Just Because...
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Não teve betagem, mas eu revisei... Apesar de tudo, os erros são sempre mais fortes que você, então, qualquer coisa, relevem e me digam para que eu possa arrumar.
Boa leitura.
Já era tarde da noite quando um vulto de sobretudo preto passou a deslizar pela escuridão das ruas de Tokyo. Os passos firmes e fortes contra o asfalto da calçada faziam um estalo alto e até mesmo irritante passar a ser ouvido por todos que andavam para suas casas, naquela hora. O ser insistentemente mexia em sua bolsa, presa ao ombro direito pelas duas alças que sustentavam o peso do objeto; provavelmente procurava por algo e, quando o achou, retirou-o da mesma.
Um celular de tons vermelhos-sangue, era o que ele procurava. O ser então o abriu, e constatou as horas; murmurou irritado e passou a andar mais rápido.
As luzes estavam fracas naquele dia e estava mais congestionado do que nunca. Pessoas iam e vinham nas mesmas calçadas, fazendo um trânsito humano insuportável de se trafegar junto... Mas não parecia problema para o ser de sobretudo, já que apenas parecia atravessar à todas as pessoas com graça, não esbarrando em nenhuma... Estava completamente acostumado com tais situações.
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A porta do apartamento que ostentava um típico ar moderno fora aberta, de vagar; desta, um ser de sobretudo negro adentrou, retirando assim o tal. A mulher então que surgiu das vestes negras parecia possuir pouco mais de vinte anos, possivelmente em seus vinte e cinco; era bela e bem encorpada, mas sua feição de cansaço fazia com que sua beleza praticamente fosse dissipada.
Possuía os cabelos marrons, presos à um rabo de cavalo rebelde alto; os olhos em um marrom-avermelhado estavam ainda mais vermelhos, pela exaustão. Vestia roupas de trabalho, formais. Um belo e bem-arrumado terno estava em seu tórax, enquanto uma saia que ia até seus joelhos tapavam suas pernas — ou pelo menos metade destas.
Ela então de abaixou, para poder retirar os sapatos de salto-alto que usava e que, pela expressão de dor desta em sua face, provavelmente machucavam seus pés. Ela ponderou por alguns segundos, enquanto passava a chave, mas achou melhor não avisar sua chegada, afinal, já passavam das onze, e ele já deveria estar adormecido à esta hora.
E quando, por fim, retirou os ditos sapatos dos pés, esta pôs-se para dentro da casa, descalça, e, em passos rápidos, rumou direto para a cozinha, dali abrindo a geladeira e retirando uma lata de cerveja.
Suspirou, rumando de volta para a sala, agora sentando-se à frente da televisão, ainda sim, atrás do kotatsu* que ali tinha; tradicionalmente japonês, ela sempre gostou disso.
Sacou o controle de cima do sofá e ligou a televisão, arrumando melhor sua saia em suas pernas, enquanto vagarosamente escorregava para de baixo da mesinha, confortando-se com o aquecedor que havia de baixo desta, puxando as cobertas para cobrir-se e poder, finalmente, relaxar.
Na televisão, dava as notícias que já cansara de ouvir todos os dias; com outro suspiro, desta vez ainda mais cansado, esta puxou o pino da lata, para abrir o lacre e assim poder tomar um pouco do líquido que lhe ajudaria a esquecer um pouco os problemas...
Mas antes que esta conseguisse um gole da tão esperada bebida, uma voz fraca e jovem foi ouvida por si, e, instintivamente, esta virou-se para a criança que chamara por si.
- Mamãe...? — a voz da criança então fora ouvida novamente, desta vez, mais alta. Junto com esta, a pessoa que falara — que era obviamente um menino — se aproximou, parando à frente à mulher que ainda estava sentada abaixo da mesinha — Chegou agora? — ele indagou, enquanto esfregava um dos olhos com uma de suas mãos, a mulher sorriu.
- Sim... Cheguei. — e ela sibilou, fazendo com que a criança à sua frente agora também abrisse um sorriso, animada.
- Bem-vinda de volta, mamãe! — e agora ele ria.
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Haviam passado alguns minutos desde a chegada da mulher à casa e a aparição da criança para ela. Agora, estavam ambos sentados abaixo do kotatsu, enquanto se divertiam com um programa de Pergunta e Respostas... Estava ficando tarde, já, mas a mulher não queria interromper o tão importante momento que, raramente, tinha com o filho. Ela então o apertou mais ainda com os braços, enquanto este estava ao meio de suas pernas, recostado em seu corpo, assistindo T.V; ela suspirou, pousando o queixo sobre a cabeça pequena da criança, que reclamou levemente de dor.
- O que foi, mamãe? — ele questionou enquanto esta retirava o peso de sua cabeça, olhando para cima, tentando encontrar o rosto de sua mãe, mas praticamente falhando — Se estiver cansada, pode ir dormir. — e ele sorriu; a mulher apenas riu baixinho, agradecida pela afeição do filho por si.
- Obrigada, mas não obrigada. — e novamente esta apertou levemente a criança em seus braços, que apenas soltou um leve gemido; ela riu novamente — Quem deveria estar na cama, agora, é você, menino. — e, falando isto, finalmente decidiu levantar-se e por o garoto para dormir.
- Mas não estou com sono! — e ele reclamou, sendo puxado para o colo de sua mãe, com o intúito de levá-lo para cama — Eu quero ficar com... você. — e disse isso, tendo uma pequena pausa para um bocejo inocente, recostando-se ao ombro direito da mulher, relaxando em seu aconchegante colo.
Ela sorriu, fraco. Também queria poder ficar com o filho, mas, esgotá-lo, mantendo-o acordado de madrugada não era exatamente o que ela tinha em mente para "ficar com ele"; precisava de alguma coisa melhor, de dia...
- Amanhã é sabado, não é? — e ela perguntou, enquanto subia o lance de escadas que o apartamento possuía; o menino apenas respondeu que sim, com um leve aceno de cabeça — Então, antes de você ir para a escola, que tal irmos para o parque? — e, falando tal, o menino praticamente pulou sobre o colo da mulher, fazendo-a perder levemente o equilíbrio, mas já voltar à andar.
- É sério?! — e ele perguntou, feliz. Naturalmente, nos finais de semana, este ia para a casa de seu pai, passar os dias lá e sua mãe trabalhava; nunca realmente passou por sua cabeça que sua mãe poderia tirar o dia de folga para sair consigo.
- Claro. Consegui uma folga do trabalho de alguns dias e vou aproveitar para passar todos com você. — e, como um singelo carinho, esta soltou um de seus braços da criança e, levemente, cutucou a ponta do nariz desta.
- Mas e o papai? — ele indagou, vendo a mãe suspirar logo após.
- Ele está viajando; por que acha que pedi os dias de folga? — ela pareceu, de certa forma, tristonha ao falar tal. Não estava acostumada a falar de seu ex-marido, pelo menos não com seu filho... tentava a todo custo mantê-lo inerte do que acontecia entre ela e o homem que a abandonou, mas era complicado, já que este vivia ligando para sua casa para reclamar a guarda do filho... Apesar deste mesmo nunca passar um segundo com o menino quando ele estava em sua casa; hipócrita.
- Oh... — e voltou a se recostar à mãe, bocejando em seguida.
Os passos da mulher pararam a frente de uma porta de tom azulado, provavelmente o quarto da criança.
A mulher então abriu esta, empurrando-a mais com o quadril do que com a mão, que apenas girara a maçaneta. A criança em seu colo já estava mole, praticamente adormecida, fazendo as coisas ficarem um pouco mais difíceis para a mulher, já tão cansada pelo dia agitado; não que ela ligava, adorava o filho e nada mudaria isso, nem mesmo stress ou a quase depressão que sentia começar a se formar em seu interior.
E, jogando tais pensamentos para longe com um leve chacoalhar de cabeça, esta conseguiu fazer o milagre maternal de, enquanto segurava seu filho junto ao seu peito, retirar as cobertas o suficiente da cama para que ele se acomodasse abaixo destas e colocá-lo lá, sem ao menos acordá-lo...
Nem notara que havia adormecido.
- Boa noite, meu amor... — e com tais palavras, a mulher pousou um leve e delicado beijo sobre a testa da criança que apenas se remexeu, procurando as cobertas sobre seu corpo com o braço, para poder apagar o frio que estava sentindo. Atendendo tal pedido mudo, a mulher apenas pôs as cobertas de volta em seu lugar de origem, agora cobrindo o menino.
Ela suspirou, ao sair o quarto deste.
Voltando à sala, esta apenas desligou a televisão e mirou a latinha de cerveja aberta ao canto mais longe da mesinha, de onde estava sentada até agora pouco com seu filho. Ela riu, vendo a mesma ainda lotada e, ao pegá-la novamente em mãos, guiou-se para a cozinha, despejando todo o líquido amarelo e amargo na pia, ligando em seguida a torneira... Esta noite, ela não iria precisar daquilo para dormir...
Notas finais
Não aconteceu nada ainda, mas, já deixo bem claro que não vai ser MUITO grande... Então o "não avançar muito" é um avanço. :3
R&R?
'Souji.
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