Jurei Pelo Rio Estige

2 Capítulo 2 - Um sacrifício


Notas iniciais
Demorei? Acho que não, né? Nem um pouquinho... Tá, eu demorei, putz, demais, a ponto de a minha amiga querer me estrangular (e se você não comentar, eu vou te esfolar :3), mas não me matem porque... Bem, leiam.

– Você já está indo? — perguntou uma voz grave. Leo se virou rapidamente e encontrou o rosto feio do pai.

O homem estava de braços cruzados, esperando uma resposta. Olhava para a cara de Leo com uma expressão séria, e o garoto tentou não parecer que estava apavorado, mesmo que estivesse. Mas Leo não é tão bom ator assim.

– Então? — o deus gesticulou com a cabeça depois de um tempo – Você vai me responder ou não?

– É... sim, pai. Eu já vou.

Hefesto se sentou em um banco e ficou olhando para o chão com os dedos cruzados e batendo o pé no chão. Enquanto isso, o garoto ficava batendo na parede e mexendo no cabelo.

– Você sabe que sou contra isso, né? — Hefesto falou.

– Não entendo porque.

– Calipso é imortal. Mas você não é. Ela vai conhecer muitos outros heróis e...

– Mas, pelo menos, vou poder revê-la e libertá-la.

– Mas ela vai te esquecer.

– Não me importo. Só quero que ela seja feliz.

– Mas, e você?

– Eu vou morrer de qualquer jeito! O mundo vai me esquecer! Não sei se você sabe, mas sou um zé-ninguém, okay?! Eu. Só. Quero. Que. Ela. Seja. Feliz. Nada mais. Eu jurei pelo Rio Estige! Não posso quebrar meu juramento como vocês, deuses, fazem o tempo todo!

Leo percebeu que não deveria ter falado aquilo. Mas estava agitado, ansioso e nervoso, e aquilo estava preso há tempo demais; precisava ser libertado. Hefesto suspirou e se levantou, murmurando algo em grego sobre mortais.

– Está bem. Vá procurá-la. Mas vou lhe avisar: você não vai conseguir chegar lá com esse barco.

– Por quê?!

– Porque você disse que iria com Festus.

– Mas Festus está no barco.

– Você disse que iria consertar Festus e resgatá-la. Você só pode salvar Calipso com Festus.

– E como eu vou consertá-lo?!

O deus olhou para o rosto de Leo, mas logo depois desviou o olhar.

– Tem uma maneira, mas você terá que fazer um sacrifício.

– Que sacrifício?

– Não será mais imune ao fogo.

Foi como se tivessem dado um soco na barriga de Leo. Imune ao fogo é como Leo é. Foi assim que ele nasceu e foi assim que eles concluíram a missão. Mas ele precisava salvar Calipso porque ela era especial. Primeiro que ela que tirou o BV dele. Segundo que ela cuidou dele e o ajudou a sair de lá. E eles iam fazer a Garagem da Calipso e do Leo. E não dá para fazer a garagem sem a Calipso.

Eu preciso dela e ela precisa de mim.

– Eu... faço esse sacrifício. Não sou mais imune ao fogo, mas a resgatarei com sucesso. Isso?

– Isso.

Hefesto bateu as mãos e a figura de proa se soltou do lugar. A cabeça de Festus girou e brilhou, cegando os olhos do garoto, que os fechou rapidamente. E, quando percebeu, Festus estava lá, com aquele sorriso estranho e fazendo grunhidos. Leo sorriu e, de repente, seu corpo começou a formigar. Tentou conjurar fogo, mas nada acendeu na sua mão. O deus não tinha mentido.

E, por falar em Hefesto, ele tinha sumido, deixando uma fumaça no local.

– Então, garoto? — perguntou Leo para Festus – Está pronto para ir para Ogígia?

Festus fez uns grunhidos e rangeu um pouco e Leo subiu nele.

– Espero que tudo dê certo...

***

Eles estavam sobrevoando o Atlântico. Tinham acabado de matar uma lula gigante. Leo estava com o braço queimado por causa de Festus. Nunca soube a sensação de se estar queimando, mas naquele momento sentia dor.

Um venti passou ao seu lado rapidamente, voando para logo acima deles. Leo gemeu e sacou um martelo de bronze celestial. Foi a primeira coisa que passou pela sua cabeça.

O venti se chocou contra a cabeça de Leo e ele tentou bater o martelo nele. Mas o espírito voou de novo, desviando-se do golpe. Então, jogou-se novamente contra o semideus e ele tentou golpeá-lo novamente, sem sucesso. E, quanto mais era atacado, mais fraco ficava. E seu braço ainda estava doendo.

Até que o venti bateu com tanta força em Leo que este foi jogado para o lado, ficando solto no ar. Bateu a mão livre, procurando algo em que se prender, e encontrou uma fenda em Festus, segurando nela com apenas quatro dedos. A outra mão ainda segurava o martelo e o sacudia rapidamente, tentando bater no espírito.

Festus ficou sem controle e inclinou-se. Leo apavorou-se. Precisava chegar à ilha. Precisava encontrar aquela deusa pela qual havia se apaixonado. E não ia permitir que um venti ficasse em seu caminho.

– Ei, seu cabeça-de-vento! — gritou, e o venti virou para olhá-lo – Isso, você mesmo. Acha que é rápido? Duvido que consiga bater no meu martelo!

O venti estava prestes a voar rapidamente em sua direção quando ele gritou:

– Calma! Assim não vale! Deixa eu me sentar rapidinho!

Eu não acredito que ele tá caindo nessa!, e riu por dentro.

Prendendo o martelo no cinto de ferramentas, equilibrou-se com as duas mãos no dragão e conseguiu segurar nele. Se prendeu e pegou o martelo de novo.

– Vamos lá, sua brisa-de-verão! Tenta bater nessa belezinha aqui!

O venti voou rapidamente em direção a Leo. E, ao invés de bater contra o martelo, bateu contra o semideus, o desmontando por completo do dragão.

Ele não é tão burro quanto eu imaginava.

Estava voando novamente pelo ar, como na vez em que encontrara a ilha. Só que daquela vez, uma deusa do gelo o tinha jogado no céu.

Festus guinchou e se jogou. Sem Leo, não conseguia voar e os dois estavam distantes demais para que pudessem se salvar. Se afastando do garoto, o dragão caiu ainda mais rápido e chegou ao mar, jogando água salgada para cima, com um último ruído.

Um juramento a manter como um alento final, foi o que Leo entendeu. Já chorando, fez a primeira coisa que passou pela sua mente. Tirou do cinto de ferramentas uma lona azul, fita adesiva, entre outros equipamentos. Sem avistar o venti, começou a mexer as mãos.

Como da outra vez, fez um helicóptero pessoal.

Aproximava-se rápido demais do oceano e seu coração estava batendo acelerado demais. Isso fazia seus dedos tremerem de uma maneira anormal. Quase deixou a esfera de Arquimedes cair.

Mesmo assim, ele conseguiu. Planava no ar e já estava mais próximo da ilhazinha no horizonte.

– Vamos, só mais um pouco – resmungava – Aguente firme, por favor.

Enxugou as lágrimas do seu rosto, e foram substituídas por outras.

Já conseguia ver a caverna perto da praia com água cristalina e areia branca. Ele estava conseguindo, estava conseguindo.

Gritou a plenos pulmões.

E sentiu o cheiro de queimado. Não se importou, afinal era imune ao fogo. Certo?

Errado, idiota! Você sacrificou o seu poder há algumas horas atrás!

Estava se batendo no meio do céu enquanto caía, já sentindo o fogo perto do seu corpo. Desesperado, não podia fazer nada a não ser se soltar da máquina. Sua morte era certa. Mas não se soltou. Leo não seria útil para mais nada, perdera suas únicas forças. E decidiu não se soltar.

A manga da sua camisa estava em chamas quando pousou com força na areia. Não conseguia abrir os olhos, estava sentindo-se queimar lentamente, porque estava. Morria de uma maneira que nunca imaginara que poderia acontecer.

Sentiu a presença da garota ao seu lado. Forçou seus olhos a abrirem e pôde contemplar sua beleza. Usava jeans com uma camiseta vermelha – sua cor favorita – e o cabelo castanho estava preso em um rabo-de-cavalo. Ela aproximou o rosto do do semideus, mas não demais para não ser queimada também.

– Meu herói – falou, com sua voz doce – Conseguiu voltar. Você conseguiu voltar! Por... por que voltou?

– Eu... eu te amo, Calipso. Eu jurei pelo Rio Estige.

E toda a sua vida deixou seu corpo com um suspiro.

Em um certo ponto da bochecha, as chamas se apagaram. Porque ali caíra uma lágrima.

Notas finais
Eu disse para não me matarem!!! Mas, comentem :3 Obrigada por ler, pessoinha(s) que não conheço.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.