Juste Attendre-II
5 Histoires de Nuit
Notas iniciais
Uma semana, uma semana que se passara desde a ameaça de Cora, desde que aquela mulher ameaçara o seu filho. Belle não consiguia dormir, pensava no bebê constantemente. Ela sabia que a criança era poderosa, mas quanto tempo aguentaria? Ela estava matando o próprio filho e isso era doloroso demais para suportar. O rei e a rainha haviam aumentado as proteções ao redor do castelo e o número de soldados que faziam as rondas. Mas do que isso adiantava? Há cada minuto passado seu bebê ficava um pouco mais fraco e ela mais apavorada e decidida.
O único que ela queria perto no momento era Rumple, entretanto este não se encontrava presente. Talvez ele conseguisse fazer um outro anel ou até mesmo recuperar o que lhe fora roubado. Belle precisava encontrar um mago ou uma poderosa feiticeira, qualquer pessoa que pudesse a ajudar. Não queria ter que deixar o castelo, não quando já havia laços afetivos envolvidos. Branca, David e Emma tornaram-se ótimos amigos e a acolheram muito bem nos últimos meses.
Houve um pequeno desentendimento entre Belle e a rainha, a gravidez já avançada preocupou Branca de Neve, no entanto a decisão de partir não cabia a ela.
– Compreenda que eu e meu marido fizemos um acordo com o Senhor das Trevas, nós temos que te proteger.
– Eu lhe entendo, mas se eu ficar o destino de meu filho já estará selado. Aquela mulher não ameaçou apenas a mim, ela ameaçou aqueles que eu amo. Não posso deixar que nada os aconteça.
– Belle, faltam menos de dois meses até que seu bebê venha ao mundo. Tudo dará certo, você verá. Já tivemos provas de que ele é forte, pode aguentar até lá. Por favor, não vá. Por Emma, faça isso.
– Branca, há mais razões para minha partida do que apenas esta. Eu também preciso encontrar algo para derrotar esta mulher, ela não parecia querer apenas a morte do meu filho, tinha algo a mais, eu sei. — A jovem chegou mais perto da rainha e lhe abraçou, os olhos encheram de lágrimas, no entanto nenhuma escorreu por seu rosto. Pegou docemente a mão da mulher e lhe sorriu. — Preciso que entenda, é a vida do meu bebê. Eu tenho que o proteger, nem que isto custe a minha vida.
Com estas palavras ela se retirou da biblioteca, retornou ao quarto e começou a arrumar em uma pequena bolsa de couro apenas o que seria essêncial para viagem. Partiria no outro dia logo pela manhã e não queria se atrasar. Enquanto subia as escadas do castelo para despedir-se de Emma, escutou uma voz suave que ela bem conhecia. Ainda incrédula retornou os poucos degraus que subira e constatou o que tanto temia. Era Alex, a menina estava nos braços do pai, que conversava com David e não muito longe estavam presentes Branca de Neve e uma jovem loira, que ela deduziu ser Cinderela devido a semelhança com Alexandra. A rainha logo sentiu a sua presença ali.
– Que falta de educação a minha, perdoem-me. Cinderela, Thomas, esta é Belle. Estamos a hospedando por um tempo, infelizmente logo pela manhã ela já estará de partida. — A rainha virou em direção a castanha e voltou a falar. — Belle, estes são Cinderela, Thomas e a pequena Alexandra. Recorda-se que falei sobre eles?
Por alguns segundos o ar parecia ter sido perdido e o coração parado, o modo como a menina loirinha se encaixava perfeitamente nos braços do pai a fizeram ter vontade de correr para qualquer lugar distante dali. Ela queria abraçar a criança e dizer toda a verdade, era uma terrível sensação. Aos poucos tentou se acostumar, comprimentou todos e viu a bela boneca de porcelana que estava envolta nos braços de Alex, Belle conhecia aquele brinquedo, Rumple também dera algo para ela se lembrar dele.
O pai da princesinha a colocou no chão, então ela e Emma foram até o jardim deixando os adultos sozinhos. Belle preferiu as seguir, queria obeseravá-las por mais um tempo. Alexandra havia crescido tanto, parecia forte e feliz, isso era algo bom. As meninas pareciam ter percebido a presença dela, pois ambas começaram a se aproximar.
– Belle, será que poderías nos contar uma história? — A filha de Branca perguntou quando já estavam mais perto.
– Uma história? Deixem-me pensar... — A morena acariciou a barriga e por alguns minutos ela brincou com as crianças sem dizer qual conto as transmitiria, mas no fim soube exatamente o que agradaria ambas. — Quem já ouviu falar sobre a princesa Odette?
Nenhuma das pequenas sabia sobre a história da linda jovem que ao anoitecer transformava-se em cisne. Belle passou um longo tempo apenas fazendo-as gargalhar e em alguns momentos até as deixou triste, contudo no final as duas amaram o rumo do conto e se conformaram com o belo desfecho, bem diferente dela, que quando pequena não o compreendia.
O curto período que passou com elas, a fez esquecer por breve momento tudo que acontecia. Ao ver o sorriso de Alexandra e o de Emma, se alegrou. Tudo tinha que dar certo, ela tinha que ter logo o filho nos braços, só então teria um pouco de paz. Observou o colar que ainda estava envolto no pescoço da criança que ela tanto amava e suspirou. Se ela o tivesse seu filho estaria seguro, ela não correria o risco de congelá-lo. No entanto, como falaria isso com a menina? Ela era só uma criança, o colar era o que, de alguma forma, as ligava.
Ela tinha a chance de salvar o filho, só que como tudo em sua vida, isto também tinha um preço. E neste caso, o preço era tirar de Alexandra a sua lembrança, sair de vez da vida da pequena, e isso parecia ser doloroso de mais, ela iria a perder outra vez. Belle já havia se acostumado com a falta da garotinha, a dor havia arrumado um lugar pra ficar quieta, escondida. Então, ela apareceu de volta em sua vida.
A ex-princesa de Avonlea acreditava que se a visse pediria para Rumple devolver as verdadeiras memórias para todos e junto dele criar a menina outra vez, mas não. Belle viu o quanto Cinderella e Thomas estavam feliz, ela viu o quanto eles a amavam, e, por mais doloroso que fosse adimitir, ela viu que que o mesmo aconteccia com Alexandra. Os três primeiros anos da vida daquela família poderiam ter sido baseados em falsas lembranças, mas o ano que passaram juntos não, nem o resto dos anos que ainda estavam por vir, havia um belo futuro para eles criarem verdadeiras memórias. Vendo os três unidos, como uma família, ela soube imediatamente que fizera a coisa certa. Eles estavam feliz e ela estava feliz por eles.
Na última noite que passara no castelo de Branca de Neve, conversara com Cinderella a respeito de muitas coisas, principalmente sobre Alex. Belle agradeceu mentalmente pela chuva, pois assim não tinham como sair do local e todos tiveram que passar uma noite lá. Até chegou a pensar que seria melhor contar tudo para Cinderella e Thomas, sendo assim ela conseguiria recuperar o colar mais rápido, no entando surpreendeu-se ao avistar Alexandra no seu quarto no meio da noite.
Belle levantou-se rapidamente, temendo que algo estivesse errado com a menina, e correu na direção dela. Abaixou-se na altura da pequena e perguntou o que a trazia ali. A menina apenas sorriu e disse-lhe que não conseguia dormir, e, como vira que as velas ainda estavam acessas em seu quarto, pensou que talvez Belle pudesse lhe contar uma história, como fizera mais cedo.
A morena até chegou a ler um conto para a criança, mas de nada adiantou, Alexandra parecia extremamente desconfortável em dormir na casa de alguém que ela conhecia tão pouco. O mais estranho era que ela parecia totalmente tranquila com a sua pesença, Belle percebeu isso e de certo modo ficara feliz.
– Vai demorar muito para o bebê nascer? — A curiosidade havia tomado a garotinha desde que Emma lhe explicara sobre o feto.
– Um pouco. — Belle esfregou o local onde seu filho estava, provavelmente lutando para sobreviver.
– E, é um menino ou uma menina?
– Não sei, Alex. Saberei isso somente quando o bebê nascer. — Ele iria nascer, ele precisava nascer.
– A senhora está triste. O que foi? Há algo de errado com ele? — Ela levou as pequenas mãozinhas até o ventre de Belle e parecia realmente preocupada, preocupada demais para alguém tão jovem.
– Ele está um pouco doente, Alex. Mas você ainda é muito pequena, não precisa se preocupar. — A moça deslizou a mão no rosto da menina e sorriu de maneira forçada.
– Mas gosto tanto da senhora, não queria que ficasse triste. — A criança parou um pouco e pensou, quando finalmente achou que tinha encontrado uma solução para alegrar a mulher a sua frente, apontou para o pingente que tinha em volta do pescoço e continuou. — Minha mãe não lembra quem me deu este colar, disse que ganhei há algum tempo, mas que a memória dela falha sempre que tenta recordar-se dele, mas eu sei quem me deu.
– Sabe? — Havia esperança na voz dela?
– Sim, foi uma fada. — É claro que ela não lembravasse, a magia de Rumple era muito forte. — E esta fada me disse em um sonho que alguém precisava dele. — Ela retirou com cuidado o colar e o deu para Belle. — Tome, ele é seu.
A grávida a olhou ainda em estado de choque, sem saber o que dizer ou o que fazer, pegou o colar das mãos da pequena e deu-lhe um sorriso sincero, a pequena apenas retribui da mesma forma. Belle deitou a menina em sua cama e retornou a perguntar.
– Como sabes que a fada falava de mim?
– Eu não sei, eu apenas pude sentir. Gosto da forma que me olhas, me faz lembrar de alguém. — A voz da menina estava fraca e cheia de sono.
– Te faz lembrar de quem?
– Da minha mãe.
Então Alexandra aconchegou-se ainda mais em seus braços e dormiu, um sono leve e tranquilo, digno de qualquer ser puro como ela. Mesmo com a barriga bem evidente e atrapalhando todos os seu movimentos, ela levou a menina loirinha para cama que lhe fora dada para passar a noite. Retornou ao quarto e respirou fundo uma ou duas vezes, ela simplesmente não podia acreditar que enfim seu bebê estaria a salvo.
Colocou cautelosamente o colar em seu pescoço, um pequeno ponto de luz acendeu-se no seu núcleo e foi cessando aos poucos. Assim sentiu seu filho chutar, o que era uma coisa muito rara na última semana, ela decidiu deduzir que isso significava o bem estar dele. Não conseguira dormir o resto da noite, não depois de tudo que ocorrera.
Belle decidira não contar aos moradores da casa que o bebê já encontrava-se bem, ela sabia que seria um alívio para todos e que isso era um pouco de egoísmo da sua parte, mas também sabia que Branca de Neve tentaria a convencer ficar e que ela simplesmente não podia. Tinha que derrotar aquela mulher, para o bem dela e do filho.
A rainha já havia deixado uma carruagem ao dispor dela. Sendo assim, logo pela manhã, antes que qualquer um acordasse, Belle saiu do castelo levando o necessário e deixando para trás apenas uma carta se despedindo. Ela realmente já sentia saudades de casa, seria bom rever o local.
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