Notas iniciais
Boa leitura!

Música alta, luzes piscando, gritos.

O barulho ensurdecedor parece adentrar meus ouvidos chegando aos tímpanos com o intuito de destruí-los. Sinto aquele som irritante penetrar minha epiderme e balançar-me contra a minha vontade, tamanho volume infernal. Sei que não deveria estar ali. Antes mesmo de continuar, olho para os enormes seguranças postos na frente das portas e suspiro. Por que eu tinha de ser tão trouxa?

Alguém me empurra e sou arremessado contra a parede preta do lugar. Uso minhas mãos como defesa. Por poucos centímetros, meu rosto não bate. Procuro a pessoa que havia feito eu quase perder o meu rostinho lindo, porém, eu não a encontro. Perdeu-se no meio daquela multidão de idiotas.

Balanço a cabeça negativamente enquanto entro no aglomerado de pessoas. Ao mesmo tempo em que eu o procuro, percebo o quanto sou um peixe fora d’água naquela boate isolada. A música me irrita, os frequentadores ficam muito próximos uns dos outros, é quente e abafado, e, o pior de tudo, pulam ao som de qualquer droga que esteja tocando contanto que possam beijar alguém ou se embebedar.

Outro indivíduo esbarra em mim, fazendo com que eu tropeçasse em cima do meu próprio pé. Sinto minhas bochechas corarem e olho ao redor, emburrado, em busca de qualquer engraçadinho que queira zombar de mim. Ninguém me vê, e pela primeira vez, sinto me grato por estar naquela boate ao invés de um lugar diferente.

A música para de repente e todos olhamos para o pequeno palco, iluminado por um pequeno holofote, formando um círculo no chão. Antes mesmo que aconteça, começo a correr – note o meu desespero: eu, Min Yoongi, que não corro nem para não correr o risco de perder o ônibus, estava fazendo esforço duas da manhã – e me aproximo o máximo que consigo do lugar.

— Nã — começo a gritar, quando outra música começa a tocar, calando-me por completo. Tento amaldiçoá-lo para que não apareça, mas sei, lá no fundo, que é inútil. A cena já havia acontecido certa vez. O que a impediria de acontecer novamente?

Ele aparece. A calça de couro bem apertada, dando destaque às coxas que outrora jurei que ele não tivesse. A camisa listrada de laranja e branco adquiriam um tom mais excêntrico graças ao holofote. Tento fingir que não estou feliz quando eu o vejo usando o casaco de couro que eu o presenteara no seu aniversário do ano passado. Ele abaixa os óculos escuros de armação redonda. Pela maneira estúpida que faz isso, sei que ele está completamente bêbado. Começo a me sentir mal por querer que ele caísse do palco para não fazer nada de idiota, pois agora percebo que realmente pode cair a qualquer instante.

Balbuciou alguma coisa incompreensível no microfone prata em sua mão direita e fez um sinal de paz com os dedos da outra mão. Era incrível como eu, a pouca distância do palco, conseguia sentir vergonha pelo comportamento dele.

— Essa é pra vocês! — Ele finalmente grita, começando com seu rap mais recente. As pessoas aplaudem, animadas. Eu apenas calculo se, com a minha altura, consigo subir no palco e tirá-lo de lá à força. Se bem que Hoseok sempre fora mais alto que eu, não que eu gostasse de admitir esse fato trágico.

Ele cambaleava pelo palco. Seu rap continua impecável apesar de tudo. Tenho vontade de dar um murro em seu rosto para aprender sua lição de uma vez por todas, porém, ele não me ouviria. Muito provavelmente não. Aliás, desde quando o fizera? Não conseguia lembrar de uma só vez que prestasse atenção ao que eu dizia.

Procuro por qualquer câmera em busca de propensos paparazzis. Ele não precisa de mais uma manchete escandalosa manchando sua reputação, que nem era lá muito alta devido a acontecimentos anteriores. Ninguém parecia dar a mínima, então dei de ombros. Que ele se divertisse desta vez, se é que ficar embriagado e fazer rap em cima de um palco minúsculo em uma boate abafada pudesse ser sinônimo para diversão.

Olho seu sorriso enquanto ele dá pausas. É tão claro e bonito que me surpreendia o fato de ninguém estar realmente prestando atenção naquela beleza. Ele dava pulinhos ocasionais, os cabelos encharcados de suor seguindo o movimento, a cor marrom ainda mais escurecida. Sem prever seu próximo gesto, acabo deixando que ele pule na multidão de pessoas. Por sorte, o seguraram, e carregaram-no durante alguns minutos até alguém colocá-lo no chão.

Pego uma câmera digital de meu bolso e tiro uma foto. Mais uma para a coleção.

Guardo o aparelho rapidamente e vou até ele, que conversa animadamente com algumas garotas. Esquivo-me dos corpos que insistem em tentar me empurrar. Quando finalmente o alcanço, Hoseok finalmente se dá conta de minha presença. Seu sorriso fica ainda maior.

Ele ignora as meninas e tropeça com intuito de aproximar-se. Suas mãos encontram o meu pescoço e ele ri, abobado.

— Você viu que divertido? — Pergunta-me, apertando o meu pescoço. Eu seguro seus braços e o afasto um pouco.

— Qual das partes? Você pagar mico ou quase ter sido alvo de manchetes sensacionalistas, que poderiam acarretar prejuízos à sua carreira? — Não tinha percebido minha fúria até sua pergunta.

Hoseok fica sério por alguns segundos. Logo depois, ri. Com certeza não foram só uns drinks. Ele estava para lá de Bagdá e nem eu poderia ajudá-lo. Pelo jeito, teria de bancar a babá.

Sem que eu percebesse, Hoseok selou seus lábios nos meus e fechou os olhos. Empurrei-o, confuso. O que raios ele estava fazendo?

O moreno riu da situação abrindo os olhos. Ele começou a dançar ao som do que quer que fosse aquele tipo de música idiota, ignorando-me completamente. Eu me perguntava como nós dois acabamos melhores amigos e também questionava internamente aonde raios estava o manager de Hoseok, pois ele havia perdido a noção de vez.

Um garoto de cabelos cor de rosa passou por mim, chorando, e jogou Hoseok para cima de uma mulher loira. Eles começaram a dançar. Era ridículo como em uma festa tudo acontecia tão velozmente, de uma forma tão frágil que poderia ser rasgada.

Eu apenas dei de ombros, encarando o meu velho amigo agarrar outra pessoa na minha frente. Decidi deixá-lo. Ele era problema do manager, não meu.

Aliás, Jung Hoseok bêbado me dava nos nervos. Principalmente quando ele beijava qualquer um e não se lembrava no dia seguinte.

Mais frustrado do que quando entrei na boate, segui o caminho feito pelo chorão de cabelos rosas e saí, abandonando meu estúpido amigo bêbado.

Assim como ele sempre fazia comigo.

Notas finais
Então, o que acharam? Eu estou um pouco na dúvida em relação a como eu devo narrar a história, se desta forma está boa ou não.
Espero que tenham gostado! Até o/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.