Just Friends
8 "Essa é a minha preferida"
Notas iniciais
Depois de 4.338 quilometros percorridos, finalmente New York. Meu pai estava feliz por eu estar junto dele, e eu também. Ficamos tanto tempo separados...
Pegamos as malas e fomos pegar um táxi até a casa da minha tia, Joana. Assim que chegamos vi minha prima, Marina. Fazia muito tempo que não os via, estavam muito diferentes.
- Prima ! Quanto tempo, que saudade — Marina veio correndo me abraçar.
- Quanto tempo mesmo. Como tu tá? Nossa, que saudade — eu disse sorrindo
- Giulia! — meu tio Gustavo veio me abraçar. — Como tu ta linda e grande.
- Oi querida — minha tia foi me abraçar — Quanto tempo que não te vejo. Vem, vamos entrar. — ela fez sinal para eu e meu pai entrarmos.
- Bom, os quartos de vocês ficam lá em cima a direita e ...
- Quarto. Eu não vou ficar aqui. Só no hotel, porque é mais perto do escritório. — meu pai disse e eu o olhei triste
- Mas pai ... — eu disse manhosa
- Desculpe Giu. E por falar em escritório, eu preciso ir. Mais tarde eu passo aqui, tudo bem ? — ele disse me olhando, que apenas assenti.
- Tchau família, até depois — ele acenou para todos e me deu um beijo na cabeça indo embora
- Que pena ele não poder falar — AI MEU DEUS! QUE CRIATURA ABENÇOADA ERA AQUELA ? Não pera... Era o... Não pode ser o Matheus. Ai Deus! Meu primo gato, que não era tão gato assim disse isso olhando para mim. — Oi Giulia. — ele disse sorrindo
- O-Oi Matheus... — eu disse incrédula. Gente... Gato. Só o que eu tenho a declarar...gato, muito gato.
- Então tá bom, ainda bem que você veio, já ia te chamar. Ajude Giulia com as malas — disse minha tia para Matheus que apenas assentiu sorrindo para mim.
Peguei minha bolsa e minha necessiére enquanto ele pegava minhas duas malas. Subimos as escadas em silêncio.
- Qual ? — perguntei para ele que endicou o quarto ao meu lado. Entramos e ele largou as malas. — Obrigada pela ajuda — eu disse sorrindo de leve
- Sem problemas. Quando precisar, é só chamar. — disse ele saindo
- Espera! — eu gritei e ele voltou — Pode chamar a Marina? — eu disse envergonhada. Corei, mas que bosta
- Tudo bem, vou avisar a Marina que você está a esperando — ele disse sorrindo de leve e fechando a porta.
Jesus. Que primo é esse? Nossa! Da última vez que eu o vi, ele era fraquinho, magricelo e só queria saber de jogar videogame... Nossa, tenho que avisar a Pietra. Quando peguei meu notebook para ligá-lo...
- Cheguei! — Marina entrou no quarto fechando a porta e se atirando ao meu lado na cama — Diga-me, o que você quer priminha? — disse ela me olhando com seus grandes olhos verdes
- Prima, o que aconteceu com o Matheus? — perguntei incrédula
- Como "o que aconteceu"? — perguntou ela confusa
- Ele está... um gato, nossa! — eu disse e ela soltou uma bela gargalhada
- As pessoas crescem, amadurecem...Enfim, todo Pokémon evolui! Mesmo não concordando contigo. Porque o Matheus continua sendo o mesmo cara de sempre. – ela disse rindo
- Para você que é irmã dele né sua anta – eu disse rindo também
- Mas ele é seu primo... – ela disse confusa
- Calma, não vou fazer nada com ele... eu acho. – eu disse e ela riu
- Só ta tendo essa impressão porque ta a 5 anos sem nos ver. – ela disse cruzando os braços e fazendo bico
- Sabe que tudo por culpa da Rebeca – eu disse desviando o olhar. Odiava falar da Rebeca, vulgo minha mãe.
- Eu sei, eu sei, mas... Ta, esquece! – ela disse revirando os olhos
- Enfim...o que iremos fazer hoje? – perguntei sorrindo
- Humm, vamos ao Central Park? É pertinho... – ela disse sorrindo e eu assenti
- Só vou me agasalhar mais, porque afinal de contas é inverno – eu disse e ela sorriu e saiu do quarto
Depois que Marina saiu, eu fui pegar mais um casaco na minha mala, estava morrendo de frio. Isso que dá se acostumar com o calor de Los Angeles. Depois que eu me agasalhei, praticamente entrei dentro da mala atrás da minha câmera. Depois de muito tempo de luta, a encontrei. Sai do quarto e bati no quarto da Marina.
- Marina, eu vou levar minha câm... – Parei de falar assim que vi que bati no quarto errado. Era o quarto do Matheus, ops. E ele tava sem camisa. Com esse frio? Menino desmiolado. Mas foda-se.
– Ahn... desculpa. Achei que esse era o quarto da Mari.- falei olhando para chão de tanta vergonha que fiquei. Pois é, as vezes eu fico envergonhada com coisas bobas, mas só Lucas tinha o dom de fazer isso sempre.
- Ah, tudo bem. O quarto da Mari é aqui ao lado. Vocês vão sair? – ele perguntou mexendo no cabelo
- Sim, vamos ao Central Park. – eu disse sorrindo
- Gosta de fotografia? – Matheus perguntou. Não, não, to com uma câmera para bonito. Porque eu odeio fotografia. Por isso que eu tenho uma câmera profissional, porque detesto. Pensei em dizer, mas...
- Gosto. – disse sorrindo
- Ata... posso ir com vocês? – ele perguntou meio sem jeito
- Acho que sim, é só falar com a Mari. Vou ali e já volto – eu disse saindo
Toc toc. Silêncio. Toc toc. Silêncio.
- Mari! Sou eu! – eu disse batendo na porta. – MARINA! ABRE ESSA PORTA AGORA! – eu disse e logo depois ela abre a porta com cara de assustada
- Ta tudo bem? Porque bateu assim? – ela me olhou apavorada. Olhei para suas mãos e avistei seu iPod, Ata, ta explicado.
- Porque a senhorita ficou ouvindo música e me ouviu batendo na porta. – eu disse e ela riu
- Ata, tudo bem então. Vamos? – ela perguntou fechando a porta do quarto dela.
- Aé, quase esqueci. O Matheus quer ir junto, tudo bem? – eu perguntei e ela sorriu maliciosamente e assentiu.
Passamos na frente do quarto dele e ela simplesmente berrou “Ta pronto Cinderela?” E logo depois ele abre a porta assentindo.
Então foi mais ou menos assim. Três desmiolados rindo que nem loucos na rua. Muitas pessoas passavam e nos olhavam torto, mas foda-se. Estávamos nos divertindo e era isso que importava.
Em pleno Central Park, enquanto eu fotografava a paisagem, o veado do Matheus passa correndo por mim e me pega no colo, como um saco de batatas.
- Matheus, me larga no chão seu veadinho! – eu disse esperneando enquanto a Mari ria como uma louca
- Só se disser que eu sou lindo que você me ama. – ele disse
- Nunca! – eu disse ele me girando. – Ok,ok. Você é lindo e eu te amo – eu disse e ele começou a rir ainda mais, me colocando no chão.
- Nada mais do que a verdade – eu sussurrei e ele me olhou
- O que você disse? – ele sorriu malicioso
- Ta frio aqui né?! – eu disse e Mari riu, olhou para mim e piscou
- Giu, não se importa de ficar com o Matheus? É que eu não estou me sentindo muito bem... Vou para a casa – ela disse
- Tudo bem, mas acho melhor irmos com você – eu disse e ela semicerrou os olhos para mim
- Não, não quero estragar sua tarde. Agora eu vou indo e o Matheus fica com você – ela disse me dando um beijo na bochecha, acenando para o Matheus e saindo.
- Bom, parece que só sobrou nós dois... – ele disse
- Pois é... – eu disse olhando para a câmera em minha mãos
- Então, quer comer alguma coisa? – ele perguntou e eu apenas assenti
Achamos um “carrinho” que vendia cachorros quentes e ele comprou dois. Então nos sentamos em um banquinho que dava para observar a cidade.
- Já tinha vindo aqui antes né? – ele disse observando a paisagem
- Sim, mas eu era muito pequena para lembrar – eu disse
- Então me conte como é sua vida em Los Angeles – ele disse se virando para mim e sorrindo de lado
- Bom, eu tenho dois grandes amigos. Não me dou bem com a maioria das patricinhas da cidade. Então, desde pequena eu sou amiga do Lucas, não sei se você chegou a conhecê-lo quando foi da última vez – eu disse olhando para ele que apenas assentiu dando uma mordida em seu cachorro quente – Então, ele praticamente mora lá em casa, ele a Pietra. Ela está em Londres a uns 3 ou 4 dias visitando a família, e o Lucas... Bom, o Lucas está em L.A com a namoradinha idiota dele – eu disse mordendo meu cachorro quente
- Wow, creio que tem alguém com ciúmes – disse Matheus arqueando as sobrancelhas, e sorrindo de um jeito desafiante. Meu Deus, como se respira mesmo?
- Não é ciúmes, é só que... – uma pausa pensando em alguma coisa para falar além de “eu não gosto deles dois juntos porque e eu ele temos uma amizade colorida e eu estou completamente apaixonada pelo meu melhor amigo” É, melhor deixa quieto mesmo.
- Só que... – ele fez sinal para que continuasse
- Só que nós já ficamos várias vezes e quase namoramos... – eu disse suspirando e voltando a observar a paisagem
- Nossa! Deve ser uma merda isso então – ele disse observando a paisagem também.
- É, mais ou menos. Na realidade, não. É bom ter uma coisa com alguém que não seja sério e saber que eu posso ficar com quem eu quiser e mesmo assim, vou ter ele. Só que isso mudou e nós demos um “tempo” – eu disse fazendo aspas no tempo, provocando uma leve risada nele
- Idiotice da parte dele ter você e querer outra – ele disse olhando nos meus olhos. Então ele foi chegando cada vez mais perto. Já conseguia sentir sua respiração, então ele sorriu e me deu um selinho e... “You’re stuck on me and my laughing eyes...” E nada porque a porra do celular tocou. Olhei no visor “Lucas”. PORRA, EU VOU MATAR ESSE MINO, MAS QUE CACETE!
Ligação On.
- Alô? – ele disse com a voz rouca
- Oi Lucas – eu disse revirando os olhos e Matheus mudou sua expressão na hora
- Oi Giu, como você ta? O vôo foi bom? – ele perguntou
- To bem e foi um vôo normal. – eu disse de má vontade
- To te atrapalhando? – ele perguntou
- Para falar a verdade sim, eu estava no meio de...de... – eu disse pensando em não dizer “eu estava no meio de um beijo com meu primo gostoso”
- Meio de que Giulia? – ele disse
- Eu tava no meio de um bei... eu tava ocupada e agora eu vou desligar. Beijo, tchau. – eu disse desligando o celular e soltando um suspiro.
Ligação Of.
- Me desculpe por isso – eu disse para Matheus que sorriu fraco – Vamos tirar uma foto? – eu disse e ele apenas assentiu.
Então eu levantei a câmera e tiramos uma sorrindo. E depois ele pegou e fez um careta, fiz uma careta e ele tirou a foto. Então fomos ver como ficou a foto e começamos a rir. Então nossos olhares se encontraram, abafando o riso aos poucos, até que nossos lábios se tocaram. Um beijo calma resumiu o momento. Até um “trec” de foto tirada. Paramos de nos beijar e ele simplesmente sorriu e viu a foto.
- É minha preferida. – ele disse sorrindo para mim, vindo novamente em minha direção. Então Lucas veio em minha cabeça e hesitei.
- Acho melhor irmos – disse quase como um sussurro, olhando para baixo
- Tudo bem – então levantamos e ele entrelaçou nossos dedos. Corei na hora.
E quando chegamos em casa, fui direto para meu quarto, até que a porta se abre uma baixinha com um enorme sorriso no rosto aparece.
- Eu vi tudo – ela disse entrando e fechando a porta.
- Ai, que vergonha – eu disse corando e abaixei a cabeça
- Vergonha nada. Matheus é um cara muito legal, mas... – ela disse preocupada
- Mas ele é meu primo, é eu sei. – eu disse olhando para Mari
- Não confunda as coisas Giu. – ela disse me dando um beijinho da testa e saindo do quarto.
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