Justice League Unlimited 2.0
1 Capítulo I
Notas iniciais
Em uma ilha muito distante estava tendo sinais de uma breve erupção. Parecia ser grave demais para esperar. O vulcão estava inativo a anos e não sabiam o porquê daquilo agora. Jo’nn e Batman, que estavam tentando descobrir pistas, chamaram Mulher Maravilha, Mulher Gavião, Flash e Lanterna Verde para darem conta do ocorrido e tirarem as pessoas da ilha antes que seja tarde demais.
- Superman, está na escuta? – Indagou Batman pelo comunicador.
- Pode falar, Bruce! – O homem de aço estava em Central City, ajudando a polícia a prender dois bandidos comuns, que estavam tentando assaltar um banco.
- Precisamos de você também, pois a erupção não é natural – concluiu, chamando a atenção do amigo.
O Morcego apertou algumas teclas do computador do centro de comando da torre e, instantes depois, na tela apareceram imagens da ilha; de todos os ângulos. Números, letras e desenhos, que Superman não saberia explicar, apareceram logo abaixo das imagens, no fim da tela, indicando ser as fórmulas de uma substância..
- Ela foi causada por algum tipo de substância tóxica. Descobri isto analisando uma amostra que Flash pediu para Caçadora trazer. Eu quero que vá até lá e jogue outra substância, o antídoto, para reverter o processo – ele terminou, apertando um botão no teclado e fazendo aparecer a localização de Superman na tela.
- Entendi, mas onde está essa substância? – Superman indagou, jogando os dois bandidos para perto dos policiais, que agradeceram. Trabalho terminado.
- Jo’nn, aqui tem muitas pessoas. Precisamos de mais uma ou duas naves – disse Flash, pelo comunicador.
- Batman! – Jo’nn o chamou.
O Morcego virou por um segundo e apenas assentiu com a cabeça, dizendo que já estava ciente.
- Vá para ilha e ajude os outros que eu já levarei a substância, Superman – disse Batman, deixando o comando nas mãos de Jo’nn e indo atrás da Canário Negro logo depois.
Ela estava deitada em sua cama, em seu próprio alojamento na torre da Liga. Estava distraída, ouvindo música. Afinal, estava de folga hoje. Só estava esperando o Arqueiro Verde terminar de treinar para talvez saírem para algum lugar legal. Pena que a hora não passava rápido. Parecia até carma.
Bruce chegou à porta do alojamento e disse, em voz baixa, seu nome. O dispositivo do serviço de segurança cedeu e a porta abriu automaticamente. É fácil demais burlar os sistemas quando Shayera está fora. Afinal, ela quem cuidava da maior parte desse serviço.
- Batman? – A loira levantou-se da cama de supetão. Não contava com mais essa.
- Estou indo para ilha, onde está havendo a erupção. Você vai pilotar a outra nave, não posso pilotar as duas ao mesmo tempo – disse, sereno. Ela simplesmente não acreditou nisso e bufou.
Queria reclamar e até ia fazer isso, mas ele deixou o local, deixando quase falando sozinha. Mas estava de folga! Mas que diabos de trabalho é esse? Que dá folgas a seus empregados e as toma de volta? Um absurdo. Tudo bem, sabia que não era assim. Mas... Também pudera!
- Canário Negro! – Batman gritou. Então ele ainda estava por perto.
- Estou indo! – Bufou novamente e saiu do alojamento, assim que vestiu seu uniforme.
Bruce pegou a substancia e colocou-a na nave em que ia pilotar. Momentos depois, Canário chegou, emburrada. Ele apenas sorriu e entrou no veículo espacial, observando-a, de dentro, entrar na outra. Assim, os dois seguiram as coordenadas da ilha, voando em alta velocidade.
Enquanto isso, Lanterna Verde usava a energia de seu anel para tirar escombros de cima de alguns civis. Parecia que as pessoas nunca acabam. Quanto mais resgatavam, mais apareciam. Mulher Maravilha sobrevoava a aldeia para ver se via mais alguém, Flash organizava a entrada na nave, que por sinal estava quase cheia, e Mulher Gavião estava embaixo dos escombros, desacordada.
Depois de tirar os escombros das pessoas, John foi, andando mesmo, em direção a nave. Estava perto e não necessitaria ir voando. Seu anel logo perderia a força e talvez precisasse dela. Foi então que viu uma mão delicada para fora de um bloco enorme de pedra. Como agora, por exemplo
- Agüenta aí, moça – disse, estendendo o braço para frente; a mão fechada em punho.
Seu anel produziu a forma de uma mão enorme e levantou facilmente a pedra de cima da mulher. Só então ele percebeu ser Shayera. Por um momento, se assustou. Era doloroso vê-la assim, tão vulnerável. Jogou o bloco de pedra longe e abaixou para ver se ela estava bem.
- Shayera! – Gritou John, pegando-a, desacordada, em seus braços. Ele poderia até estar namorando a Vixen, mas não poderia jamais negar que Shayera sempre foi muito especial para ele.
Depois de alguns minutos, Batman e Canário chegam na ilha. Os dois pousaram as naves e saíram das mesmas, indo em direção ao Flash, que ainda estava colocando algumas pessoas dentro da nave.
- Pronto, o reforço chegou – disse Batman – Flash, continue colocando os civis nas naves; Mulher Maravilha, encontre Shayera e John; Superman, leve isso... – deu o tubo com a substancia nas mãos do homem de aço e continuou: – ...e jogue dentro do vulcão antes que seja tarde e a ilha se encha de lava; Canário, suba com ele para dar-lhe cobertura – vendo-os assentir, concluiu: – Eu levarei a primeira nave para um lugar seguro – e entrou no veículo.
Então, todos resolvem tomar seus caminhos, seguindo as ordens do Morcego da Liga.
Mulher Maravilha, que já sobrevoara metade da ilha, finalmente avistou John e Shayera, próximos a uma construção destruída.
- Lanterna! – Ela grita e desce até onde ele está com Shayera em seus braços, ainda desacordada. Uma pontada de preocupação percorreu seu corpo, então ela o observou. – O que aconteceu com ela?
- Não sei – John respondeu, desviando os olhos da morena para a ruiva. – Eu a encontrei sob os escombros.
Enquanto ele dizia, Shayera acordava lentamente, mas não abriu os olhos. Pelo que percebeu, estava nos braços de John e aquilo lhe transmitiu uma segurança imensa. Sentiu falta daqueles braços musculosos. Sentia falta dele. Resolvendo, enfim, abrir seus lindos olhos verdes, os fechou rapidamente, incomodando-se com a luz forte do sol. Quando finalmente se acostumou, observou Jonh..
- O que aconteceu? – Indagou ela, saindo dos braços do homem que queria que sempre estivesse do seu lado. Ela levantou, mas logo caiu. Sentia-se muito fraca.
John deu dois passos para frente, aflito, e a amparou. Ela apoiou as mãos nos braços fortes, sentindo a cabeça girar.
- Eu que pergunto – a morena de olhos azuis disse. – O que aconteceu, Shayera? Você não é de se render tão fácil a um simples bloco de pedra.
- Não sei, Diana, mas o ar estava pesado e acabei desmaiando. Não tive forças para levantar o bloco e também feri uma das minhas asas – explicou a gavião.
- Batman, o que tem de errado com essa ilha? – Chamava Diana, pelo comunicador.
- Isso é resultado da substância tóxica que está na lava – interrompeu Jo’nn, também pelo comunicador. – O ar de toda ilha está pesado e a lava, contaminada. Tomem cuidado.
Com este alerta, John leva Shayera no colo para uma das naves e Diana os segue, sem deixar de prestar atenção em qualquer canto que passava. De repente ainda havia alguém perdido.
Flash termina de colocar todos para dentro da última nave, observando Lanterna entrar com a mulher de asas. Ficou preocupado com a amiga e foi atrás, para ver como ela estava.
Então, finalmente, Superman joga o antídoto dentro do vulcão, enquanto Canário Negro retardava o rio de lava com seus gritos super sônicos. Sentindo-se afetada pelo calor, recua dois passos, até que o homem de aço a pegou e voou para o alto com ela nos braços.
- Diana, você cuida da outra nave e deixa que eu pilote esta – John se apoderou do comando da nave, mas na hora chegou Superman.
- Licença aí, verdinho, essa daí é minha! – disse Canário, entrando logo após, com uma criança no colo. Ela a havia avistado, enquanto estava no colo de Clark, chorando. Passou-a para o colo de John, que levantou-se da cadeira em seguida.
Ele ajeitou a criança em seus braços e se sentou ao lado de Shayera, sentando a criança sobre suas pernas. Achando uma cena muito difícil de ver e não ficar abalada, Shayera olhou para ele e depois para criança. Sorriu, fazendo um carinho no rosto dela, para que parasse de chorar. John a observou, mas ela desviou o olhar para a criança novamente.
Todos foram salvos e os efeitos causados pela substância tóxica foram totalmente revertidos. As Forças Armadas foram alertadas e logo enviariam uma equipe para fazer uma limpeza no local. Assim, seus habitantes poderiam voltar para o lugar de onde nunca deveriam ter saído. O culpado pagaria caro; muito caro.
Quando o sol já estava caindo, dando lugar à lua minguante, os heróis voltaram para Torre da Liga. O marciano os esperava.
- Amanhã à tarde teremos uma reunião. Descobri quem está por trás da erupção – avisou ele, observando os demais.
- Certo! – Clark disse, sério. Todos concordaram e, logo após, sua expressão mudou. – Bom, mas então... Quem desce hoje para terra? – Indaga, sorrindo
No mesmo momento, Vixen aparece, respondendo a pergunta de Clark.
- Bem, eu tenho um desfile em uma festa organizada pela ONU. Você foi convidada? – Ela se referia a Shayera.
- Nem se fosse – respondeu, seca, e se retirou.
Vixen deu de ombros e se virou para o Lanterna.
- Vamos, não é, amor? – Beijou a face dele. Todos a observavam, constrangidos. Sempre foram a favor de John namorar Shayera. A não ser quando os Thanagarianos invadiram a terra.
- Encontro você lá – respondeu, sem tirar os olhos da porta por onde a ruiva saiu. – Tenho uns assuntos para resolver – arqueou uma sobrancelha.
- Certo – concordou. Confiança vinha em primeiro lugar em um relacionamento.
Assim que a morena saiu, todos permaneceram em silêncio, observando John. Ele pediu licença e saiu do local.
- Eu também vou à festa – Diana quebrou o silêncio, sorrindo.
- Que horas eu te busco, Di? – O velocista se aproximou dela, passando um braço sobre seus os ombros e deu um beijo estalado em sua bochecha,
- Di? – Caiu na gargalhada, devolvendo o beijo. – As dez, Wally, mas não se atrase.
- Onde já se viu? O homem mais rápido do mundo chegar atrasado – se gabou, fazendo-a rir. – Mas, e você, Clark? – Todos viraram para encará-lo.
- Eu tenho um encontro, mas vou à festa também. – dizia, completamente corado, fazendo todo mundo rir. O homem de aço tinha lá seus pontos fracos, além da Kryptonita.
- Quem vai à festa, Senhor Mistério? – Flash virou para o Batman. – Bruce ou o Morcegão?
- Bruce Wayne! – Repondeu, com o semblante sério, vendo ele todo chegado na Mulher Maravilha.
- Então, pessoinhas, agente se ver lá então! – Terminou, saindo do local e levando Diana consigo.
Logo, todos foram para suas devidas casas na terra.
Dos fundadores ficam na torre apenas Shayera e Jo’nn. Ela só queria tomar um banho e deitar em sua cama, já que não tinha nada de importante para fazer. Talvez, de madrugada, renderia Jo’nn no centro de comando. Afinal, ele também precisava descansar.
- Mulher Gavião – disse e a porta abriu.
Ela entrou em seu alojamento, que aparentemente estava apenas sendo iluminado pela luz da janela, pôs sua clava no mesmo lugar de sempre e ligou o interruptor, mas as luzes não acenderam como deveriam.
- O que aconteceu, Jo’nn? – Chamou-o, pelo comunicador. – No meu quarto não tem luz.
- Vou verificar – disse e desligou.
Depois disso, ela jogou o comunicador na cama e foi para o banheiro. Ligou o chuveiro, tirou a roupa e, por fim, entrou embaixo d’água, que por sinal estava quente e aconchegante. Se pudesse, ficaria ali para sempre. Sem perturbações, apenas descansando. Ficou ali, paralisada, por longos minutos. Sua asa ainda estava doendo e tinha alguns arranhões, que ardiam por causa da água, em suas costas. Só que o pensamento dela só estava nos braços de John, quando ele a pegou no colo, depois que a tirou dos escombros. Fazia muito tempo que ele não a pegava no colo, muito tempo mesmo.
Ela sai do chuveiro e o desliga, passando a mão na parede até encontrar a toalha. Quando a achou, se enrolou e foi até o interruptor novamente, mas de nada adiantou. Então pegou o comunicador da cama.
- Jo’nn, ainda nada? – Indagou novamente.
- Estou ajeitando aqui – digitando alguma coisa qualquer.
Ela joga outra vez o comunicador na cama e vai apalpando o guarda-roupa, a procura da porta, para pegar sua roupa.
- Precisa de ajuda? – Uma voz muito familiar soou no quarto. Uma luz verde e intensa clareou o guarda-roupa.
- John?! Você me assustou! – Disse, ao vê-lo sentado na cama, bem na sua frente. Como pôde não vê-lo ali?
- Desculpe – sorriu de lado, observando-a. – Vim aqui para perguntar como está.
- Estou bem – respondeu, dando de ombros. Sentia-se nervosa por ele estar tão perto, além de estar apenas de toalha.
- Mesmo? – Arqueou uma das sobrancelhas.
- Sim – disse, seca. Queria se livrar dele. Na verdade, não queria, mas precisava.
- Pode voar? – Mudou de assunto.
- Por quê? – Arqueou uma sobrancelha, desconfiada.
- Também vim para lhe pedir uma coisa – a gota d’água, concluiu Shayera.
- Veio aqui para me pedir para ficar longe de você? – Shayera continuou com uma das sobrancelhas levantada e fixou seu olhar nele. – Por que só isso que falta.
- Não, vim pedir para vir num lugar comigo – ela se surpreendeu. Só poderia estar brincando.
- Sua Mari não gostaria disso, então melhor não! – Apontou o dedo, encostando-o no peito dele.
- Você vai ver o porquê disso. E então, vem comigo? – Ele indaga.
Continuou a observá-la, descendo o olhar lentamente. Prestou atenção quando ela ajeitou a toalha sobre os seios para que não caísse. A luz do anel estava clara o suficiente para deixar Shayera inteiramente nítida a sua frente, mas a luz do quarto finalmente volta, acabando com a magia que envolvia. Não sabia o porquê, mas Shayera agradeceu a Jo’nn, pois não sabia o que poderia acontecer se desse continuação àquela troca de olhares tão intensa. Era impressionante como não conseguia negar nada àquele homem.
- Está bem – suspirou, revirando os olhos. – Espera lá fora. Vou colocar uma roupa e agente vai – disse por fim.
Shayera colocou uma bermuda jeans branca, uma blusa azul marinho e sandálias da mesma cor, rasteiras. Os cabelos molhados estavam devidamente penteados, caídos sobre os ombros. Decidindo não levar sua clava, saiu indo de encontro a John, que ficou enfeitiçado ao vê-la.
Está linda! – pensou, querendo emitir em palavras.
- E então, vamos? – Finalmente indagou, observando-a assentir com a cabeça.
Continua...
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