Just Yuu
1 Just yuu
A chuva caia lá fora, da janela do pequeno quarto de hotel, o barulho das gotas da chuva, o tornava aconchegante.
Da cama onde o exorcista estava deitado, despido de seu uniforme, era possível ver pela janela a chuva, as gostas batendo no vidro da janela e escorregando, embora este olhasse sem de fato se importar com o tempo. Não conseguia dormir, não entendia o que acabara de se passar. Seus pensamentos o deixavam inquieto, ia levantando-se, mas foi impedido pelas mãos que cercavam sua cintura; Kanda ficou surpreso ao ser puxado pelas mãos do ruivo, pensava que este já havia caído no sono, respondeu ao pedido claro que aquelas mãos o fizeram ao puxar-lhe, não se levantou, sem olhar para trás, apenas recostou-se mais no ruivo. Aquelas mãos que outrora o envolveram ardentemente; estavam agora repousadas tranquilamente em volta de sua cintura, aquele corpo que o arrancou gemidos e suspiros; agora descansando colado ao seu. Kanda não entendia, foi tudo tão rápido e prazeroso. Tentava descansar, mas seus pensamentos acusavam o golpe, incessantemente, continuavam... “Havia apenas deixado levar-se pelo momento?, “Aquilo não passara de apenas um desejo luxurioso?”, “ Lavi...oque sente de verdade ?” E, mais importante do que entender o que Lavi sentia, eraconseguir entender o que ele própriosentia. Percebendo a inquietude do moreno, Lavilevantou-se apenas um pouco, ficando semi sentado, inclinado-se sobre Kanda, Lavi certamente já sabia do que se tratava a inquietude do outro, apesar de não parecer, era extremamente observador e sensível, com o tom de voz rouco e baixinho, começou:
-Yuu..?
Este respondeu com um murmuro:
-Uhn ?
Deslizando a mão sobre o abdômen de Kanda, Lavi prosseguiu:
-O que sente quando eu te toco?
Kanda foi pego de surpresa por esta pergunta, hesitou, não sabia o que deveria responder e sua face provavelmente estava corada, podia sentir, até que por fim respondeu:
-Suas mãos são quentes.
Lavi riu de forma faceira, sua pergunta não foi referente à sensação, não era isso. De fato, Kanda não respondera sua pergunta. Lavi insistiu:
- O que sentequando eu te toco?
Kanda demorou bem mais para responder, pois nem ele mesmo podia entender o que sentia. Abaixou a cabeça, deixando seus longos cabelos negros caírem sobre sua face. Lavi já sabia que Kanda não podia responder, e nem era necessário, apenas queria mostrar a ele que de fato não era necessário; deitou sua cabeça sobre o peito do moreno e continuou:
- Isso te perturba?
- Não consigo entender o que é isso... Deixa-me confuso... Mas... -Kanda alterou o tom da voz, pronunciando as ultimas palavras de forma quase inaudível, em um sussurro- Mas eu quero sentir isso, só quero sent -Deteve-se, aquilo não era algo que ele diria, a pouco não entendia que sentimento era este, não que agora o entendesse, mas agora, havia o desejo intenso de senti-lo, apenas senti-lo; seus pensamentos foram interrompidos pelos lábios de Lavi tocando os seus, beijando-o tão afável e docemente, os lábios cálidos de Kanda retribuíam o beijo acolhedoramente, Kanda certamente deveria estar agradecendo em seu interior: agradecendo a intensa chuva que o fizera parar a missão e procurar abrigo, trocando sussurros em breves intervalos, quando por fim suas bocas se separaram, Lavi sussurrou de forma tão inaudível como Kanda já o fizera antes; “Não é preciso entender; apenas é preciso sentir, Yuu...”.
Agora já não eram sensações, já não era libido, já não era mais nada disso; era apenas algo genuíno: Sentimento.
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