Just for you
1 A colorida Metrópoles
Notas iniciais
Em um dos grandes prédios de Metrópoles, no último andar, a irlandesa bilionária Samantha Concannon observava a cidade com seus grandes e inteligentes olhos verdes. Era movimentada, alegre e parecia viver em uma paz que ela acreditava nunca existir. Não muito diferente de Galway, o lugar onde cresceu, mas Metrópoles tinha uma sensação que não conseguia descrever. Se bem que, poderia muito bem explicar essa sensação por causa do guardião da cidade, o alienígena chamado Superman.
Bebeu mais um gole do café forte que segurava e fechou os olhos, deliciada. Tinha ido uma vez ao Brasil e provou do café deles. Nunca mais conseguir tomar outro. Virou seu vício.
— Senhorita Concannon? Clark Kent chegou para a entrevista — a voz da sua secretária e fiel amiga, Clara tirou Samantha dos seus pensamentos e a fez lembrar dos seus motivos para estar na cidade. Ela estava no escritório, em pé diante da janela, então voltou-se para sua mesa de vidro e clicou no botão azul no telefone, de onde tinha saída a voz de Clara.
— Traga-o até meu escritório, Clara — falou, ajeitou seus cabelos ruivos, ondulados que agora estavam um palmo abaixo dos ombros e deu uma última alisada no terninho chumbo que estava vestindo.
Depois riu consigo mesma, porque diabos estava se arrumando para ser entrevistada por Clark Kent? Tudo culpa da Clara! Ela ficava falando que de como ele era bonito, depois que foi encontrar com ele — O Kent ficou sabendo que ela estaria em Metrópoles e fez de tudo para marcar uma entrevista — e sua amiga voltou e descreveu o repórter com os olhinhos castanhos apaixonados.
E assim que o viu entrar, Samantha soube exatamente o motivo da amiga ter elogiado a beleza dele. Ela conheceu muitos homens, diferentes homens e nunca, em toda sua vida até agora, encontrou alguém tão lindo como Clark Kent.
Ele era alto, de ombros largos, vestia uma camisa xadrez com sua identificação como repórter do Planeta Diário no pescoço.
— Clark Kent — ele se apresentou estendendo a mão para ela, que apertou. — Muito obrigado por me receber — falou e sorriu.
Samantha conseguiu perceber muito coisas em milésimos de segundos, até porque tinha uma visão não humana de tão boa. Percebeu o formato, a quentura e o aperto firme da mão máscula, viril. Percebeu as covinhas que ele tinha. E seu sorriso! Era um sorriso genuíno, não aquele automáticos que a própria dava para muitas pessoas. Percebeu também seus cabelos negros, cacheados e bagunçados.
Porém, o que abalou as estruturas — ainda mais — dela, foram os olhos de Clark Kent. Eram intensos olhos azuis que nunca tinha visto antes. Não era só a cor deles, era o que eles transmitiam.
Havia algo nos olhos dele que Samantha não sabia definir, somente que fazia o coração dela bater forte no peito, como se quisesse lhe avisar de algo.
— E como poderia recusar uma entrevista para o Planeta Diário? — Lhe sorriu e indicou a cadeira em frente a sua mesa. — Senta-se, aceita café?
— Não obrigado — Clark recusou e ajeitou os óculos rapidamente com os dedos. Samanta ocupou sua cadeira enquanto pelo canto dos olhos, o via pegar um gravador e um bloco de notas. — Podemos começar?
— Claro — afirmou e pensou que tipo de perguntas iria fazer e por algum motivo se viu ansiosa. O que era besteira, já que estava acostumada com entrevistas, teve inúmeras delas. Porém, nenhuma com um homem que fazia suas pernas virarem gelatinas.
— Certo — olhou para ela e sorriu. Samanta se perguntou qual era o motivo dele sorrir tanto. — A senhorita é conhecida por financiar fundos para pesquisas universitárias, pode me explicar um pouco mais sobre essa sua atitude?
Meu deus! Ele tinha mudado a postura, parecia tão sério e profissional.
— Bem...eu fui criada para acreditar no futuro. E esse futuro está nas mãos dos jovens estudantes. Conversei com muitos, em várias áreas de conhecimentos, humanas, exatas, biológicas…Todos eles querem contribuir com ideias para transformar o mundo em um lugar melhor, então eu pensei “ porque não ajudá-los? Tem tantas ideias boas” — Terminou, dando de ombros e se remexeu na cadeira quando viu o modo intenso que o repórter a olhava.
— A senhorita é muito conhecida por ser uma mulher que luta pela igualdade de gênero — ele a olhava com atenção, curiosidade. — Acredita que a bolsa que oferece através do programa criado por você, “ procurando novas ideias”, existe uma igualdade de gênero?
Aquela foi a primeira vez na sua vida, que estava aproveitando a entrevista.
— A bolsa que ofereço para as universidades segue uma regra que nunca poderá ser quebrada. Não importa o número total de vagas, que varia muito dependendo da universidade, elas têm que ser destinadas e preenchidas por homens e mulheres de maneira igual. 50% das vagas são para mulheres e 50% para os homens. É por isso que o programa abrange várias áreas do conhecimento.
— O mundo conheceu vários teóricos e cientistas graças ao seu programa — Kent sorriu para ela, e por um breve momento, todos seus pensamentos sumiram. — Parabéns Samantha Concannon.
Ela realmente não sabia como isso acontecia, como ele conseguia fazê-la esquecer até do seu próprio nome.
— Obrigada — agradeceu sem saber como responder.
— E como se sente ao ser um grande símbolo para a causa feminista?
— Me sinto honrada — sorriu. — Veja, senhor Kent, minha mãe me criou sozinha e me ensinou que mulher e homens são iguais, são seres humanos e que o mundo ainda tinha um grande caminho para perseguir até todos chegarem nesse consenso.
— Sim, é o que eu também acredito. Minha mãe me ensinou que as mulheres devem serem tratadas e ouvidas como iguais.
— E sua mãe fez um ótimo trabalho, porque você é o primeiro repórter que não me pergunta se sou casada, separada, divorciada e se minha fortuna veio de um desses casos — Samantha pontuou. — Obrigada por isso.
— Não há de que — falou. — Então mais algumas perguntas. Veio para Metrópoles á negócios?
— Em parte sim, vim oferecer meu programa para a Universidade de Metrópoles.
— E em relação a outra parte?
Ela se remexeu na cadeira.
— Um pouco pessoal e gostaria de te pedir duas coisas.
— Quais? — Clark questionou, solicito.
— Primeiro, quero que tudo o que eu falar a partir de agora não entra para a publicação no jornal.
— Tudo bem — Ela o observou desligar o gravador. — E a segunda coisa?
— Certo — ela respirou fundo. — Soube que você conhece o Superman e.... preciso conversar com ele. É muito importante.
Viu a surpresa cruzar os olhos claros, sentiu ser analisada com cautela com aqueles olhos, mas era difícil manter a postura na frente daquele homem. Ela nunca sentiu assim antes, essa vontade de descobrir qual era o sabor dos lábios dele, de como era a sensação de ter aquelas mãos passeando por seu corpo, de qual seria a expressão dos seus olhos quando a olhasse no momento em que ambos alcançariam o ápice...
— Senhorita Concannon? — A voz do repórter a tirou dos seus vergonhosos pensamentos. Meu deus! O que estava havendo comigo?
— Me desculpa! — Sorriu sem graça. — O que estava dizendo?
— A senhorita está bem? — Perguntou preocupado e Samantha o amaldiçoou-o por ser tão lindo.
— Sim, estou. É que sou meio avoada mesmo — deu de ombros, mentiras, poderia ele perceber?
— Certo. Bem, como estava dizendo, eu poderia tentar entrar em contato com o Superman. Onde gostaria de encontrá-lo?
— Bem, hoje à noite, na minha casa. Precisa ser em um lugar privado, é um assunto um tanto delicado — se justificou quando o viu arquear as sobrancelhas. — Aqui está o endereço — entregou um pequeno papel a ele.
— Certo — o viu guardar o papel no bolso. — Obrigada pelo seu tempo, Samantha Concannon — Clark falou, já em pé e estendeu a mão para ela.
Ela, por outro lado, ainda estava enfeitiçada pelo modo que ele pronunciava seu nome, sua voz viril a fazia e o olhar sincero a fazia querer perguntar mais sobre ele. Porém, sorriu de volta e apertou as mãos grandes.
— Eu que agradeço pela ótima entrevista.
E ambos ficaram parados, olhando nos olhos do outro com as mãos juntas. Ela queria poder saber o que se passava na cabeça dele, o que ele pensava sobre ela?
Com medo de perguntar se ele estava livre hoje à noite, Samantha desfez o contato das mãos e o observou dar um último aceno ao atravessar a porta.
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