Just Friends
31 Pov Lari
Notas iniciais
Eu gostava de dar aulas, ajudar os outros campistas, mas odiava a forma como se encolhiam de medo quando chamava seus nomes, não entendo na verdade. Procurei meus amigos e os encontrei, sorri e os abracei.
– E ai galera? Novidades? – perguntei ainda sorrindo. Eu sentia que os conhecia, me forçava a lembrar, mas nunca funcionava.
– Nada novo, Dani e Vitor não estão mais juntos, agora os dois mudaram o visual e acham que são tops – disse Anna.
– Eu gostei, tudo bem que eu acho que não combinou nada com a Danielle, ela parece aquela tipo de garota quase fofa, já o Vitor, pelo menos virou homem – respondi.
– Eu acho que vou pro meu chalé, to mega cansada, beijo – disse saindo. Cheguei no chalé e me joguei na cama, pouco tempo depois um ser obeso, vulgo Nico, se jogou em cima de mim.
– Olá querida maninha – disse beijando minha bochecha ainda em cima de mim.
– Sai de cima de mim seu gordo – o empurrei e ele caiu ao meu lado.
– Papai quer falar com você, ele não parece feliz – disse se sentando.
– Merda! – disse e fui me trocar. Quando entramos na sala de meu pai meu queixo caiu quando vi Matheus parado lá – Mas que merda ele ta fazendo aqui? – perguntei pro meu pai.
– Bom, ele procurou Zeus e falou que queria treinamento, falou que queria ser bom como você, Zeus negou treina-lo, mas falou que podia dar um jeito, esse mês que ele ficou fora, ele estava em uma ilha de Iris, sem poderes, totalmente mortal, e teve que cuidar de algumas criaturas, ele provou seu valor, e Zeus pediu em um conselho que você o treinasse, infelizmente é o tipo de coisa que eu não posso negar, então a partir de hoje você vai treina-lo, poderá ficar aqui e no Olimpo, onde preferir – eu estava travada em frente ao meu pai, como assim?
– Eu estou presa a ele? É isso? – papai assentiu – porque não Nico?
– Nico tem coisas a fazer para mim, não teria tempo para treinar o moleque – respondeu e revirou os olhos – e você tem tempo o suficiente.
– Mas que merda! Vem! Só preciso me trocar – sai dali e pude ouvir Hades gritar “Olha a boca”, ri com isso, fui ate meu quarto e entrei, Matheus que me seguia ficou parado na porta – não vai entrar? – ele assentiu e entrou. Peguei uma roupa parecida com a que uso nos treinos do acampamento e minha bota, fui ao banheiro e me troquei, quando sai ele olhava o quarto, ele parou em uma foto, essa em especial eu não lembrava, cheguei mais perto, tinha eu e mais algumas pessoas, essas que estavam meio embaçadas – não me lembro dessa foto – disse e ele pulou, ele não parecia ter tanto medo no acampamento.
– Seu quarto é muito parecido com o que você tinha em casa – disse passando os olhos pelo quarto novamente – e nessa foto, eu não sei o que aconteceu, mas essa é você, esse sou eu, essa é a Dani, esse o Vitor e essa a Anna – disse apontando para as pessoas – como pode ver, foi na nossa formatura do fundamental, estávamos tão felizes por finalmente estarmos entrando no médio, eu estava ainda mais feliz, você tinha parado de se cortar, e tinha prometido não fumar mais – eu não me lembrava disso, mas conforme ele me falava, alguns flashes de conversas, risadas e palavras me vinham a cabeça.
– Just Friends? – ele me olha com os olhos arregalados – eu deveria saber o que significa, não é? – ele baixou os olhos e assentiu, algo estranho aconteceu quando o Matheus da foto começou a ficar menos desfocado – porque você aceitou ser treinado por mim? – ele me encarou – você parece ser orgulhoso demais, não entendo. E você deveria estar focado na Rebeca ou algo assim – completei baixo.
– Não tenho opção, não fiquei naquela ilha pra acabar sem treinamento, se você que vai me treinar ou não, isso não me importa – respondeu. Assenti e sai, caminhei pelos corredores em direção à saída do Palácio. Passei por Cérbero jogando um biscoito para o mesmo, que latiu quando Matheus passou, fazendo-o andar mais rápido, ri baixo, quando chegamos aos campos Asfódelos, fiz minha espada aparecer. Ele pegou a sua e veio até mim, avancei e ele bloqueou o golpe, ao tempo em que eu o acertava do outro lado rapidamente.
– Regra numero um, preveja os movimentos e seja rápido – continuei avançando ate ele conseguir bloquear os golpes rapidamente, o que levou em torno de uma hora, ele estava suado e ofegava, dei um golpe mais rápido e peguei sua espada – está bom por agora, vamos comer, estou com fome – ele riu.
– Você sempre está! – voltamos à cozinha do Palácio – tem alguém pra cozinhar pra você?
– Não, Perséfone gosta de cozinhar, diz que é legal, mas ela está com Deméter, Nico também se vira – dei de obros e abri o freezer – legal, minha pizza acabou! – Matheus passou por mim e abriu a geladeira, pegou algumas coisas e começou a abrir os armários, separando vários objetos e ingredientes – o que está fazendo?
– Temos que comer, duh! E da ultima vez que você tentou cozinhar queimou a cozinha – disse e começou a misturar varias coisas, me sentei na bancada e fiquei observando enquanto ele andava pela cozinha rapidamente misturando varias coisas, flashes passavam novamente pela minha cabeça.
–x-
– Por favor! – resmunguei pela quinta vez – eu to com vontade – ele negou.
– Já falei que não – ele voltou mexer em algo no fogo.
– Mas você prometeu – prolonguei as palavras.
– Parece que você ta gemendo! — rimos — Não, já falei, sua mãe proibiu a lasanha, por mais que eu ame, você ame, todos amem, não posso – cruzei os braços.
–x-
– LARISSA VEM COMER CARALHO! – gritou da cozinha, ri alto e desci com o ipod cantando Lullaby do Nickelback – finalmente – disse servindo lasanha para nós e sentando a mesa, sentei em sua frente.
– Sorry, estava ouvindo musica, não escutei – sorri amavelmente.
– Eai, que musica vai querer cantar hoje no ensaio? – putz, o ensaio, tinha esquecido.
– Acho que uma da Pitty, gosto dela! – ele deu de ombros, terminou de comer e foi lavar a louça. Há! Ele lava a louça! Me apoiei na pia ao seu lado – já falei que eu te amo tipo muito? Cara, você cozinha, lava a louça, me leva pro colégio, quando podemos casar? – ele riu e passou o dedo no meu nariz deixando ele com espuma, olhei mortalmente e joguei espuma nele, saindo correndo e me trancando no quarto.
Voltei à realidade e reparei que ele estalava os dedos em frente ao meu rosto.
– Hey, você voltou, ta tudo bem? – assenti – a lasanha ta no forno – sorri.
– Você fez lasanha, meu prato preferido – ele sorriu.
– Nosso prato preferido – assenti sorrindo – você não se lembra de nada? Nadinha?
– Eu lembrei... Tínhamos uma banda, certo? – ele assentiu – não me lembro da banda, lembro-me de comentar dela, e de você cozinhar pra mim – ele riu.
– É, você costumava me explorar, tudo eu – ele sorriu – você não está com a sua armadura de gelo – disse sorrindo – eu acho que consegui quebra-la, pelo menos por um tempo – meu rosto se endureceu – não, não a construa de novo, por favor... – assenti. Ele se virou e foi ver a lasanha.
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