Juliet and Juliet

11 Minha adorável Julieta.


Notas iniciais
Oioi. Atrasada? Mais ou menos, né? Desculpa. Espero que gostem deste capítulo, fiz com todo amor e carinho. Bye.

Luzes, música, pessoas dançando, caras passeando com taças/copos nas mãos, mulheres bem vestidas, homens bem vestidos. Eu ia enlouquecer.

Não estava nervosa com o fato de estar entre tantas pessoas bem vestidas e sim com o fato de eu estar em meu primeiro baile. No exercito, nós só tivemos um baile e foi proibido para os alunos com 15 e 16 anos. Infelizmente, eu tinha 13. Não poderia entrar lá nem que algum professor permitisse, os soldados/coronéis/capitães me expulsariam no mesmo instante- e ainda levaria um belo de um castigo.

Hylla foi àquele baile, mas nunca me conto, como justificativa para tal coisa, ela disse que todos os alunos presentes no evento foram proibidos de comentar com qualquer aluno que não fora e, principalmente, com os mais novos. Eu tinha 13 anos, não era uma idiota, sabia que se ela me contasse, poderia ficar perfilada por dois dias na entrada sem mover um musculo.

– Isso vai ser irado!- ouvi Luke falar.

Olhei para todos. Os garotos estavam blusas sociais, Nico uma preta, Will uma branca e Luke uma azul- mas apenas Nico usava o paletó-, calça jeans e sapatos sociais; as meninas usavam vestidos que iam até a metade das coxas com diferentes estampas; eu estava de vestido também, mas porque Rachel pediu, se não estaria com uma calça, uma blusa arrumadinha e fim.

Engoli em seco ao sentir Rachel me puxando em direção a uma mesa. As pessoas ao nosso redor pareciam estar agindo tão naturalmente, mas era tanta coisa arrumada, que cheguei a me questionar se todos os dias eles iam para bailes.

Olhei para Ártemis, que estava puxando uma cadeira para Zoe da mesa ao lado, pois na nossa só tinham 4 cadeiras e, bem, nós somos oito. Quando a ruiva ia se sentar, chamei-a:

– Árt, vamos comigo no bar pegar algo para beber?- pedi.

– Ah, não, obrigada. Estou sem...

– Vamos comigo no bar, Ártemis- e sai a puxando na direção do bar.

– Ai, eu estava gostando de lá- reclamou ela.

Assim que chegamos ao bar, sentei em um banco e pedi ao rapaz lá dois ponches de morango sem álcool- não tenho 21, então, tecnicamente, ele teria de pedir minha identidade e se ferraria se me desse a bebida com álcool. Ártemis pediu um ponche de groselha e um refrigerante Diet e então me encarou.

– O que foi, Rena?- ela sorriu divertida.

– Para de me chamar assim- resmunguei- Me lembra coisas do papai noel. Mas, enfim, a questão é... Árt, como se age em um baile?

Corei instantaneamente com minha ignorância quanto a bailes. Mas o que eu poderia fazer? Ártemis já foi a vários bailes em sua antiga escola, diversas vezes me contou como eram quando éramos menores. Ela saberia exatamente o que fazer, certo?

Errado.

Ártemis riu na minha cara!

– Não ria, ruiva falsificada!- briguei com a garota- Eu nunca fui a um baile, não sei como me portar em um.

– Hey, hey, hey- disse a garota rindo de leve- Reyna, não tem uma forma de “se portar em um baile”- ela fez aspas no ar- É uma festa, devemos curtir.

Franzi o cenho.

– Curtir?

Ártemis revirou os olhos.

– Reyna, olhe para você. Está com as costas perfeitamente ereta, segurando o copo devidamente nesse negocio maior, a roupa perfeitamente passada, os cabelos sem um fio para fora. Rey, você é uma adolescente, não uma velha.

– Se chama taça, não copo- a corrigi, o que a fez revirar os olhos- Não sou uma velha! A roupa tem de estar arrumada para não passar má impressão; os cabelos Rachel passou gel, porque disse que eu poderia desfazê-lo durante alguma parte do baile. Sabe que no exercito precisávamos ficar perfilados, acostumei a ficar com a coluna ereta- defendi-me.

– Reynita, você não está mais no exercito.

– Na verdade, faço faculdade lá e...

– Você entendeu!- interrompeu-me ela- Presta atenção, Reyna- ela segurou meu rosto entre as mãos- Vamos por uma pouco de diversão ai dentro. Um baile, nada mais é, que uma das festas de Connor, só que um pouco mais sofisticada, com menos bebidas alcoolicas e música de classe.

Olhei-a totalmente apavorada.

– Não tem nada haver com as festas de Connor, Ártemis!- bradei desesperada.

– Apenas siga seus instintos. Agora vamos, eu deixei minha namorada sozinha com Luke... isso é coisa de maluca.

Segui Ártemis de volta a mesa. Luke e Thalia não estavam lá, nem Will e Nico. Sentei ao lado de Rachel entregando-a um dos ponches, ela estava conversando com Zoe. Ártemis sentou ao lado da namorada, passando para ela o refrigerante.

– Oi- falaram as duas para nós sorrindo.

– Rey, por que não me contou que morava junto de Ártemis?- questionou Rachel sorrindo animada.

– Ah, bem, é que não vi necessidade. E não era junto, ela morava no mesmo prédio que eu... é diferente- falei e então sorri sacana para a ruiva- Até porque, se eu morasse junto de Ártemis, não iria prestar. Seria briga todo dia, por conta da bagunça que essa ai faz.

– HEY, você que é organizada demais- defendeu-se Ártemis virando o ponche na boca- Não vejo a hora de fazer 21.

De repente, começou a tocar uma música que fez Ártemis esbugalhar os olhos e praticamente perfurar o braço de Zoe de tanto cutuca-la.

– É nossa música, amor. Vamos dançar, por favoooor!- implorou a ruiva.

– Ok, ok. Só não perfure meu braço- Zoe riu.

Ártemis ficou em pé, fez uma breve reverencia e estendeu a mão na direção de Zoe, sorrindo divertida depois.

– Concede-me esta dança, senhorita?

Zoe riu segurando a mão de Árt.

– Com todo prazer, senhorita Hunter.

Então as duas praticamente correram na direção do centro da pista que estava cheia de gente, incluindo Nico e Will- não consegui ver Luke, muito menos Thalia. Mordi o lábio inferior quando Rachel deitou a cabeça em meu ombro e ficou brincando com meus dedos.

– Quer dançar?

Merda, merda, merda, merda, merda, merda, merda!, pensei.

– Rach, eu tenho que te contar algo...

– Conta durante a dança- murmurou ela.

– É sobre a dança- a ruiva me encarou, fitei-a nervosa- Eu não sei dançar essas músicas, Rachel. Só aprendi danças como tango, sabe... danças clássicas. Desculpe, eu sei que queria dançar, mas eu não... desculpe.

Rachel abriu um largo sorriso divertido.

– Você realmente tem de parar de pedir desculpas por qualquer coisa, Romeu- ela me fez encara-la- Se perceber só um pouquinho... a música que está tocando é o que você chama de dança clássica.

Tentei prestar atenção e, percebi, que a música de Ártemis e Zoe já tinha acabado e agora todos dançavam juntos. Olhei para Rachel, ficando em pé as pressas e abri o maior sorriso que já dei em toda a minha vida.

– Poderia conceder-me esta dança, bela Julieta?

Rachel riu e ficou em pé, me abraçando e me dando um selinho.

– Com todo prazer, querido Romeu.

Acompanhei-a para a pista de dança, onde segurei-a pela cintura, puxando-a para mais perto de mim. Segurei a mão esquerda dela com a minha direita, ela pôs a outra mão em meu ombro e sorriu animada.

– Nunca dancei esse tipo de música, acho que vai doer um pouco- ela disse rindo de leve.

Revirei os olhos sorrindo.

– Vem- a coloquei com os pés sobre os meus, segurando-a com mais força na cintura para ela não esmagar meus dedos, mas ela é levinha, nem foi tão difícil- O que acha agora?

Pela primeira vez na minha vida, vi aquelas bochechas corarem e deixarem seu tom de palidez lindo e o avermelhado em perfeito contraste com os olhos verdes. Sorri divertida prendendo o riso.

– O que foi?

– É que... eu nunca... dancei uma música dessas, você é a primeira e... eu estou dançando com os pés em cima dos seus.

Gargalhei pondo a cabeça encostada na curva de seu pescoço. Tenho certeza de que ela corou.

Eu já nos movimentava na pista. Fitei-a sorrindo gentil.

– Fico feliz em ser a primeira, quero ser a primeira em muito mais coisas, hein?

Rachel corou ainda mais e abaixou a cabeça.

Estranhei.

Falei algo de errado de novo?, questionei-me. Já devia ser bem a quinta vez que me questionava isso só nos últimos dias. Para quem nunca se questionava quanto a isso, é um recorde.

– O que foi, Julieta?- perguntei a fazendo meu encarar.

Rachel mordeu o lábio inferior e me olhou sem jeito.

– É que... eu não queria falar sobre isso com você tão cedo, mas Rey eu sou...- ela desceu dos meus pés, ficou na ponta dos pés dela e sussurrou no meu ouvido- Reyna, eu sou virgem.

Esbugalhei os olhos ficando parada na hora.

Virgem! Ela é virgem... Eu estava desejando uma garota de 16 anos, minha aluna e que, ainda por cima, é virgem. Eu estava chocada e, ao mesmo tempo, impressionada. Eu sei que pode ser estranho, e que tem muitas jovens de 16 que são virgens, mas nunca me passou pela cabeça que ela fosse uma!

Não estou recriminando ela, mas agora me deixa apreensiva. E se eu, por um acaso, passar da conta? O que eu faço? Simplesmente digo a menina que não posso e paro no meio do caminho? Do que estamos falando é algo serio, para ela tem de ser perfeito.

– Reyna? Reyna! Você está bem?- Rachel me sacudiu de leve, acho que para ver se eu ainda estava viva.

– Hã? Ah, sim, oi- falei saindo do transe.

– Eu não deveria ter te contado isso, né? Desculpa, eu prometo que não toco mais nesse assunto e...

– Não, Rach. Foi até bom você tocar nele... porque agora sei que preciso fazer algo especial para você, não quero que seja de qualquer jeito.

Rachel sorriu e me beijou, ficando na ponta dos pés.

Passamos a noite dançando- ela em cima dos meus pés algumas vezes-, em algumas músicas tive de encostar-me na parede e ver Rachel dançar com Ártemis e Zoe, pois não sabia dança-las, mas fiquei feliz em saber que ela não ligou para o meu probleminha, ainda estava nervosa por conta do que me contou, mas relevei.

Posso lidar com isso, certo?

Acompanhei Rachel até nosso quarto, ela só tirou os sapatos, trocou de roupa- uma camisola solta verde claro- e lavou o rosto. Lavei meu rosto e tomei um banho rápido, pondo um short e um top logo depois. Eu só queria me deitar e dormir, esqueci-me completamente de todo o resto.

Ao deitar-me, enrolei-me e fechei os olhos, esses que foram abertos assim que senti braços me abraçando pela cintura e uma cabeça encostar-se a meu peito. Rachel tinha os olhos fechados, o cabelo espalhado pelo travesseiro, o rosto tranquilo e ressonando. A testa de Rachel estava encostada um pouco acima dos meus seios. Senti minhas bochechas corarem, mas passei meu braço em torno de seu corpo e a puxei para mais perto de mim.

Dei-lhe um beijo no topo da cabeça de forma amorosa.

– Boa noite, minha adorável Julieta- murmurei antes de pegar no sono.

Notas finais
Boa noite, espero que tenham gostado e até amanhã. Bye.