Juntos pelo acaso
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Karina não estava com muita fome então comeu só um sanduíche e sentou no sofá, enquanto esperava por ele ficou pensando no que tinha acontecido na sala do advogado e no que tinha feito. Ela sempre foi uma menina sensata, que pensava antes de agir mais hoje de manhã agiu sem pensar porque se pensasse não ia ter feito, além disso foi a única saída para conseguir ficar com Lucas e desmanchar a cara de vitoriosa e esnobe daquela perua sem sal. Porém a questão agora era como iria se casar com Pedro. Ele por sua vez parou numa lanchonete e a única coisa em que pensava era no beijo que havia roubado da esquentadinha, sabia que tinha sido loucura e que aquilo nunca mais iria acontecer novamente.
Depois de alguns minutos se encontraram em frente ao prédio e foram ao CT, onde puderam vê-lo e levá-lo para casa, os dois ficaram felizes ao ver Lucas entrando na sala acompanhado de outra moça e estando bem, correram para abraça-lo e beija-lo, logo em seguida foram embora de volta para a casa dela. Pedro o pôs na cama porque o menino tinha dormido no caminho, ela os acompanhou até o quarto e se encostou no batente da porta.
–Você acha mesmo que somos os melhor para ele? -perguntou Pedro se aproximando dela
–Eu não sei mas somo tudo o que ele tem no momento e temos que fazer dá certo
Ele concordou e foram para a sala, onde sentaram cada um em um canto do sofá, ainda não tinham conversado sobre o casamento e nem iriam afinal não sabiam como resolver. A única coisa que pensavam é em como iriam fazer isso dar certo e cuidar de um bebê de 1ano juntos sem quererem se matar.
A vida é mesmo uma caixinha de surpresas em um momento eles eram livres, vivendo cada um a sua vida e bem longe um do outro agora são pais , "noivos" e terão que morar juntos, tudo que eles jamais imaginaram. Se não fosse o amor que sentem pelo afilhado jamais estariam sob o mesmo teto novamente.
Ficaram parados por horas sem trocar uma palavra até Pedro quebrar o silêncio.
–E agora?
–O que tem?
–Nós temos um assunto pendente, lembra?
–Lembro mais agora não dá, ainda tenho que pensar direito
–E rápido, temos pouco tempo
–Eu sei
Voltaram a ficar em silêncio por mais algumas horas até Lucas acordar chorando, correram para o quarto e ficaram sem saber o que fazer, só se entreolharam e falaram com ele.
–E agora? -perguntou Pedro a Karina
–Não sei
–Bem que eles poderiam vir com manual
–É um bebê e não uma máquina -de repente se lembrou de algo- Espera, eu acho que tenho uma solução
Saiu revirando as gavetas até encontrar um livro escondido no meio das suas coisas, exibiu sorrindo e abriu para lê-lo.
–O que é isso? Um livro infantil?
–Não, é um livro de ajuda para mães de primeira viagem
–E porque você tem isso?
–Era da Fabi, ela comprou assim que soube que estava grávida e esqueceu aqui, esse livro vai ser o nosso salva-vidas
–Sei -desconfiou- E o que ele diz sobre criança chorando ?
–De acordo com o que tá escrito aqui ele precisa se acalmar e a melhor forma é cantar
–Cantar o que?
–Alguma música infantil ou de preferência que ele já esteja acostumado, que os pais cantavam
–Ferrou, eu não sei nenhuma infantil e muito menos as que o Léo e a Fabi cantavam pra ele
–Então canta alguma que você sabe
–Pode ser Charlie Brown, Nx Zero ou um rock moderno? -perguntou inocentemente
–Infantil -repetiu
–Eu só sei uma na verdade
Atirei o pau no gato to
Mas o gato to
Não morreu reu reu
Dona Chica ca
Admirou-se se
Do berro, do berro que o gato deu. Miau!
Karina até cantou com ele mais não tava adiantando nada
–Não tá dando certo -ele parou de cantar
–Percebi
–Vem cá, o que teu pai fazia para te acalmar
–Me levava para a academia mais eu sei que ele pegava a Bianca no colo e cantava pra ela
–Tá aí -ele ia pegá-lo mais ela interferiu
–Não pega ele não
–Por que não?
–No livro diz que ele precisa aprender a se acalmar sozinho, é muito importante
–E o que mais o livro diz?
–Que ele pode estar com fome -olhou para o livro e para o Lucas- É deve ser fome mesmo
Pegou Lucas no colo e o levou para a cozinha, Pedro ficou sem entender.
–Achei que não era para pegá-lo -seguiu eles- E o que você tem que é bom pra ele? -Karina lhe entregou o menino
–Nada mais ele come papinha, no livro tem uma receita de papinha de cenoura e... -começou a vasculhar a geladeira- Achei, agora tenta distrai ele enquanto eu preparo
Depois de ter feito a papinha veio o sacrifício de faze-lo comer, ele até experimentou mais cuspiu fora, acertando o rosto de Karina e fazendo Pedro rir, o mesmo vasculhou os armários dela e achou um pote de doces que Lucas comeu sorrindo.
Voltaram para a sala e ela foi tomar banho, Pedro estava fazendo companhia para Lucas quando o telefone tocou e como Karina estava no banho teve que atender, era o advogado. Quando saiu do banho ela foi para a sala.
–O advogado ligou
–O que ele queria?
–Avisar que nossas passagens para o Rio já estão reservadas e que os corpos da Fabi e do Léo estão voltando hoje a noite para o Brasil, onde serão enterrados depois de amanhã
–Como assim já estão reservadas? Ainda não decidimos quando vamos voltar
–Os familiares querem ver o Lucas e como somos os tutores dele e amgos do casal também temos que estar presente para nos despedirmos
–E é pra quando?
–Amanhã a noite, foi o único voou disponível em cima da hora
–Amanhã? -ele assentiu- E é só isso?
–Não, ele disse para passarmos o Lucas por um pediatra antes de viajarmos -lhe mostrou uma anotação com nome e telefone
–Doutor Dhones Rogers?
–É o melhor que ele conhece e tanto a consulta quanto as passagens serão bancados pela firma
–Ok mais alguma coisa?
–Ele também vai passar aqui depois
–Pra que?
–Para deixar os pertences do Lucas que estão no hotel onde ele estava hospedado com os pais e as nossas passagens
Ela só assentiu e decidiu ligar para o pediatra, só conseguiu uma consulta para o dia seguinte. Pedro que estava com a mesma roupa desde ontem resolveu ir para casa trocar de roupa
–Aonde você vai?
–Em casa, tenho que trocar de roupa
–Vai voltar?
–Que bonitinha minha noiva preocupada comigo -brincou
–Eu não sou sua noiva e não tô preocupada com você, pergunto pelo Lucas
–É claro, não vou abandonar o Lucas agora, daqui a pouco eu volto -ela assentiu- Escuta será que rola um beijinho de tchau afinal somos noivos e já rolou antes
–Nem em sonhos, aquilo nunca mais vai se repetir e acho bom você me respeitar ou se esqueceu que eu luto -fez posição de guarda
–Não -riu- Pelo menos me acompanha até a porta para eu poder voltar
–Não deveria mais sou obrigada, será que você pode passar no mercado, tamô precisando de algumas coisas para o Lucas -ele assentiu
Ele beijou a cabeça do Lucas e foram até a porta, ela abriu e antes dele sair se virou para ela ficando cara a cara.
–Já que não tem beijinho, me contento com isso -lhe beijou a face- Tchau e qualquer coisa me liga
–Idiota -esbravejou limpando o rosto
Ela ficou brincando com o menino quando ele saiu, reparou no Lucas e viu que ele se parecia muito com sua amiga Fabi, acabou se perdendo em pensamentos, só voltou a realidade quando ouviu seu celular tocar e foi atender. Era seu noivo avisando que ainda demoraria para voltar, teria que viajar para Miami para participar de um mundial e que estava com saudades, ela falou sobre o que tinha acontecido mais omitiu sobre Pedro, ficaram por horas no telefone até ela desligar.
O dia tinha passado rápido e ao olhar no relógio viu que já era 19H, ela e Lucas ficaram assistindo TV, meia horas depois o advogado chegou com com as coisas do Lucas e as passagens, quando ele foi embora ela viu que nas coisas dele tinha um CD de música clássica e ponhou para tocar, ao ouvi-lo chorou sem querer e nem percebeu que Lucas havia adormecido.
Pedro passou no mercado e depois foi para a república onde morava, foi direto para seu quarto e encostou na cabeceira da cama, parou para pensar na situação em que estava e viu um porta retrato que tinha no seu criado mudo que o fez derramar lágrimas sem perceber, na foto estava ele e Léo ambos com 16anos, estavam fantasiados de mosqueteiros.
–Um por todos e todos por um -disse para si mesmo o lema que os definia
Desde o acidente ele ainda não tinha parado para pensar no que tinha acontecido afinal foi tudo tão rápido, mal perdeu o amigo já era responsável pelo filho dele mais agora no silêncio do seu quarto vendo aquela foto a saudade veio com tudo e as lembranças também. Depois de um tempo relembrando o passado, enxugou as lágrimas e foi tomar banho, quando saiu do banheiro se arrumou e antes de sair de casa recebeu uma ligação dos seus pais que a deixou feliz, fazia tempo que não falava com eles e estava com saudades, até da sua irmãzinha.
Voltou para o condomínio já era 20H e ainda estava feliz, a conversa com seus pais o animou bastante mais ao chegar no apê se deparou com Karina triste e se preocupou, ela não era de demonstrar fraquezas mais eles estavam passando por um momento difícil, ainda sim se surpreendeu e se preocupou porém não queria se intrometer na vida dela, ela ao vê-lo disfarçou.
–E aí k? Demorei?
–Presumindo que você saiu daqui umas seis e pouco e voltou as oito, é eu diria que sim -ela brincou- Demorou
–Eu passei no mercado mais como não sabia o que trazer, comprei frutas, leite e doces -foi tirando tudo da sacola- E também passei na pizzaria e trouxe uma pizza pra nós, espero que goste do sabor é a minha preferida
–Tá
–E o Lucas?
–Dormindo
–De novo?
–Eu li que é bom estabelecer um horário de sono pra ele, ele brncou muito e ao som dessa música adormeceu
–Hum e falando nisso que música é essa?
–É uma sinfonia de piano clássica, esse CD estava nas coisas do Lucas -levantou e lhe mostrou o CD
–É a Fabi? -perguntou surpreso
–É, ela era pianista
–Achei que lutava como você
–Não, os tios não permitiram e a obrigaram fazer outra coisa então ela escolheu o piano mais não durou muito e quando casou desistiu, pelo menos conseguiu gravar um CD
–Legal
Foram para sala comerem, a pizza era de quatro queijos, na mesinha de centro estava as passagens e ele pegou a sua.
–O Caio trouxe hoje de tarde -ela falou ao vê-lo pegar a passagem
–Nem acredito que amanhã vamos voltar -estava feliz
–Nem eu
Eles comeram assistindo filme e logo foram dormir mais antes Pedro perguntou:
–Onde você vai dormir?
–Na cama com o Lucas
–Tá doida e se de repente você rola enquanto dorme, pode acontecer o pior
–E quer que eu faça o que?
–Eu sugiro dormimos aqui na sala, os três
–Como?
–O Lucas nesse sofá, eu naquele e você ponha seu colchão aqui no chão -falou apontando
–Pode ser
E assim dormiram os três, o começo de uma família.
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