Júpiter e Vênus
9 Cu de bêbado não tem dono, né
Notas iniciais
PEDRO
Dei um longo bocejo e abri os olhos. Eu estava deitado numa cama. Obviamente não era a minha. Franzi as sobrancelhas e apalpei os travesseiros, fazendo um grande esforço para raciocinar. Era o quarto de Gabriel. O que diabos eu tou fazendo aqui?, pensei com um aperto no coração. Como resposta, sem mais nem menos, as memórias da noite anterior surgiram como um relâmpago na minha mente e eu lembrei de cada detalhe.
Eu disse que Gabriel era bonito.
O acontecimento de segunda era a mais pura verdade.
A gente se beijou.
Eu exigi dormir na sua cama quando a gente voltou pra casa.
Sentei na velocidade da luz. Eu não beijei Gabriel, porra! Eu não fique duro mesmo, caralho! Esfreguei a testa, chocado com a minha própria pessoa. Jurei que não iria lembrar. Jurei. Diabos! Uma vergonha queimou minhas bochechas. Gabriel era gay. E-u tam-m-bém? Não, não, não, não, não, não, não. Ninguém era gay. Ninguém ninguém. Okay? Okay.
Apertei o lençol entre meus dedos, pensando no que fazer. Eu lembrava sim. Mas Gabriel não precisava saber disso. Agiria normalmente. Nada aconteceu.
De repente, Gabriel apareceu na porta do banheiro. Meu coração disparou pelo susto. O único pano que cobria seu corpo era uma toalha branca, envolvida na cintura bronzeada. As gotinhas de água escorriam por seu peito e meu olhar foi instantaneamente hipnotizado por elas. Fechei os punhos, com vontade de me enfiar num buraco.
— Bom dia, Pedro. — ele disse num tom apático.
— Bom dia... Gato borralheiro. Pode me dizer o que eu tou fazendo aqui? — fingi ignorância pelo bem das aparências. É claro que eu sabia o que raios eu estava fazendo ali.
Gabriel deu um meio sorriso e abriu o guarda-roupa. Ele pegou uma cueca vermelha na gaveta e tirou a toalha. Engoli em seco. A visão do corpo nu do moreno deu-me uma sensação esquisita. Mordi o lábio e desviei o olhar para o lado. Aonde aperta pra morrer?
— Você deu uma de sonâmbulo durante a noite. — ele respondeu. — E veio parar na minha cama.
Meu Deus. O prêmio de cara de pau do ano vai para...
— Sério? — perguntei, continuando o teatro. — Pensava que isso tinha ficado na infância.
— É. — ele assentiu.
Tornei a olhar para o Gabriel. Ele estava terminando de vestir uma calça jeans escura. Uma camisa preta de manga longa jazia separada num cabide à parte. Aparentemente, o gato borralheiro iria sair.
— Vai pra onde?
— Shopping.
— Hum.
Ele fechou o zíper e meteu a camisa na cabeça. Catou um frasco de perfume na cômoda e borrifou um pouco da essência no pescoço. O cheiro de pobre inundou o quarto. Apanhou então o celular e saiu sem dizer mais nada. Segundos depois, ouvi o som da porta da sala batendo.
Respirei aliviado. Eu não estava livre das memórias do irritante beijo, mas pelo menos, estava livre da presença virulenta daquela criatura. Levantei-me e fui para a cozinha. Minha cabeça doía. Sabia que era só consequência da véspera. Eu precisava de um remédio, de preferência, um bem forte que me fizesse dormir até segunda-feira. E se não for pedir muito, que também me desse amnésia. Encontrei no armário um tal de Deltalax. Enfiei dois comprimidos dentro da goela. Devia servir.
Em cima da mesa, havia uma sacola cheia de pão francês. Puxei uma cadeira e sentei. Comecei a comer, refletindo sobre o assunto. O demônio queria aprontar comigo, isso eu tinha certeza. Porque não era possível um trem daquele. Raramente me recordava a maneira pela qual chegava em casa depois de beber. E com o gato borralheiro... Balancei a cabeça. Em teoria, bêbados se sentem desinibidos para fazer o que sempre tiveram vontade. Será que essa foi minha motivação? Dei um tapa na testa. Não. Nunca quis beijar o Gabriel. Nunca. Eu nem me sinto atraído por macho, fala sério.
Depois de dois pães engolidos sem mastigar muito, dirigi-me para meu quarto. Ao passar pela sala, chequei a hora no receptor. Era onze e meia da manhã. Muito cedo para um dia pós-festa. E para qualquer dia. Acelerei o passo e corri para minha cama linda e maravilhosa. Apertei o rosto contra o travesseiro branco. Preciso dormir. Quando eu acordar vou ver que isso não passou de um pesadelo ruim. Fechei os olhos e esperei o sono vir ao meu encontro. Ele não demorou.
[...]
— Ele tá dormindo faz hora, Jéssica. — ouvi longe a voz de Gabriel. — Acho que tá de ressaca por ontem. Deve ter posto o celular no silencioso, é a cara dele. Sei. Tá bem.
Entreabri as pálpebras. Dormir durante o dia era algo que me fazia ficar grogue e meio drogado. Virei-me de lado e olhei para a janela aberta. O céu já estava escuro. Eu dormi quanto tempo? Limpei a baba amarga que descia dos meus lábios e sentei-me na cama. Foquei meu reflexo no espelho, na parede em frente. Eu estava parecendo um doido que fugiu do hospício. Cabelos arrepiados, cara amassada, roupas sujas de poeira. Roupas. Só então notei que estava usando as roupas da festa ainda.
Suspirei. Eu tinha que tomar um banho. Puxei a gola da camisa e a cheirei. Ela levava o perfume de Gabriel. Droga, ainda fico exalando essência de pobre. Mas até que não era tã ru... Não, não. Claro que era ruim. Péssimo. Horrível. Comprado na revista da Avon.
— Tou ficando muito doido.
Me despi lentamente e entrei no banheiro. Mal liguei o chuveiro e Gabriel tomou conta dos meus pensamentos outra vez. Ele estava sóbrio quando foi beijado por mim, matutei enquanto envolvia meu corpo com a espuma do sabonete. E retribuiu meu beijo. O gato borralheiro me queria. Mas por que o maldito cu doce?
Balancei a cabeça. Bendito... Bendito... Ainda bem que ele parou, né! Magina, aquilo tudo continuando e eu tendo que dar a bunda. Dei um tapa na testa. Claro que eu, Pedro Bozza, não iria dar bunda porra nenhuma. Se as coisas tivessem continuado, obviamente, Gabriel seria o passivo. Soquei a parede, aborrecido. Eu não ia querer nem se fosse pra comer.
Puxei os cabelos úmidos, observando a água correr para o ralo. Eu só não mato ele porque ele não pode saber que eu lembro. Fechei o registro e enrolei uma toalha na cintura. Apanhei a escova dentro do armário. Com raiva, comecei a escovar os dentes, ignorando o filete de sangue que escorria pela minha gengiva. Filho da puta! Enxaguei a boca e saí.
Vesti a primeira bermuda que apareceu diante das minhas vistas. Fui atrás de comida. Meu estômago roncava a cada dois segundos. O pão que comi pela manhã já estava bem digerido. Ao passar pela sala, vi Gabriel. Ele estava sentado no sofá, assistindo TV. Aparentemente, era um filme de terror. Ignorei-o e continuei meu caminho até a cozinha.
Encontrei uma panela cheia de farofa de carne em cima do fogão. Lambi os beiços. O cheiro era maravilhoso. Apanhei uma colher fácil. Não demorei mais do que cinco minutos para devorar todo o conteúdo do recipiente. Estava realmente muito boa. Mas talvez fosse a minha fome. Gabriel não cozinhava tão bem assim. Bebi dois copos de água. Prestes a beber o terceiro, a campainha tocou.
Encolhi os ombros. O gato borralheiro que atendesse. Porque gatos borralheiros servem exatamente para isso. No entanto, mal pus o copo de plástico em cima da mesa, Gabriel gritou:
— Princesinha linda, a Jéssica.
Gemi com raiva. O fi duma égua além de me beijar... Tá, fui eu que beijei. Preciso lembrar desse detalhe, claro. Corrigindo, além de deixar que eu o beijasse, ainda inventava de me zuar.
— Tô indo. — gritei em resposta.
Dei uma checada nos meus fabulosos fios na janela de vidro do armário. Jéssica não era nenhuma pessoa importante, contudo, eu tinha uma imagem a zelar. Meti o pé para a sala. Ela estava sentada no sofá, ao lado de Gabriel. Vestia uma calça jeans apertada com uma blusa azul cheia de treco-treco. Bem gostosinha.
— Te liguei cinco vezes. — a morena disse com uma expressão de tédio.
— Não vi. — ergui as mãos. — O que tu quer?
— Sair. Cansei de olhar pros meus livros de Cálculo.
— Pra onde? — levantei a sobrancelha.
— Sei lá, cinema. Deve ter algum filme legal.
Cinema. Suspirei. Tinha lugar melhor pra ir não? Espreitei o rosto bronzeado de Gabriel. Ele parecia nem prestar atenção no que nós dois estávamos falando. Comprimi os lábios. Mais um minuto respirando o mesmo ar que o gato borralheiro e eu seria obrigado a usar remédio tarja preta.
— Tá bem. Espera eu me vestir e me calçar.
[...]
Apertei a sobrancelha, resmungando xingamentos aleatórios. Jéssica escolheu um filme de comédia romântica. Jamais confie em mulheres. Tudo bem, tudo bem... Liguei o modo automático e entrei na sala junto com a garota. O lugar estava cheio. E a maioria do público era feminino. Final de semana sacana.
Não posso dizer que assisti o filme. Minha mente estava completamente avoada. Eu poderia sair de casa, mas Gabriel não saía da minha cabeça. A imagem do beijo passava em replay nos meus pensamentos a cada segundo. O demônio estava de zueira comigo.
Quando a tortura intitulada filme terminou, saímos do cinema e fomos para uma lanchonete próxima. Jéssica pediu hambúrguer e suco de maracujá. Eu pedi somente uma Coca. Sentamos numa mesa próxima à parede. Dei um gole no refrigerante e fiquei observando o vai-e-vem de veículos na rua, pelo vidro da janela.
— Playboy. O que diabos tu tem? — a morena questionou.
— Como assim?
Ela cruzou os braços.
— Tá todo noiado. Cadê o Pedro que eu conheço?
— Tô com sono. — dei de ombros.
— Não, cara. Eu já te vi com sono. — Jéssica balançou a cabeça. — E tu não fica assim.
Suspirei aborrecido.
— Droga, Jéssica. Me deixa. Não é nada. — disse com ênfase. — Absolutamente nada. Estou super hiper ultra mega power contente. A vida é linda.
Jéssica riu.
— Claro. A vida é linda. Mas sabe. Não custa nada se abrir comigo. Já percebeu que tu não tem muitas pessoas em quem pode confiar? A maioria dos teus amiguinhos só tá contigo por causa do teu dinheiro. Então, se tiver alguma coisa pra falar, desembucha logo.
Virei o rosto para o lado. Ela precisava esfregar na minha cara que eu não tinha amigos de verdade. Claro. Mordi o lábio. Se eu não dissesse aquilo para alguém, provavelmente iria ficar doido. Mas verbalizar a frase "olha, beijei o filho da puta que mora comigo" era a coisa mais difícil do mundo.
— Bebi demais e fiz merda. — falei pausadamente. — Ponto.
A morena levantou a sobrancelha com um sorrisinho malicioso.
— Tipo o quê? Tirou a roupa no meio do povo e dançou a música da Lady Gaga?
Esfreguei o nariz, tentando segurar uma gargalhada. Eu nunca tinha chegado ao ponto de tirar a roupa e dançar Lady Gaga. Bem, não tinha lá muita certeza.
— Deu o cu? Sabe que cu de bêbado não tem dono né... — ela continuou.
Apertei a língua entre os dentes. Abri a boca para falar algo como "vamo pra casa e chega disso". Contudo, antes que pusesse pra fora a mínima sílaba, senti uma pontada de dor intensa na barriga. Curvei-me com os braços pressionados contra o ventre.
— Pedro? O que foi? — Jéssica perguntou preocupada.
— Eu. Pre-pre-ciso cagar.
Minha amiga cobriu a face com as mãos. A fia da mãe estava sorrindo. Ah se não fosse mulher...
— Deve ter banheiro aqui.
— Não, cara. — resmunguei apertando as nádegas. — Eu não entro em banheiro que pobre entra. Tenho que ir pra casa. — enfiei os dedos no bolso da calça. Puxei as chaves do carro e joguei-as em cima da mesa. — Cuida. Você dirige. De preferência, a 200 km por hora, no mínimo.
[...]
Acontecimento mais constrangedor de toda a minha existência: evacuar no meio da estrada. Mas ninguém precisa saber disso. Só a Jéssica, okay. Se ela contasse para alguém, eu a mataria. E foda-se a lei Maria da Penha. Finalmente chegamos em casa. A morena abriu a porta, com um irritante sorriso no rosto. Gabriel ainda estava assistindo TV. Volveu os olhos verdes na nossa direção.
— O que o Pedro tem? — perguntou com o cenho franzido.
— Crise de caganeira. — ela disse.
— Como assim?
Jéssica respondeu alguma coisa. Não pude escutar direito, pois corri imediatamente para meu quarto. Entrei no banheiro parecendo um doido. Arriei a calça e sentei-me no trono. É o demônio na minha vida. Em poucos segundos, um montinho de merda caiu na água.
— Pedro. — a voz de Gabriel chamou do lado de fora.
— O que é, cão. — bufei. — Me deixa.
— O que tu comeu?
— Pão. E a tua farofa.
— Só? Não tomou mais nada?
O sólido findou e a água começou a vir.
— Coca. E... Um remédio pra dor de cabeça.
— Qual?
— Deltalax.
Gabriel gargalhou.
— Cavalinho do Shrek! Tomou um laxante. Vai ficar aí por um bom tempo.
— A culpa é tua! — resmunguei.
— E por quê? Tu que é burro e não lê as coisas.
— Porque... Porque sim!
Ele riu.
— Pedro?
— Quando é que tu vai dar o fora do meu quarto? — reclamei.
Pausa.
— Não lembra mesmo de nada de ontem? Da festa e... Tudo mais?
Mas é cara de pau mesmo! Morre, trem!
— Claro que não. — murmurei. — Eu fui pra alguma festa? Não sei nada do que aconteceu ontem, não sei quem eu beijei, com quem transei, se transei, não sei o quanto bebi, não sei de nada e não me pergunte nada! Agora sai do meu quarto, idiota!
Para felicidade geral da nação, Gabriel se retirou. Finalizei aquele esquema nojento e entrei no chuveiro. A dor não parava de jeito nenhum. O demônio realmente estava de zueira comigo. Eu tinha certeza. Mal terminei o banho e fui obrigado a voltar para o vaso. Lindo fim de semana.
Tomei outro banho e saí. Não tive paciência de escolher roupa. Me joguei na cama somente de toalha. Esfreguei os olhos. Minha barriga parecia estar cheia de água. Pior dia de minha vida. Virei-me de lado e olhei para o teto branco. Não conseguiria dormir tão cedo. Agarrei o travesseiro. Naquelas horas, os abraços carinhosos de minha mãe faziam falta.
— Pedro... — Gabriel entrou no quarto novamente. Levantei o rosto na sua direção, zangado. Será que paz tinha um significado tão utópico assim?
— O que é. — disse rispidamente. Só queria ficar sozinho!
O moreno revirou as órbitas.
— Cara, eu, na minha imensa bondade, só tou tentando te ajudar! Será que poderia deixar esse narizinho empinado de lado ao menos uma vez? Sério! Para de ser idiota!
Suspirei.
— Hum. De que jeito tu poderia me ajudar?
Ele mostrou a mão esquerda. Percebi que segurava uma goiaba. Franzi o cenho. Sério isso? Então, aproximou-se e sentou perto de mim. Afastei-me alguns centímetros. Eu precisava de uma mínima distância. Pelo bem de minha sanidade mental.
— Sabe, até que tu fica bonitinho com dor. Dá vontade de apertar essas bochechas brancas. — caçoou. Apontei o dedo médio. Gabriel riu. — Come isso. — deu-me a fruta. — Liguei pra minha mãe e ela disse que serve. Não vou duvidar da muié.
A goiaba estava mordida. Olhei direito para a marca de dentes cravada bem no meio. Imaginei instantaneamente as milhares de bactérias vindas da saliva do gato borralheiro. Tive o impulso de protestar, porém lembrei do bendito beijo. Era a mesma coisa, no fim de tudo. Droga de vida. Preciso morrer.
— Come logo isso, fresco. — o gato borralheiro ordenou.
Rolei os olhos, mas obedeci.
— Tem mais na geladeira. — disse no momento em que terminei.
— Rum. — fiz careta. — Quantas vou ter que comer?
Gabriel encostou-se junto a parede.
— Sei lá, 50. Minha mãe não especificou quantidade. — encolheu os ombros.
— Minha vida é uma merda. — choraminguei.
O moreno sorriu com os olhos. Cruzou os braços e encarando o nada, disse:
— Sabe, algumas vezes, tenho vontade de te matar. Algumas vezes não... Sempre. Mas não posso. Já fiz 18.
— Idem. — murmurei. — Hoje principalmente...
— Como assim? — indagou com a sobrancelha levantada. — Não te fiz nada hoje.
— Me...
Mordi a língua. Eu estava fazendo merda! Puxei um pouco de ar e sentei-me com dificuldade.
— É todo dia. Hoje porque... Porque... Porra! É sempre! Ontem, antes de ontem, antes de ontonte. Sempre.
O fi da puta continuava com a sobrancelha levantada.
Baixei a cabeça, emputecido comigo mesmo. Será que eu não sabia nem segurar a informação? Corri os dedos pelos cabelos úmidos. Só então notei que minhas pernas alvas estavam completamente descobertas. O único pedaço de meu corpo resguardado por pano era... Bem... Aquele lugar. Como assim? Espreitei Gabriel. Aparentemente, ele também havia percebido esse fato. Estava olhando diretamente para minhas coxas.
Meu rosto queimou.
Nervosamente, puxei a bendita toalha, procurando me cobrir de maneira decente. No entanto, o que eu fiz foi me descobrir de maneira indecente. Socorro! Eu quero morrer. Gabriel coçou a nuca. Respirei fundo. Calma. Calma. Calma. Só consegui o que queria após três tentativas.
— Eu me odeio. — não pude conter o pensamento.
— Por quê? — o gato borralheiro questionou com uma expressão super super inocente.
Joguei o travesseiro no seu rosto.
— Sai. Daqui. Agora. Já. Comi. A. Maldita. Goiaba. E. Se. Não. Fizer. Efeito. Eu. Te. Mato. SAI DAQUI!
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