Just one more night

1 Capítulo único.


(...)

As paredes totalmente brancas e excessivamente limpas provocavam-lhe uma leve dor de cabeça. Talvez pela ausência de qualquer ponto colorido ou qualquer outro detalhe que pudesse destacar-se em meio ao vasto manto branco que a rodeava. À medida que continuava a caminhada pelo corredor sem fim, sentia uma estranha sensação de vazio.

Sabia que havia se perdido em certo ponto, porque tudo era tão igual ali, as paredes, os corredores… era como andar em círculos e não chegar a lugar algum.

Enfermeiros cruzavam seu caminho em ritmos variados; alguns corriam apressados, outros caminhavam lentamente em direção aos seus postos, mas mesmo assim Kayla, ainda sentia-se estranhamente perdida.

Ao fundo, uma música natalina tocava num volume ambiente, preenchendo os corredores e a lembrando da época do ano em que estava. Na verdade, parecia mais um lembrete cruel do que deveria estar fazendo.

Kayla Jones sempre detestou hospitais, não apenas por tudo ali em voltar ser extremamente branco, mas porque odiava a sensação estranha que a dominava sempre que pisava naquele lugar. E percebeu que nos últimos meses se tornou um rosto costumeiro ali. Alguns recepcionistas já a conheciam, enfermeiros já a cumprimentavam como se fossem velhos amigos e até mesmo uns médicos encontravam meios de conseguir dar algumas burladas no sistema hospitalar para facilitar as tantas idas e vindas ao hospital.

Quando finalmente chegou à máquina de lanches, Kayla Jones olhou para as opções diante de si, tentando escolher a que causaria o menor mal a seu pai. Richard Jones lhe entregara uma nota de vinte dólares, um exagero, pensou ela. A maioria dos salgadinhos e doces ali não passava de dez dólares. Ela perguntou se ele achava que ela ficaria com o troco — que, na verdade, não viria — ou se havia outro motivo para a generosidade.

Pensou nas alternativas disponíveis. Seu pai estava em recuperação, e ela sabia que não deveria permitir que ele comesse aquele tipo de “alimento” — se é que poderia chamá-los assim. Mas, como sempre, não conseguia simplesmente dizer não e não se espantou em ver que estava disposta a pelo menos mimá-lo uma vez.

Ele vinha se comportando tão bem, como ele mesmo havia dito momentos antes e garantiu que aquela seria a última vez que iria passar dos limites do que seria aceitável como alimento. Quando ele entregou a nota de vinte dólares, alegou que queria apenas um tira gosto para que o gosto amargo dos remédios fossem disfarçados.

Após cinco minutos de indecisão, Kayla optou por um pacote de amendoins sem sal e torceu mentalmente para que o homem aceitasse sem reclamar. Caso contrário, teria de voltar e pegar algo mais apetitoso, algo que o agradasse mais do que amendoins.

Girou nos calcanhares e seguiu de volta para o quarto onde Richard a aguardava. A música natalina no fundo mudou para uma melodia clássica, agora mais animada, mas ainda assim parecia um lembrete doloroso para aqueles que passariam a véspera de Natal dentro de um hospital.

Kayla suspirou. Mais cedo, ela teve uma discussão pequena, mas cheia de tensão com o pai, que insistia para que ela não ficasse com ele naquela noite.

— Aproveite a véspera pelo menos. — ele lhe disse com insistência, olhando-a com firmeza. Era uma ordem, a ruiva conseguira distinguir perfeitamente um pedido da ordem que ele estava lhe dando.

Jones entendia os motivos do homem em não querer que ela passasse a noite ali com ele, ela perdera quase um mês inteiro com longas visitas e noites em claro por causa de um problema de saúde do pai; além do dinheiro que gastou também com suas idas e vindas. Sabia que o homem se via como um enorme peso, ele mesmo lhe disse isso várias vezes desde que fora internado e passou pela cirurgia.

Contudo, apesar de ter retomado o relacionamento saudável com o pai naquele ano, não o via dessa forma e discordava sempre que o assunto retornava.

Depois de quase uma hora discutindo como se fossem duas crianças, Richard conseguiu praticamente obrigá-la a passar a véspera de natal fora daquele hospital. Ele insistiu bastante e ela relutou também, bem mais do que gostaria, mas ele venceu. Ao menos daquela vez.

Enquanto caminhava de volta para o quarto, Kayla tentava se distrair com pensamentos sobre o que faria quando saísse dali. Ellen estava viajando para fora do país com o namorado rico, e todos os outros estavam com suas famílias, celebrando a data. Ela pensou em alguns pubs que conhecia e até cogitou ficar em casa e pedir comida de algum restaurante, mas nada disso parecia atrativo. Claro que ficar no hospital também não era uma opção convidativa, mas ao menos ali ela poderia se ocupar cuidando do pai, mesmo que ele insistisse para que ela não ficasse ao seu lado dessa maneira.

Absorvida em seus pensamentos, Kayla não percebeu que estava prestes a trombar com alguém, tão distraído quanto ela. A ruiva não viu o homem virar o corredor exatamente no momento em que ela também o fazia, e seus corpos se chocaram de forma inesperada. Ela quase caiu para trás, mas conseguiu se equilibrar a tempo de evitar uma queda. O doutor — ela percebeu, ao notar o jaleco com o logo do hospital — mostrou mais destreza do que ela, recuando um passo. A prancheta dele foi direto em direção ao seu rosto, e ela sentiu a dor imediata ao bater a testa contra o objeto. Um pequeno incômodo se espalhou pela sua testa, e ela franziu a expressão.

— Oh, me desculpe.

— Desculpe.

Ambos falaram ao mesmo tempo, sem conseguir se olhar, pois se esquivaram rapidamente para dar mais espaço, evitando um novo choque. Kayla seguiu em frente, levando a mão livre até a testa, aliviando o incômodo que ainda sentia ali. O doutor também continuou seu caminho, mas algo na sua voz a fez parar de andar e olhar para trás. Ela teve um vislumbre rápido dele, de costas, antes que entrasse apressado em um dos quartos. O cabelo, escuro com alguns fios grisalhos, e o perfume que se desprendia dele... Aquele cheiro parecia familiar, como se já o tivesse sentido antes.

Seria ele?

Kayla franziu a testa, pensativa.

Se fosse mesmo Aaron Bennet, ela certamente o teria reconhecido. Sabia que parecia uma loucura pensar que conseguiria identificá-lo depois de vê-lo apenas uma vez, mas, mesmo assim, passara horas observando seu rosto e guardando-o na memória. Além disso, passou uma noite inteira flertando com ele, se fosse mesmo ele, seria fácil reconhecê-lo.

Ela balançou a cabeça, tentando afastar o pensamento. Não estava se iludindo com a ideia de encontrá-lo, especialmente depois de quase um ano desde aquela noite.

Sabia que ele trabalhava no hospital, mas além de não ter guardado o nome do hospital, passou um mês inteiro presa naquele lugar. Eles teriam se esbarrado em algum momento se ele trabalhasse ali.

Suspirou e voltou para o quarto, afastando de sua mente qualquer pensamento relacionado ao homem porque não fazia sentido continuar remoendo uma lembrança antiga, ele não a procurou depois daquela noite e ela também não o fez. Apesar de acreditar que o universo cuidaria disso, sabia que deveria ter feito algo a respeito desse encontro.

Ao retornar ao quarto, viu que seu pai estava quase sentado, assistindo a algum programa de fim de ano na televisão. Era um show de um cantor desconhecido, mas parecia agradá-lo, já que ele assistia com atenção e batia os dedos no ritmo das músicas tocadas.

— Demorou. — Richard Jones fez um resmungo forçado, e Kayla fez uma careta antes de lhe entregar o pacote de amendoins sem sal. O homem olhou para a embalagem e depois para ela, com uma expressão de leve surpresa. — Sem sal?

Ela deu de ombros, tentando parecer indiferente.

— Era a melhor opção da máquina, acredite.

— Quais eram as piores? — zombou.

— Doces sem açúcar e chips de batata doce sem sal.

O homem faz uma careta e encara o pacote em mãos.

— Obrigado pelos amendoins.

Richard começou a comer os amendoins como se fossem a comida mais saborosa do mundo, apesar de não esconder o descontentamento pela ausência de sal. Fez uma leve careta ao morder o primeiro, mas logo se acostumou com o gosto insípido. O silêncio entre eles se estendeu por alguns instantes, até que ele finalmente a dispensou outra vez, lembrando-a da ordem que lhe dera antes.

Kayla pensou em argumentar mais uma vez, insistir para que ficasse ali com ele naquela noite, mas sabia que seria inútil. Richard jamais concordaria, e logo estariam repetindo a mesma discussão boba de antes, algo que ela já conhecia muito bem.

Assim, a ruiva pegou suas coisas, a blusa grossa de lã numa cor neutra e as luvas e se despediu do homem, depositando em sua testa um beijo rápido e enfim o deixou sozinho. Ela sabia que ele ficaria bem, o pior já havia passado e Richard estava apenas se recuperando de uma cirurgia simples, não existia nenhum tipo de preocupação que fizesse com que ela achasse necessário ficar ali com ele, o médico responsável lhe dissera isso no dia anterior e frisou que Richard precisaria apenas ficar uma semana ali para sua completa recuperação. Sua estadia no hospital não era mais necessária.

(...)

Assim que pisou do lado de fora do hospital, o vento gelado daquela noite de dezembro bateu com força em seu rosto. Kayla deixou escapar um suspiro, e ela viu o bafo quente sair de sua boca, deixando claro o quão baixa estava a temperatura. O frio que tomava a cidade parecia muito mais intenso do que as previsões haviam alertado, forçando todos a usarem roupas pesadas, toucas, luvas, cachecois e botas para se protegerem do clima implacável.

Ela olhou ao redor, mas não viu nenhum táxi por perto. Sabia que teria de pedir um pelo aplicativo, então caminhou para o lado oposto da entrada do hospital, onde era mais fácil encontrar um. Tirou o celular do bolso de sua calça enquanto seguia seu caminho, mas parou bruscamente quando percebeu que estava prestes a tropeçar — de novo — em alguém.

Dessa vez, conseguiu parar a tempo.

Quando levantou o rosto e deu dois passos para se afastar, o coração de Kayla disparou. A surpresa a atingiu como um choque, e uma estranha mistura de tensão e inquietação percorreu seu corpo. Tentou falar, mas as palavras ficaram presas na garganta ao perceber que a reação dele foi tão parecida com a sua que a deixou sem palavras. Um ano. A memória veio rápida e clara, como se estivesse acontecendo naquele instante. Um ano desde aquela noite incomum e inesquecível no bar, o último dia em que trabalhara como garçonete no Gareth.

Um ano desde o beijo que trocara com aquele homem.

— Você?...

Ele foi o primeiro a quebrar o silêncio, a voz firme apesar do frio cortante da noite. Kayla o observou, reconhecendo cada detalhe: o rosto sério, o cabelo ligeiramente mais longo com fios grisalhos salpicados, que acrescentavam um charme a ele.

Internamente, admitiu que ele continuava irresistível; se fosse mais jovem, provavelmente estaria suspirando.

— Aaron Bennet, — disse ela, fingindo um leve esforço para lembrar o nome, apenas para aliviar o constrangimento crescente. Ele piscou, claramente surpreso com sua resposta, e seus lábios se esticaram em um sorriso sutil — um sorriso que Kayla não sabia por que, mas gostou de ver.

— Kayla Jones, — respondeu ele, e a forma como pronunciou seu nome fez um arrepio percorrer sua espinha, exatamente como na primeira noite. Um ano se passara, mas o efeito que ele causava nela permanecia inalterado.

Apesar da diferença de idade evidente, a intensidade do olhar de Aaron tornava tudo perigosamente sedutor.

— Uau, já faz um tempo. — disse ele, sem desviar os olhos, como se temesse que ela desaparecesse se piscasse.

— É... — murmurou Kayla, mordendo os lábios quando uma nova rajada de vento gelado a atingiu, trazendo de volta não apenas o frio da noite, mas também as lembranças e sentimentos que achava ter deixado para trás.

— Como você tem estado? — Sabia que a pergunta era trivial, mas foi a única que conseguiu formular.

A verdade era que encontrá-lo novamente era estranho. Kayla passou meses relembrando aquela noite, remoendo os sentimentos confusos que surgiram, até que chegou ao ponto de perceber que agir como uma adolescente esperando por um reencontro era uma ilusão. E assim, seguiu sua vida. Mas, vez ou outra, o pensamento de sua ousadia naquela noite — de flertar com ele descaradamente e beijá-lo — voltava. Até em seus sonhos.

Mas agora, com ele diante dela, no frio da noite, parecia... estranho. Ele estava diferente, mas não conseguia identificar exatamente como. Ela mesma, por sua vez, também havia mudado, afinal, um ano se passou. Não eram mais as mesmas pessoas.

— Estou bem, trabalhando bastante, na verdade. — Aaron respondeu, surpreendendo-a. Kayla imaginava que ele daria uma resposta simples e encerraria a conversa ali. — E você? Ainda está na livraria do centro?

Ele perguntou, a voz mais suave agora, mas ainda carregada de curiosidade e algo mais que ela não conseguia definir.

Ela sorriu, tocada por ele se lembrar desse detalhe, uma informação aparentemente sem importância, dada na esperança de que ele fosse procurá-la. Mas isso nunca aconteceu.

— Na verdade, saí depois de uns meses. Consegui um estágio e fui efetivada três meses atrás. — respondeu finalmente, tentando manter a voz neutra, mas seus olhos traíram a aparente indiferença ao buscarem os dele, como se precisassem confirmar que aquele encontro era real.

Na verdade ela não tinha muita certeza do que esperar daquela conversa. Seguiram cada um seu caminho? A conversa se estenderia mais? Não tinha como saber e Kayla achou mais sensato não se iludir com possíveis possibilidades.

Contudo, o que veio em seguida contrariou todas as expectativas que ela criou e evitou. Aaron mostrou-se realmente interessado em saber mais, seu corpo relaxou um pouco, e seu rosto refletiu um interesse genuíno.

— Sério? E em que área?

— Arquitetura.

Ele ergueu as sobrancelhas, surpreso e visivelmente animado.

— Uau! — exclamou, com um sorriso no rosto. — Futura arquiteta!

Mais silêncio entre eles. Kayla sentiu que era um silêncio desconfortável, como quando uma conversa se encerra por si só. Ela apertou a mão livre em um punho e a soltou, o frio já penetrando em seus ossos. Ela precisava sair dali, encontrar um lugar quente. Sua casa.

E por mais que desejasse continuar, não iria estender-se ali com ele. Não quando Aaron tinha também seus afazeres.

— Bem, foi muito bom te encontrar, mas eu preciso ir... — começou a falar apressada, tentando esconder que estava apenas fugindo daquele constrangimento crescente.

Não esperou uma resposta. Avançou três passos, e, no quarto, passou ao lado dele, sem se dar conta de que aspirou seu perfume. O cheiro a invadiu e, em um movimento quase instintivo, ela tremeu — não de frio.

Esse simples gesto trouxe à tona imagens daquela noite, os flertes, a forma como haviam se beijado e a lembrança vívida de que se tivessem continuado, teriam ultrapassado mais um limite. Kayla perguntou onde aquela mulher ousada estaria agora, mas preferiu não saber a resposta porque sabia muito bem que aquele lado ousado poderia surgir a qualquer momento.

— Espere. — Ela se assustou ao sentir a mão de Aaron firmemente segurando seu braço, impedindo-a de seguir. Ele a soltou rapidamente, constrangido com o próprio gesto.

Os dois se encararam.

— Não quer tomar um café? Ou qualquer outra coisa? — o convite a pegou de surpresa. Mais uma vez, ele contrariava todas as expectativas que ela havia criado.

E, sem pensar duas vezes, Kayla se viu aceitando.

(...)

Como era de se esperar, o centro da cidade estava uma verdadeira loucura, especialmente por ser véspera de Natal. Até mesmo a cafeteira escolhida por Aaron estava lotada. Com seus pedidos em mãos, os dois deixaram o local ao perceberem que seria impossível ter qualquer tipo de privacidade ali. Caminharam pelos arredores, mantendo-se próximos à cafeteira — Aaron não queria dar a impressão errada a Kayla levando-a para um lugar mais afastado.

Durante a caminhada, conversaram sobre a noite de um ano atrás e sobre como estavam lidando com suas vidas. Explicaram por que não estavam prontos para uma festa de Natal ou uma reunião familiar. Kayla percebeu que cada acontecimento daquela fria noite parecia ter sido minuciosamente orquestrado para levá-los àquele momento. E se perguntou: se tivesse vencido a discussão com o pai, ainda assim teria encontrado Aaron naquele dia?

— Já faz um ano, Aaron — disse Kayla, enquanto paravam em uma parte mais tranquila do lugar. Havia apenas duas outras pessoas por perto, ambas distraídas com seus celulares. — Por onde você andou todo esse tempo?

A pergunta tirou Aaron de seus pensamentos. Ele a encarou, observando quando Kayla estremeceu com a rajada de vento gelado. Ela deu um gole em seu café quente, tentando se aquecer.

— Bem, meu trabalho dobrou... As emergências aumentaram e meus dias se resumiram a longas horas no hospital e pouco tempo para o restante — respondeu, com uma exaustão visível em seu olhar. — E você?

Kayla deu de ombros.

— Estou naquela fase em que conciliar faculdade e trabalho me deixa sem tempo para qualquer tipo de lazer — respondeu, ambos bebendo suas bebidas quentes ao mesmo tempo. — Mas não posso reclamar. O emprego é ótimo e estou fazendo o que amo… poderia ser pior.

Aaron assentiu, mantendo os olhos escuros fixos nela. Kayla percebeu que o olhar dele ainda tinha o mesmo peso de antes, fazendo seu rosto queimar. Não sabia dizer se era por causa do café quente, do frio ou da intensidade de seu olhar.

— Devo dizer que fiquei surpreso ao encontrá-la no hospital — Aaron quebrou o silêncio. — Achei que não a veria mais depois daquela noite.

Kayla não soube o que responder. Ela também acreditava que nunca mais cruzaria o caminho de Aaron Bennet.

— Faz quase um mês que tenho ido para lá por causa do meu pai, tem sido uma loucura — Comentou apenas para justificar sua presença antes que ele imaginasse que fosse ela a pessoa a precisar de atendimento. — Mas, se bem me lembro, eu disse onde poderia me encontrar.

O lembrou, com um sorriso sutil. O convite implícito não passou despercebido, e ela notou que ele entendeu.

— Sim, você disse — confirmou. — E eu fui ao centro várias vezes naquele mês, mas sempre que estava prestes a ir à livraria, algo urgente surgia no hospital e eu perdia a oportunidade de conseguir vê-la.

Kayla franziu os lábios, surpresa. Não esperava saber que Aaron havia de fato tentando encontrá-la naquele mês. E como aconteceu antes, se viu perguntando a si mesma o que teria acontecido se ele tivesse conseguido vê-la; Iriam conversar como faziam agora? Marcariam outro encontro? Ou simplesmente fingiriam ser apenas dois estranhos?

Sem que percebesse, desviou o olhar para um ponto distante, os pensamentos começaram a se distanciar do presente e em pouco tempo, Kayla se via tentando imaginar os inúmeros cenários que poderiam ter acontecido.

— Você pensa demais — Aaron comentou, um brilho de humor nos olhos. O tom da sua voz, suave e envolvente, parecia um convite disfarçado.

Kayla sentiu os lábios se curvarem em um sorriso travesso. Ele não era o primeiro a apontar aquilo; sua fama de pensativa era um segredo aberto entre aqueles que a conheciam bem.

— É meio óbvio, não acha? — retrucou, a voz carregada de uma doçura provocativa, seus olhos castanhos buscando os dele. — Admito que pensei em procurá-lo também, mas seria no mínimo estranho sair de hospital em hospital perguntando por um certo médico misterioso.

Ela riu com a própria fala e de como aquilo dito em voz alta, soou como um grande absurdo. A auto ironia em sua confissão fez Aaron erguer uma sobrancelha e soltar uma risada sincera. O som grave e rouco que saiu de seus lábios a envolveu, ecoando dentro dela como uma melodia que a fazia esquecer do frio ao redor.

— Curioso que tenha sido exatamente o mesmo hospital em que estivemos hoje. Teria me encontrado fácil — ele disse, a voz sutilmente mais baixa, como se compartilhassem um segredo entre os dois.

Kayla assentiu devagar, os olhos dançando sobre o rosto dele enquanto a memória daquela noite emergia entre ambos.

— Em minha defesa, era alta madrugada e a última coisa em que pensei foi em olhar o nome do lugar — admitiu, seu sorriso transformando-se em uma curva provocante.

Aaron inclinou-se ligeiramente, diminuindo ainda mais a distância entre eles. Seu olhar intenso refletia algo mais, algo que fazia o coração de Kayla acelerar.

— Sabe — ele disse, a voz baixa, quase um sussurro, — Se eu soubesse que você estava trabalhando naquele bar teria o frequentado mais vezes.

— Não, você não é do tipo que frequentaria lugares como aquele. Além disso, onde estaria a graça daquele encontro? Foi tudo tão inesperado. — retrucou, os olhos faiscando de um brilho desafiador.

Aaron deixou escapar uma risada suave, seu rosto se iluminando com uma expressão divertida.

— É, confesso que fui pego de surpresa — diz. — Não consegui tirar meus olhos de você, apesar de haver motivos suficientes para não prosseguir com nada disso.

Kayla sentiu um calor inesperado, não vindo do café que segurava, mas do peso das palavras dele e do modo como as pronunciaram, carregadas de lembranças que acendiam fagulhas entre os dois. Em resposta, apenas para afastar qualquer pensamento incoerente, ela riu baixo e decidiu que deveria ousar. Não por diversão, mas porque sabia muito bem o que queria.

— Quais motivos?

— Nossas idades. — ele diz.

— Tenho vinte e sete anos, Aaron. Além disso, eu pareço estar incomodada com alguma coisa? — ela questiona. — Pelo contrário. E também, fico feliz por você ter entrado naquele bar naquela noite. Foi o cliente mais interessante que conheci.

Aaron sorriu, um sorriso que trazia mistério e desejo.

— Acredito que talvez agora, as coisas estejam onde deveriam estar.

Ele disse, a mão quase tocando a dela, mas sem cruzar a linha, mantendo a tensão no ar.

Kayla percebeu o quanto ambos pareciam conscientes um do outro, das lembranças que ainda pairavam entre eles como um segredo compartilhado. E naquela fração de instante, com os corações batendo em compasso acelerado, a ideia de repetição não parecia absurda; parecia inevitável.

— Acho que isso muda as coisas — disse ela de repente, franzindo levemente o cenho quando se deu conta de que estavam novamente naquele jogo de antes, flertando com o outro descaradamente.

— Torna tudo estranhamente mais fácil, eu diria — respondeu. — Pensei muito naquela noite, na verdade, você tem sido um pensamento recorrente na minha mente.

— Sei que parece loucura, mas eu também penso bastante naquela noite — disse. Admitir isso em voz alta trouxe à tona memórias e sonhos recorrentes.

— Do tiroteio...

— Não. — corrigiu gentilmente, sorrindo ao lembrar de um momento em específico. — Da parte boa daquela noite.

Ela mostrou um sorriso ousado, deixando claro a que parte se referia. Não fingiu uma inocência que já não possuía, até porque era uma mulher adulta. E se bem lembrava, Aaron também havia retribuído a tudo, principalmente ao beijo. Ele a encarou com uma sobrancelha arqueada e um sorriso discreto nos lábios.

Estavam perigosamente próximos. Foi ele quem quebrou a pequena distância entre eles.

— Eu queria muito procurá-la e como sabe, até tentei. Não só naquele mês, mas durante esse ano também — admitiu, parando brevemente. — Mas achei que seria muito injusto. Nosso encontro foi obra do acaso, e queria que o próximo também fosse... Entende?

Kayla assentiu devagar.

— Entendo — disse com meio sorriso. — Acho que tudo está acontecendo como deveria, à sua maneira.

O silêncio que se ergueu no momento seguinte não era incômodo; era cheio de expectativa. A proximidade fazia com que cada detalhe se tornasse mais claro: a forma como os olhos de Aaron escureciam ligeiramente, como o peito dele subia e descia num ritmo mais rápido, refletindo a mesma sensação que percorria o corpo de Kayla.

Contudo a baixa temperatura a fez estremecer. O vento gelado da noite soprou com mais força e a trouxe de volta para o presente. Mesmo com uma blusa grossa, luva e o par de botas, o frio continuava implacável e Aaron percebeu.

— Você está com frio — afirmou. — Aqui, vista isto.

Antes que ela pudesse recusar ou até mesmo pensar em alguma coisa, Aaron já estava tirando seu sobretudo e entregando a ela. Passando-o por cima de seus ombros para que ela não tivesse nem mesmo a chance de recusar. Por baixo, ele usava um suéter de lã, e parecia não se importar com o frio.

— E você? — Kayla hesitou.

— Eu vou sobreviver. — insistiu, mantendo um olhar firme até que ela aceitasse.

O sobretudo quase se ajustou perfeitamente a ela. A diferença de altura entre os dois era pequena, mas a peça ainda denunciava que pertencia a Aaron. Kayla não pensou nisso; o perfume que vinha da roupa a distraiu momentaneamente.

— Não está com frio? — pergunta num tom preocupado.

Aaron inclinou-se ligeiramente, o sorriso brincando nos lábios enquanto mantinha os olhos fixos nos dela. A noite gelada parecia desaparecer sob a intensidade do momento.

— Eu? Frio? — Ele arqueou uma sobrancelha, os olhos brilhando com um misto de desafio e provocação. — Na verdade, com você por perto, sinto que o frio não tem a menor chance.

A insinuação foi clara, e Kayla sentiu o coração acelerar enquanto tentava esconder o rubor que subia pelo rosto. Por um momento, a respiração dela ficou presa na garganta, as palavras dele ecoando em sua mente. Era como se o tempo tivesse parado, e tudo que existisse fosse o som da sua própria pulsação acelerada e o olhar de Aaron, firme e decidido.

Ela deu um passo à frente, diminuindo ainda mais a distância entre eles, e sorriu com a mesma ousadia.

O vento continuava a soprar ao redor deles, mas era como se tivessem criado um mundo à parte, onde apenas os dois existiam e cada gesto significava um convite a mais para atravessar a linha entre o desejo e a ação.

— Esse encontro está bem diferente do anterior — Kayla comentou, o sorriso suavizando as palavras enquanto ela o observava. As bebidas quentes já haviam sido deixadas de lado há tempo.

Aaron assentiu, uma faísca de memória cintilando em seu olhar.

— Sim, desta vez não há bêbados, brigas de bar e nem um tiroteio para nos distrair — disse ele, o tom brincalhão, mas a intenção muito mais clara.

A ruiva riu, sentindo o peso da tensão se dissolver por um instante.

— Agora é só a parte boa — Aaron completou, inclinando-se ainda mais, o olhar descendo para os lábios dela. Estavam tão próximos que ela conseguia sentir a respiração dele em seu rosto. — Sem interrupções, sem urgências... apenas eu e você.

Kayla prendeu a respiração, sentindo as palavras dele aquecerem mais do que o casaco que vestia. Aaron se aproximou, e a mão dele encontrou o caminho até sua cintura, o toque firme, mas cuidadoso.

— Então, o que acha de aproveitarmos cada minuto dessa vez? — ele insinuou, os olhos fixos nos dela, deixando claro que queria muito mais do que as palavras estavam dizendo.

Ela sorriu, o desejo refletido em seu olhar.

— Acho que está na hora de descobrirmos o que nos espera — respondeu, a voz baixa, quase um sussurro, antes de se deixar levar pela proximidade e pela promessa no ar.

A proximidade entre os dois diminuiu até que suas respirações se misturassem. Aaron ergueu uma das mãos e tocou suavemente o rosto de Kayla, o polegar acariciando sua pele com uma ternura que contrastava com a intensidade no olhar enquanto a outra ainda se mantinha presa em sua cintura. Ela não desviou; pelo contrário, inclinou-se para ele, aceitando o toque e tudo o que vinha com ele.

Sem mais palavras, a distância se desfez quando seus lábios finalmente se encontraram. O beijo começou lento, uma redescoberta de ambos, mas logo a intensidade aumentou, carregando todo o peso da expectativa e das lembranças daquele encontro passado. Aaron a puxou para mais perto, envolvendo-a em um abraço firme, enquanto o mundo ao redor desaparecia por completo.

Kayla deslizou a língua para dentro da boca dele e tocou-a com lentidão, percebendo como a ação pareceu apenas incentivá-lo. Ela levou as mãos cobertas pelo par de luvas até seus ombros, segurando-se no homem quando sentiu o corpo masculino a prensar contra a grade onde estava encostada, pareceu perder um pouco do equilíbrio com a ação dele, mas Aaron já a tinha nos braços. Segurando-a com as duas mãos firmes ao redor de seu corpo, a mantendo perto de si e firme enquanto de pé.

Tal proximidade permitiu que ela conseguisse sentir a temperatura que vinha do corpo do mais velho, apesar do vento gelado daquela noite ela sentia calor vir dele e, de certa forma isso parecia ser passado para seu corpo também. Estava agora pegando fogo, ardendo de dentro para fora.

Ela estremeceu quando sentiu a mão esquerda dele subiu lentamente até sua nuca e seus dedos se afundarem em seu cabelo, enroscando-se nos fios longos e ruivos. Kayla nesse instante já nem estremecia de frio, o toque dele parecia queimá-la e isso estava longe de ser algo ruim.

Aquele beijo foi bem diferente do primeiro que trocaram, apesar do outro ter acontecido apenas porque ela ousou o suficiente para fazer algo antes que ele fosse embora, naquele momento tudo fluía como se sempre estiveram esperando por isso. Aaron estava mais ousado e também a explorava com mais determinação também.

As mãos percorriam seu corpo, apertavam sua cintura e desceram até as nádegas, apertando aquela região de forma mais atrevida.

Em certo momento, seus lábios se separaram e ela usou aquele pouco tempo para recuperar o fôlego, enquanto isso, Aaron descia os lábios por seu rosto até encontrar seu pescoço, onde passou a dar mais atenção à região. Kayla mordeu o lábio com força ao sentir o gemido subir por sua garganta com força total ao senti-lo beijar aquela área sensível, e o apertou mais forte, as mãos — protegidas com a luva que usava — o agarraram no pescoço e era ela a puxar seu corpo de encontro ao dele, forçando os próprios lábios a ficarem fechados enquanto se deliciava com o que ele fazia e com o roçar inapropriado de seus quadris.

Nem o frio ou o fato de possivelmente estarem sendo vistos por terceiros não era um incômodo, na realidade Kayla nem parecia dar muita atenção para isso. Estava perdida demais nos toques e beijos de Aaron para se importar com o público que estaria ao redor. Já tinha sido beijada antes, durante toda a sua adolescência e até antes de encontrá-lo pela primeira vez, mas poderia afirmar — por mais clichê que isso poderia soar — que aquele beijo era completamente diferente de tudo o que ela já experimentou antes. Não apenas a intensidade dos lábios de Bennet sobre os seus, mas também a maneira como ele a tocava, como seus lábios se moldavam aos dele com tanta facilidade e também na maneira como seu próprio corpo reagia a ele.

Lentamente e, contra sua vontade, ela novamente tomou a iniciativa de cessar o beijo, tornando-os mais curtos, selinhos rápidos até que estivessem ambos com suas bocas livres. Seus rostos se mantiveram próximos e ao encará-lo, suas pernas falharam, mas ela não chegou a cair, ainda estava sendo envolvida pelo par de mãos masculinas, os olhos de Aaron pareciam ainda mais escuros e ela sabia o que aquilo significava, até mesmo a maneira como ele a encarava estava diferente. Era desejo.

Claro, o volume exuberante no meio de suas pernas também era um forte indicativo do que fizera com ele.

— O que vem agora? — ousou perguntar depois de longos minutos em silêncio absoluto, apesar de temer estragar aquele momento que tiveram, a dúvida pairava por sua mente e ela viu que precisava dizê-la logo.

Não porque iria exigir algo dele, mas porque de repente, se viu incapaz de simplesmente esquecê-lo ou fingir casualidade.

De início o mais velho a apertou contra seu corpo quando um vento mais congelante soprou neles, fazendo seu cabelo ruivo se desgrenhar um pouco e trazendo alguns pequenos flocos de neve. Nada muito exagerado, mas que fez com que a temperatura caísse bem mais naquele momento.

— O que você quiser — responde, sua voz soando rouca e também mais baixa. — Eu sei exatamente o que eu quero e é estranho perceber que precisou de um ano inteiro para isso acontecer.

— Eu também sei o que eu quero — começou a falar, segurando-o pela gola de seu suéter e o puxando ao seu encontro mais uma vez, mordendo o lábio inferior com sensualidade para deixar claro o que suas palavras queriam dizer.

(...)

As roupas já estavam todas jogadas pelo chão em um rastro confuso, as muitas peças usadas para que pudessem proteger-se do frio foram largadas de qualquer maneira ao serem tiradas.

Na cama, dois corpos se enroscavam numa dança sensual e Aaron fazia questão de explorar o corpo da ruiva com tranquilidade e sem qualquer pressa. Tocando-a com as mãos… Com a boca.

Seus gemidos preenchiam todo o quarto conforme se tocavam e se beijavam, o cômodo até mesmo parecia mais quente. Fazia frio do lado de fora, mas dentro daquele quarto, o calor que emanava de seus corpos fez com que o cômodo largo estivesse pegando fogo.

Kayla cravou as unhas em suas costas quando sentiu seu membro invadi-la novamente, dessa vez com mais firmeza e mais rápido, jogou a cabeça para trás e deixou que seus olhos se fechassem. Se deixando levar ao imenso prazer que recebia, seus lábios se abriram e novamente ela deixou um gemido escapar, este soou um pouco mais alto que o anterior, mas o que poderia ter feito? Estava prestes a perder o controle que tinha do próprio corpo.

Ele desceu a boca, trilhando beijos por seu queixo até chegar ao pescoço, demorou-se ali, saboreando o gosto que ela tinha e cada vez mais se deliciando com os sons que escapavam de seus lábios. Aaron afundou-se outra vez ao seu encontro, fazendo-a arquear o corpo em sua direção e soltar um gemido mais alto que preencheu todo o quarto, Kayla o agarrou pelos cabelos, puxando-os com força descontrolada conforme as estocadas do homem prosseguiam mais fortes e mais rápidas ao seu encontro.

Abriu os olhos e se encararam ela conseguindo enxergar ali o brilho de todo seu desejo, ela tocou seu rosto com delicadeza arrancando dele um arrepio, suas costas se arquearam mais e ele precisou enterrar o rosto em seu ombro quando soltou um grunhido rouco de prazer com o toque recebido. Seus corpos continuavam movendo-se, as mãos masculinas segurando-a pela cintura e fazendo com que ela estivesse rente ao seu corpo. Ele a beijou fervorosamente, apertando a carne de seu corpo quando a ruiva também respondeu ao beijo; quase tão faminta quanto ele parecia estar.

— Aaron eu... — Kayla nem conseguiu terminar a frase sem que gemesse novamente, interrompendo não só as próprias palavras, como também seus pensamentos. Se ele lhe perguntasse no dia seguinte o que ela queria dizer, nem se lembraria disso.

Era loucura pensar que estava entregando-se a alguém que vira apenas duas vezes na vida, seu lado racional jamais teria permitido que ela chegasse assim tão longe, ainda mais quando o homem tinha idade para ser seu pai; aquele por si só já seria um argumento excelente para fazê-la recuar e voltar atrás de todas as suas decisões tomadas até aquele momento. Contudo deixou o lado lógico de lado, já o beijara antes e podia dizer que praticamente foi arrebatada quando o fizera, o beijou uma segunda vez — naquela mesma noite — e sentiu-se como antes, fora o calor, aquela chama que correu em seu corpo conforme Aaron a tocava e que também sentia ali na cama com ele.

Bennet deixou suas intenções claras quando ainda estavam no centro, a conversa que tiveram em muito lhe serviu para esclarecer algumas coisas e, ele a queria, deixou isso claro quando a beijou e quando dissera isso de forma implícita. E ela estaria mentindo se dissesse que não se sentia da mesma maneira. O desejava, passara um ano inteiro se recordando de uma noite apenas em que flertou de forma ousada com um homem mais velho e ele correspondera sem parecer um verdadeiro pervertido, o beijou na mesma noite e ele também correspondeu... Sonhara com aquela noite durante todo um ano, claro que, com uma imaginação mais livre do que realmente aconteceu.

E lá estava ela, entregando-se ao mesmo homem que ousou beijar na frente de sua casa a um ano atrás. O arranhando, deixando marcas em suas costas que sabia que lhe causariam constrangimento no dia seguinte. O ouvia gemer em seu ouvido, o sentia invadi-la e preenchê-la como ninguém antes fizera. Seu corpo respondia a cada nova investida dele e aos poucos sentia que estava quase se descontrolando por completo.

As mãos dela desceram por suas costas largas, sentindo quando ele a arqueava em resposta ao seu toque mais suave e ansioso, chegaram às nádegas e cravou suas unhas ali, sentindo-as comprimidas enquanto prosseguia com as estocadas fortes. Sentia seu membro entrando e saindo de dentro dela em um ritmo mais sincronizado, Kayla movia o quadril tentando acompanhá-lo, o empurrava para mais perto de si, ansiando cada vez por mais dele.

— Deus! — ele exclamou de repente entre um gemido rouco e falho, agarrando uma parte da cabeceira da cama e jogando o quadril para frente com mais força, Kayla arqueou o corpo em direção a ele, levando as pernas ao redor de corpo masculino e as travando ali mesmo. Apertando-o.

Suas unhas afundaram em sua pele ao mesmo tempo em que ela jogou a cabeça para trás, abriu a boca e deixou que o gemido de êxtase saísse de seus lábios. O som pareceu excitar o homem que continuou a penetrá-la, até que ele também chegasse ao ápice, ele logo travou o quadril, invadindo-a uma última vez e finalmente gozou, urrou de forma rouca no pescoço dela.

Beijaram-se uma última vez, algo como o beijo que deram mais cedo quando ainda estavam na rua, lento e gentil antes de Aaron desabar em cima dela em busca de fôlego para depois perceber que poderia estar sufocando-a. Kayla viu quando ele deitou-se ao seu lado, mantendo ainda a proximidade de seus corpos, ela o olhou com atenção se vendo ali quase tão ofegante quanto ele; e tão satisfeita quanto.

Ele a puxou ao seu encontro, colocando seu corpo sobre o dele, abraçando-a como se temesse que ela desaparecesse num piscar de olhos. A mão acariciando o cabelo enquanto seus corpos suados e quentes se recuperavam.

Ao lado da cama, na pequena cômoda, ela conseguiu ver um relógio marcando as horas, passavam-se da meia-noite e da janela, ela conseguia ver um pequeno vislumbre do que seria neve caindo.

— Já é natal. — murmurou com a voz falha, enroscando o corpo no dele. A mão repousando sobre o peitoral cabeludo, conseguia sentir o coração dele bater mais forte e acelerado.

Ele virou o rosto e também olhou para o relógio também, para logo em seguida olhá-la.

— Oh, — ele pareceu surpreso com o horário. — Feliz natal Kayla Jones. — ele respondeu num tom baixo, acariciando o cabelo ruivo e longo da moça.

Ela por outro lado estremeceu ao ouvir seu nome sair por entre seus lábios, se perguntou se Aaron tinha alguma noção do que causava nela quando falava seu nome inteiro. Talvez ele nem soubesse ou se tivesse algum conhecimento disso, o fazia de propósito apenas para provocá-la.

Kayla ergueu o corpo parcialmente, o suficiente para conseguir olhá-lo nos olhos e sorrir de maneira travessa.

— Feliz natal, Aaron Bennet.

Notas finais
Feliz natal Isah, espero que tenha gostado do presente ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!