Notas iniciais
Só pra acabar mesmo...

Lembra-se de quando você veio para essa escola? De quando nos conhecemos? Se lembra de quando eu conversava com você todos os dias?

Eu me lembro de quando nos falávamos, conversávamos sobre várias coisas, e sem você saber, todos os dias eu olhava para você. Mesmo não estando mais na escola, via você conversando com seus amigos, enquanto eu, sozinho, só admirava.

Sim, eu admirava você de longe. Seus cabelos claros, sempre presos, escorriam até depois de seus ombros, no meio de suas costas, e seus óculos de descanso, sempre usava-os, sem vergonha disso. Por que não soltava seus cabelos de vez em quando? Por que você não tentava parar de usar os óculos? Não percebia como era bela, como era linda sem mais nada? Pelo menos, desse jeito, você não chamava atenção, então só eu tinha o privilégio de admira-la.

Lembra de quando eu te chamava de princesa? Isso deixava as outras com raiva, até ciúmes, mas você não ligava. Nunca ligava para o que pensavam ou diziam sobre você, e isso te fazia única naquele pequeno mar de gente.

Eu me lembro de te observar durante as aulas, você era tão interessada. Sempre respondia, sempre acertava e mesmo assim tinha vários amigos. Você não queria ter que conhecer tantas pessoas, eu sei disso, mas, todos a adoravam, assim como eu. Eras tão alegre, minha princesa, sempre sorridente, sempre sincera, sempre era tão... Você. Eu sei de como você não gostava de boatos e fofocas, não gostava de espalhar mentiras sobre os outros. E isso era uma das muitas coisas que eu adorava em você.

Sua risada tão alegre, mesmo que não gostasse dela, enchia todos com uma estranha felicidade. Você não gostava de ficar em meio à multidão, mas sua presença era sempre bem-vinda. Sua pele alva, tão macia, podia ser facilmente seda. Seus cachos macios, beijando e rocando levemente sua pele, seu corpo esculpido, sua maneira de falar, eras uma garota perfeita, que eu dizia minha.

Eu me lembro de quando puxei-a para conversar comigo, depois das aulas. Decidi confessar-te meus sentimentos por ti, pensava que você iria corresponde-los, mas não o fez. Parecia assustada, apavorada e então acalmou-se, disse que estava disposta a esquecer isso se eu também o fizesse, e então, se afastou de mim. Não falava mais comigo, andava cada vez mais junto de seus amigos, começou a andar sempre em grupo. O que era isso, minha princesa? Estava com medo de mim?

Lembro daquele dia, em que você demorou a sair, tranquei-nos na sala e possui teu corpo lá mesmo, você chorou, meu bem. Chorou e gritou. Correstes para longe, e não voltou para a escola por quase duas semanas, eu não podia ir atrás de você, sabias disso.

Não me arrependi por nenhum momento do que fiz contigo naquele dia, e agora admiro-a pela última vez. Minha princesa, contastes para teus pais e para teus amigos que eu te toquei, porquê? Agora, aprecio-a sentada, imóvel. Sua pele nunca esteve mais clara, porém, estas manchada do vermelho vivo que escorre de dentro de ti. Ah, minha pequena rainha, nunca vistes como era bela? Teus olhos vidrados no nada, mas sei que na verdades olhas para mim. Toquei pela última vez teu belo rosto, com muito cuidado, não suportaria machucar-te ainda mais. Beijei teus lábios frios e fechei teus olhos. Agora, olho para minha mão direita, a que segura a lâmina que atravessou teu corpo diversas vezes, sendo empunhada pela mesma mão que usei para machucar-te. Numa descarga de adrenalina, segurei a faca com ambas as mãos e cravei-a em meu peito. A dor que sinto é terrível, porém, não deve ser pior que a dor que tu sentistes, não é?

Não me arrependo de nada que fiz, não me arrependo de ter te beijado, mesmo que fosse a força. Não me arrependo de ter te abraçado, quando ninguém mais pode. Não me arrependo de ter ficado perto de ti, mesmo sabendo que não devia, e principalmente, não me arrependo de ter sido teu professor, minha querida, fostes a única a fazer-me me sentir assim. Mas você deveria ter se arrependido de ter contado, de ter lutado contra mim, deveria ter se arrependido de não ter me amado.

Agora, vais sumir para teu paraíso, meu anjo que caminhava na terra. E eu, sumirei e irei para as trevas eternas com consciência do meu principal, mas não único, pecado: O de ter te amado mais que tudo, minha criança.

Perdoe-me, mil vezes dito, apenas me perdoe...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.