Juliet and Juliet
24 Conheço meus sogros...
Notas iniciais
Adentrei o quarto de Rachel, jogando minha mochila em qualquer canto e caminhando em sua direção. Depositei um beijo em sua testa e um singelo selinho em seus lábios. Com ela no quarto, estavam ainda Art, Luke e Zoe.
– Bem, agora que a senhorita chegou, já podemos ir- disse Luke, ficando em pé e pegando seu casaco- Fica bem, ruivinha. E você também, Kara.
– Kara?- perguntei quando ele me abraçou rapidamente.
Luke riu e saiu da sala.
Ártemis deu um beijo na bochecha de cada uma de nós e um abraço, antes de ficar esperando a namorada na porta. Zoe nos deu um abraço e um beijo, desejando-nos felicidades e melhoras- cheguei a rir quando ela disse, pois mudou o tom de voz para cada um. As duas saíram e ficaram apenas eu e Rachel no quarto.
– Então- fitei a ruiva, sentando-me ao seu lado e passando um braço pelos seus ombros, puxando-a para mais perto de mim- Quer me contar agora o que o médico disse?
A ruiva negou com a cabeça encarando as mãos.
– Rach- chamei, fazendo-a me encarar- sabe que pode confiar em mim, certo? Estarei do seu lado.
Rachel sorriu de canto.
– Quando eu estiver pronta, eu te conto- respondeu ela- Agora me dá mais aquele beijo de quando nos vimos hoje mais cedo?
Ri da atitude da pequena. Mudar de assunto em troca de um beijo...
Puxei o queixo de Rachel devagar para perto de mim, já fechando lentamente os olhos, me preparando para sentir aquele gosto de creme dental e menta. Mas fomos interrompidas por duas batidas na porta.
Rachel e eu nos separamos- pude ouvi-la bufar. Fiquei em pé em um pulo, assustada e surpresa. Então, a porta foi aberta e o médico de Rachel pôs a cabeça para dentro.
– Senhorita Dare, apesar do horário de visita ter acabado, tem duas pessoas muito importantes que precisam lhe ver. A senhorita quer vê-los?- questionou ele.
Eu e Rachel nos entreolhamos estranhando aquilo. Não lembrava de mais ninguém para ver Rachel, pensava eu que os pais dela tivessem sido comunicados, mas não vieram. Mas, então, quem seriam essas duas pessoas?
Rachel assentiu para o doutor.
– Quero.
– Ótimo, os mandarei entrar- avisou o doutor fechando a porta.
– Esperando mais alguém, amor?- perguntei sentando na poltrona de acompanhante e encarando Rachel.
A ruiva negou com a cabeça, fazendo uma cara engraçada de confusa.
– Acho que pode ser algum professor... Ou talvez Verdona e Francis tenham sido avisados de meu paradeiro e vieram me ver- pensou ela.
Dei de ombros ajeitando-me na cadeira.
Duas batidas na porta.
Rachel enrijeceu os músculos quando sentimos uma fragrância deliciosa de perfume francês. O cheiro era delicioso, uma mistura de lírios com rosas. Era um cheiro muito bom mesmo.
Nós duas nos arrumamos onde estávamos: eu apenas cruzei as pernas e apoiei meu cotovelo, apoiando minha cabeça nas costas de minha mão; Rachel ajeitou as cobertas e passou a mão pelo cabelo ruivo, deixando-o ainda mais emaranhado.
– Entre.
A voz de Rachel saiu por um fio.
Como ordenado pela ruiva, a porta foi aberta e por ela entrou o casal que estava na sala de visitas alguns minutos atrás. A mulher não estava mais com o terno, apenas a saia e a blusa social, o homem estava igual, só que a gravata aberta.
A porta se fechou atrás deles e eles encararam Rachel. Desviei meu olhar rapidamente na direção da ruiva na cama, que acabara de abaixar a cabeça e encarar as mãos.
– Oi- murmurou ela.
– Princesa!- falou o homem.
– Elizabeth.
O casal correu na direção da menina, jogando os paletós no chão e abraçando a garota com tanto carinho. Rachel me encarou enquanto eles a abraçavam, ela parecia tão surpresa quanto eu.
O quê que eu faço? Perguntou ela movendo apenas os lábios.
Abrace-os, ora! Respondi igualmente movendo os lábios.
Mesmo hesitante, Rachel abraçou a cintura da mulher e logo depois começou a chorar. O homem abraçava as duas, como se fosse protegê-las. Segurei as lágrimas que queriam fugir de meus olhos com aquela cena.
Eles se separaram e a mulher segurou o rosto de Rachel entre suas mãos, Rachel encarou-a fungando.
– Querida, que susto você nos deu. Eu fiquei tão preocupada quando ligaram dizendo que você estava no hospital- a ruiva mais velha tinha tanto amor e carinho na voz, além de um leve alivio- Não sabe o que eu passei só em pensar em perder você, minha filhinha.
– Estavam mesmo preocupados comigo?- Rachel encarou a mãe e depois o pai- Os dois?
– Mas é claro, meu anjo- respondeu o pai, sentando-se ao lado da mulher, de frente para Rachel na maca- Sua mãe quase desmaiou quando soube que você tinha feito duas cirurgias e quando soubemos sobre o que aconteceu... meu Deus, quase fomos nós internados.
Rachel riu de leve.
– Nós amamos você, Lizz- continuou a mulher, segurando a mão de Rachel. A ruiva menor encarou a maior, que lhe mandou um olhar amoroso- Eu amo você, minha pequena Elizabeth.
Rachel sorriu e abraçou a mãe novamente.
Então, os olhos verdes do homem caíram em mim. Senti minha barriga revirar, como se mil borboletas voassem ali dentro naquele mesmo instante. Engoli em seco.
Mas diferente do que eu pensei, o homem se levantou as pressas e caminhou rapidamente na minha direção. Ele segurou minha mão e me deu um abraço rápido.
– Reyna Arellano, certo?- supôs ele. Assenti um pouco nervosa- Obrigada por salvar minha filha. Obrigada por estar lá para salva-la.
– Nã-não foi nada- respondi um pouco envergonhada.
– Ah não. Assim não tem graça- interrompeu Rachel, fazendo com que todos nós a encarássemos- A apresentação! Não pode ser assim- falou ela como se fosse obvio.
– E como deveria ser?- perguntou a mãe da menina arqueando as sobrancelhas.
– Assim... Mamãe, papai, essa é Reyna AVILLA, minha namorada e superheroina. Reyna, amor, esses são os meus pais, Richard e Louise Dare- a ruiva sorriu contente.
Corei instantaneamente quando os dois adultos me encararam com uma só sobrancelha erguida. Engoli em seco e estendi a mão para a senhora Dare, que aceitou-a abrindo um sorriso logo depois.
– Fico feliz que tenha encontrado uma moça tão bonita, querida- comentou ela para a filha, que sorriu orgulhosa- E não se preocupem, a rixa entre Dare’s e Arellano’s acaba aqui, certo Richard?
O homem encarou a mulher, assentindo logo depois.
– É claro. Eu separar vocês não irá mudar nada, isso apenas colocaria minha princesinha em perigo. E, ainda por cima, você é uma boa garota, Reyna. Li todo seu histórico já, não se ofenda, mas quando vi minha filha entrando no mesmo carro que você no outro dia... eu precisava saber. Mas eu gostei de você, foi uma boa aluna no colégio, é uma excelente aluna na faculdade, não tem fixa criminal, soube que é a professora favorita do colégio de Rachel, a defendeu de tudo quando nem se aguentava em pé... você é, com toda certeza, diferente dos Arellano’s.
Sorri sem graça.
– Obrigada, senhor Dare... mas eu não fiz nada demais por Rachel. Eu não me arrependo, eu faria tudo de novo se fosse preciso. Eu a amo, senhor Dare.
– Chame-nos de Richard e Louise, querida- disse a senhora ao lado de Rachel, ainda abraçando-a pelos ombros- E eu percebi que ama desde o momento em que lhe vi naquela escola no dia em que fui buscar Rachel e ela estava falando com você.
Corei, fazendo Rachel e Richard rirem.
Antes que pudéssemos dizer qualquer outra coisa, a porta do quarto foi aberta e por ela entrou o médico.
– Com licença- disse ele entrando- Sinto muito, mas o horário de visita acabou e, infelizmente, o tempo que lhes dei também.
– Ok, nos dê apenas mais dois minutos. Só para nos despedirmos- pediu Richard.
O médico assentiu e fechou a porta.
– Até amanhã, Lizz- murmurou Louise para a filha, dando-lhe um beijo no topo da cabeça e um na ponta do nariz- A gente te ama.
Richard abraçou e beijou a filha de cada lado da bochecha, depois na testa e um na ponta do nariz.
– Nos vemos amanhã, princesa- murmurou ele para ela- Amamos você- ele se virou para mim- Cuide dela, hein?
Assenti sorrindo.
– Boa noite, meninas- falaram eles antes de darem as mãos e saírem.
Pulei para a cama, abraçando Rachel pelos braços.
– Princesinha, é?- comecei a brincar.
– Ora, nem comece. Mas eu gostei de você, foi uma boa aluna no colégio, é uma excelente aluna na faculdade, não tem fixa criminal, soube que é a professora favorita do colégio de Rachel, a defendeu de tudo quando nem se aguentava em pé– zoou Rachel fazendo uma péssima imitação do pai. Eu gargalhei.
– É diferente, amor- falei entre risos.
– O que é diferente?
– Eu sempre soube que era uma princesa- disse encarando-a- Agora apenas confirmou.
Rachel sorriu me roubando um selinho.
– Vamos assistir a um filme?- pediu ela- Podemos ver um que você goste, aqui tem Netflix.
– Nossa, até o hospital tem Netflix e eu não- ri pegando o controle e começando a escolher o filme- Denunciei meu- contei- Ele e minha mãe foram presos, mamãe como cumplice e estão atrás dos ajudantes com os retratos falados que Percy e os outros deram.
Rachel me encarou e eu fiz o mesmo.
– Sinto muito, amor. Você está bem?
– Eles tiveram o que mereceram... mas não é fácil para filha alguma ver seus pais presos por terem cometido um crime e, principalmente, contra você. Mas eu vou ficar bem, tenho Hylla, você, Ártemis, Luke, Zoe... agora mais um batalhão de gente. Um dia, quem sabe, eu vá ver eles.
– Na audiência, né?- lembrou-me a ruiva.
Suspirei.
– É. Agora, venha. Vamos parar de falar disso e escolher o filme, o que quer assistir?
– Podemos ver Bella e a Fera?- pediu manhosa.
Ri da ruiva e assenti, apertando player. Eu e Rachel nos deitamos mais confortáveis na maca. A ruiva deitou a cabeça em meu peito e eu a abracei pela cintura, logo depois enrolando a nós duas com o lençol.
– Eu te amo- ouvi-a murmurar e logo depois me encarar, com um sorriso divertido nos lábios.
Sorri de canto.
– Também te amo, pequena.
Dei-lhe um selinho antes de voltarmos a prestar atenção ao filme.
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