Notas iniciais
Olha só, o AU mais nadaver desse fandom voltou o// Esse capítulo é um agradecimento pra atanih-chan, uma leitora nova que foi muito fofa comentando essa e outras fics, me deixando só os !!!!!!!!! na semana passada. Espero que goste, linda ♥ Boa leitura!

Quando começa a temporada competitiva, não existem amigos.

Não, não há amigos, colegas, namorados e muito menos treinadores bonitos que te pagam um café. Tem apenas a concorrência.

E o Grand Prix Júnior é uma concorrência muito pesada.

Victor e Yuuri continuavam apenas amigos. Um passeio em Zurich não era igual a um namoro, obviamente, por mais que seus patinadores (e o resto do mundo) desejassem. Mas algumas barreiras foram quebradas com aquele café e agora eles estavam bem mais amigáveis entre si.

Amizades acabam no Grand Prix.

As distribuições apontaram Celestino e Yakov para Ostrava, sendo essa a única competição em que eles patinariam juntos antes de irem para a Final. Deveria ser uma oportunidade para passar um tempo juntos e conversar sobre a tortuosa vida de treinador, certo?

Não. Eles tinham patinadores para treinar. Foi isso que Yuuri colocou na cabeça.

— Treinador? — Celestino balançou a mão na frente dos olhos do mais velho. — Sensei?

— Hum? — Yuuri piscou algumas vezes antes de focar os olhos no garoto. — O quê?

Eles estavam no rinque, Celestino revisando o programa curto para amanhã e tentando polir a combinação triple toe — double toe que quase lhe tirou o ouro na última competição. E Yuuri estava se distraindo com homens russos de 40 anos do outro lado do estádio.

Que droga, hein.

Celestino não cairia em nenhuma desculpa que ele tentasse. O italiano olhou a vez para trás e soube na hora o que estava acontecendo.

— Por que não vai falar com Nikiforov? — ele perguntou.

Yuuri respirou fundo.

— Porque eu estou trabalhando, Ciao Ciao.

— Tá, mas é só uma conversa, não vai durar nem cinco minutos. — ele deu de ombros. — Vai lá.

— Não. Eu tenho que corrigir os seus saltos, assim você ganha uma medalha e nós vamos direto para a Final.

— Eu dou conta! — ele rebateu contrariado. Por que todos tinham que jogar na sua cara o triple toe? Foi um acidente. — Não vou perder só porque você não me olhou por cinco minutos!

— Eu não vou arriscar. — Yuuri sorriu bagunçando um pouco o cabelo do mais novo, para sua infinita irritação. — Além do mais, ele deve estar ocupado com o treinamento de Yakov, não vou atrapalhá-lo. Agora, vamos repetir aquela combinação. Feltsman e Karpisek não vão facilitar pra você.

O que Victor tinha feito de errado?

Será que ele não respondeu alguma mensagem? (Ele checou todas.) Quem sabe tenha feito algum comentário no instagram que Yuuri não gostou? (Ele tem certeza que só curtiu uma foto e só não escreveu "Cute ❤~" por vergonha) Ou pior, será que Yuuri tinha arranjado um namorado?

Porque não tinha explicação para ele o estar ignorando.

— Treinador?

Eles já estavam no rinque há uma hora e Yuuri não veio falar com ele uma vez. Por Deus, eles estavam em Ostrava há dois dias e nem um "oi" ele recebeu!

— Treinador!

E Victor achando que eles estavam indo bem... Com certeza, foi algo que ele disse, Victor não pensa! Treinador Alexei sempre dissera isso, mas ele não dava bola. Agora estava provando de seu próprio remédio e...

Victor!

Sua atenção foi roubada por um muito irritado Yakov que o encarava de braços cruzados já no gelo.

— Yasha, por que não está patinando ainda? — foi a pergunta inocente feita pelo técnico.

Yakov fechou os olhos e suspirou com a mão no rosto. Às vezes, ele se sentia com 70 anos e filhos burros. Nesse grupo de filhos ele incluía a Equipe Júnior Russa e Victor.

— Porque eu não sei o que é pra fazer. — ele disse com a voz baixa e a frustração contida. A burrice de Victor irritava. — Por que o senhor não deixa o planejamento comigo e vai falar com Katsuki?

Victor arregalou os olhos ao notar sua falha.

— Claro que não! Eu sou o seu técnico e tenho que ver você treinando. Foi apenas uma distração momentânea. — ele disse com um de seus sorriso publicitários que diziam estar tudo bem, quando não estava.

— Vai falar com ele, não vai machucar ninguém. — o garoto incentivou, mais uma vez bancando o adulto da história. — Você fica com a cabeça em outro lugar e não presta atenção no que é importante. Se resolver isso agora, não vai se distrair mais.

Ouch.

Ele acaba de ser jogado na cara que estava fazendo um péssimo trabalho como técnico por um garoto de 17 anos. Ótimo, Victor, merece uma medalha.

O mais velho sorriu sem-graça enquanto segurava o ombro do patinador. Talvez Yakov não tivesse noção do peso daquelas palavras, nem tinha a obrigação de ter pela pouca idade e liberdade que Victor lhe dava. Mas elas machucaram um pouquinho, ele admitia.

— Desculpe-me, Yakov. Eu não deveria prejudicar o seu treino com os meus dramas. E você não deveria se preocupar com os mesmos, também. Sinto muito. — ele disse sincero, esperando que soasse verdadeiro para o rapaz. — Eu juro que vou prestar atenção de agora em diante. E nós vamos levar esse ouro pra casa.

— ...Ok. — Yakov só acreditava na parte do ouro, mas ninguém precisava saber. — Por onde começamos?

Agora Victor estava no seu modo profissional. E não sairia dele por rostinhos bonitos tão cedo.

— Repetir a coreografia, sem os saltos. Tem alguma coisa na sequência de passos que eu não gostei e talvez eu peça a opinião de Yura pra corrigir...

— Por favor, não. — Yakov disse com uma careta quase de dor. Pior do que um Victor distraído era um Plisetsky atencioso.

— Decidimos isso depois. — a cara que ele fez deixava claro que Yakov não se livraria do treino com Yuri. — Agora, pro gelo, mocinho.

Ele conversaria com Yuuri depois que Yasha ganhasse aquela medalha.

Todos no Grand Prix eram concorrentes, mas isso mudava por completo quando assunto era trajes. Se você se recusou a ajudar um pobre patinador ou técnico com problemas de guarda-roupa, você é um lixo. Simples assim. E Yuri não gostava de se gabar, mas ele já salvou a vida de muita gente naquela merda.

Hoje não seria diferente.

— Pra que maquiagem!? — Yakov reclamou enquanto Victor o cobria em corretivo emprestado da coleção de Yuri. — Que frescura, Victor, isso não é concurso de beleza!

— Sorte sua, porque você perderia. — Lilia disse do banco do vestiário, mexendo no celular enquanto seu amigo era torturado com pincéis. Yuri tinha tanto orgulho daquela menina.

Yakov fechou a cara.

— Eu vou me lembrar disso quando você estiver parecendo uma gansa morta naquela fantasia ridí...

— Quieto, Yasha. — Victor interrompeu impassível. — Quem mandou ter espinhas e olheiras? Eu não vou mandar meus patinadores pro gelo como se fossem zumbis.

— Ele tem 17 anos, Victor, é claro que vai ter espinhas. — Yuri revirou os olhos enquanto esperava o término daquela sessão de beleza. Tinha que ficar de olho para ver se Victor não misturava as cores. — Você também não fugiu da acne aos 15, eu me lembro bem.

— Mas eu escondia com maquiagem! — era tão difícil de entender? Ele não seria um treinador relapso! Alexei não era, então ele não cometeria o mesmo erro. — Prontinho. Viu? Nem doeu.

— É melequento. — ele resmungou tocando de leve o rosto maquiado. Pelo menos não tinha que usar batom.

— Celestino vai amar saber que você usa make. — Lilia disse sem levantar o olhar do celular, um sorriso pequeno e maléfico nos lábios.

— Se você falar alguma coisa, eu juro que...

Yurio! — a voz de Yuuri Katsuki ressoou pelo extenso vestiário do rinque, interrompendo o patinador.

Yuri franziu o cenho enquanto se dirigia até o corredor. Não demorou para terem um muito afobado Yuuri Katsuki arrastando um constrangido Celestino num braço e uma fantasia na outra.

— Um kit de costura. — ele disse assim que recuperou o fôlego. — Eu sei que você tem. É uma emergência.

E Victor só se sentia um pouco ofendido por mal ser notado pelo japonês.

Yuri cruzou os braços, segurando o riso para a cena.

— Por acaso, eu tenho. — ele pendeu a cabeça para o lado. — Qual o estrago?

— Um suspensório arrebentado. Mas eu resolvo, só preciso do material. Eu esqueci o meu em casa. — ele disse com um suspiro. A primeira regra de um técnico ou professor de dança era estar preparado para crises de vestuário, e ele acabou de quebrá-la. — Por favor.

— Tá, tá, sem choro. Já tive que ajudar um velho hoje, mesmo. Vocês morreriam sem mim. — o loiro disse jogando o cabelo para o lado como se estivesse fazendo um grande trabalho para a sociedade, o próprio mártir da ISU.

Mas ele tinha dívidas com Yuuri, uma que talvez nem o próprio se lembrasse, que envolviam alfinetes e uma trança francesa em Lombardia 2004. Não podia recusar nem se quisesse, sua consciência não deixaria.

Yuuri, por sua vez, podia muito bem abraçar o jovem russo naquela hora, mas escolheu manter a compostura com apenas um sorriso de agradecimento e um suspiro aliviado.

— Obrigado, Yuri. De verdade. Eu fico te devendo essa. — finalmente notando a outra presença adulta no ambiente, Yuuri recuperou a afobação inicial. — Ah, Victor! O-Oi, eu nem te vi aí.

Victor sorriu, mas estava chorando internamente.

— Tudo bem, você tinha prioridades. — ele deu de ombros apesar da dor. — Eu também estava meio histérico por ter perdido meu kit de maquiagem agora há pouco, mas Yuri me ajudou.

A guerra fria paralela que ocorria sem a percepção dos técnicos incluía um Celestino segurando a risada ao notar o estojo da MAC e o rosto claramente consertado de Yakov, juntamente com um russo que queria muito matar o italiano após ele dizer sem sons: "Uma gracinha." Lilia, a peste, ficou de fora da briga e apenas tirou fotos discretas de seu colega de equipe para o snapchat. Ela gostava muito da fantasia à la Quebra-Nozes, o que podia fazer?

— É, todos têm seu dia de esquecimento. — Yuuri riu constrangido ajeitando os óculos que ficaram tortos em sua correria. — Ainda assim, desculpe. É a primeira vez que a gente se fala em Ostrava e eu te ignoro.

— Sério, não tem problema. Just coach things, eu entendo perfeitamente. — Victor riu mais sincero dessa vez, Yuuri ficava muito fofo sem-graça. — Mas acho que você está me devendo outro café depois que os meninos se apresentarem.

Os três adolescentes no recinto poderiam não ser muito religiosos, mas todos disseram um "Amém" mentalmente para o convite. Yuri ia contra a corrente, pois não estava afim de segurar vela dessa vez. Já bastava o que ele passou quando competia.

— Ok, vamos consertar essa roupa logo. Minhas coisas estão no carro. — Yuri disse quase empurrando Yuuri pela saída. — Lilia, vem.

— Tchau, Victor! — Yuuri ainda conseguiu dizer antes de ir embora forçadamente.

Victor ainda acenou, mas não tem certeza que conseguiu ser visto.

Pelo menos, ele conseguiu falar com Yuuri.

Yuuri e Victor não são os únicos idiotas com relacionamentos na ISU.

Em sua defesa, porém, Otabek não trabalhava mais com patinação. Não diretamente. Mas ele admite que está demorando mais do que devia para convidar Yuri pra sair num encontro romântico.

Sabendo que encontrar o russo em casa é algo difícil em temporada competitiva, Otabek decidiu que iria a Ostrava dar um "oi", aproveitando que o próprio trabalho não estava tão movimentado.

Entrar em rinques sempre teria um ar nostálgico pra ele. O frio do gelo artificial, as arquibancadas cheias pela metade em competições classificatórias, roupas coloridas para onde quer que olhasse... Tudo isso lembrava o cazaque de uma juventude muito feliz sobre patins.

E é claro, o lembrava de Yuri.

Encontrá-lo não foi difícil, considerando que só tinha que achar uma bailarina mal-humorada e, por tabela, encontraria Yuri. Houve um tempo em que o loiro era a própria bailarina mal-humorada. Mas eram os anos 2000 e ninguém gosta de lembrar disso.

Ele encontrou Victor primeiro, que o ajudou entregando um passe-livre para a área dos treinadores onde Yuri estaria com Lilia. Também adiantou que eles provavelmente não estariam no vestiário feminino como todo mundo, porque Yuri não gostava de sua patinadora se misturando com a ralé.

(Ele suspeitava que era Lilia a pessoa que não gostava de se misturar, mas a primeira opção também era válida.)

Pedindo informações aqui e ali, ele achou a sala de depósito vazia que Plisetsky adotou como base militar para cuidar de sua aluna. E ela não parecia feliz em seu vestido de bailarina clássica digna de uma apresentação do Bolshoi.

— Beka? — Yuri estranhou com um sorriso enquanto parava momentaneamente de pentear o cabelo da garota. — Tá fazendo o que aqui? Se perdeu no caminho pra Astana?

— Quis passar e dar um "oi". Você nem tem tempo pra mim. — ele disse fechando a porta atrás de sim. — E é sua culpa, Lilia.

— Otabek, me salva. — Lilia resmungou enquanto seu cabelo voltava a ser puxado com pente e gel em toda a força e disciplina de um coque do balé. — Ele vai arrancar meu escalpo e me fazer usar batom.

— Vou mesmo. — Yuri disse retirando um elástico do bolso.

— Coitada da menina, Yura. Você também dava piti quando não te deixavam se vestir do jeito que queria. — Otabek acusou resgatando memórias dos tempos de calças coladas e luvas arrancadas nos dentes.

— Eu era pobre, Otabek. Sabe o que era a minha maquiagem para a patinação? Um gloss de morango emprestado da Mila. Se eu tivesse tudo que essas crianças têm hoje...

— E lá vamos nós. — Lilia revirou os olhos. — Treinador, eu não tenho culpa de você ter nascido antes da Glasnost e da Perestroika.

— Garota, você me respeita ou eu te faço subir naquele gelo de pijama. — Yuri disse espetando os grampos no cabelo com talvez um pouco mais de violência que o necessário. — Eu não sou tão velho pra lembrar de uma Rússia pré-Putin.

— Victor tem muita cara de quem obrigou os pais a ficar na fila para comer no McDonalds pela primeira vez. — Otabek pensou alto. Nikiforov já alcançou os 40, não? — Aliás, como ele está? Parecia bem quando eu o vi mais cedo.

— Tinha um Yuuri Katsuki por perto? — Yuri sorriu zombeteiro enquanto procurava mais algumas coisas na mochila ao lado. — Se sim, já é motivo para colocá-lo nas nuvens. Eles tomaram um café juntos em Zurich há dois meses.

— Uau. — o cazaque disse genuinamente impressionado. — E eu que achei que não viveria pra ver aqueles dois juntos.

— São dois idiotas, isso sim. — ele disse encontrando sua prezada tiara de Rainha dos Cisnes que ele mesmo fez. — Eu não enrolaria vinte anos pra chamar alguém pra um encontro.

Se o clima na sala ficou mais pesado, não foi percebido por Yuri. Lilia olhou de solslaio para Otabek e ele desviou o olhar. Otabek Altin teve que desviar o olhar para evitar a acusação de uma menina de 16 anos.

As razões eram óbvias.

Se Yakov e Celestino tinham o fardo de Victor e Yuuri, Lilia tinha Yuri e Otabek. E era um fardo que ela carregava sozinha, porque Altin não trabalhava como técnico e ela era a única aluna de Plisetsky. E que portas eles eram, viu?

Correção: Otabek era uma porta. Yuri só era cego mesmo, ainda fiel à frase "Apenas amigos" em que só ele acreditava. Se Beka falasse a verdade, as chances de ser correspondido eram altíssimas. Ela já desistira de ver o treinador num outro relacionamento, afinal. (Ela e Park Minso chegaram tão perto ano passado. Mas Seung-gil Lee e Yuri Plisetsky não servem para romances. Era lei.)

Mas falar isso em voz alta seria falta de educação e ela tinha preocupações maiores agora. Ela não ficaria livre da base e do delineador, mas uma coisa ela podia evitar.

— Eu não gosto de blush. — ela torceu o nariz para o pincel felpudo que Yuri preparava.

— Você não gosta de nada, Lilia. — Se ele ganhasse um rublo pra cada reclamação que ouvia, ele compraria a Rússia. — Para de fazer careta, vai borrar.

— Não quero. — ela insistiu birrenta. — Já tem muito pó na minha cara, vou chamar atenção de algum traficante.

Otabek riu muito dessa vez.

— Meu Deus, Yuri... — ele disse ainda gargalhando. — Ela é igualzinha a você.

— Cala a boca, Altin. — o loiro resmungou voltando-se para a patinadora. — Muito bem, vamos barganhar. Você para de ser chata e eu deixo você usar aquela roupa ridícula na apresentação de gala.

Agora Lilia estava interessada.

— Posso usar meu crop top?

Yuri fechou os olhos e respirou fundo.

— Lilia, nós conversamos sobre o crop top.

— Devolva o top e eu paro de reclamar. — ela cruzou os braços. — Senão eu saio daqui direto pro reconhecimento de gelo.

Yuri olhou ligeiramente para Otabek, que ainda estava se deliciando com a cena do rapaz pagando todos os seus pecados naquele projeto mal-acabado de medalhista olímpica.

Ele realmente era tão difícil assim com a mesma idade?

Sua ex-treinadora Tanya merecia uma cesta café-da-manhã diária, então. Ele providenciaria isso assim que voltassem para São Petersburgo.

— Você pode colocar o top se usar uma legging por baixo da saia. — ele tentou uma última vez.

— E a gargantilha?

— Você quer dizer a coleira bondage? — ela assentiu segurando o riso — Vá em frente, você não me ouve mesmo. Depois seu pai liga pedindo satisfação e eu que me fodo, mas tudo bem. Quem se importa com a opinião do técnico? Se eu falar qualquer coisa, me chamam de machista, sexista, fascista...

— Ai, Yuri, você é dramático quando quer, também. — Otabek resolveu se meter, aproximando-se da dupla. — Lilia, eu te pago um sorvete se você concordar em não usar a tal coleira.

A menina fez um bico para a proposta, mas estávamos falando de doces. Ela amava doces. É, ela podia viver sem a gargantilha se fosse por um sundae triplo com flocos.

— Ok, crop top sem gargantilha. — ela confirmou e Yuri suspirou aliviado. — E um sorvete. Eu vou cobrar, Otabek.

E é nessas horas que o avô de Otabek diria para aproveitar a oportunidade dada pelo destino. Uma oportunidade dada na forma de uma adolescente com fome.

— Podemos ir todos juntos. — o cazaque ofereceu. — Sorvete pra Lilia e um drink pra gente, Yura.

— Eu não devia beber com ela por perto. — o técnico disse sincero.

— Eu fico bem longe. — Lilia garantiu. — Não vão nem lembrar que eu existo.

— Pra você espalhar o caos com Feltsman? Acho que não.

— Deixe as crianças se divertirem, Yura. — Otabek insistiu. — Seja o que for que fizerem, não vão ser piores do que a gente na mesma época.

E olha que eles fizeram muita coisa quando jovens. Otabek estava até admirado de Yuri ter tido coragem de pisar em Ostrava de novo, mas aqui estamos. O que o lembra, eles teriam que evitar alguns pontos da cidade se não quisessem arranjar encrencas de novo. Encrencas que envolviam a Embaixada e orelhas de gato...

Yuri deve ter pensado o mesmo, pois ergueu as mãos em rendição e encolheu os ombros.

— Ok, vamos todos atender aos requisitos da ditadora. Sorvete e roupa vergonhosa para todo mundo. — ele voltou a pegar os pinceis de maquiagem. — Agora, fique quieta.

Depois daquilo, Lilia se comportou como uma santa, deixando-se ser embonecada na mais bela prima ballerina mirim que o mundo já viu. E Otabek ainda conseguiu um encontro. Todo mundo saiu ganhando.

Talvez ele começasse a mimar a menina com um pouco mais do que sorvete se significasse a atenção de Yuri.

Notas finais
Como diz o ditado: Otabek não é pai, mas é padrasto :v Do tipo que enche a crianca de presente pra ver se tem chance com a mãe. Adoro esse boy, mas ele é burrão. A Park Minso é treinadora do Seung-gil Lee no anime e aqui eu fiz ela uma aluna como os outros treinadores. E é isso, gente!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.