Just A Villain

17 Criado pelo destino, determinado por Caos


“O garoto subiu sobre o parapeito da janela e sorriu para a garota, seus olhos brilhavam sempre que se encontravam, e bem, mesmo que o pai da menina houvesse berrado para que ele nunca mais voltasse, ele sempre aparecia a noite para ver sua amada, mas aquilo não duraria, e um certo dia quando Peter Pan subiu ao parapeito da janela, uma bala atravessou seu corpo, o fazendo desfalecer no chão, não que a queda fizesse diferença, afinal, ele já estava morto.

E o capitão gancho, com um bom coração resgatou seu corpo e levou em segurança para os sete mares, onde em uma pequena ilha, foi velado, com a promessa de que sua alma seria eterna, e realmente foi, pois a alma de Peter Pan foi condenada a viver ali como um ceifador de almas, com a aparência eternamente de uma criança, na terra do nunca”.

Kian olhava para aquele pergaminho com uma careta, como assim Peter Pan estava morto? Cadê a magia dos contos de fadas? Ele adorava a vilania e a arte da pirataria, mas se recusava a aceitar aquele maldito conto de fadas, que maldade com um casal tão jovem, aliás, que maldade com um garoto promissor, que tinha um lindo romance com a linda Wendy.

Se recusava a aceitar aquele maldito pergaminho, por isso, sua cara não era das melhores quando os dois amigos adentrou o quarto dele, e olharam diretamente para seu rosto.

— Que cara de quem comeu e não gostou – Kane reclama, vendo o garoto com a mesma careta.

— Peter Pan morreu, que horrível – ele larga o pergaminho sobre a mesa com força, estava insatisfeito – eu esperava uma grande aventura e recebi essa merda.

— Que revolta – Declan se joga na cama, mirando o outro – não vá me dizer que você queria algo como um beijo de amor verdadeiro.

— Funcionou com a Branca de Neve – ele dá de ombros e vê Declan lhe olhar com os olhos semicerrados.

— Branca de neve ficou em coma, todos os nossos afilhados tiveram fins trágicos, bom, menos o Connor, o desgraçado ainda pode dar um final digno de conto de fadas para Jasmine – Declan fala emburrado, mas parecia uma criança reclamando do doce que perdeu para um valentão – aliás, Harriet apareceu nos portões sul, Belladona, Dandara e Pandora foram atrás dela.

— Não haverá um final feliz para ninguém Declan, porque Asafe também está indo atrás de Harriet, seremos vilões antes de conseguirmos mudar algo – Kian diz e os dois concertam suas posturas, franzindo o cenho – o que? Vocês não sabiam que ele está grudando a sombra dele na presença delas? Asafe sabe de tudo que elas e vocês sabem, sabia desde o início.

— Como assim desde o início? – Kane agora parecia perplexo, como aquilo podia estar acontecendo e nenhum deles tinha noção.

— Desde o início, desde quando Balthazar grudou a consciência dele em Pandora, a presença dele em Asafe, os pensamentos dele em Belladona e a voz dele em Dandara.

— E porque você só está dizendo isso agora? – Declan pergunta exasperado já se levantando.

— Não achei que fosse um segredo – Kian fala meio confuso e os outros dois negam, deixando o quarto para o outro, que continuava estarrecido com o fato de Peter ter morrido, ultrajante.

Declan e Kane correram em direção ao sul, a escola era enorme, parecia realmente um internato e possivelmente era maior do que a própria escola de Auradon, mas aquilo não era tão interessante assim, o fato é que agora eles precisavam correr, certamente suas amigas não sabiam daquele feito, Asafe estava sendo misterioso e falso, Rumpel, seu alterego, já estava mais do que dando trabalho a eles. Receber visões do futuro? Quem fora o idiota que escrevera aquilo? Dar a um ser tão trapaceiro algo que desejava profundamente. A história parecia estar se repetindo, mas dessa vez, ao invés de quatro criadores, havia 5 deles envolvidos naquilo até a cabeça. Bem, seus antecessores também teve uma pessoa a mais, até ela desistir de uma vez e se recusar a cumprir o destino, a levando a um fim trágico, a um fim que todos eles juraram levarem consigo para além do túmulo, talvez túmulo não fosse a expressão correta, mas definitivamente narrava bem aquela maldita realidade.

— Espera, quem é a madrinha de Wendy? – Kane pergunta de repente, fazendo Declan despertar de seu breve devaneio.

— Ela não tem madrinha, nasceu sem, como Elsa, Merida, etc., porque? – Declan parecia confuso.

— Tem algo errado, porque o último termina em morte?

— Porque o primeiro começou em vida – Declan diz sorrindo torto – e tudo que tem um começo, precisa ter um meio e um fim, é como o ciclo da vida, nascemos, crescemos e morremos.

— Não Declan, tem algo errado, eu sei que tem, talvez seja algo maior que nós.

— Mesmo se o for, acabou Kane – Declan aponta para mais à frente deles, onde as três mulheres estavam reunidas em volta de um corpo, era ele, só podia ser, Balthazar não o deixaria livre – como o Kian disse, não haverá uma chance de mudar, o destino está escrito e nós precisamos cumpri-lo.

— Isso é cruel, você não acha? – Kane suspira triste, sentia muito pelo fato de Smurfette não ter nascido, sentia muito pelo fato de todos os contos de fadas terem sido alterados, bem, eles não sabiam, mas não seriam tão ruins assim, pois com isso seus afilhados aprenderiam a superar qualquer coisa, mas ainda assim, para eles, era péssimo que para isso acontecer, eles precisariam se tornar maus, se tornarem aquilo que esteve guardado em seu interior, porque nascer em Poneros, era ser criado pelo destino, era ser determinado por Caos, que seu equilíbrio entre o bem e o mal não equilibraria na balança, ele pesaria para o pior lado.

Por isso, naquele momento, todo o tempo parou, havia algo acontecendo, uma grande fumaça se estendeu sobre toda a floresta, libertando-a daquele feitiço ridículo de Jumbo. A luz forte iluminou toda a floresta, as trancas mágicas do livro se desfizeram e todas as linhas do destino se alinharam. Balthazar estava finalmente pronto, e agora era a hora de fazer todos eles pagarem.