Just Nothing
3 Algumas lágrimas
Isso não fazia sentido algum, primeiro ele me odiava e não queria falar comigo, depois ele me mandava um papel dizendo que precisava me ver, me diga onde esta o sentido?
Desde que eu havia recebido o papel as horas estavam passando mais devagar ainda. Como ontem, as ultimas aulas seriam de matemática.
Observei enquanto o professor passava a resolução das equações de ontem no quadro. Eu ainda sentia que Seok estava me olhando, ele realmente estava me matando com esse mistério todo.
– Olha! – Sandara disse animada – Eu não errei nenhuma!
– Parabéns! – Eu disse rindo, provavelmente eu teria errado maioria, estava tão distraida ontem.
– Você parece... Ansiosa. – Disse me olhando da cabeça aos pés.
– Um pouco. – Parei e pensei, ficamos em silencio por um minuto – Sandara, quando o sinal tocar, vá para estação e me espere lá, okay?
– Certo, você tem algum compromisso?
– É quase isso.
– Okay. – Ela sorriu voltando a cabeça para as equações. Fiz o mesmo.
Eu nem havia percebido, eu havia passado o dia todo na escola, desde o beijo de manhã, eu havia passado a tarde estudando com Sandara e agora quase na hora de voltar para casa, Seok havia me mandado um papel para que eu o encontrasse, mas por que ele não veio falar comigo antes? Por que ele não falou comigo enquanto estavamos a sós na sala no quinto sinal? O que ele pretendia fazer?
Finalmente o ultimo sinal tocou, me levantei e comecei a arrumar minhas coisas, Sandara fez o mesmo e saiu antes mesmo que eu pudesse erguer o pescoço para vê-la.
Coloquei minha mochila nas costas e andei até Seok.
– O que você quer? – Perguntei indo logo ao assunto.
– Espere até sairmos da sala, por favor. – Ele disse olhando para baixo e depois virando os olhos para Kevin, que sorria feito um bobo. – Kevin você realmente vai nos acompanhar?!
– Como nos velhos tempos! – Ele disse rindo.
– Agora são novos tempos! – Seok disse me puxando pelo braço e me levando para fora da sala.
– Okay! Novos tempos! Seu chato! – Kevin gritou para nós lá de dentro, não consegui conter o riso.
Fui andando atrás dele até chegarmos aos armarios. Peguei o resto de minhas coisas, coloquei meus sapatos e comecei a segui-lo de novo, agora pelas ruas.
– Já saímos da sala! – Eu exclamei tentando acompanha-lo – Pode me explicar o porque disso agora?!
Ele continuou andando e eu continuei o acompanhando, fomos até perto do metrô, ele parou em frente a cafeteria na qual demos nosso primeiro beijo e depois aprontamos com o garçon.
– Por que Aria?! Por que?! – Ele perguntou se virando para mim.
– Eu... – Estava me tornando a pessoa mais confusa do mundo agora – Me desculpe Seok, eu não sei do que você esta falando.
– Não me chame de Seok, meu nome não é Seok pra você!
– Park... – Eu disse virando os olhos para o chão, não iria chorar agora, eu não podia chorar agora.
– Aria, por que você beijou o Taekyung?!
– O que?! Foi ele quem me beijou! Você não viu ele me puxan...
– Não eu não vi! O Kevin viu, e acho que a Yojeong Academy inteira já sabe dessa historia!
– Ah é?! – Disse sarcasticamente, eu queria estrangular o Kevin – Então a Yojeong Academy também sabe que a Tahara traiu ele, e também sabem o que eu fiz, não é?
– Aria, você me traiu com meu melhor amigo e mentiu para todo mundo, e ainda por cima não arruma uma só explicação decente para o que você fez!
– A gente veio falar do meu beijo ou do seu amigo?! – Gritei.
– Você não tem jeito mesmo não é? – Ele sorriu desviando o olhar. – Você sabe como a Tahara vai reagir quando ela souber disso?!
– Eu sei sim. – Me interrompi, a carta, era minha chance – E... Meus problemas com a Tahara e o Tae, sou eu quem resolvo e não você Park, obrigada.
– Ta bem, afinal você sabe o que faz. – Eu simplesmente odiava quando ele falava que eu sabia o que eu fazia!
– Espere! – Eu disse antes de ele se virar e ir embora. Abri minha mochila e peguei a carta. – Eu escrevi isso no dia em que a gente brigou, era para ser entregue antes, mas a covardia não deixou.
Ele pegou a carta de minha mão antes mesmo que eu pensasse em leva-la até ele.
Eu me virei e continuei andando em direção a estação, não iria ficar lá para ver a reação dele.
Comecei a correr quando avistei Sandara, ela estava me olhando estranhamente. Eu estava desesperadamente limpando as lágrimas que escorriam pelo meu rosto.
– Cheguei! Vamos! – Puxei-a pelo braço correndo para o metrô antes que o perdessemos.
Entramos rapidamente e nos sentamos ao lado dos garotos estranhos de novo. Eles nos olhavam ainda mais estranhamente.
– O que aconteceu? E porque você foi falar com o Seok? – Ela perguntou tentando me acalmar.
– Você me seguiu?!
– Eu só estava com medo que acontecesse...
– Tudo bem, eu entendo.
– Porquê você esta tão desesperada, ele fez algo?
– Não, mas acho que vai fazer... – Eu olhei para ela – Olha esses Dara... Esses são assuntos meus e eu acho que...
– Ah! Não! – Ela ficou envergonhada – Me desculpe!
– Não precisa se desculpar, vou te contar tudo, mas só quando essa historia se resolver de vez.
– Certo.
Ficamos em silencio o resto da viagem. Os garotos estranhos olhavam para nós, eu não os encarava, já estava ficando com medo, não posso dizer o mesmo de Sandara que não conseguia conter os risos. É, eles eram até que engraçados, mas a coisa ficou tensa quando começaram a sorrir para ela tambem.
Saí do mêtro acenando um "tchau" para Sandara, ela e os caras acenaram de volta, estava começando a me preocupar com ela.
Subi até meu andar. Eu estava exausta, e com medo da resposta do Seok.
Corri para o meu quarto me jogando na cama e cobrindo minha cabeça, com vontade de me desligar do mundo até tudo ficar bem.
– Aria? – Meu pai disse encostado na porta do quarto.
– Senhor. – Eu olhei para ele me levantando da cama.
– Precisamos conversar.
– Sobre? – Agora eu estava pensando em tudo de errado que havia feito em minha vida. – O que eu fiz?
– Nada. Você fez algo? – Perguntou desconfiado.
– Não.
– Bem, não é mesmo sobre isso que quero conversar – Ele sorriu – Eu vou ter que sair da cidade por alguns meses, por causa do trabalho.
– Quer que eu arrume minhas malas?
– Não filha, você vai ficar aqui. Arrume as malas da Mei.
– Ficar aqui?! Por quê?! – Eu não estava entendendo, porquê meu pai me largaria aqui?
– Aria, foi dificil conseguir uma vaga para você na Yojeong, e eu sei que você tem estudado muito e esta chegando exausta em casa, você tambem não iria querer desgrudar da Tahara.
– Mas eu vou ficar sozinha?!
– Querida você é madura o suficiente para saber que eu confio muito em você!
– Eu sei...
– E se você fizer algo, irei te mandar para a Inglaterra com sua tia.
– Eu sei – Isso ainda parecia sem sentido. Eu só tinha que aceitar. – Quando vocês vão ir?
– Amanhã a tarde. Cuide bem do apartamento, e arrume as malas de Mei.
– Sim senhor. – Assenti saindo de meu quarto e indo em direção ao de Mei.
Abri a porta lentamente.
– Mana?
– Você pode... Me emprestar o Dak? Para eu dormir com ele no avião? Eu vou cuidar bem dele! Juro! – Ela me implorou apertando o ursinho forte.
– Pode claro! – Eu sorri, ela era tão fofa – Eu vou arrumar suas malas, é melhor você ir comer.
Ela atravessou a porta sorrindo ainda apertando o Dak.
Peguei as malas de Mei em cima do armario e comecei a abrir suas gavetas, colocando dentro da mala as coisas mais importantes primeiro. Eu era praticamente uma "mãe" para ela e era eu quem cuidava do meu pai, não sei como aqueles dois irião sobreviver três meses sem mim, e não sei como iria sobreviver sem eles.
Terminei de arrumar as malas de Mei rapidamente, ouvi meu celular tocar.
Corri até meu quarto o tirando da mochila e olhando o identificador, Seok.
– Alô? – Antendi. Meu coração batia mil vezes por minuto.
– Ryusaki... Aria... Eu...
– Eu acho que já sei o que você vai dizer – As lágrimas começaram a escorrer de novo.
– Não, eu não vou dizer isto – Ele se interrompeu – Eu acho, amanhã, eu você e o Kevin temos que conversar...
– Okay – Me desesperei ainda mais – Park, eu...
– Eu sei – Ouvi ele sorrir – Eu tambem te amo.
Eu sorri, era a primeira vez que ele me dizia isso em três meses.
– Olha, amanhã resolvemos isso, tchau. – Ele desligou antes mesmo que eu pudesse dar tchau.
Limpei minhas lágrimas.
Amanhã.
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