Juliet and Juliet

29 Sou péssima organizando meu quarto, imagine meu casamento!


Notas iniciais
Oioioioioioi. Desculpem, não postei ontem, eu sei. Mas hoje trago comédia, ameaças e melodrama. Espero que gostem e até amanhã. Boa noite.

DUAS SEMANAS DEPOIS...

Talvez... eu não estivesse realmente pronta tal coisa. Eu não era madura o suficiente para aquilo, o que eu tinha na cabeça? Não, eu não podia fazer aquilo, não estava pronta! Precisava dar o fora dali, e rápido...

– Cala a boca e para de reclamar- brigou Hylla comigo.

– Mas isso é apertador, dá calor e ainda por cima tem essa faixa estranha rosa- fiz careta me encarando espelho.

Comprar o meu vestido de noiva! Eu não estava pronta nem psicologicamente nem fisicamente para aquilo, muito menos visualmente.

Não que o vestido fosse feio, ele era bonita. Era tomara que caia, na cintura ele ganhava um leve volume e caía como uma cachoeira; na parte cima, era cheia de pequenas coisinhas estranhas que eu acho que não eram a minha cara, só por ser chamativo demais; na cintura, tinha uma faixa rosa PINK bem chamativa. Hylla tinha escolhido, pois eu estava um pouco avoada com a história de ir próxima semana a uma entrevista em Hunter College, uma universidade em Manhattan.

– Eu não vou casar com isso!- bradei quando a vendedora saiu do provador, deixando apenas eu, Hylla e Ártemis na sala- Isso é bizarro. Tem pedrinhas demais, brilho demais e ROSA demais.

– Eu achei ele tão lindo- choramingou Hylla me encarando com ele- Mas realmente não combina com você.

– Eu disse que ela ia preferir o outro- falou Ártemis rindo enquanto tomava de seu milk-shake- E digo mais, ela também não vai curtir a reserva de sapato que você fez.

– Pera, o que?- perguntei.

– Porra, Ártemis. Era surpresa!

– Ah... foi mal, eu esqueci- a ruiva sorriu sem graça- Eu vou chamar a vendedora antes que eu fale algo mais.

Ri de Art saindo apressada enquanto Hylla a fuzilava com o olhar.

– Vamos, Hy, me ajude a tirar essa coisa pavorosa- pedi.

Hylla me ajudou a tirar o vestido e depois me jogou o roupão da loja, que eu logo vesti e me joguei no sofá que tinha na sala- as vendedoras chamam essa sala humildemente de provador...

Eu e Rachel decidimos que poderíamos ver o vestido uma da outra, mas temo amigas, irmã e mãe/sogra que ainda acham que isso seria mal. Então, Ártemis e Hylla me ajudam a escolher meu vestido enquanto Annabeth, Thalia, Zoe e senhora Dare ajudam Rachel. Particularmente, me dei bem, só tenho que aguentar Ártemis e Hylla, coitada de minha noiva.

Em instantes, Art voltou com a vendedora e outro vestido. Quando pus e me encarei no espelho, senti um frio na barriga.

O vestido era lindo: também tomara-que-caia; a saia tinha uma pequena abertura na cintura do lado esquerdo, como fazendo um avental de lado, deixando amostra uma cachoeira de rosas enormes em um pequeno espaço, todas rosas brancas; a parte de cima era lisa, sem nenhuma pedrinha, mas tinham algumas dobras saindo de um broche do lado direito do meio peito. Na cintura, tinha uma simples faixa branca- graças a Deus- fazendo um trança. A saia, por sinal, não era tão estufada, mas também não era reta.

– Agora sim... está linda, mana- elogiou Hylla. Encarei-a pelo espelho e sorri.

– Eu sempre tenho razão. Esse é muito mais bonito que o outro- disse Ártemis, então olhou para a vendedora- Sem ofensas, mas o rosa tirou toda a parte bonita do vestido.

– Ártemis!- brigamos eu e Hylla juntas.

– O que? É verdade, ué.

A vendedora riu enquanto eu negava com a cabeça e Hylla bufava.

– Está tudo bem, eu também não gostei daquele vestido. Mas, então, será apenas o vestido ou também querem a coroa dele?

– Coroa?- pergutamos todas juntas.

– Sim. É uma coroa bem pequena que segura o penteado e, se quiser, o véu da noiva.

– Ela quer- falaram Art e Hylla antes de mim.

– O que?

– Ótimo, trarei junto do vestido. Como será efetuado a compra?

– Dinheiro- Hylla saiu seguindo a vendedora e Artémis foi junto.

– Hey! Eu preciso de ajuda para tirar o vestido! Hello! Noiva solitária aqui!- chamei, mas ninguém veio- Merda.

Depois de muita luta, consegui tirar o vestido e o pus dentro da caixa novamente. Enquanto eu estava me vestindo, ouvi batidas na porta, eu ainda estava de shorts apenas.

– Entra!- falei alto.

Eu estava de costas, pondo o sutiã, quando senti mãos me puxarem pela cintura e me girarem. Olhei para cima, para poder ver quem era, pois como parei só conseguia ver o peitoral bem definido de alguém.

– Sabia que, quando éramos menores, que eu sempre quis ter você para mim?- ele sorriu de canto.

Bufei empurrando o loiro para longe de mim enquanto pegava minha blusa preta do Star Wars na frente.

– Sabia, mas você sempre foi repulsivo e por isso nunca me envolvi com você- cruzei os braços abaixo dos seios encarando-o séria- O que faz aqui, Octavian?

– Ué, não posso querer rever uma amiga?

– Não se essa amiga for a mesma que, semana passada, te deu dois socos- disse fechando a cara.

– Ah, aquilo foi besteira. Você exagerou...

– Você tentou me beijar e depois ainda teve a cara de pau de dizer que queria algo mais, seu safado!- bradei sentando-me no sofá e calçando as botas.

– Ora, como é exagerada. Era apenas um beijinho... e quem sabe uma despedida de solteira.

– Vai a merda, Octavian. Não estou afim de bater em você hoje de novo, eu só quero ir para casa e estudar para a minha entrevista de emprego, então se puder parar de ser tão babaca, eu agradeço.

Levantei pegando minha jaqueta de couro marrom e pondo-a, já me direcionando para a porta. Antes que eu pudesse abri-la, meu pulso foi puxado com força para trás, me corpo se chocou em algo e eu senti mãos nojentas segurarem minha bunda.

– Vai, Reyna. Será como uma despedida, só que em particular e ficará apenas entre nós- pediu o loiro em meu ouvido.

– A única coisa que terá entre mim e você será minha mão enfiada na sua cara- falei.

Dei uma cotovelada no tanquinho de Octavian, que se curvou, me soltando. Dei-lhe uma joelhada e depois um chute na canela. O mesmo começou a pular segurando a perna enquanto murmurava palavrões de dor.

– Você me paga, sua vadia. E não irei atrás de você para me pagar- disse ele entre dentes.

Segurei-o pelo pescoço, sem apertar.

– Chegue perto de qualquer um que eu ame, e no mesmo instante eu ponho algemas em minhas mãos, pois eu mato você- ameacei entre dentes. Joguei-o no chão- Não se esqueça que até tiro eu já levei, Octavian. Você não será uma ameaça muito maior.

– Vaga...

– Cala a boca- lhe dei as costas, finalmente saindo daquele lugar.

Vi uma vendedora passando e, por precaução, falei para ela que tinha um cara no provador em que eu estava e que ele era um maluco que estuprava garotas e roubava joias- em partes, era verdade. A mulher correu desesperada e chamou a policia.

Trinta minutos depois, eu devia estar fazendo algo de útil, mas não. Eu estava deitada no sofá da sala com uma lista de coisas para o casamento enquanto falava ao telefone. Essa parte de decidir tudo para o casamento tinha ficado para Rachel, já que a mesma estava com tempo, pois só começaria a cursar seu curso de artes clássicas, modernas e plásticas próximo semestre, então eu poderia me focar em terminar minha faculdade e estudar para ter um EMPREGO.

Porém, hoje ela pediu que eu resolvesse algumas coisas... e eu não estava me saindo muito bem, diga-se de passagem.

– O que? Não vou comer linguado no meu casamento. Que nojo- bradei com a moça no telefone.

– E o salmão?

– Muito menos. Ponha ai hambúrgueres, minis hot-dogs, batata-fritas.

– Mas, senhorita, isso não é cardápio para casamento- informou a moça.

– Não? Bem, agora é. Ah, e não se esqueça de por bastante molho nos hot-dogs e não precisa ter pena de por queijo nos hambúrgueres.

– Sim senhora- confirmou a garota- E o caviar?

– O... o que?- perguntei chocada- Não, ninguém vai comer caviar. Sabe que isso é ova de peixe, não sabe? Troque isso por coxinhas e docinhos.

– Ok... e quanto ao jantar, senhorita?

– Macarrão... com molho branco. Mas não se esqueça de por um molho de tomate também e uma saladinha.

– Sim senhora... Isso é tudo.

– Ok, obrigada.

Eu desliguei o telefone e logo depois tive de atendê-lo. Era do decoração.

– Rosa bebê ou rosa claro? Não é a mesma coisa?- perguntei confusa.

– Não, são cores bem diferentes.

– Se você diz... Bem, não gostamos de rosa, então ponha algo como... azul.

– Azul turquesa, azul bebê, azul céu, azul...

–Só azul!- interrompi sentando no sofá com o caderno na mão.

– E com qual outra cor como segunda cor?

– Verde?- arqueei as sobrancelhas.

– Verde não combina com azul, senhorita.

– E qual cor combina com azul?- perguntei ficando em pé e indo me direção a cozinha enquanto revirava os olhos.

– Bem, creme, bege, branco gelo, branco cetim, prata... até mesmo o branco convencional fica bom- contou ela.

– Bem, façamos assim... Faça a decoração em azul... hã... turquesa e com a cor que mais combinar com ela.

– Mas senhorita...

– E pode por qualquer outro pequeno detalhe do jeito que mais gostar- falei pegando um copo e pondo água para mim- Algo mais?

– Sim. Quais serão as flores da igreja e quais as da festa?

– Não podem ser as mesmas?

– Bem, podem...

– Ótimo. Ponha... lírios brancos e... só.

– Ok. Isso foi tudo, senhorita. Qualquer coisa, ligue para a agencia e peça para falar comigo.

– Preciso saber seu nome antes- disse rindo.

– Ah sim, perdão. Meu nome é Gaia- falou ela.

– Ok, Gaia, qualquer coisa eu ligo.

Então desliguei antes de ela inventar outra coisa para me encher o saco. Joguei-me novamente no sofá, desta vez sem lista, revista, nada. Fechei os olhos e bufei.

– “Verde não combina com a azul”, “Isso não é cardápio para casamento”– tentei imitar a voz irritante das duas mulheres, Gaia e Reia, mas falhei miseravelmente, mesmo que tenha ficado engraçada minha voz- Ah, se ferrar.

– O que foi que você fez, hein?

Sentei no sofá ao ouvir a voz que eu mais amava ouvir. Rachel estava entrando no apartamento cheia de sacolas em uma mão e alguns quadros em branco em outra mão.

– Existem tantos tons de azul assim?- perguntei fazendo careta.

– É claro, amor. Tem tons diferentes para coisas diferentes, algumas pessoas dizem que cada tom de cada cor tem sua combinação certa- falou ela se aproximando e sentando atrás de mim, deixando que eu me deitasse em suas pernas- O que houve?

– Escolhi a cor principal- sorri de canto, o que a fez rir- E também o nosso cardápio.

– E por que está assim?

– Porque nosso cardápio é baseado em hambúrgueres, hot-dogs e batata-fritas, além de macarrão com qualquer molho e salada para o jantar, e ao invés de caviar, teremos salgadinhos e docinhos- Rachel riu ainda mais- E eu deixei a tal de Gaia resolver qual seria a cor acompanhante.

– Basicamente... você desfez tudo o que minha mãe planejou- disse ela, me fazendo corar enquanto sorria sem graça- Mas ficou bem mais a nossa cara, não acha? Mas e as rosas? Vai me dizer que não soube dizer!

– Não- eu lhe mostrei a língua- Não sou idiota assim. Escolhi lírios.

– Combina conosco, não acha?

– Como assim?- franzi o cenho.

– Não sabe o significado dela?- neguei com a cabeça- Significa: eu te desafio a me amar.

Sorri de canto.

– Ao menos uma escolha minha deu certo- ela riu junto de mim. Sentei no sofá e me aproximei dela- Onde estava?

– Comprando o material para desenhar a bela vista do seu quarto.

Fiz biquinho.

– E meu quarto só serve para isso?

Rachel negou com a cabeça.

– Você não presta- murmurou ela antes que eu a beijasse.

– Nem um centavo- disse quando nos separamos- Vou fazer o jantar. O que quer?

– O que temos?

– Lasanha de micro-ondas, lasanha de micro-ondas ou lasanha de micro-ondas- contei nos dedos da mão encostada na bancada da cozinha.

– Acho que vou ficar com... lasanha de micro-ondas?- nós rimos.

– Ótima escolha.

Peguei as lasanhas e as pus no micro-ondas, depois fiquei com Rachel no sofá, assistindo o filme que ela alugou para vermos... Não fiquei surpresa quando ela disse que era Naruto- The Last.

Notas finais
Espero que tenham gostado, escrevi com todo amor e carinho. Boa noite.