Juliet and Juliet

31 Somos Julieta e Julieta... fazemos nosso próprio final.


Notas iniciais
Oioioioioi. Despedidas apenas em notas finais. Boa leitura e espero que gostem.

7 ANOS DEPOIS...

– Então, basicamente a guerra de troia não passa de conto romântico que acabou em tragédia?- questionou um dos garotos de minha classe.

Sorri de canto.

– Não, não foi apenas romance. Apesar de que parece... o que vocês tem de entender é a ligação que esta história tem nos tempos de hoje. Religando os fatos- anotei no quadro- O cavalo de troia, uma armadilha e a queda de troia. Então, o que me dizem? Qual a relação de...- parei de falar quando meus olhos caíram nas portas de vidro dando visão de um menino de 14 anos parado, sorrindo e acenando. De trás dele, apareceram outro menino de 12 e uma menina de 10, todos sorrindo e acenando.

– Algum problema professora?- perguntou uma aluna.

– O que? Hã, er... desculpem-me. Onde eu parei?

– A relação...- disse outro aluno.

– Isso! A relação entre...- mas Arthur e Davi estavam me chamando com as mãos atrás de Anna, que estava com a cara colada no vidro- Vocês me dão um minuto?

– Mas, professora...- antes que outra aluna falasse, eu sai correndo na direção da porta.

Assim que passei pela porta, fechei-as atrás de mim e puxei meus filhos para um canto onde não os vissem ali.

– O que fazem aqui, crianças?- perguntei ficando de joelhos para ficar ao menos quase do tamanho de Anna.

– Ah, bem, é que mãe Rachel disse que hoje seria a senhora a ir nos pegar no colégio, só que tocou e a senhora não apareceu... então viemos para cá- explicou Davi sorrindo.

Davi perdeu o sotaque espanhol, mas eu e Rachel não quisemos que ele perdesse a cultura e nem a língua, por isso o colocamos em um curso de espanhol e lá eles fez amigos espanhóis e mexicanos, o que o ajudou bastante.

– Droga- murmurei- Era eu hoje, esqueci completamente- bradei irritada.

– Não tem problema, mamãe- falou Anna sorrindo gentil- Fizemos um desenho hoje. Desenhamos e pintamos a escola, minha sala e eu pintamos os dos menores.

Sorri carinhosa para minha menina.

Anna, assim como Rachel, era apaixonada por arte. Tudo o que tivesse haver, fosse música, pintura, desenho, escultura, com arte... minha pequena estava lá, puxando com Rachel, que puxava a mim e os meninos.

– E o que você desenhou querida?- perguntei.

– Eu fiz nossa família- ela sorriu abertamente- Minha professora me chamou de corajosa, mas eu não entendi o porque. É coragem desenhar a família no colégio?- perguntou ela confusa.

Arthur pôs a mão no ombro da irmã entendendo como eu o que aquilo significava. Davi apenas sorriu divertido e pegou a irmã por trás, começando a fazer cosquinhas nela. Levantei e puxei de leve Arthur para um pouco mais longe dos dois meninos, que brincavam enquanto riam.

– Arthur, preciso terminar de dar a aula, mas não posso lhes deixar aqui. Então vamos entrar, vocês sentam e ficam quietinhos, ok? Explique-os, tudo bem?- pedi.

– Pode deixar, mãe- falou sorrindo.

Sorri de canto. Nós entramos e eles foram para um canto mais afastado da classe, o que fez com que meus alunos começassem a murmurara coisas.

– Tudo bem, classe. É o seguinte... esses três são meus filhos, eu esqueci que hoje era minha vez de pega-los na escola, por isso eles vieram para cá. Mas eles ficaram quietinhos e não interromperão a aula. Agora... onde eu parei?- expliquei- Ok, a relação entre a Guerra de Troia e o mundo atual. Quero que escrevam um texto de, no mínimo, 35 linhas fazendo uma relação com a história e com os dias modernos.

– Podemos fazer também, mamãe?- perguntou Davi sorrindo animado.

– Hã, querido, acho...

– Vocês sabem sobre a guerra de troia?- perguntou um de meus alunos olhando-os chocado.

– Claro- respondeu Arthur- Mamãe conta essa história para nós dormimos há anos... vez ou outra ela muda, mas ela gosta mesmo é dessa.

Mordi o lábio inferior, segurando-me para não corar.

Logo, minha aula foi para pelos ares e todos os meus alunos faziam perguntas aos meus filhos, que por sinal pareciam estar adorando aquilo, principalmente Davi. Quando tocou, acompanhei meus filhos para o meu carro, nós entramos e eu dirigi para casa.

– Eu gostei dos seus alunos, mamãe- disse Anna sorrindo divertida- Eles parecem um pouco burrinhos sobre história, mas são bem legais.

– É mesmo. Se eles fazem história, como podem não saber relacionar com a vida moderna?- questionou Davi perplexo.

– Por isso estão fazendo história, querido. Estão aprendendo cada vez mais, estudando as histórias que contei para vocês de forma mais complexa. Sem o toque de... como posso dizer? Sem um toque de...

– Magia?- sugeriu Arthur sorrindo de canto.

Sorri olhando-o rapidamente, logo depois voltando a atenção para a estrada.

– Isso, sem um toque de magia- concordei.

O resto da viajem fomos em silencio, cada imerso em seus próprios pensamentos.

Dez anos se passaram desde que eu conheci Rachel. Hoje, na verdade, iriamos completar nosso tão esperado aniversário de casamento, seria especial... afinal, já são dez anos juntas. Ela aguentando minhas partes marrentas, minhas partes fechadas, os meus erros, minhas fúrias, meus ataques de ciúmes. Assim como eu aguentei seus ataques de ciúmes, suas brincadeiras malucas, suas infantilidades junto das crianças.

Rachel, provavelmente, estaria chegando agora de Portland, onde estava fazendo uma exposição, sua mais nova coleção nomeada “My perfect Family”, com pinturas que nos representava, pinturas nossas, de nossa família. Já estava a quase três semanas indo e vindo de vários lugares perto de Nova York, pois estava preparando nossa noite de aniversário de casamento.

Quando cheguei, nós descemos e eu peguei as mochilas das crianças no porta-malas, entregando-as. Anna subiu nas costas de Arthur, pois estava quase dormindo, enquanto Davi corria animado para dentro da casa. Acho que porque viu o corola parado na frente de casa seguido por duas motos e, na garagem, um ZR1 azul.

Caminhei vagarosa seguindo-os. Quando entrei, Anna estava no colo de Rachel, abraçando-a, enquanto Davi e Arthur estavam ao seu lado com sorrisos animados e felizes. Rachel estava em com um sorriso divertido nos lábios enquanto brincava como nariz de Anna.

– Olá- falei entrando em casa e fechando a porta- É o presidente que veio até minha casa?- brinquei, fazendo Rachel rir.

– Olá, Romeu- disse ela. Passei pela ruiva, lhe dando um beijo e sorrindo de canto- Se fosse o presidente, não teria esse povo doido aqui, não acha?

– O que?- perguntei confusa.

– Aqui!

Olhei para trás vendo Ártemis com um sorriso de orelha a orelha sentada no sofá de dois lugares com Zoe em seu colo, Nico estava sentado ao lado das duas meninas com Will atrás de si. Luke estava encostado no braço do sofá abraçando Thalia pela cintura, que se encontrava encostada no corpo do garoto. E Hylla, sentada no chão, entre as pernas de Ártemis e Nico.

– O que fazem aqui?- perguntei aproximando-me e cumprimentando cada um.

– Nossa... é assim que nos recebe depois de tanto tempo longe?- se fez de ofendida Ártemis.

– Foram só dois meses, ruiva falsificada. Não exagere- disse eu lhe dando um tapa de leve no braço- Mas, sério, o que fazem aqui? Não era para estarem em Los Angeles?- perguntei encarando Ártemis e Zoe.

– Bem... é complicado- Ártemis fez careta.

– Não é não. Você nos fez ser expulsas do hotel, então nós voltamos- explicou Zoe, cruzando os braços- Mas não estamos aqui por isso, certo, Rach?

– Certíssima- a ruiva apareceu ao meu lado, seguida por nossos filhos, com um sorriso enorme- Eu e você- ela apontou para mim e depois para si- Vamos ter nossa lua de mel de novo.

– O que?- perguntei confusa.

– E nós?- perguntou Davi.

– Ficaram conosco!- disse Hylla, puxando o sobrinho para o colo- Seu menino malino!

Davi riu enquanto Hylla fazia cócegas nele. Arthur sentou no braço da cadeira, ao lado de Will e Nico.

– Então vamos ficar com todos eles aqui em casa?

– Não- explicou Rachel sorrindo docemente para o primogênito- Como passaremos apenas um fim de semana, no domingo a tarde, Thalia e Luke lhes levaram para se encontrar conosco. Vocês irão ficar com Hylla, no apartamento em Manhattan, e então no domingo nos encontramos. Pode ser?

Nenhum dos nossos filhos discordou, por isso, minutos depois, eu e Rachel já estávamos a toda velocidade no ZR1 dela para um lugar que ela disse que iria gostar. Percebi ser ironia logo que chegamos. O hotel que tínhamos ficado quando viajamos pela primeira vez com Luke, Thalia, Nico, Zoe, Artemis, Will.

Desta vez, tínhamos reserva e era no mesmo quarto que ficamos da outra vez. Tomamos banho logo que chegamos, depois colocamos roupas apropriadas e, como da primeira vez, fomos para o baile que o hotel estava fazendo.

Naquela noite, bebemos tanto que, quando chegamos ao quarto, caímos já dormindo na cama. No sábado, nós passamos a tarde fazendo atividades na praia, coisas como: stand-up, ficar na areia, surfe, andamos de barco, entre outras coisas.

Nossa noite também foi maravilhosa, além de termos trocado nossos presentes de aniversário. Eu a dei um colar com nosso três filhos e ela me deu uma pulseira com seu nome gravado nele com três pingentes, nossos filhos também.

No domingo, as crianças vieram, mas Thalia e Luke tiveram de ir embora, pois o casal estava, finalmente, planejando o casamento. Quando estava entardecendo, eu e Rachel sentamos na areia Enrolei-a em uma manta e aconcheguei-a em meus braços enquanto víamos Anna correr atrás de Davi e Arthur apenas rir dos irmãos.

– Romeu?

– Sim?

– Felizes para sempre só acontece em contos de fadas?- encarei a ruiva, assim como ela me encarou- Ou pode acontecer na vida real também?

Sorri de canto.

– Nosso felizes para sempre está acontecendo desde que você voltou a respirar à quase uma década- disse lhe dando um beijo na testa- E nada e nem ninguém irá mudar isso...

– Nem Octavian?- perguntou ela baixinho.

– Nem aquele idiota- fui firme.

Octavian se tornou um rival meu e de Rachel quando declarou guerra no aniversário de 11 anos de Arthur. Desde então, ele tenta fazer de tudo para que eu e Rachel nos ferremos: exposições da ruiva, meus trabalhos na faculdade, as escolas que eu também ensino.

– Eu amo nosso final feliz...

– Eu também amo- murmurei e então encaramos nossos filhos, que agora brincavam na areia como se tivessem ainda 3, 5 e 7 anos- E amo ainda mais vocês.

– Somos uma nova história de Romeu e Julieta- Rachel riu- Onde já se viu o tão conhecido conto Romeu e Julieta terminar tão feliz assim?

Puxei-a pelo queixo de leve, fazendo-a me encarar nos olhos.

– Não somos Romeu e Julieta, Julieta... Somos Julieta e Julieta, sendo assim... podemos fazer nosso novo final- sorri de canto- E eu briguei de mais para te deixar viva, viu ruiva?

– Argh! Você sempre tem que acabar com a parte mais fofa do momento, não é?

Nós rimos e eu a puxei para um beijo. E então eu senti... como uma explosão. Todas as nossas memórias, como se voltasse de repente e invadisse minha cabeça repentinamente. A primeira vez que vi Rachel, nosso primeiro beijo, quando decidi que era ela que eu queria, eu salvando-a, nosso casamento, nossa mudança, adotando nossos filhos.

Quando nos separamos, Rachel me olhou surpresa, tanto quanto eu.

– Você... você também viu i-isso?- perguntou.

– Vi... foi como...

– Magia- completou ela.

Depois de longos segundos nos encarando, ouvimos passos e encaramos nosso filhos, que sorriam inocente e animados.

– Vem, mamãe Rachel e mamãe Reyna. Vamos brincar nas ondas!- pediu Anna me puxando pela mão.

– É, venham!- chamou Davi puxando Rachel.

– Vamos!- insistiu Arthur nos empurrando pelas costas.

Nós rimos e os acompanhamos. Peguei Anna pela cintura com um braço e Davi pela outra, correndo para o mar com os dois gritando para que eu os soltasse. Rachel e Arthur riram.

Quando eu, Anna e Davi emergimos, vi Rachel abraçada com Arthur. Rachel tinha os braços em torno do pescoço do menino, as mãos juntas de frente para o peito do menino, o queixo apoiado na cabeça de Arthur e ele com as mãos sobre as dela. Os dois tinham o mesmo sorriso: de canto, divertido e sempre sustentando uma mensagem por trás.

Naquele momento, tinham o mesmo significado, nos dois.

Eu amo a minha vida.

FIM.

Notas finais
E então? O que acharam do final disto tudo? Bem, vamos as despedidas... Na verdade, não chamarei isto de despedida, é apenas um até logo. Eu agradeço a cada um de vocês que leu, cada um que comentou, cada um que favoritou. Eu amei escrever isso, e amei ainda mais ter o apoio de cada um de vocês. Eu agradeceria cada um pessoalmente, mas como é impossível isto- não só por não ter o endereço de vocês, como também não ter grana para ir-, eu peço que aceitem meus sinceros agradecimentos. Arigatō. Gomen, gomen, ia esquecendo algo... quem quer ler ainda histórias minhas, no meu perfil tem uma história chamada A Guerra dos Imortais, escrevo com alguns amigos. É uma história com deuses gregos... acho que gostarão. E planejo escrever uma one-short amanhã... ou uma mini-fanfic, de tipo dois ou três capítulos. Ainda não sei sobre o que, mas gostaria que lessem. É isso... desculpem-me qualquer coisa e boa noite para vocês. Sayōnara, otōto. (Tchau, irmãozinhos).
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!