Just Begun.
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Caminhei a passos arrastados até a porta do apartamento enquanto adotava coragem para bater. Logo após o feito, Max me atendeu educadamente, me direcionando para o quarto de Thomas enquanto murmurava alguns elogios sobre o quão radiante eu estava. Eu não conseguia entender como Thomas conseguia ser tão inconveniente convivendo com pessoas tão educadas. Quem sabe por que não houvesse uma explicação razoável para as atitudes dele. Quando enfim me coloquei em frente à porta do quarto de Thomas, quase cheguei a pensar em desistir, porém a bisbilhotice falava mais alto do que qualquer sentimento de abdicação existente. Possivelmente ele pensaria coisas erradas a me ver frente a sua porta logo após o ocorrido de mais cedo, porém eu não me importava. Assim que eu consegui reunir os pensamentos a meu favor, bati lentamente a porta, afirmando a mim mesma que não iria adentrar no cômodo.
Logo após a minha batida, consegui ouvir um barulho de algo quebrando e um grunhido de dor vindo de dentro do quarto. Emiti uma gargalhada um tanto quanto exagerada imaginando um possível tombo de Thomas, que logo após me ouvir, se pronunciou.
- Quem é? – Ele perguntou aparentemente com voz sonolenta e meio distorcida, provavelmente pela possível queda que eu imaginara que tivesse acontecido.
— Sou eu, a jornalista. – Respondi batendo os pés impacientemente no chão. Ele aguardava uma apresentação protocolar para abrir a porta? Contudo, logo após que eu respondi a sua pergunta, a porta a minha frente se abriu velozmente.
- Veio se desculpar pela sua falta de educação mais cedo? – Thomas perguntou, logo após abrir a porta. Aparentando também certo tom de surpresa. Possivelmente surpresa por eu estar ali. Antes de me dar tempo para respostas, ele se virou de costas para mim, evitando o contato visual.
- Não. Até porque eu não achei que foi uma falta de educação, porque você não me atraiu nem um pouco, só estava querendo me divertir. – Expliquei atenciosamente com um pingo de provocação nas palavras.
- Então a que devo essa surpresa desagradável? – Thomas que encarava a parede com atenção virou-se enfim para me olhar. Ainda fazendo de tudo para quebrar o contato visual que eu tanto insistia em manter.
- Você está sabendo o que o seu empresário está planejando para nós? – Murmurei baixo a fim de que ele já soubesse. A última coisa que eu desejava naquele momento era dar explicações sobre aquele fato embaraçoso.
- Nós? – Thomas perguntou dessa vez olhando fixamente para mim. Ele estava claramente surpreso.
Antes de responder, analisei com atenção as palavras que iria usar, para não transpor uma imagem errada sobre a situação.
- Sim, nós. — Contestei depois de uma pausa. — Ele quer que eu faça um par publicitário com você, fingir existir um relacionamento sério entre nós. - Fiz um gesto de aspas com os dedos e respondi demonstrando frustração por toda aquela situação que ele mesmo me pusera.
- E porque você aceitaria essa proposta, já que não sente atração física por mim? – Thomas falou, fazendo questão de adicionar certo tom irônico a sua pergunta.
- Porque ele também me daria o emprego de publicitária da banda, e isso seria ótimo para mim, já que uma pessoa estragou tudo com o meu outro emprego. – Ponderei com o mesmo tom irônico que ele empregara há alguns segundos. – E isso seria apenas frente às câmeras. Acho que agüento, já enfrentei situações piores na minha vida. Um homem egocêntrico não iria me abalar. – Acrescentei fazendo questão de destacar a parte do egocentrismo.
E então o silêncio imperou. Thomas dessa vez ergueu a sua cabeça e me encarou. Sua testa estava franzida, enquanto visivelmente ele permanecia tentando decidir quais vocábulos empregar. Por mais espantoso que aquilo parecia, ele não demonstrava estar afrontado com a minha ofensa. Apenas estava pensativo, e aquilo me deixava duvidosa.
- E você vai aceitar? – Thomas indagou encarando os seus próprios pés na tentativa de não parecer interessado. Triste disparate, eu sabia que estava.
- Não sei ainda. Ficará sabendo se sim. – Respondi serenamente antes de me retirar do quarto, fechando a porta atrás de mim sem ter tempo para escutar qualquer resposta sem sentido que Thomas poderia formular.
Descendo as escadas, encontrei Max na cozinha arriscando preparar algo. Pelo cheiro não estava obtendo resultado. Assim que me viu, parou imediatamente o que estava fazendo e correu até a mim, antes que eu pudesse fechar a porta do apartamento. Ele parecia ansioso.
- Hey Carol... – Max murmurou enquanto tirava seu avental e logo em seguida continuou. — Eu, Jay, o Seev e a namorada dele vamos sair, você gostaria de vir conosco? — Max indagou.
Por um momento, eu olhei para ele surpresa. Seu rosto transparecia tranqüilidade, quase como se soubesse a minha resposta. Houve um ultimo momento de indecisão, quando eu infelizmente fui obrigada a lembrar o motivo que eu estava ali. Thomas. Porém, deixei meu lado racional de lado dessa vez, uma saída não poderia ser tão conflitante.
- Adoraria! – Respondi animada. — Mas, tem certeza que suas fãs não vão querer me matar? – Acrescentei com um tom de duvida.
- Não deixaria isso acontecer, pode ter certeza. – Max respondeu cochichando com um leve sorriso no rosto. — Te pego as 21:30, certo?
- Tudo bem! Estarei pronta. – Afirmei e logo em seguida saí, caminhando a passos lentos até o meu apartamento.
Que irônico aquilo tudo aquilo se tornou. Estava com medo de ficar fora do meu estado, e agora tinha que analisar a possibilidade de residir fora do meu País. Não sabia como reagir a tantas mudanças em tão pouco tempo... Logo eu, que sempre amei mudanças...
Ao chegar ao apartamento encontrei Laís sentada em minha cama encarando todas suas roupas espalhadas pelo quarto. Aquilo estava soando estranho demais para minha amiga que não agüentava ver nada fora de lugar. Não agüentei e a provoquei falando sobre sua organização.
- Oh, o que vemos aqui? Um quarto totalmente bagunçado! – Forcei uma cara de espanto enquanto ela olhava atenta para mim. – A senhorita organização foi passear e deu espaço a desorganização? – Conclui então sentindo os olhares de Laís se voltar a mim com reprovação.
Laís me observava cautelosa enquanto seu rosto se transformava em uma feição de bebê mimado.
- Eu só não sei que roupa colocar! – Ela disse aumentando o tom da sua voz. – Vou sair com Jay hoje e não faço a mínima idéia do que usar! Eu tenho que passar uma boa impressão. – Laís falou se levantando rapidamente e se direcionando até a mala enquanto espalhava ainda mais roupas pelo cômodo.
Laís poderia ser linda e chamar a atenção de todos, mas não tinha noção disso. A auto-estima dela era péssima.
- Ok, coloque esse. – Falei mostrando a ela um vestido marrom acinturado e largo no quadril. – Você vai ficar linda! E eu também vou sair com vocês, amiga. Vou tomar banho e já volto pra te ajudar. – Disse fugindo para o banheiro rapidamente sem dar tempo a ela me questionar mais alguma coisa sobre o seu vestuário.
Dessa vez consegui tomar meu banho tranquilamente sem nenhuma campainha tocando para me interromper. O chuveiro era um dos únicos lugares em que eu podia colocar meus pensamentos em ordem. O fato de que minha vida estava se tornando um quebra-cabeça com personagens significantes e irritantes estava muito mais do que claro para mim. Eu só não conseguia compreender qual era a intenção real de Thomas. Havia muita coisa escondida naquele olhar dele, coisas que eu realmente gostaria de saber. Além da confusão dele outra coisa também era clara: a atração física inegável entre nós. Eu poderia negar para ele que não, mas negar para mim mesma seria dissimulação. Agora depois de todo aquele campo de batalha que havia se estabelecido entre Thomas e eu, surgia Max. Totalmente oposto a Thomas, porém não deixava de ser atraente. Com esse ultimo vestígio de pensamento sobre Max ainda repercutindo na minha cabeça, eu me lembrei que ainda tinha que me arrumar, e me apressei saindo do chuveiro.
Vesti um short de paête dourado, uma blusa de mangas compridas caídas nos ombros pretas, salto preto e uma maquiagem básica para noite. Quando terminei de me arrumar, procurei Laís por todo apartamento e nada de encontrá-la. Só um bilhete.
“Amiga, Jay veio me buscar antes do combinado, então encontro com você depois! Beijo te amo. Xx”
Ótimo, estava perdendo a minha amiga para um caso, novamente. Odiava quando isso acontecia.
Sim, eu era insuportavelmente possessiva em relação a amizades, e odiava quando minhas amigas me trocavam por homens. Homens são descartáveis e nos imaginam assim, então eu sempre fui cuidadosa em relação a me apaixonar. Palavra proibida e riscada há muito tempo no meu vocabulário. Não era assim, porém muita coisa mudou. Felizmente, eu tinha o dom em não me apegar em nada que pudesse no futuro me prejudicar. Lembrei-me de uma frase que minha mãe sempre me dizia: “Com o passar do tempo, crescem as pessoas, aumentam-se os medos, crescem as duvidas, dispersam-se sentimentos.” E ela sempre fazia questão de fixar a questão de nunca deixar meus sentimentos se dispersarem... Infelizmente ou felizmente aquilo já havia acontecido.
Eram exatamente 21:30 em ponto quando Max chegou.
- Uau, você está... Linda. Nem parece a mesma pessoa de hoje à tarde. – Falou enquanto me olhava dos pés a cabeça sorrindo.
- Hoje à tarde eu era uma Jornalista em uma entrevista, agora sou uma mulher normal, saindo para me divertir. – Falei dando uma volta em torno de mim mesma.
- Isso é ótimo. Vamos? Eles já estão nos esperando no estacionamento.
Para o meu alivio, o caminho até o estacionamento foi normal e sem fãs histéricas nos perseguindo, como eu temia. No carro já estavam Jay e Laís nos esperando.
Durante o trajeto, conversando com Max e Jay, pude perceber dois homens totalmente diferentes dos quais eu imaginava analisando as fotos do grupo recentemente. Max era simpático, engraçado e acima de tudo cavalheiro, Jay era brincalhão e carinhoso. Eu não podia acreditar que no mundo real ainda existiam homens como eles. Ou pelo menos no meu mundo, onde os homens não eram educados nem com suas sombras.
Laís estava se dando muito bem com Jay, e isso me alegrava. Gostava de vê-la sorrindo e alegre. E Jay, sem duvidas nenhuma era a pessoa certa para fazer isso.
Logo que chegamos à boate, decidi que o ocorrido de mais cedo não iria de forma alguma prejudicar a minha noite. Eu tinha a companhia perfeita, no lugar perfeito. Só não aproveitaria se não quisesse. Jay e Laís saíram juntos para o outro lado da boate e eu e Max entramos em um acordo de bebermos. Nada melhor.
- Hey, o que você vai querer beber hoje? – Falou Max enquanto puxava a minha cadeira para eu me sentar, e logo em seguida se sentou.
- Algo forte. – Sorri de canto maliciosamente. – Ahn, você já bebeu caipirinha? – Falei enquanto chamava o garçom até a nossa mesa.
- Não experimentei, mas já ouvi falar. Muito bem, alias. – Falou enquanto observava as minhas palavras com o garçom.
- Então é hoje que você vai experimentar. Deduzo que irá gostar. – Murmurei me direcionando para ele novamente. Seu rosto estava com uma expressão duvidosa e um tanto quanto... Receosa. Sorri de volta, tentando parecer confiável.
Só não conseguia imaginar as conseqüências vergonhosas daquela noite.
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