Just Begun.

12 Capítulo 12


O fato de eu estar encostada na porta não me impediu de perder o equilíbrio logo após ouvir aquela pergunta. Por algum motivo até então desconhecido por mim, eu fiquei extremamente incomodada em ter que responder aquele questionamento um tanto quanto incomum vindo de Max. Talvez até pelo fato de que a resposta era um tanto quanto óbvia. Quer dizer, não bastavam todas as discussões que eu havia tido com Thomas na frente dele para ele perceber que o nosso “relacionamento” estava mais para cão e gato? Não era possível existir qualquer tipo de afeto ali. O máximo que poderia existir era uma atração inegável, e para isso Max não podia me exigir satisfações.

– Acho que o seu silêncio responde a minha pergunta. – Max falou com os olhos semicerrados e com uma careta um tanto quando desagradável em seu rosto.

– O que? Claro que não! – Engoli em seco pensando nas palavras certas para continuar aquela conversa. – Que absurdo essa pergunta, é óbvio que eu não o suporto Max. Não há motivo para você perguntar isso pra mim. – Respondi com um tom de revolta na voz, e Max apenas agia como se a pergunta dele fosse normal.

– Como não há motivo? Você já ouviu falar que as pessoas que mais se odeiam são as que mais sentem atração umas pelas outras? – Ele agora estava sentado na beira da cama tomando sua cabeça pelas mãos.

– Atração? Eu sinto atração por ele sim! E ele que te disse isso, não é? Mas eu sinto atração por você, e não quero nada com ele. Isso é perfeitamente normal, levando-se em conta de que nós não temos nenhum tipo de relacionamento aqui. Mais uma vez você está cobrando muito de mim. – Proferi as palavras de uma vez só, suplicando para que Max não entendesse errado a situação.

– É, acho que estou. – Ele murmurou com um suspiro cansado, e sem eu perceber já estava saindo pela porta.

E eu apenas o observei aflita. Por um segundo a ideia de impedi-lo e pedir desculpas por minhas palavras passou pela minha cabeça, porém achei melhor deixa-lo ir. Talvez um tempo longe dele resolvesse as coisas para ele perceber que nós não tínhamos nada, e não teríamos. Definitivamente era melhor assim.

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– O evento será daqui a cinco dias. Será uma festa simples, para comemorar um photoshoot realizado para uma revista. Mas a impressa estará lá, então acho muito importante você estar presente com Thomas, além de cuidar da imagem da banda – Martin falou explicando minuciosamente todos os detalhes do evento. Naquele dia eu havia acordado cedo, reunindo toda a minha coragem para o primeiro dia em Londres. Logo após um café da manhã reforçado, me encontrara com Martin. Assim desde o começo da conversa, eu apenas assentia e concordava com as informações por ele proferidas tentando parecer interessada. Infelizmente meus pensamentos não estavam ali.

– E assim será. Espero que você mantenha a classe, juntamente com Thomas. – O homem a minha frente sentenciou logo após um pigarro que me despertou. Eu apenas concordei e me despedi dele, confirmando a minha presença no futuro evento.

Antes de voltar para o pequeno inferno, passei rapidamente no meu futuro apartamento que estava sendo pintado ainda. Imaginei que aquilo demoraria mais que uma semana, mais tempo convivendo com a minha tortura diária.

Só que ao adentrar ao apartamento e acidentalmente cruzar meus olhares com o de Thomas, um alivio súbito me invadiu. De inicio. Ao ver que ele estava indiferente a mim, quase que como se eu não estivesse presente, me senti como se tivesse tirado um peso das minhas costas. Mas logo após analisar minuciosamente o seu rosto, percebi que seu olhar não possuía a faísca de malicia que sempre surgia quando se direcionavam a mim. Seu olhar estava mais para... Indiferente e frio. E aquilo me incomodou. E com o incomodo veio o sentimento de revolta. Porque eu estava incomodada com Thomas me ignorando? Não era isso que eu queria? Eu deveria estar feliz, dando pulos de alegria pelo apartamento... Mas não, eu estava incomodada. Maldita bipolaridade.

Retirei meus olhares de Thomas que apenas me ignorava e comecei a procurar Max pela casa, mas não encontrei. Eu sabia que tinha que tomar uma atitude e terminar a ultima conversa, mas o fato de não encontra-lo naquele momento me deixou subitamente feliz. Talvez só não fosse a hora certa.

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Abri os olhos e observei uma mão balançando em minha frente. Não havia sequer percebido que estava perdida em meus pensamentos, que de tão confusos, junto comigo, não tinham visto a hora passar e eu havia pegado no sono, sendo acordada por Max que agora estava sentado na beira da cama, batendo os pés insistentemente no chão.

– Você sempre me procurando. – Murmurei me levando da cama e sentando ao seu lado, ensaiando um sorriso simpático que logo foi ignorado por ele.

– Eu me importo o suficiente. – Seu tom de voz indicava nervosismo, apesar da tentativa falha de disfarçar com sarcasmo.

– Nunca é bom esperar demais de mim, eu não sou o tipo de pessoa certa para alguém. – Rebati sem me dar tempo de analisar a conversa.

Revirando os olhos impaciente, ele rebateu novamente. – Existe um nós? – Aquela pergunta me pegou completamente desprevenida. Passei cerca de cinco segundos o encarando. Perplexa, surpresa... Paralisei e esperei minha mente voltar ao normal, para tentar começar a pensar no que responderia. – Se sim, me diga você. – Pressão. A pressão que me fez falar o que eu sentia sem nem antes me certificar de que não pareceria rude.

– Não. – Respirei fundo e virei meu rosto logo em seguida, tentando evitar o contato visual. O que não foi tão preciso, de modo que antes que eu pudesse encarar Max novamente, percebi que ele já havia deixado o quarto, me deixando sozinha, pela segunda vez.

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Observei o tempo se passar lentamente enquanto observava o relógio do meu quarto gritando um tic-tac irritante, que tomava conta do cômodo que estava totalmente silencioso. Céus, como aquele ruído era incomodo para mim... Principalmente pelo fato de que meus principais pesadelos se passavam com o tic-tac ao fundo, quase como se fossem uma contagem regressiva. Ironicamente o dia estava sendo um pesadelo, ironicamente. Com a irritação tomando conta de mim, levantei-me em um pulo, desativei o relógio e segui em direção à cozinha. Talvez algum doce me faria bem... Brigadeiro me faria bem.

Thomas POV.

O resto da tarde se passou enquanto eu lutava interiormente contra minhas opiniões sobre o que fazer com Carolina. A possibilidade de ceder e voltar a atormenta-la me pareceu interessante, até eu lembrar que de seu gênio. Parecidíssimo com o meu, o fato de perder atenção de alguém que constantemente estava por perto, seria um tanto quanto incomodo para ela como seria para mim. Definitivamente era melhor aguardar.

Ainda perdido em meus devaneios, encarando bobamente o teto enquanto reunia coragem para procurar algo para comer, observei que Carolina se passou por mim, pisando fundo em direção à cozinha, resmungando algumas palavras em português. Infelizmente toda a minha concentração para entender a situação se foi quando eu notei sua vestimenta. Ela estava vestida com um shorts preto curto colado ao corpo, juntamente com uma regata branca devidamente justa também. Talvez com o nervosismo que ela exalava, Carolina havia se esquecido de que não estava sozinha na casa. Eu não me importava, considerando que ela ficava incrivelmente sexy daquela maneira. Voltei a observar a cena em si novamente e percebi que ela estava tentando cozinhar algo. Ignorei os barulhos da cozinha e voltei a minha atenção a TV a minha frente. Isso até inspirar o ar doce que perpetuava da cozinha até a sala.

– O que você está cozinhando? – Sem nem mesmo perceber, já estava ao lado de Carolina observando as panelas em busca de alguma coisa. Percebi que na mesa, estava depositado em um prato um doce... Recordei-me vividamente de um doce brasileiro que havia ouvido falar, com o nome de Brigadeiro. E então, com a curiosidade adicionada à fome não pensei duas vezes antes de cutucar com o dedo o doce, e assim acabando por queimar meu dedo.

– Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Queimei meu dedo porra! – Exclamei irritado chacoalhando nervosamente no ar o dedo, ainda coberto de chocolate. Agora, o único som que podia ser ouvido no cômodo era a gargalhada escandalosa de Carolina, que já estava quase sem ar.

– Você é muito lerdo! Eu acabei de fazer, era óbvio que estaria quente. – Ela falou rolando os olhos em expressão de tédio e sorrindo logo em seguida, divertindo-se à custa da minha dor. Porém antes que eu pudesse elaborar uma resposta cabível, notei que agora Carolina estava com uma expressão diferente, maliciosa, eu poderia afirmar. Eu conhecia aquele olhar, e por um momento me senti como um cordeiro frente a frente com seu predador... Analisei ela se aproximar e dar fim a nossa distância. Como se não quisesse nada, pegou meu dedo que ainda estava coberto de chocolate, e quanto a minha mente já trabalhava com malicia, imaginando que iria leva-lo a boca, Carolina apenas pegou um papel e o limpou, se afastando em seguida e me deixando-me com cara de bobo, vislumbrando-a se deliciar com uma colher do doce.

– Isso está uma delicia. – A sua voz rouca me fez arrepiar. E como se notasse isso, ela voltou-se a mim novamente. Ela parecia se divertir com a minha falta de reação, e com isso só continuava a me torturar, agora me fazendo sentar sobre uma cadeira, e sentando-se em meu colo em seguida. Já conseguia sentir meus músculos ficarem tensos, a respiração ofegante e minhas mãos estavam tremulas... Porque diabos eu estava reagindo daquele jeito? Não conseguia nem tomar o controle. Antes que eu pudesse pensar em fazer alguma coisa, Carolina foi mais rápida, prendendo meus braços por trás da cadeira. De modo que assim eu conseguia sentir seus seios encostados em meu peito, indo e vindo, conforme sua respiração. Respiração esta que estava calma demais para a circunstância. Era minha impressão, ou só eu estava incrivelmente tenso ali? Quase como se lesse meus pensamentos, Carolina dessa vez deu um sinal de que eu não estava sozinho, mexendo se involuntariamente sobre meu colo. Agora seu corpo inteiro parecia tenso, e eu tinha certeza que ela poderia sentir minha ereção, assim se esfregando levemente, me fazendo assim soltar um gemido sôfrego. Então, Carolina parou. Agora ela encarava meus olhos quase como se estivesse decidindo o que fazer. Eu apenas correspondia, sem falar nada. Talvez se tentasse falar, acabasse gaguejando. Quando a ideia de tomar alguma atitude e beija-la passou se pela minha cabeça, percebi que agora ela estava mais perto de minha boca, e logo em seguida, fez o que eu aguardava. Tocando meu lábio inferior com sua língua, e o mordiscando logo em seguida. Antes que eu pudesse reagir ao toque, sua voz adentrou aos meus ouvidos, como um murmúrio. – Você quer isso?

– Eu... – Ouvi minha voz vacilando de leve e voltando ao normal, em cerca de instantes. – É obvio que eu quero. – Afirmei com raiva, sem imaginar qualquer outra coisa coerente para se falar.

Novamente ela estava me encarando, e aquele ar mesquinho que insistia em invadir os seus olhos castanhos, parecia se elevar a cada nova ideia formada em sua mente. Agora possivelmente, ela estaria avaliando minha resposta como um provável desafio, já que instantes depois, vi um sorriso convencido tomando forma no canto de sua boca. Eu deveria imaginar o que viria a seguir.