou-o com um olhar raivoso.

— O que está fazendo aqui? Se você teve algo a ver com isso, eu te mato!

— Eu leciono aqui e pare de me ameaçar! Ouvi o barulho e vim verificar.

Ao ver os dois, Afrodite tomou uma atitude desesperada e tentou se levantar sozinho. Um gemido de dor escapou quando ele tentou.

Ai... meu tornozelo. – murmurou com a voz fraca, enquanto se segurava no braço de Ângelo.

O executivo tentou ampará-lo, enquanto empurrava Kanon para o lado. Foi então que Afrodite fechou os olhos e desmaiou.

Afrodite! – gritaram os dois.

Alguns alunos se aproximaram e logo os monitores se ofereceram para ajudar. Kanon resolveu sair de cena e não atrair a atenção para si. Não era produtivo criar um clima, ali. Acharia um modo de falar com Afrodite mais tarde.

Ângelo tomou Afrodite nos braços e o levou até um banco, acomodando-o em seu colo sob o olhar atônito e interessado de alguns alunos. Minutos depois o loiro embarcava em uma ambulância e abria os olhos com certa dificuldade.

— Eu desmaiei... Ficou tudo preto! – disse ele como se fosse um crime.

— Sim, você desmaiou.

— Nunca desmaiei antes na minha vida.

— Eu creio que você quebrou o tornozelo e quando tentou apoiar o pé a dor foi demais. Como caiu daquela escada? Aquele miserável tem algo a ver com isso?

— N-Não! Eu estava com pressa e escorreguei. E o que está fazendo aqui? Eu disse que não precisava me buscar, eu...

Ia sair com amigos, eu ouvi o que disse pela manhã. Confesso que fiquei surpreso com as suas atitudes hoje. Tem algo que eu precise saber?

A hora era essa... Podia colocar seu plano em ação, aproveitando que a desconfiança já estava instalada na mente do amante.

O loiro suspirou com impaciência, as palavras de Minos retornando e travando a sua língua. Não faça nada precipitado.

— Não. Eu apenas queria encontrar Minos e Shun, faz um tempo que nós não saímos juntos. Ai... Minha cabeça dói e meu tornozelo também.

Ângelo acariciou-lhe a face.

— Desculpe. – disse ele. – Descanse, agora. Já estamos chegando ao hospital.

O coração de Afrodite pareceu falhar uma batida e ele fechou os olhos. Ah, Minos... Você plantou a dúvida em meu coração. Mas, e agora? O que eu vou fazer?

Enquanto o loiro era encaminhado para a sala de procedimentos, Ângelo ruminava a cena da queda de Afrodite e a visão de Kanon surgindo logo depois. Havia algo de estranho, podia sentir. Aquele homem continuava afrontando-o e constrangendo aquele que amava. Tinha de dar um jeito nisso. O seu jeito.

— Senhor Ângelo? – perguntou uma médica, relativamente jovem.

— Sim. – disse o italiano voltando ao momento presente.

— O senhor é responsável pelo jovem que acabou de ser internado?

— Sim, eu sou. Para onde ele foi levado?

— Ele foi levado para fazer alguns exames, mas pela minha experiência, creio que ele tenha fraturado o tornozelo. Se confirmado, ele terá que passar por uma pequena cirurgia.

— Cirurgia?

— Sim, colocaremos pinos para estabilizar e ajudar na regeneração óssea. A recuperação será bem mais rápida.

— Muito bem, mas quero um especialista cuidando disso.

A médica sorriu.

— Sou especializada no assunto.

O executivo ficou sério.

— Ótimo. – disse, apenas. – Quando poderei vê-lo?

— Pode vê-lo, quando retornar dos exames. Sugiro que volte mais tarde, porque vai demorar.

— Eu espero aqui mesmo. Obrigado.

Enquanto o executivo se dirigia até as cadeiras da sala de espera, a médica franzia o cenho. Máscara da Morte trajava um terno cinza claro que delineava bem o torso poderoso, alongando a silhueta.

Menos um belo espécime masculino para as mulheres... Pena! Disse a médica para sim mesma, após admirar o executivo não só pela sua aparência, mas atenção e preocupação com o amante.

Horas depois quando retornara dos exames e fora instalado no quarto, Afrodite em pânico resolveu ligar para Minos.

— Sei exatamente o que ele vai fazer! Ele vai atrás do Kanon e aí... aí vão matá-lo! Eu juro que quando sair daqui vou a todos os templos oferecer incenso e orar pra acabar com essa onda de azar que nos atingiu! — disse o loiro fechando os olhos.

Minos respondeu algo e quando Afrodite abriu os olhos,viu Ângelo parado na sua frente e de testa franzida.

Afrodite fez uma careta, pensando se ele ouvira tudo o que dissera ou não.

— Vou desligar. – avisou de modo abrupto e com um sorriso trêmulo. – Ângelo está aqui.

— Com quem estava falando? – perguntou ele, assim que o loiro desligou.

— Com o Minos.

— Você está tremendo...

O loiro pensou no que dizer. Pelo comentário, Ângelo não ouvira nada do que tinha falado, mas a ansiedade que sentia havia sido percebida. Então, pediu desculpas mentalmente ao amigo por usar a sua tragédia pessoal como pano de fundo e falou:

— Está bem, eu não sei se Hades contou a você, mas o Minos... Bem, ele sofreu um golpe terrível.

Ao ouvir aquilo, o executivo sentou na cama e se preparou para ouvir, enquanto Afrodite soltava o ar um tanto aliviado sem saber que, mesmo desconhecendo o teor da conversa com Minos, Ângelo já tinha os seus planos para enfrentar o inimigo...

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Um som despertou sua consciência feito um raio e o fez erguer a cabeça. Ficou paralisado, cada pensamento em sua mente misturando-se, como quando acordava com ressaca. Sentiu um gosto amargo na boca e só então se deu conta que estava deitado e amarrado.

Merda! Aquele maldito o tinha enganado! Pusera algo na garrafa de saquê e trouxera aqueles homens para intimidá-lo.

Não podia saber como fora levado, mas podia imaginar. Assim que Yoshiki colocou a garrafa sobre a mesa, tomara uma dose, enquanto observava dois homens armados no balcão. Logo em seguida, se sentiu tonto e percebeu que o professor sorria, enquanto dizia — Ah, você sabe... E essa brincadeira perversa acaba aqui!

Lembrou-se de ter se levantado e visto as armas. Havia algo de errado com elas, mas logo a vertigem o fez cambalear e Yoshiki o agarrara com a ajuda dos homens que estavam com ele. Não se preocupe, vou ser bonzinho e deixá-lo em um lugar onde poderá descansar e pensar sobre os seus atos...

Maldito! Iria matá-lo devagar, assim que se libertasse.— disse para si mesmo, enquanto a escuridão descia sobre os seus olhos.

O quarto estava semiescuro e silencioso. Não sabia se era dia ou noite. Puxou as amarras constatando que os homens contratados por Yoshiki haviam feito um bom serviço. Estava quase nu. Vestia, apenas, a cueca boxer. O som de uma chave abrindo a porta o fez ficar atento. Com a pouca luz, só viu um rosto nas sombras, o longo cabelo preto e a postura do corpo.

— Acho melhor me soltar! Você não sabe com quem está lidando. – gritou Hiroaki sacudindo as amarras.

O homem se aproximou e o olhou de cima a baixo. Depois riu com um brilho maldoso nos olhos.

— Espero que esteja confortável.

— Escuta aqui... Eu não sei o que aquele professor de merda disse para você. Mas quero que saiba de uma coisa... Se não me soltar, eu vou te procurar, eu vou te encontrar e eu vou te matar!

Uma gargalhada irrompeu do fundo da garganta.

— Eu vi o filme de onde tirou essa frase. Busca Implacável com Liam Neeson! Você é engraçado...

— Espero que ache engraçado quando eu meter uma bala nessa tua cara. – falou Hiroaki.

— Vamos fazer assim, você fica quietinho até o chefe voltar. Ele vai decidir o que fazer com você. – falou o homem que nada mais era que um ator, contratado por Yoshiki para amedrontar o yakuza.

Se sentindo poderoso ao engendrar toda aquela história, Yoshiki sabia que não poderia deixar Hiroaki à solta. O colega de trabalho tinha que sumir por uns tempos e com isso, atrair ainda mais a desconfiança sobre seus atos. Ele o deixaria preso, encenando um sequestro e fazendo uma tortura psicológica tão bem retratada em filmes e séries. Daria drogas a ele e o deixaria fora do ar. Quando o soltasse, ele não teria a mínima condição de se defender das acusações que faria questão de incrementar... Ah, e ainda teria o rival Hades contribuindo para que Hiroaki sofresse. A sensação de enganar o executivo Todo poderoso lhe conferia um prazer extra. Logo, logo, faria com que Minos se desencantasse com o namorado...

Hiroaki parou de se debater e observou o homem e a arma que carregava. Ele não se parecia com um gângster, apesar de falar como tal. Havia algo de estranho nos homens do professor e ele descobriria o que era...

— Preciso ir ao banheiro. – disse por fim.

O homem franziu o cenho.

— Faça aí mesmo.

— Você tá louco? Acha mesmo que eu vou ficar todo mijado como um animal?

Aquilo não estava nos planos. Pensou o homem. Yoshiki deixara bem claro que ele devia se portar como um homem rude e mau, um cara da mesma laia do sequestrado. No entanto, apesar de encenar bem o seu papel, ele não queria ficar num quarto apertado e fedendo a urina. Sem falar que o prisioneiro não cheirava muito bem e a tendência era que ficasse pior.

— Não tente nada. Se tentar alguma coisa vou fazer você dizer olá para o meu amiguinho. — falou o homem mostrando um revolver calibre 45.

Foi então que Hiroaki sorriu. A frase dita pelo seu carcereiro também era de um filme, um daqueles antigos que ele gostava. Lembrava até do nome, Scarface com Al Pacino. Deixou que ele o desamarrasse sob a mira do revolver. E depois, quando estava de pé, agiu como se estivesse ainda sob o efeito do álcool e da droga.

O homem pareceu relaxar ao ver a postura de Hiroaki e o yakuza esperou o momento certo de arriscar, desferindo um violento soco no rosto do homem fazendo-o bater as costas com força na parede. Ele reagiu, porém Hiroaki desferiu outro soco, desta vez na boca, quebrando dois dentes do homem e fazendo-o sentir o gosto do próprio sangue. O homem não se deu por vencido, mas não era um lutador e, aos poucos foi perdendo as forças com os ataques constantes do yakuza.

Raivoso como um animal, Hiroaki continuou batendo e quando o homem amoleceu ele pegou as tiras com que havia sido amarrado e enrolou no pescoço do sujeito, apertando-o. O homem se desesperou ao sentir que estava sendo estrangulado.

— N-Não... P-Po-or F-Favor... – murmurou gemendo e engasgando.

— Eu disse que ia te matar!

— E-Eu n-não...s-sou...

— Não é o quê? – perguntou Hiroaki afrouxando o aperto.

— Era... só...pra...manter você longe dele. – respondeu o homem desesperado.

Hiroaki virou o rosto dele para si, os olhos negros faiscando.

— Ah é isso... então o filho da puta armou pra se livrar de mim. Mas, tanto esforço não seria somente pra me ver pelas costas. Ele tá planejando algo e você vai me dizer o que é.

— E-Eu não sei! Ele contratou a gente pra encenar um sequestro. Só isso.

O yakuza olhou com desprezo para o homem, ao mesmo tempo em que uma chave girou na fechadura. O outro sequestrador estava voltando...

Puxando a arma da cintura do homem, Hiroaki constatou que não havia balas nela. Não sabia se ria ou falava um palavrão. Optou pelo segundo.

— Sabe o que eu faço com merdas que nem vocês? – murmurou junto ao ouvido do homem.

O homem tentou gritar:

— M-Masaichi não...

Hiroaki enfiou parte da tira de tecido dentro da boca do homem e o arrastou junto ao corpo para perto da porta. Quando o outro entrou, Hiroaki empurrou o homem que segurava e se aproveitou da confusão para chutá-lo na virilha. O homem se dobrou com a dor e recebeu uma joelhada no queixo, desmaiando na hora. Como um animal selvagem, o yakuza voltou para perto do outro que empurrara e tentava escapar.

— Não mesmo... – disse ele voltando a apertar o laço no pescoço do homem. – Vocês podem ser atores, mas eu não sou...

Os olhos do homem se arregalaram, enquanto era estrangulado pelo yakuza. Ele soltou um grito abafado e estremeceu quando por fim, Hiroaki puxou a amarra com força, deixando uma marca profunda no pescoço do sequestrador.

Sem nenhum remorso, ele deixou tombar o corpo sem vida. Depois foi até o outro que estava desacordado. Olhou em volta, o quarto quase não continha objetos, mas havia um pequeno abajur. Pegou-o, arrancando-o da tomada. Ergueu-o bem alto e quebrou-o na cabeça do homem desacordado. Continuou batendo. Uma. Duas. Três. Quatro vezes e mais outras tantas até sobrar destroços ensanguentados e o corpo inerte estremecer em um último estertor.

Procurou suas roupas e as vestiu. Elas cheiravam a suor, bebida e cigarro, mas não se importou. Pelo menos o dinheiro que guardava nos bolsos internos continuava ali. Como um homem que sobrevive a uma tempestade e cai em um redemoinho, Hiroaki olhou os corpos e sorriu. Yoshiki teria uma bela surpresa... Ele não era nada além de um pervertido metido a besta. Um bastardo que herdara parte de um império e um imbecil que iria aprender a não mexer com um yakuza.

Olhou para a pequena mesa onde jazia um isqueiro e uma carteira de cigarros aberta. Puxou um e acendeu. Tragou e, em seguida, deixou sair a fumaça lenta e pausadamente.

Ficou viajando na cena dos corpos que jaziam em posições grotescas, um em meio ao sangue e o outro com os olhos esbugalhados e a língua fora da boca. Ainda não sabia onde estava, mas isso não importava.

Acendeu o isqueiro e foi até a janela que era coberta por um sudare. Tocou com os dedos a cortina tradicional japonesa feita com ripas horizontais de madeira e sorriu, aproximando o isqueiro. O fogo pegou de imediato, lambendo a madeira com sofreguidão e queimando as provas do trágico momento vivido pelo yakuza e o atores contratos por Yoshiki.

Pois é, seu filho da puta... Você não sabe com quem mexeu.

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O telefone tocou. Não tinha parado de tocar desde que seu professor deixara seu apartamento. A pergunta era sempre a mesma: Você irá à viagem de estudos? O professor Yoshiki cancelou a nossa ida até que você pudesse participar. Todos pareciam curiosos e preocupados, mas Minos não achava aquilo verdadeiro. Parecia mais uma cobrança ou uma pressão para que pudessem desfrutar da atenção de Yoshiki que se mostrara muito atencioso e solícito.

Halldora atendeu ao telefone, pronta para dar mais uma de suas desculpas, pois Minos não queria atender ninguém.

— Você vai? – perguntou ela.

Minos suspirou. No próximo final de semana seria seu aniversário. Por mais que quisesse aprender e se destacar, não era bem isso que planejava nos seus dezoito anos.

— Não sei.

— É o seu aniversário. Certamente vai querer passar com o seu namorado. – falou a tia.

— Quer saber, tenho medo que Hades ache mais produtivo que eu vá do que comemorar com ele.

— Por que pensa isso?

— Pelo que aconteceu e pelo que conheço dele. Ele sempre preza a disciplina, o dever e... ele tá diferente.

Halldora aproximou-se e tocou o sobrinho no rosto.

— Minos... Hades já deu provas do quanto ama você.

— Ele não me beijou. Desde que tudo aconteceu, a gente não ficou junto...

— Desde que tudo aconteceu? Minos, o que aconteceu foi grave e recente. Você sofreu uma violência, como quer que ele queira arroubos sexuais neste momento?

— Eu sei! Eu não estou falando de sexo, eu estou falando que ele vem aqui, conversa e vai embora. No início eu achei que era só pelo clima que ficou, mas eu sinto que ele está diferente.

— Bobagem. Ele me pergunta sobre você, se tem dormido bem, se está se alimentando. Ele ficou velando o seu sono quando você tomou aquele coquetel preventivo de HIV, mais as drogas contra hepatite e tudo mais. É o jeitão dele. Lá na Fundação todo mundo tem medo dele, mas eu soube que ele consegue doações e organiza frentes de trabalho como ninguém mais. Hades é um homem de emoções profundas, porém controladas.

Minos ficou calado e Halldora percebeu que ele estava um pouco deprimido. Mesmo sendo forte e entusiasta toda aquela situação tivera o seu preço. Ligou a TV e o puxou para assistir com ela.

— Vem, vamos nos distrair.

— Vou voltar para o quarto, não estou a fim de ver TV.

— Mas olha só! Teve um incêndio bem próximo daquele clube maldito. Deve ser castigo... – disse Halldora ao ver o noticiário.

À contragosto, Minos olhou para a tela. O incêndio tinha sido num apartamento próximo dos armazéns que compunham o cenário em torno do Ageha. Fixou o olhar e as cenas internas do clube pipocaram em sua mente. Apertou entre os olhos e sentiu um mal-estar.

— O que foi? – perguntou Halldora.

— Nada. Vou para o meu quarto.

Assim que Minos deixou a sala, a campainha tocou. Halldora levantou-se, ainda com olhos e ouvido presos no noticiário. Quando abriu a porta e viu o japonês mal encarado com um cigarro no canto da boca, ela estancou e não conseguiu disfarçar a surpresa.

— S-Sim? – disse ela tentando disfarçar o tremor.

— O Minos está? – perguntou Hiroaki espiando por sobre o ombro de Halldora.

Notas finais
♥♥ Um super beijo e a minha admiração por estas garotas superpoderosas que sempre deixam uma palavra de incentivo e iluminam o meu viver: ZEEH HOT, ANGELIQUE, AKI YO, MIYU, DITEMASK, LUTHIE, AX14K7, LITHA_CHAN, TATOONTHESKY, ROZA e aquelas invisíveis que enviam boas energias, também! Um grande beijo e boa semana!!♥♥