KURAI YOKUBÔ (desejos obscuros)

13 Capítulo 13 - Eu sei quem você é e sei quem eu sou!


Notas iniciais
♥*♥Oi, galera amada!!!! Férias acabando, mas a felicidade de escrever e ter vocês comigo, isso não acaba nunca!!! Obrigada, sempre, pelo carinho e um super agradecimento à Lanny Missmuse pela recomendação. Fiquei muito feliz e honrada, viu?

Yoshiki deu uma rápida olhada no relógio ao entrar no restaurante discreto e iluminado por lamparinas tradicionais. Hinamori não atendera mais os seus telefonemas, após enviar a mensagem que Minos tinha restrições ao acesso de informações sobre sua vida. O fato o deixara intrigado e agora, que provara do seu corpo, ansiava saber mais sobre ele, algo que pudesse usar ao seu favor e tê-lo, inteiramente para si.

Fazendo uma varredura do ambiente com seus olhos escuros, o professor encontrou Kamamura Tokugawa, um detetive particular famoso e caro que, devido a sua nova situação, podia dar-se ao luxo de contratar. Sorrindo confiante, ele atravessou o pequeno salão do restaurante, preparando-se para escutar o que Kamamura teria para lhe contar.

Ao vê-lo, Kamamura ficou em pé, com um sorriso de boas notícias estampado no rosto, um sorriso que acentuava uma cicatriz profunda que possuía no canto esquerdo da boca.

– Professor. Tenho que elogiá-lo pela escolha do lugar. Restaurante discreto e elegante. – disse ele saudando-o à moda oriental.

– Obrigado. – disse Yoshiki.

– Bem, creio que o senhor está ansioso para saber o que descobri. Então, vamos aos fatos, o jovem que pediu para eu investigar tem um histórico muito interessante. Ele vem de uma família de posses, porém a mãe morreu e ele ficou sob a custódia de uma tia. Aos 15 anos o jovem tornou-se prostituto e até pouco tempo ele era um dos destaques no Kabukicho. Este dossiê possui todas as informações. – disse o detetive estendendo uma pasta escura para Yoshiki.

Prostituto? A revelação fez com que Yoshiki quase arregalasse os olhos.

– Depositei a quantia que combinamos em sua conta. Aqui está o comprovante. – disse o professor experimentando uma reviravolta de emoções dentro de si ao receber a pasta.

O garçom se aproximou mostrando a carta de vinhos.

– Pretendem pedir agora?

– Senhor Kamamura faça as honras, por favor. – disse Yoshiki com um sorriso nervoso.

O detetive escolheu um vinho caro e um prato com frutos do mar. Yoshiki estava ansioso para ler aquele dossiê, mas controlou-se. Ainda tinha outro assunto para tratar com Kamamura.

– Humm... essa safra é uma das melhores. – disse o detetive com um brilho nos olhos escuros. – Mas diga-me, professor, qual outro assunto o incomoda?

– Preciso que encontre um homem para mim.

O detetive lançou-lhe um olhar questionador.

– E quem é esse homem?

– O nome dele é Hiroaki Samura.

Bebendo um longo gole de vinho, o detetive encarou-o antes de falar pausadamente.

– Você tem negócios com ele?

– Ele trabalha comigo na emissora e temos uma pendência. Quero saber por onde ele anda.

– Professor, quando contratou os meus serviços, achei que se restringiria ao jovem em questão que, aliás, é seu aluno. No entanto, Hiroaki é um homem perigoso de se mexer. Qual a natureza desta pendência?

– Aquele idiota? Perigoso? Não creio que um drogado e preguiçoso me ofereça algum perigo. – disse Yoshiki com um tom arrogante.

– Aquele idiota é filho de Tadashi Samura patriarca da Gardênia e padrinho de meu filho mais velho. Ele é um yakuza e eu sugiro que o deixe em paz.

– O senhor sugere?

Kamamura estirou o corpo, bebeu outro gole de vinho e fitou Yoshiki. O professor experimentava um poder novo, do tipo que novos ricos por sorte ou herança vivenciavam. Não era algo inato e, por isso, não lhe dava algo muito importante como autopreservação.

– Veja bem, professor, descobrir-se herdeiro de um império é algo que pode virar a cabeça de um homem. Tadashi está morrendo e sua filha, em um ato inédito, assumiu a família. Naoko é uma mulher admirável e fará de tudo para preservar o clã. Dentro deste quadro, o senhor pode ter obtido dinheiro e poder, mas está sozinho. Aceite meu conselho e direcione as suas atenções para o jovem que pediu para que eu investigar. Sabendo do passado dele, quem sabe o senhor não experimenta um prazer maior que mexer com a yakuza?

– Creio que é tarde demais para isso.

– O que o senhor fez? Conte-me, talvez eu possa ajudá-lo.

Dando uma olhada ao redor, certificando-se de que ninguém o escutaria, Yoshiki contou tudo o que fizera, deixando Kamamura com uma expressão séria.

– E então? Não acha que depois disso eu preciso saber onde ele está? Eu preciso me desculpar, fazer qualquer coisa para consertar este mal-entendido. – mentiu Yoshiki.

Kamamura olhou-o como se ambos estivessem em um território perigoso, um campo minado...

– Mantenha distância e retome seus afazeres. Verei o que posso fazer.

Longe de sentir-se aliviado, Yoshiki pensou em como a vida parecia uma grande teia envolvendo a todos que conhecia e, ao final de tudo, ele via a si próprio como uma aranha tecelã que, neste momento, estava se enredando cada vez mais...

– Eu lhe serei muito grato. – disse, simplesmente.

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Afrodite dormira um sono tumultuado e acordara várias vezes com a enfermeira entrando no quarto para verificar-lhe os sinais, se tinha febre ou sentia dor.

– Perdoe-me por ter de acordá-lo. – disse a jovem enfermeira com um sorriso.

– Tudo bem. – respondeu o loiro. – Poderia me dizer quando eu terei alta?

– O médico virá vê-lo e avaliá-lo daqui a duas horas.

Fechando os olhos e suspirando entediado, Afrodite se recostou nos travesseiros. Em seguida, uma batida suave o fez olhar para a porta que se abria devagar.

– Shun! – disse ele com alegria.

O jovem sorriu e entrou.

– E então, quer me explicar o que foi isso? – falou Shun franzindo o cenho como quem estivesse reprovando os atos de uma criança.

– Ah, vem aqui que eu vou contar tudo. – respondeu o loiro já com uma expressão alegre.

Shun se aproximou, sentando na poltrona ao lado da cama. Olhando para um lado e para o outro, retirou um pequeno pacote de dentro do casaco.

– Deixa eu tirar isso do bolso antes que derreta. Não sabia se era permitido, então trouxe escondido. – disse ele.

– O que é?

– Chocolate.

Os olhos azuis de Afrodite pareceram incendiar-se ao receber a barra de chocolate.

– Hummm... Hummmm... – gemeu ele ao colocar um pedaço na boca e deixá-lo derreter revelando um delicioso licor frutuoso que escapava de seu interior.

Sorrindo, Shun observou o amigo fazer caras e bocas de prazer. Depois, quando quase todo o chocolate tinha sido devorado, ele perguntou:

– Você está bem?

– Agora estou. – respondeu o loiro lambendo os dedos. Acho que você trouxe o remédio certo para mim. – completou rindo.

Outra batida na porta. Afrodite e Shun olharam na direção do som e uma cabeça surgiu um tanto tímida, mas o olhar fixo no loiro que franziu o cenho.

– Você? Mas o que está fazendo aqui? Você é estúpido ou louco?

Kanon sempre fora um homem descolado, do tipo que enfrentava tudo e todos com seu sorriso charmoso e seu olhar intenso. Então porque sentia aquele nó no estômago ao encarar o olhar de desprezo de Afrodite?

– Vim ver como você estava.

– Já viu, agora vá embora antes que Ângelo o veja aqui.

– Precisamos conversar Afrodite.

Shun se levantou e ficou entre Afrodite e Kanon.

– Se você não deixar meu amigo em paz eu vou chamar a segurança. – disse o jovem encarando Kanon bem dentro dos olhos.

Kanon olhou Shun de cima a baixo e sorriu.

– Por favor, deixe-nos às sós.

– Nunca. – respondeu Shun.

Afrodite suspirou.

Santa Amaterasu! Acho melhor mesmo encerrar esse assunto ou você nunca vai me deixar em paz. Shun, você pode nos deixar um pouco? Será no máximo cinco minutos.

Sufocando um palavrão, Shun olhou para o amigo e viu a expressão eu vou ficar bem estampada naqueles olhos azuis que podiam ir do furor à calmaria em segundos.

– Eu vou ficar aí fora. Qualquer coisa, qualquer mesmo, eu chamo a segurança.

Kanon se aproximou da cama, seu olhar denotava tristeza e arrependimento.

– Eu sinto muito.

– Sente? Você sente muito? Sente o quê, Kanon? Você é incapaz de sentir algo por outra pessoa que não seja você mesmo. Se pretende continuar com essa ladainha dê meia volta e vá achar o que fazer.

As palavras duras o tocaram fundo. Não podia culpar Afrodite por julgá-lo deste modo, porque ele apenas dizia a verdade. Ao vê-lo ali, vulnerável, mas forte, e, lembrando-se do terror que sentira ao vê-lo despencar da escada, deu-se conta que estava sendo egoísta no mais alto grau.

– Você tem razão. Mas, eu... só quero que saiba que eu decidi... Bem, eu decidi acabar com tudo isso. Eu estou indo embora, mesmo que isso signifique a minha mor...

– O quê você está fazendo aqui, seu cretino?!

A voz grave e alta de Ângelo pareceu sacudir as paredes do quarto. Afrodite arregalou os olhos e Kanon, apenas se virou encontrando a fúria azul dos olhos do executivo. Shun estava com uma expressão atônita atrás de Ângelo sem saber qual atitude tomar.

– Por favor, não nos interrompa. – disse Kanon com uma autoridade inédita.

– Ora seu!

– Ângelo, fique calmo e chegue mais perto de mim. Por favor... – disse Afrodite com um tom de voz calmo, ao contrário da ebulição que sentia por dentro.

O executivo obedeceu sem deixar de olhar feio para Kanon. Quando se aproximou da cama, Afrodite tomou a mão forte entre as suas.

– Não podemos ficar nesta guerra eterna. Eu preciso ouvir o que ele tem a dizer e preciso falar também. Por favor, confie em mim. Eu quase cometi uma loucura, mas agora... Agora eu sei que o amor que sentimos um pelo outro é mais forte que qualquer coisa e nada pode destruí-lo.

O olhar, o tom de voz, a forma carinhosa com que Afrodite o tocava fez com que Ângelo engolisse a raiva e a mantivesse sob controle.

– Eu não quero este homem perto de você.

– Amor... Ele não pode me machucar mais. Não agora que eu sei, de verdade, o que é amar e ser amado.

Kanon ouviu tudo com o coração dolorido e um vazio no estômago. Amor... Quantas vezes ouvira esta palavra e não dera a mínima. Agora Afrodite amava outro homem, um homem íntegro, forte e que o protegia como ele devia tê-lo feito.

– Ele tem razão. – disse o fotógrafo. – A nossa relação no passado foi imatura. Ambos éramos jovens demais e eu... Eu não soube cuidar deste amor. Eu voltei ao Japão tentando resgatar uma dívida e também o amor que deixei escapar, mas eu sei que isso já não é mais possível.

– Deixou escapar? Você fodeu com tudo, seu filho da mãe egoísta. Sabe onde o homem que você diz amar teve de buscar sustento? Em um prostíbulo! Isso porque você bateu nele, deixou-o sem nada e se mandou! E agora você volta dizendo que está tentando resgatar uma dívida? Pois eu sei muito bem que dívida é essa! Uma dívida com a yakuza! Além de ser um covarde ordinário, você é um imbecil ao trabalhar para a máfia e achar que sairá ileso.

– Eu sei que errei, merda! Mas, o que eu quero que Afrodite saiba é que... Eu vou embora. Foda-se a dívida e as consequências. Se a minha presença é motivo de constrangimento eu arco com as consequências e...

Ângelo gargalhou interrompendo a fala de Kanon.

– Mas que altruísmo... Deus, não existe limite para o seu cinismo!

– Eu não estou sendo cínico!

– Ah, não? Você vem aqui com essa cara de vítima dizer que irá embora sem pagar a máfia como se estivesse se sacrificando. Pois eu tenho uma novidade pra você, eu descobri o seu segredinho e já dei um jeito. Eu paguei a sua dívida com Kobayashi, embora ele não tenha ficado muito contente com isso. Traficando drogas dentro da universidade... É assim que você esperava pagar a sua dívida? Você é um filho da puta e dos mais baixos.

– Eu devia a minha vida a ele. Foi ele quem determinou como eu devia pagar.

– Ah, sim! Devia a sua vida medíocre e pagava contribuindo pra foder com a vida de outros. Você não presta Kanon! A minha vontade era arrancar essa a sua cabeça e atirar o resto aos cães. Mas nem isso ia apagar a merda que você fez. Então agora, a sua dívida é comigo e o pagamento que eu exijo é que você suma de uma vez por todas da vida do Afrodite. Das nossas vidas!

Kanon não conseguia acreditar no que ouvia. Estava livre? Como Kobayashi permitira?

– O que eu devia era muito dinheiro. Como Kobayashi aceitou que outro pagasse em meu lugar?

– Ele não teve escolha. Ou ele aceitava o pagamento ou teria que explicar certos empreendimentos para a polícia. A yakuza pode ser forte, mas a velha guarda está perdendo a força. Mandar matar ou sequestrar pode ser uma faca de dois gumes, principalmente quando o alvo não é qualquer um. E, yakuza ou não, ninguém me ameaça ou prejudica quem me é caro.

Afrodite engoliu em seco. Não era o executivo que falava e sim Máscara da Morte e ele se mostrava sem nenhum temor.

– Bem, então eu acho que não tenho mais nada para fazer aqui.

– Exatamente. Você tem 24 horas para deixar o Japão. Se após este tempo eu souber que permaneceu por aqui, um minuto a mais que seja, vou mandar prendê-lo e jogá-lo em uma daquelas prisões que é melhor morrer a ter que viver nelas.

Kanon olhou para Afrodite.

– Eu não mereço o seu perdão, mas saiba que eu sinto muito.

– Adeus, Kanon. – disse Afrodite sem nenhuma emoção estampada no belo rosto.

Após a saída do fotógrafo, Ângelo apertou a mão delicada de Afrodite na sua e tocou a face alva com carinho. O olhar de aço do executivo se prendeu ao do loiro com uma ferocidade que tirou o seu fôlego.

– Nunca mais quero que tenha medo. Eu vou protegê-lo, sempre.

– Eu não tive medo por mim, tive por você. Eu não suportaria perdê-lo. – disse Afrodite piscando para conter as lágrimas.

– Você nunca vai me perder...

A boca de Ângelo tomou a de Afrodite e logo, as línguas se tocaram lenta e sensualmente. Shun sorriu e saiu de fininho. Ao percorrer o corredor do hospital, sentiu seu celular vibrar. Identificou o número de Aiolia e sorriu.

– Oi! Eu estou saindo do hospital, onde você está?

– Estou aqui no escritório. Você pode vir até aqui?

– Claro. Você tem algum plano para hoje à noite?

– Tenho e acho que você vai gostar.

– Eu sempre gosto das suas surpresas. – disse Shun com um largo sorriso.

– Então pegue um táxi e venha rápido.

O jovem guardou o celular e deixou o hospital. Enquanto isso, em seu escritório, Aiolia pensava na noite que teria com Shun. Decidira levá-lo para jantar com a família e assim deixar claro que a sua escolha era de caráter definitivo. Sorriu ao olhar a foto que ambos haviam tirado no parque de diversões quando fora seduzido pela beleza e generosidade de Shun. Estava tão absorto nas lembranças daquele dia que não percebeu a figura em pé junto à porta aberta. Era Rin usando uma minissaia reduzida, longas botas pretas que iam até a altura de seus joelhos fazendo com que parecesse alta. O suéter preto liso era justo, realçando o busto pequeno.

– Olá! – disse ela.

Aiolia elevou os olhos surpreso.

– Rin?

– Desculpa a invasão, mas a sua secretária não estava na recepção. – disse a jovem com uma voz meiga.

– Hã... Como sabia onde eu trabalho?

– O Shun me contou. Ele admira tanto você que me deu muitos detalhes de como você é, onde trabalha, enfim, tudo.

– E em que posso ajudá-la?

– Na verdade, eu e uns amigos estamos planejando fazer uma festa e eu só preciso de uma ajudinha do Shun. Serão, apenas alguns minutos de conversa. Eu liguei pra ele e ele disse que estava vindo para cá... — mentiu ela, adorando que o universo tivesse conspirando ao seu favor quando ouvira Aiolia ligando para o Shun.

– Ah, sim... Então, vamos esperá-lo. Enquanto isso, gostaria de beber alguma coisa? Água? Suco?

– Um suco, por favor.

Aiolia chamou a secretária. Rin continuou sorrindo e fazendo o papel de boa menina.

– Você pode esperar ali, enquanto bebe o seu suco. Eu ainda tenho alguns papéis para assinar. Tudo bem?

– Claro! Eu não quero atrapalhar.

O executivo voltou a sua mesa, enquanto Rin olhava a sala onde se encontrava. Era um local para reuniões com uma grande mesa, um quadro branco, um data show suspenso no teto e amplas janelas envidraçadas que mostravam uma bela vista. Sorriu ao pensar que ali seria um excelente local para colocar seu plano em prática.

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Hinamori parou na farmácia da esquina, a caminho do apartamento, para comprar um analgésico para a sua dor de cabeça. Desde que seu irmão ligara dizendo que Hades queria falar com ela, sentiu-se atemorizada. Hades era um homem conhecido, ela o sabia. E muito rico, também. Porém, não era isso que a deixava desconfortável. Yoshiki era seu amigo e traí-lo não era algo que teria prazer em fazer, apesar de ele pouco se importar com ela.

Paciência. Pensou enquanto engolia uma aspirina. Precisava sobreviver e Yoshiki era mesmo um pervertido. Entrou em casa e ligou para o número que Aiacos tinha lhe dado.

– Alô? Senhor Hades? Sou Hinamori. Meu irmão disse que o senhor desejava falar comigo.

Após uma conversa rápida, Hades desligou o celular e olhou ao redor, já juntara todas as informações e delineara um plano que resolveria aquela situação antes do aniversário de Minos. Seria mais um presente para o seu amado e, também, um alívio para si.

Estar na Fundação verificando alguns arquivos e relendo alguns relatórios não o impedia de traçar estratégias que seriam colocadas em prática logo. Fez algumas anotações, deu ordens à secretária e, em seguida, ligou para Hiroaki.

– Primeira parte do plano confirmada? – perguntou o executivo.

– Sim, você tinha razão, ele contratou o melhor detetive particular de Tóquio sem saber que é alguém da minha... família. A armadilha foi acionada.

– Ótimo. – disse Hades desligando.

O executivo colhera muitas informações sobre Yoshiki com Aiacos. A habilidade do hacker em devassar a vida de alguém e penetrar nos mais sórdidos segredos sempre fora a peça chave em sua busca por informações, fossem pessoais ou a nível dos negócios. De posse destas informações traçara um perfil do professor.

Fora a relação conturbada com Misty e uma colega na universidade, não havia nada execrável em seu passado, apenas a confirmação de Hinamori que ele tinha preferência por rapazes jovens, o que demonstrava a necessidade de dominar. E sim, ele também era um Dom frequentador de casas de BDSM e, bastante assíduo em determinada época. Outro fato interessante era que ele se descobrira filho de um homem importante e detentor de vasta fortuna.

Unindo todos os fatores, o resultado era um homem de personalidade arrogante se deixando levar por uma obsessão sombria e súbito deslumbramento pelo poder adquirido de forma inesperada.

Todas as informações permitiram que ele, Hades descobrisse um modo de fazê-lo pagar por ter feito aquilo com Minos. Sabia muito bem como funcionava a sensação de ter poder sobre alguém, o lado obscuro adquirindo vida própria. Porém, diferente de Yoshiki, sempre dominara essa tendência em si e procurara pessoas adultas com quem pudesse estabelecer um contrato claro e isento de efeitos colaterais. Minos era o primeiro jovem com quem se relacionava e também o primeiro com quem estabelecia uma relação íntima e fundamentada em algo além do simples desejo.

Pouco importava que Yoshiki tivesse tido um único deslize em sua vida. Este deslize ferira quem amava e ia fazê-lo pagar, se certificando que ele jamais faria aquilo novamente! Pensou enquanto ligava para determinada pessoa.

– Olá, Misty. Aqui é Hades e eu preciso falar com você.

– Como conseguiu meu número?

Hades sorriu.

– Você se surpreenderia com o que eu sou capaz quando quero algo.

Do outro lado da linha, Misty experimentou um arrepio na nuca. O tom de voz de Hades e a lembrança de como ele era misterioso e bonito mexeu com o jovem.

– E o que o senhor deseja? – perguntou sugestivo.

– Desejo vê-lo e... falar com você. – respondeu Hades fazendo uma pausa estudada

– Onde e quando? – falou Misty sentindo uma excitação crescente.

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Shun atravessou a rua e, em seguida, chegou à porta de entrada das empresas Mediterranean Center. Ao mesmo tempo em que falava com a secretária, viu Rin saindo da sala de reuniões, seguida por Aiolia. Ao vê-lo, Rin correu até ele.

– Shun... – disse ela a agarrando o suéter na altura dos seios.

– Rin?

Antes que qualquer palavra fosse dita, a jovem se aproximou de Shun e seus olhos estavam cheios de lágrimas.

– Eu não queria... me perdoe, eu só vim aqui porque precisava falar com você!

– Não queria o quê? – perguntou Shun franzindo o cenho.

Rin olhou para trás.

– Ele... Ele tentou me agarrar! – disse ela apontando para um Aiolia cujo sorriso morria em seus lábios.

Uma tensão tomou conta do corpo de Shun, enquanto Rin chorava e Aiolia arregalava os olhos verdes.

– Mas... isto é... Isto é um absurdo! – disse o executivo.

– Não é não! Você me disse para esperar naquela sala, me ofereceu um suco e depois... depois ficou me olhando e tocando meu rosto enquanto falava comigo. Pode negar isso? – acusou ela.

– Você disse que tinha algo em seu rosto e me pediu para tirar. O que você está pretendendo com isso, menina? – disse Aiolia segurando-a pelo braço.

– Me solte, seu tarado! Você está enganando o Shun! Ficou o tempo todo olhando para as minhas pernas e falando com voz macia! – gritou Rin.

– Você está mentindo! – rebateu Aiolia.

Em silêncio, Shun observava a cena. Todos sempre o viam como ingênuo e as suas atitudes conciliadoras confirmavam a opinião de todos sobre si. Mas isso não era verdade, a vida tinha lhe ensinado dolorosamente que o ser humano podia ser generoso, cruel, fiel ou traidor.

Olhando para Rin que estava com os olhos vermelhos por conta do choro e para Aiolia que parecia tão desnorteado que seus lábios tremiam, ele tomou a sua decisão. Não era mais uma criança, nem inocente. Tinha se prostituído, passado fome e agora via o seu talento acenar para um futuro novo, bem sucedido. E parte de tudo isso se devia ao amor e cuidado que Aiolia lhe oferecia. Sim, por algum tempo temeu que, sendo bissexual, o leonino poderia se interessar por uma mulher, mas uma mulher e não aquela menina mimada e... mentirosa!

– Pare com isso, Rin! Chega dessa palhaçada! – gritou Shun.

– Shun...? Você não acredita em...

O jovem a encarou tão sério que seus olhos grandes e doces haviam se transformado em duas gemas verdes e frias que assustaram tanto ela, quanto Aiolia.

– Quer saber de uma coisa? Eu estou cansado de ser confundido com um simplório! Eu não sei o que você pretende com essa sua postura medíocre na vida. Seu pai é um artista de sucesso, ele batalhou, criou você. E o que você faz em troca? Age como uma criança birrenta e egoísta que quer todo mundo a sua volta. Você quer o quê comigo? Eu sou gay e jamais vou ter qualquer coisa com você ou outra garota. Esqueça seus planos infantis e cresça, antes que acabe sozinha, porque ninguém em sã consciência vai querer conviver com alguém cujo único propósito de vida é agir como uma deusa insana e exigir adoração constante.

O choque do tom e as palavras duras fizeram Rin estancar e Aiolia sorrir, trêmulo. As palavras de Shun foram como uma sentença de morte para a jovem acostumada a fazer jogos e a nunca ouvir um não. Pela primeira vez, em sua vida, ela sentiu uma vergonha quase insuportável.

– Eu vou embora. – disse ela saindo correndo.

Aiolia olhou para o amado, sentindo um orgulho que quase não cabia dentro do peito.

– Eu confesso que tive medo. – disse ele.

– Medo do quê? Que eu acreditasse que você é um tarado? – questionou Shun, sério.

– É que... Bem, ela veio e eu a recebi achando que vocês eram amigos. Em nenhum momento ela demonstrou algo fora do normal e aí, quando você chegou ela fez tudo aquilo. – disse Aiolia levando a mão aos cabelos acobreados.

– Se fosse ao contrário e fosse eu no seu lugar, você acreditaria em mim? – perguntou Shun.

O executivo tocou a face alva, vendo surgir nos olhos verdes a delicadeza e o brilho que tanto o encantavam.

– Você é o homem que eu amo... um presente que eu agradeço a Deus todos os dias. Eu acreditaria e acredito, sempre.

Shun sorriu e agora havia uma ponta de malícia naquele sorrisinho falsamente tímido. Ele tomou a mão de Aiolia e abaixou-a.

O executivo percebeu a intenção dele e puxou-o para dentro da sala de reuniões, fechando a porta com pressa.

O jovem conduziu a mão do executivo em direção ao próprio corpo, garantindo que ele sentisse a evidência sólida de sua excitação sob o zíper do jeans.

– Eu também te amo, Aiolia e isso aqui... mostra a minha felicidade em saber que confia em mim. – disse Shun se esfregando na palma da mão do executivo.

Aiolia o beijou com uma selvageria quase descontrolada. Liberando suas emoções, moveu a boca sobre a de Shun esmagando-a com sofreguidão. Sua língua mergulhou profundamente, saiu, mergulhou de novo mais lentamente e então gemeu, sentindo o sangue cavalgar-lhe as veias.

– Eu nunca fiz isso no trabalho, mas você me tira do sério... Caralho, eu quero você aqui mesmo. – disse o executivo rente aos lábios carnudos de Shun.

O jovem riu, abafado. Toda aquela excitação resultava da tensão anterior e os levava a reafirmar o que sentiam um pelo outro. Amor, desejo, loucura... variáveis que, desde a primeira vez que tinha transado, haviam se instalado em suas vidas de forma irreversível. Não havia se ou mas. Havia entrega, confiança e um amor que nada ou ninguém poderia destruir.

O executivo contornou os lábios rosados com a ponta do dedo indicador em um gesto de completa sedução, enquanto fitava o volume crescente entre as pernas de seu amante.

Shun mordia o lábio inferior, apenas esperando pelo próximo movimento de Aiolia naquele jogo erótico que iniciava entre os dois. Ansiava pelo toque do leonino e que aquela tensão sexual, aliada ao toque proibido de fazer amor ali, fosse finalmente satisfeita.

Ele ofegou quando viu Aiolia ajoelhar-se a sua frente, abrindo o zíper da calça com um movimento rápido e expondo sua excitação completa àquele olhar ansioso. Shun pensou em tudo que, em questão de segundos, havia lhe acontecido, mas não teve tempo de continuar, pois logo sentiu a língua morna e levemente áspera do executivo acariciar a ponta de seu membro em riste, causando um novo arrepio por seu corpo. O leonino entreabriu os lábios macios e ameaçou colocá-lo na boca, mas para surpresa de Shun, isto não aconteceu. Estava claro que Aiolia queria torturá-lo antes de finalmente lhe dar o tão merecido premio.

Sentiu seus sapatos serem desamarrados e retirados, assim como a calça e a roupa intima, estava agora completamente nu da cintura para baixo. Teve sua mão segura pela do outro e foi guiado até a enorme mesa de reuniões, seu coração batia em disparada, admirando a ousadia de Aiolia que o deixava totalmente a sua mercê e, fazendo-o, gostar muito disso.

– Sente-se aqui. – disse Aiolia

Shun demorou alguns segundos para compreender a ordem, mas a resposta veio imediata quando viu o leonino conduzi-lo e deitá-lo sobre a mesa de madeira. Sentiu a textura lisa do ébano escuro e experimentou o aconchego da madeira com um arrepio de prazer...

Aiolia aproximou-se dele e o fez afastar as coxas, fazendo-o apoiar os pés no tampo da mesa. Sua entrada estava completamente visível e pulsava deliciada como que respondendo ao que estava acontecendo. E mais uma vez Aiolia o surpreendeu, ajoelhando-se entre suas penas abertas e mergulhando o rosto naquela entrada piscante e convidativa. A língua morna parecia vibrar na sua entrada, causando arrepios impossíveis de conter e gemidos que ficavam presos na garganta, oprimidos por medo de ser ouvido.

– Deixe sair... – disse Aiolia.

Shun jogou a cabeça para trás e após morder fortemente os lábios em uma ultima tentativa de conter-se, permitiu que eles saíssem. Inicialmente sussurros tímidos que logo se transformaram em gritos do mais puro prazer sem pudores.

– Ahhh... Aio...lia... Hmmm... – disse o jovem elevando a cabeça e vislumbrando um sorriso triunfante no rosto belo do leonino, mas não conseguiu continuar olhando, pois sentiu novamente a língua morna forçar passagem por sua entrada, obrigando-o a inclinar a cabeça para trás, completamente deliciado e ofegar.

Lambeu os lábios em completo êxtase e forçou os quadris contra os dedos do amante que agora substituíam a língua e entravam em um ritmo cadenciado de movimentos. Suas pernas estavam cada vez mais afastadas, os pés deslizando com o suor sobre o tampo da mesa, deixando seu corpo cada vez mais exposto aos olhos famintos do leonino. Não suportava mais aquela tortura, precisava sentir Aiolia dentro de si, forte e ardente como sempre era. Mas, antes que chegasse a pedir verbalmente, sentiu a ponta do membro pulsante do outro acariciando sua entrada atormentada...

Aiolia forçou-se contra a fenda minúscula, investindo para dentro em um único movimento seco, obrigando Shun a deixar escapar um ganido de dor e prazer tão animalesco que não condizia com a sua aparência inocente.

–Aaah! – estava dentro dele, pensou Aiolia sentindo um prazer enlouquecedor. Encontrava-se completamente enterrado no corpo de Shun, fundindo ambos os corpos em apenas um. Aquilo tinha um significado muito além do erótico, era algo transcendente, poderoso...

Shun estendeu os braços para Aiolia, vislumbrando o corpo viril retesar. Sentiu aqueles braços longos e fortes envolverem sua cintura, enquanto o quadril do mesmo iniciava os movimentos em um ritmo firme e constante. Eram estocadas profundas e rápidas, sempre “obrigando-o” a deixar que gemidos escapassem em resposta.

O isolamento acústico da sala ocultou o que foi um dos mais altos gritos de prazer que o jovem deixou escapar. Ele enterrou o rosto na curva macia e perfumada do pescoço de Aiolia, permitiu-se lamber aquela pele bronzeada, deliciando-se com o sabor levemente salgado e misturado com o perfume de colônia masculina, sorrindo ao ver que o outro estremeceu e fechou os olhos perante seu gesto.

Sua boca foi invadida mais uma vez pela língua ávida e quente do leonino, enquanto seu membro completamente em riste sofria pressão entre os ventres, causando uma deliciosa fricção que o deixava quase alucinado. As investidas se tornaram frequentes e as penetrações cada vez mais profundas, Sentiu a ponta do membro excitado do leonino acariciar seu interior e lhe atingir a próstata causando ondas sucessivas de luxúria e prazer.

Jogou a cabeça para trás e circulou a nuca de Aiolia com os braços, apertando-o contra si, sentia o orgasmo chegando para ambos, fazendo-os estremecer e grunhir. Foi quando aquela ultima estocada dentro de seu corpo atingiu aquele ponto único, deixando-o completamente sem controle. Seu sêmen saiu quente, umedecendo os ventres de ambos, ao mesmo tempo em que sentia Aiolia preenchê-lo com seu gozo.

Os dois ficaram um tempo abraçados até o leonino ouvir o sinal de seu celular, um alarme avisando-o da próxima reunião.

– Hmm... – Shun murmurou contrariado, quando sentiu que o outro se retirava de dentro do seu corpo.

– Desculpe, mas logo os diretores estarão aqui. – disse ele rindo.

Shun observou Aiolia se afastar, ainda vestido, exceto pelas calças parcialmente arriadas um pouco abaixo da linha dos quadris. Ele também ofegava enquanto ajeitava os cabelos no lugar, tirando-os do campo de visão.

Nu e completamente exposto sobre a mesa, Shun começou a mover o corpo para descer. Aiolia alcançou-lhe as peças de roupa e os sapatos. Quando o jovem já ensaiava alguns passos em direção a porta de saída da sala, Aiolia pegou-o pelo cotovelo, obrigando-o a parar.

– Não precisa sair tão rápido. Venha cá... – disse o leonino abraçando-o,

Uma fração de segundo depois os lábios do executivo pousaram nos de Shun. Já não era mais um beijo selvagem, mas terno e igualmente poderoso como quando faziam amor.

– Deus, Shun... – ele sussurrou, o hálito quente tocando os lábios do jovem.

– Estão batendo na porta... – murmurou Shun.

Aiolia beijou-o, novamente, antes de se afastar e ir abrir a porta.

Ângelo entrou, animado e olhando, de forma divertida para os dois.

– Onde estão os outros? – perguntou Aiolia tentando disfarçar o rubor.

O executivo conhecido como Máscara da Morte sorriu.

– Quando vi a porta trancada, achei que algo estava acontecendo, então... transferi a reunião para a parte da tarde e trouxe isso. – disse ele mostrando uma garrafa de champanhe.

– E o que estamos comemorando? – perguntou Aiolia, enquanto Shun sentia o rosto em fogo.

– O amor, ora! O que mais seria sob essa atmosfera de sexo in the air? – respondeu o executivo deixando escapar uma gostosa gargalhada.

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O clube estava vazio, sendo limpo e preparado para o fervor noturno. Quando aceitou o convite de Hades, Misty não imaginava que seria aquele lugar. Ele não pretendia se envolver ainda mais naquele assunto, mas a verdade era que Yoshiki já não era mais o mesmo e, ultimamente, sentia que ele o estava evitando e isso mexia consigo.

Quando Hades acenou com sua atenção, pensou em ignorá-lo, mas o executivo tinha algo que o tinha atraído. Não era somente o corpo e a voz grave que o excitava, mas um jeito de ser que o fez pensar em algo mais... Quem sabe isso não é um sinal para eu deixar de bancar o idiota e partir para outra? Eu sou bem mais bonito que o Minos e minha família é importante. Acho que Hades merece um amante a sua altura.

Imerso em pensamentos, Misty não ouviu os passos atrás de si e se assustou quando se virou e o encontrou tão perto. A expressão do rosto era séria, porém havia um estranho brilho magnético naqueles olhos azuis acinzentados. O terno escuro e de corte impecável acentuava a postura ereta. Hades era a verdadeira personificação da sexualidade masculina e a atração que ele exercia exigia um esforço para resistir a ele. Diferente de Yoshiki, ele parecia não ter de fazer nenhuma força para se impor.

– D-Desculpe, mas não o ouvi se aproximar. – disse o jovem.

Hades sorriu com frieza, mas conectado aos olhos de Misty. O jovem era arrogante e hedonista, mas no fundo, havia uma personalidade carente de atenção e elogios. Uma fragilidade encoberta pela beleza quase feminina. Um submisso em potencial... Isso facilitaria o trabalho.

– Sei que pedir para que viesse até aqui deve ter lhe custado muito. Então, sou eu quem pede desculpas- — disse o executivo.

– Eu quero ajudar. – disse Misty preso ao olhar de Hades.

– Sério?

– Sim.

– Então, Misty... vamos abrir o jogo um com o outro. – falou Hades vendo o jovem soltar um suspiro.

Notas finais
♥*♥ Agradecimentos a todos os reviews que dão aquele up gostoso e que nos fazem desejar melhorar, cada vez mais, também a quem favorita e lê quando pode, a quem silencia e só percebemos pelos contadores, enfim, obrigada por toda e qualquer manifestação de carinho!!! XD♥♥