Juliet and Juliet

2 Blue Margarita ou Red Bubble?


Notas iniciais
Admito, fiquei ansiosa para postar... por isso, vim postar o cap dois! Com um pouco mais de avanço, digamos assim. Boa leitura.

– Já disse que não quero ir!- bradei irritada para Hylla, minha irmã mais velha, que insistia que eu fosse para a porcaria da festa que uns amigos dela querem dar.

Eu tenho cara de quem gosta de festas? Não, obvio que não.

– Vamos, Reyna, vai ser legal. Vai ter bebida, dança, comida, gente boa de papo- ela se jogou ao meu lado- Garotos.

– Eu não quero ir!

– Porra, Reyna! Você tem que ir, eu disse que levaria você para essa festa a mamãe e papai, é algo bom para o papai. Vai, Rey, você disse que iria...

Bufei revirando os olhos.

Odeio minha palavra. Odeio pra valer, principalmente quando a uso com meus pais ou com Hylla.

– Ok, eu vou. Mas quero voltar para casa cedo, hein? Tenho de terminar um trabalho para segunda e amanhã tenho de preparar as aulas- declarei caminhando para o banheiro espumando de raiva.

– Eba!

Ainda ouvi Hylla sair do meu quarto, mas logo depois me enfiei debaixo da ducha.

Dez minutos depois, eu estava quase desistindo de seguir minha palavra. Estava fazendo frio lá fora, lógico, acabamos de sair do inverno. Hylla iria ficar me devendo essa.

Nem mesmo minha calça de couro preta, ou as botas de couro cano longo deixavam eu me sentir aquecida. A blusa de manga estava me irritando por ser de lã e ainda sim não servir para nada, já devia ter xingado o casaco umas quinhentas vezes por não estar fazendo seu trabalho totalmente.

– Hylla, vamos embora- pedi quando finalmente chegamos em frente a porta da mansão.

– Justo agora que chegamos? Nem pensar- ela tocou a campainha e um garoto de cabelos castanhos um pouco ruivos e encaracolados abriu a porta. Um sorriso brincalhão brincava nos lábios rosados dele- Olá, Connor.

– Hylla, Reyna! Não sabia se viriam, mas entrem ai- ele nos deu passagem.

O aquecedor logo me deixou mais quentinha. Ai você para e pensa: O cara tem um aquecedor na sala? Sim, ele tem um aquecedor na sala.

Tiramos os casacos e eu olhei para a multidão. Tinham universitários como eu e Hylla, e tinham adolescentes como os que eu dava aula. Tenho certeza de que reconheci um ou dois correndo ou dançando por ali.

– Hylla, acho que eu vou...- mas quando eu olhei, Hylla tinha sumido- Hylla? Connor? Argh!

Caminhei entre a multidão.

Eu já não queria ter ido para aquela festa, ainda ficar sozinha no meio de um monte de gente que eu nem sabia o nome era querer demais de minha pessoa.

Esgueirei-me por entre as pessoas, empurrando algumas, pedindo desculpas logo depois e então seguindo em frente. Consegui chegar ao pequeno bar montado dentro da sala- para você ver como não estou de brincadeira quando digo que a sala é enorme- ainda com vida. Sentei em um dos bancos altos e chamei do barman.

O cara era grandalhão, me lembrava aqueles guarda-costas de desenhos animados antigos de tão grande, careca e cheio de tatuagens que era. Hoje em dia nem é assim tão raro ver pessoas assim, eu mesma tenho uma tatuagem, mas aquele cara em questão parecia com um personagem de desenho animado.

– Em que posso ajudar?- ele se aproximou para que eu pudesse ouvir por causa do som alto.

Debrucei-me sobre o balcão para chegar mais perto dele, no intuito que o mesmo me ouvisse. Quando uma pessoa da uma festa, é normal por música alta, mas tem que ser música alta de tão má qualidade?!

– Eu quero um Red Bubble, por favor- pedi.

– Sim, senhora.

Sentei no banco novamente esperando meu drink enquanto puxava de dentro da bolsa um livro para ler. Não é normal estar em uma festa e ir ler um livro, mas eu não sou um ser normal.

O barman trouxe meu drink vermelho, tomei um gole no canudinho azul. A bebida estava bem geladinha, mas desceu queimando minha garganta. Ao menos aqueceu meu corpo. Voltei-me para o livro enquanto bebericava vez ou outra da bebida.

– Hey, Jack, me vê mais um Blue Margarita- pediu uma voz ao meu lado.

Imediatamente meu coração disparou, minhas mãos começaram a soar e eu não conseguia mais ler a linha em que eu estava lendo do livro. Aquelas voz de brincadeira, a aproximação do calor de sua pele quase perto demais da minha.

Deus, o que está acontecendo comigo?

– Se eu ficar? Bom livro, mas eu realmente gosto mais daqueles de fantasia- assustei-me perceber que a garota falava comigo.

Tentei esconder o rosto dentro do livro.

– É para um trabalho da faculdade- respondi mudando a voz.

– Sei que é você professora- Rachel riu recebendo o drink azul brilhante- Obrigada Jack.

Levantei a cabeça a encarando chocada.

– Como sabia que era eu?- questionei.

A ruiva deu de ombros sentando no banco a minha frente. Estava com uma calça jeans surrada, blusa regata vermelha e um casaco preto. Nos pés, tinha uma sandália gladiador com algumas rosas enfeitando. Parecia ter sido feita a mãe.

– Provavelmente, é a única em toda a festa que está lendo enquanto toma Red Bubble no meio de uma festa de Connor e Travis Stoll, o que quer dizer que ou é uma pessoa extremamente antissocial, ou é uma professora muita linda que não sabe como interagir com um bando de crianças- Rachel riu.

Apontei para o copo dela.

– Quantos você já tomou desse?

– Ah, sei lá. Uns quatro ou cinco- ela olhou para o barman- Jack, quantos eu já tomei?

– Uns dez.

Engasguei com o Red Bubble. Dez?! Que ser toma 10 Blue Margarita? Não é como se fosse água e você pudesse virar com tudo na boca, não! Esse negocinho azul é forte. Como ela se aguenta em pé ainda?

– Isso, foram dez mesmo- concordou Rachel e depois me olhou- Quer dançar? Eu estou morrendo de calor.

– Calor? Mas era para estar era com frio- falei terminando meu drink.

– Bobagem. Tenho que pedir para Connor desligar esse aquecedor. Vem comigo, Romeu!- e ela me segurou pelo pulso me puxando para o meio de um monte de gente.

Meu livro ficou para trás, meu copo vazio e eu tenho certeza de que minha dignidade também. Rachel não soltou um segundo se quer meu pulso, mesmo em momentos em que tínhamos de nos soltar- nesses ela me puxava para o mesmo lado ou levantava a mão para passar sob a cabeça da pessoa.

Não demorou para que encontrássemos Connor, ele estava falando com um segurança com uma garota de cabelos negros ao lado dele.

– Connor- chamou Rachel.

A garota tropeçou e quase caiu, mas eu a segurei antes disso.

– Obrigada professora- ela sorriu e então encarou Connor- Ai, desliga esse aquecedor e ligar o ar condicionado. Eu estou derretendo- pediu se segurando em mim para não cair.

– Rach, quantos já foram?- perguntou a garota segurando o rosto da menina entre as mãos.

– Ah, sei lá. Quantos foram mesmo que Jack disse?- ela me encarou.

Revirei os olhos a segurando firme pela cintura e segurando seu braço em torno de meu pescoço.

– Dez Blue Margarita- avisei.

– Dez? Rach, isso é demais até para mim- riu Connor- Bia, pode levar ela para um dos quartos?

– O que? Não, eu não quero ir- ela se virou para mim fazendo um biquinho e uma carinha de cachorro que caiu da mudança- Reyna, não deixa eles me levarem!

Abri e fechei a boca diversas vezes procurando fala.

– Rachel, a Bianca vai cuidar de você, eu prometo- falou Connor parecendo se segurar para não rir da situação em que a garota se encontrava.

Bianca assentiu ao lado do namorado, que a abraçava pela cintura.

– Não!

– Eu cuido dela- falei sem pensar- Digo, se estiver tudo bem. Vamos ficar no bar e quando ela não se aguentar mais, eu a levo para o tal quarto e depois vou embora.

– Perfeito, Reyna. Obrigada- falou Connor- Agora vou lá mudar esse ar.

Voltei arrastando Rachel para o bar. Ficamos conversando por um bom tempo, ela ainda bebeu algumas cervejas, já que eu não permiti que tomasse mais nenhum drink. Mas em pouco tempo ela começou a fechar os olhos vez ou outra, até que caiu de cabeça no balcão.

Ri da cena.

Peguei meu livro, o guardei e peguei minha bolsa. Vamos ver se os anos estudando como garoto no exercito valeram a pena agora. Peguei Rachel prendendo suas pernas em minha cintura, o corpo dela caído em minhas costas com a cabeça encaixada na curva do meu pescoço, as mãos para frente. Comecei a caminhar com ela assim na direção as escadas.

Rachel era levinha, o que quer dizer que não tive dificuldade em subir as escadas. O corredor era enorme, no fim dele tinha outra escada que daria no terceiro andar. Estava mais silencioso, não tanto, mas estava. Caminhei até o quarto onde tinha uma plaquinha “Hospedes: Rachel e Thalia”. Abri a porta e entrei.

No quarto, tinham duas camas de casal, a janela e as cortinas fechadas, tinham dois guarda-roupas, uma cômoda, uma Tv de LDC smarth presa na parede e ar-condicionado. Basicamente, aquele quarto era mais luxuoso que muito quarto de hotel.

Caminhei até uma cama qualquer e deitei Rachel nela, tirei suas sandálias e a enrolei. Um pequeno sorriso fez os cantos dos lábios da ruiva se erguerem ao sentir minha mão por o edredom.

Acho que seu calor passou agora.

Liguei o ar-condicionado no 24, apenas para refresca-la e programei para ligar o aquecedor em uma hora. Dei um beijo na testa de Rachel e sorri.

– Boa noite, Julieta.

E então lhe dei as costas, saindo do quarto e finalmente indo para a minha casa. Eu precisava de um banho... e de uma bela noite de sono.

Notas finais
É isso ai... fim dos capítulos de hoje, agora siiiiim, é só amanhã. Boa noite.